sexta-feira, janeiro 30, 2009

Baratas

Todos os que me conhecem bem, sabem que só há um bicho que me mete verdadeiramente NOJO... baratas.
Não posso vê-las, são repugnantes, detecto-as a 10 metros de mim, fujo a sete pés, fico em pânico, quase descontrolada, tento ter reacções racionais e controlar a parte emocional de puro pavor, mas não consigo e às vezes dou por mim a correr, a saltar, a guinchar ou mesmo a berrar, sem conseguir expressar uma palavra perceptível. Quem me veja nestes momentos deve achar que sou louca, mas quando finalmente consigo explicar que tudo aquilo é por causa de uma barata... enfim.
Quanto fui ao Vietname, elas eram tantas e andavam por todos os lados que eu comecei a lidar melhor com a presença delas, pensei que estava a melhorar. Mas agora percebi que não.
Mal entrei na minha nova mansão tive o cuidado de comprar baygon ou raid ou outra coisa do género, e pulverizei tudo até acabar a embalagem. No dia seguinte apenas um cadáver apareceu.
Fiquei tranquilizada, isto significava que não tinha baratas. Mas 2 dias depois, estava eu ao telefone com a família em Portugal, olho para trás de mim e vejo a passear-se na ombreira da porta uma baratonga do maior que já tinha visto. Desatei aos berros ao telefone, devo ter assustado a minha mãe e a minha irmã. O meu pânico era real, "como é que vou fazer?" e elas diziam "mata com o spray", "mas já acabou, e agora?" eu estava completamente em pânico, a sério vocês não imaginam. Elas diziam-me "mata com a vassoura", "mas eu não consigo, é perto demais", do outro lado a minha irmã responde "acho que consegues estar a 2 metros dela com a vassoura". Entretanto a chamada caiu. Passei a muito custo para a cozinha, que era na porta ao lado de onde estava a barata (as baratas aqui são voadoras, daí o meu pavor ser ainda maior que o normal), peguei na vassoura, não sem antes confirmar que não tinha nenhuma barata agarrada também. Quando saí da cozinha já suava em bica, estava completamente descontrolada, tremia (a sério, nunca me tinha visto assim). Peguei na vassoura como se fosse um taco de basebol e bati com toda a força, mas foi só de lado e ela caiu e começou a correr na minha direcção. Ahhhhhhh. Batia desenfreadamente no chão com a vassoura mas sem sucesso, a barata entretanto inverteu a marcha e fugiu para dentro do escritório, fui a correr atrás dela a medo, tentei acertar mais umas vezes mas ela desapareceu na parede, não sei para onde.
Tranquei a porta pus a vassoura junto à porta e a lata de spray vazia em sinal de aviso. Nessa noite devo ter dormido no máximo 2 horas.
No dia seguinte sai sem olhar para trás, quando voltei à hora de almoço vi uma barata a morta à entrada do quarto, pensei que o spray afinal apesar de retardado sempre fazia efeito, deixei-a ficar lá, espreitei para dentro do escritório e estava lá outra também de patas para o ar, afinal eram duas... bolas.
À noite quando voltei a que estava à porta do quarto estava já no meio do corredor a espernear, "está viva!!!", peguei na vassoura e esmaguei-a com toda a força, mas ela voltou-se e começou a correr para mim, "bolas, outra vez não !!!", bato no chão mais umas vezes e por fim separo o corpo da cabeça e ela deixa de mexer. Penso então na outra que era maior e que estava dentro do escritório. Abro a porta e não a vejo, entro devagar, espreito para todos os recantos e só quando já vou a sair do quarto é que a vejo a subir pela porta. Dou-lhe uma vassourada que a atira ao chão e agora, já com a pontaria afinada, dou-lhe duas pauladas que a põe KO. Isto é demais...
Ontem, como se isto não chegasse, despejei mais uma embalagem de spray em casa e antes de fazer efeito uma barata pequena saltou para cima de mim.... Ahhhhhh, pus-me aos saltos e aos berros, porcaria de barata. Mal me livrei dela meti-me no banho purificante... Ufff
Amanhã vêm cá fazer a desbaratização, entretanto tenho uma série de cadáveres à espera de ser apanhados em casa, tenho que comprar uma pá, já que não consigo apanhá-los com a mão.
Só vos digo meus amigos, estas baratas estão a sair-me muito caras.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Entrevista imaginada

Fui para as ruas de Maputo e entrevistei em pensamentos condutores e peões, e imaginei que para as minhas perguntas seriam estas as suas respostas (com base no que tenho visto):


Aboborita - Bom dia, pode-me dizer quando se deve atravessar uma rua?
Condutores e Peões - Sempre que me apetecer.
A- E onde há semáforos?
CeP - Aí é quando o semáforo grande passa para verde (o semáforo dos carros).
A - E onde se deve atravessar?
CeP - Onde me der mais jeito.
A - Sabe o que são passadeiras?
CeP - Nunca fomos apresentados.
A - Já viu aqueles traços brancos paralelos no chão que atravessam a rua?
CeP - Sim, mas tenho tentado apagar, todas as pessoas da cidade estão a colaborar.
A - Quando está parado num semáforo quando sabe que deve arrancar?
CeP - Quando acho que já estou parado à demasiado tempo, mas se estiver polícia do outro lado vou avançando devagarinho com o sinal vermelho e logo que passe a verde dou um arranque de deitar muito fumo para trás.
A- Quantos carros cabem numa faixa de rodagem?
CeP - Depende, pode ir de 1 até 2 ou 3, é ir experimentando.
A - Quando os carros andam depressa e as pessoas se atravessam à frente o que é que se deve fazer?
CeP - Manter a velocidade dos carros, não desviar, as pessoas desviam e se for preciso correm para não serem atropeladas.
A - Na Av. 25 de Setembro pintaram a "lagarta" no chão para delimitar as faixas que viram e as que vão em frente, mas ninguém cumpre, toda a gente passa as linhas como se nem as visse, sabe porquê?
CeP - Minha Sra, pintaram a lagarta porque os nossos artistas são modernos e agora não pintam só na tela, gostam também de pintar a cidade, aquilo é arte, a rua é para andar normalmente, sempre em frente, por cima da arte.
A - ahhh, ok, muito obrigada.

A - E fecho por aqui a minha entrevista, tenho que me desligar dos parâmetros portugueses e adaptar-me à nova realidade onde vivo e conduzo diariamente. Já vou sempre em frente, sem me desviar, sem abrandar, passadeiras não as conheço, e sinais verdes já os vejo a passar.
Em breve conto ter um vídeo para mostrar a famosa Av. 25 de Setembro nas horas de maior movimento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

A minha mansão

Ora então deixem que vos apresente a minha nova casa, que ao contrário da micro-casa de portugal esta é uma verdadeira mansão, só lhe falta o jardim e a piscina, mas também num 8º andar, isso seria algo difícil de conseguir.
Esta é a minha sala de estar, como podem ver tem 2 zonas com sofás diferentes, ao todo tenho 6 sofás e dois móveis/estantes. As minhas malas acabadas de entrar em casa fazem um montinho de cerca de 150 kg, nada mau para o caracol que anda com a casa às costas.
Daqui temos uma vista da sala de estar para a sala de jantar, de onde se tem acesso também para o resto da casa.
Esta divisão é uma inovação para a maior parte das habitações, é um quarto dos arrumos em tamanho gigante. Aqui vou por o meu equipamento de desporto todo, tenho uma arca frigorífica tamanho gigante (dá para me meter lá dentro nos dias mais quentes) e é onde se passa a roupa.
A divisão das lavagens de roupa com uma máquina de lavar e um tanque. Daqui também se tem acesso para a casa-de-banho da empregada, um luxo herdado das casas da época colonial.
A cozinha gigante só cabe em parte na fotografia, tem 2 frigoríficos gigantes, um fogão gigante, 3 bancadas, 1 parede inteira de despensa e metade da cozinha é toda ela a zona de refeições.
O quarto pequeno (maior do que o meu quarto mais pequeno de Portugal) que serve de momento de escritório, tem uma cama para receber visitas e está equipado com ar condicionado, aliás como todos os outros e também a sala.
A casa de banho pequena com duche, para as visitas.
O quarto de visitas (em princípio) com duas camas de solteiro e cómodas para arrumação para além do guarda-fatos. Podem vir visitas, serão bem recebidas.
A casa de banho grande, com banheira, arrumação e pronto, o normal.
E finalmente o meu quarto. Tem duas belíssimas janelas uma para cada lado, vista para a baía de Maputo e vista para a Catembe... um luxo. Uma cama gigante só para mim, mesmo como eu gosto, um tocador e um sofá. E dorme-se tão bem...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Lixeira

22h de quarta-feira, horas normais de um dia normal da recolha de lixo na cidade de Maputo. Os camiões já iniciaram a recolha, daqui a cerca de 2 horas devem iniciar as primeiras descargas da noite na lixeira. Acabo de jantar, com o rádio em punho e os mapas das rotas na mão, saio para as ruas quase desertas atrás deles. Hoje sigo as rotas 1 e 2, vou só ver se está tudo a correr bem, ver quais são as maiores dificuldades, e são muitas. “Rota 1, rota 1, chama”, “Aqui rota 1, diga Engª”, “Em que ponto está”, “Ponto 16, na Av. Karl Marx”, “ok, vou ter consigo”. Já um pouco mais à frente cruzo-me com a viatura, pelo caminho ficaram umas 5 brigadas de trânsito que se posicionaram ao longo da 25 de Setembro, deve estar cá alguém importante hoje… isto só é normal ao fim-de-semana. Assisto à recolha, falo com eles, combino por volta das 23h entrar no camião para ir acompanhar a descarga à lixeira, os olhares e espanto transformam-se em satisfação.
À hora combinada trepo para a cabine, mais parece uma suite com tanto espaço, ou o cockpit do avião com tantas luzes, seguimos com o ar condicionado ligado, porque doutra forma aqui era impossível. Saímos da cidade, passamos pelos subúrbios em tempos chamados cidade de caniço, para distinguir da cidade de cimento, agora é tudo feito de cimento, mas o ordenamento é que continua marcadamente diferente. Em apenas 25 minutos aproximamo-nos da lixeira, a vista de dia é completamente diferente da vista de noite. O cenário é agora dantesco… os montes de lixo escuros deixam escapar uma névoa de fumo da combustão lenta e quase invisível de um lado, do outro lançam labaredas vivas e com cerca de 2 metros de altura. A zona da descarga de lixo é lá ao fundo, temos de avançar em marcha a trás por entre este corredor de lixo, orientado apenas pelo instinto, e desta vez o instinto falhou, atolámos a meio deste corredor, ficámos com as rodas submersas em lixo fresco.
Lá ao fundo começam a surgir alguns vultos na penumbra, um cambaleante trás na mão um copo de shot e acaba de beber a bebida de elevado teor alcoólico que o deve acompanhar há anos, outros trazem ganchos e sacos às costas, outros trazem lanternas. São os catadores. Aproximam-se para tentar ajudar. Começam a tirar o lixo que bloqueou as rodas, mas nem isso faz mover o monstro, “vem lá um camião” pedimos reboque, temos apenas um problema, não há cabo de reboque, em 5 minutos com um corropio de gente para trás e para a frente, surge do meio da lixeira um cabo de reboque de aço, daqueles mesmo bons. Entretanto o camião já tinha descarregado e seguido caminho. Vêm os nossos camiões fazem as descargas, passam, cumprimentam, sorriem e fazem adeus, “é a Engª”, que espanto. Nesta confusão estão 3 carros nossos a descarregar, 1 atolado e nos entretantos chega um outro que se liga a nós com o cabo de reboque e nos puxa dali para fora. O motorista todo contente pega no rádio e comunica com um sorriso nos lábios o seguinte “Já vamos sair da lixeira, levo a Engª comigo, desta vez conseguimos não a deixar cá”, do outro lado ouve-se o supervisor a dizer “bom trabalho”. Os outros motoristas ainda ali ao lado riem e acenam, a noite ainda agora começou, ainda virão à lixeira fazer mais uma descarga esta noite, mas desta já se safaram.

A Saga da Casa

Desde dia 6 até dia 24... estava a ver que isto não acabava... Ainda antes de vir para cá já andava meio mundo à procura de casa para mim, e nem mesmo assim encontrar ninho foi uma tarefa fácil. Vou resumir um pouco as casas e situações que vi e vivi.
Primeiro apartamento, T3 grande com vista para a baía e para a Catembe, precisa de obras e tem um pequeno problema... elevador avariado... sobe, sobe, sobe... bolas... é melhor pensar.
Vou ver outros, vejo muitos outros, tantos que nem me lembro da ordem. T3 com obras na cozinha e nas duas WC, entro e a cozinha está podre e as wc têm a descarga a funcionar à caneca... ok. Siga para outro.
Casa de um Libanês, chegamos antes dele, não podemos entrar porque a mulher está sozinha, esperamos pelo marido. Marido chega, é da minha idade, pergunta para quem é a casa (eu estou acompanhada por duas pessoas das agências), digo que é para mim, e ele responde então só podes entrar tu, mas antes tenho de ver se a minha mulher tem a casa pronta para tu entrares, ok. Espero mais 2 minutos. Quando entro a mulher (muito muito nova) está sentada no sofá da sala frente à televisão onde passa a "Al Jazeera" em árabe, não me dirige o olhar directamente, nem a palavra. O marido mostra-me a casa ao pormenor. Gostei de tudo principalmente por estar totalmente equipada, problema imensa humidade que está a desfazer as paredes... Antes de sair a conversa foge para a guerra entre Israel e Palestina... digo que não compreendo nenhuma guerra, as feições dele alteram-se e diz "vamos lutar até à última gota de sangue", e eu digo, percebo o que sentem, mas continuo a acreditar que há forma melhores de resolver os conflitos, sem que haja necessidade de morrerem tantos inocentes. Em resposta recebi um convite para almoçar com eles. Das duas uma, ou me queria envenenar, ou queria começar um harém. Agradeci, e saí para o almoço. Cá fora chovia torrencialmente e tive que ficar à porta do prédio à espera que houvesse uma aberta, para meu espanto, o rapaz sai de casa com um chapéu-de-chuva para me acompanhar ao carro. Mais espantada fiquei quando me deu o chapéu e seguiu a trás de mim à chuva, a cerca de 2,5m como mandam as boas regras da cultura dele, e como manda o bom cavalheirismo que nunca tinha visto senão em filmes do antigamente.
Continuando com as aventuras das casas. Encontrei entretanto a casa dos meus sonhos, mas estava vazia, sem mobílias nem electrodomésticos, mas negociei com o proprietário e ele comprometeu-se a colocar lá o mínimo dos mínimos para eu poder mudar-me para lá 4 dias depois. Combinei tudo, ligar-lhe-ia daí a 1h para ele me dizer que mobílias iria colocar na casa, e eu entretanto tratava de arranjar o resto no fim-de-semana. Estava feliz, iria regressar ao prédio onde tinha morado quando vivi cá, com uma vista brutal sobre a baía e sobre a cidade, a casa está impecável, com obras recentes, numa zona central, um privilégio. Estava tudo a correr tão bem... quando 1h depois o dito ficou pelo não dito e o preço da casa passou para mais 400 dólares do que o que já estava acordado... fiquei estupefacta, fula, passada... como é que é possível... já tinha a saída do hotel marcada e tudo... bolas.... Volta tudo à estaca zero.
Entretanto vi mais casa, e mais casa, nenhuma especial, em zonas já não tão aconselháveis, algumas bem mais caras, a chegarem a valores como 2.500 dólares por mês... Cheguei a inscrever-me para lista de espera de condomínios fechados mas sem grande esperança de conseguir vaga...
Entretanto no hotel acho que já nem podia mais com a comida do pequeno-almoço, já tinha alergia ao quarto, do gerente à empregada da limpeza já me conhecem pelo nome... bem... estava a criar raízes e as malas a acumular pó num canto do quarto.
Finalmente a 1ª casa que vi, teve o problema do elevador resolvido, as obras de beneficiação estão a ficar concluídas e eu voltei a ir vê-la. Ok, quando é que consegue tê-la pronta? Sábado, responde o senhorio. Fico com ela. E este sábado estavam os homens das obras a sair à hora de almoço e eu a entrar. Finalmente tenho casa.
Carreguei cerca de 150 kg de bagagem pelo elevador ressuscitado, besuntei portas, janelas e armários com mata-insectos, lavei casas de banho, bancadas e etc's e tais, olhei pela janela e finalmente sinto-me em casa.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Uma equipa fantástica

A minha equipa aqui em Maputo tem-me surpreendido a cada dia que passa. Ao completar uma semana e meia da minha chegada, o balanço do relacionamento com todos eles tem sido positivo, e há alguns momentos que acho tão importantes, por serem simples e sinceros, que tenho de partilhar convsco.
O encarregado, o meu braço direito operacional (como o chamei um dia), mais conhecido por comandante, por já ter sido sargento das tropas portuguesas na época do ultramar, é uma pessoa grande e impõe respeito. Com ele tive já 2 episódios muito marcantes que tenho que relatar.
No meu 3º dia de trabalho, quando fazia a minha apresentação ao 3º e último grupo de recolha, ele apresentou-me assim “esta é a nossa chefe, é a nossa mãe”. As lágrimas quase me vieram aos olhos, mas controlei-me, e passo a explicar porquê: aqui a maior expressão de respeito que se pode ter por uma mulher é chamá-la de mãe, pelas ligações muito fortes que têm culturalmente com a família, e eu sabia disto, e por saber disto não esperava que me viessem a ter em tão elevada consideração tão cedo. Foi bom… foi muito emocionante… coisas como esta tiram-nos as palavras, tiram-nos o chão. J
Hoje, voltou a surpreender-me ao dizer-me que me queria oferecer uma pulseira feita por si, e que esperava que a minha mãe chegasse rápido a Maputo para fazer-lhe uma pulseira a ela também. E explica-me assim “é que eu trabalho bem marfim”. J Já lhe expliquei que só uso madeira, não uso marfim, porque prefiro vê-lo nos elefantes vivos do que nos meus braços, mas o orgulho nos olhos deste homem ao dizer-me que é artesão e que sabe fazer mais do que o que já me mostrou, é tão grande…
Entretanto vão surgindo surpresas de outros lados. A secretária trouxe-me uma manga, linda vermelhinha, cheirosa, como só as mangas de cá sabem ser, colhida do seu quintal na Matola, “achei que ia gostar” disse-me, e eu sorri babada porque adoro manga. Um doce…
Hoje o responsável da contabilidade saiu para tratar de milhares de assuntos na rua e quando chegou veio fazer o ponto de situação e para acompanhar trouxe um saquinho de amendoim torrado em areia, daquele que eu adoro e morria de saudades… vocês sabem o que isso é? Hummm é muito bom… delícias.
Como fazia em Cabo Verde decidi que logo que tenha casa vou passar a trazer os meus bolinhos caseiros para aqui também, alguns de vocês sabem que aos domingos gosto de fazer bolos, pois estes meus colegas vão ter à 2ª feira um contributo para a engorda não tarda muito, espero eu (só falta a casa e forno).

segunda-feira, janeiro 12, 2009

1º Fim-de-semana

Depois de uma semana cheia de sol e muito calor, o sábado acordou ligeiramente cinzento e foi a pouco e pouco carregando céu de nuvens. A meio da manhã, depois de um pequeno-almoço descansado, fui ver um apartamento que teoricamente reunia as condições desejadas. Chagada ao local, percebemos que o elevador estava avariado, e então o que fazer? decidi que mesmo assim ia ver a dita casa. Toca a subir, subir, subir... e pára para descansar, e depois sobe mais e mais e mais, e pronto chegámos com a língua de fora ao 8º andar. Abrimos uma porta, depois outra, e finalmente no hall do piso abrimos o portão da casa com 2 cadeados, e depois finalmente a porta reforçada. A casa era um T3, com sala grande, cozinha gigante, 1 varanda, zona de lavagem, 2 wc, 3 quartos com ar condicionado, wc para empregada, copa, electrodomésticos incluindo 2 frigoríficos, 1 arca e 1 máquina de lavar a roupa. Acabadinha de pintar, com mobília em todas as divisões, apesar da época de Luís XV, mas com umas capulanas em cima dá para disfarçar. 1500 dólares por mês, mais condomínio, mais tv-cabo, mais internet, mas ainda tem lugar na garagem. Parece-me bem, não fossem os 8 andares para subir cada vez que o elevador avaria (e ao que parece é bastante frequente). Decidi que é melhor procurar mais casas e desta vez mais baixas.
Saio daqui e vou ao Polana Shopping Center, entro na europa, e tenho tudo o que preciso e não preciso está ali à mão de semear, ao passo que lá fora para muitos falta tudo... enfim... coisas de país em vias de desenvolvimento (em linguagem politicamente correcta).
Almoço depois num dos sítios que mais me é familiar o Clube Naval, onde fui sócia, eu e toda a família, onde tínhamos o barco Caluca, que procurei nas boxes mas não encontrei, onde nadava na piscina, de onde saiam os barcos à vela, onde se mostravam os troféus das pescarias de fim-de-semana... memórias.
À tarde choveu, e choveu tanto que só parou de chover na 2ª feira, daquela chuva grossa que cada gota parece um copo de água, daquela chuva quente de verão, daquela que eu apanhava quando estava na escola enquanto jogávamos às escondidas...
No domingo com a capa da chuva vestida meti-me a caminho para casa de uns amigos, almoço em boa companhia, senti-me em casa, como sempre eles me fazem sentir. Fiquei lá horas e acabámos o dia a ver e a cantar o “Mamma mia”, mais uma vez... foi tão bom... delicioso. Obrigada amigos.
Para fechar o fim-de-semana fui "apanhada" pela polícia, e a história merece ser contada: Farda cinzenta (que pelos vistos não é polícia de trânsito nem lhe dá o direito de me pedir a carta de condução, mas só descobri isso mais tarde), armado com uma arma semi-automática de meter respeito, diz que tenho de pagar uma multa de 1.500 meticais (qualquer coisa como 42 €, quando a multa máxima cá é de 1.000 meticais segundo me informaram mais tarde). Respondi que não tinha comigo essa quantia (verdade verdadinha), disse-me que tinha que me apreender a carta até eu pagar e que me passava uma credencial para eu continuar a conduzir, eu respondi que isso não podia ser porque a credencial apenas substituía a carta de condução e a carta de condução não serve apenas para conduzir, é também o meu documento de identificação, pelo que se eu necessitasse de me identificar a algum colega dele até levantar a carta não tinha como. Começou então a dizer que estava só a fazer o seu trabalho, e eu respondi que compreendia e que o respeitava por isso e por considerar que o seu trabalho era muito importante e que era principalmente de educar e sensibilizar as pessoas. Ele disse então que não podia deixar de passar a multa porque esse era dinheiro que iria para os cofres do estado (e eu já a ver o rumo da conversa), disse-lhe que sim, mas que me deixasse então pagar na 2ª feira depois de levantar dinheiro. Ele então disse que ganhava uma comissão da multa, e eu perguntei quanto. 50%, eu arregalei os olhos (750 meticais, bolas, pensei cá para mim). Disse-lhe claramente, olhe, não tenho mesmo esse dinheiro, se tivesse dava-lho já de bom grado (até tinha, mas...), é que eu saí só por um bocadinho e sem dinheiro. Ele disse então para ver o que é que eu podia fazer... dar o que pudesse, ao que eu respondi, que eu vim só com dinheiro para tomar café, porque vinha mesmo só tomar café (tinha ido comer um gelado, mas pronto, até porque não bebo café à noite). Estendeu-me a carta e disse, pode ir. Estendi-lhe a mão e dei-lhe um aperto de mão, agradeci e desejei continuação de bom trabalho. Atravessei a rua, sentei-me no café e tive mesmo que tomar o café... gelados... nicles... fica para a próxima... poupei o dinheiro do gelado e da multa.
Bem me parecia que eles andavam aí... e bem perto.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Uma aventura nas estradas

Depois do almoço do primeiro dia de trabalho foram buscar-me ao hotel e passaram-me a chave para as mãos e, logo ali, explicaram-me em 2 minutos os segredos do carro.
Ora carrega-se neste botão para abrir as portas, entrar, fechar as portas, trancar as portas, por a chave na ignição (já sei, até aqui nada fora do normal), e passar a mão aqui neste botãozinho escondido para desactivar o corta corrente senão começa a disparar o alarme e não consegue andar com o carro. Ahhh, ok o carro tem truque… boa. Lá aprendi a coisa.
Entro no carro e faço tudo isto com mais um pormenor à mistura: entra-se do lado direito do carro, volante do lado direito, mudanças do lado esquerdo (a meio do carro como todos os outros), com a 1ª a meter para a esquerda e a 5ª a meter para a direita (tal como nos outros carros), os pedais exactamente na mesma posição, olho para os espelhos não estou habituada a vê-los naqueles sítios, o carro também cresce para a esquerda e não para a direita… bem… não há-de ser nada.
Ponho o carro a trabalhar depois de me livrar do truque. E agora o sentido nas estradas também é todo ao contrário…. Ai ai ai, faixa dos lentos é à esquerda, circulamos pela esquerda, ultrapassamos pela direita, atenção fazer o pisca e ligar as luzes também é no manípulo da direita (bolas já liguei o limpa pára-brisas), tenho que ter o eixo de via junto a mim do lado direito senão arrisco-me a bater no passeio, meto a segunda (mas antes disso bato com toda a força com a mão direita na porta do carro… dói), lá atino com a coisa.
Chego à primeira rotunda… e agora… pois, é mesmo ao contrário, não sei explicar mas com jeito a coisa vai. Consegui um bocado a custo chegar ao trabalho, não bati em ninguém, não atropelei ninguém, não subi passeios, não deixei o carro ir abaixo, usei todas as mudanças e o alarme não tocou. Até o motorista que ia ao lado manteve um ar sereno e não veio agarrado ao banco. Posso dizer que foi um sucesso.
Ao fim do dia ao regressar ao hotel a aventura foi feita de noite com as luzes acesas, também correu bem, com menos movimento e já sozinha, acho que já posso receber visitas e ir buscar-vos ao aeroporto. Já tive outra cobaia entretanto, ainda não morreu de susto e até já arriscou duas vezes.
Agora o meu stress mais recente é ser mandada parar pela polícia ou pelos militares, e isso não deve faltar muito, eles andam aí.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Uma aventura na alfândega

8h da manhã cheia de energia e com o pequeno-almoço tomado, sigo para o terminal de carga do aeroporto para levantar as minhas 4 malas que totalizavam 100kg.
Chego com os papéis na mão, dirijo-me à primeira pessoa que estava com ar de guarda do lugar sentado num banco e ele aponta para a porta do lado. Aqui dizem-me para ir ao portão do outro lado ao armazém, aqui no guiché da carga, olham para os papéis sem sequer dizerem bom dia e dizem para ir ao balcão da alfândega, e finalmente encontramos alguém que nos explica minimamente o que se vai passar. Então primeiro tem de escrever um requerimento, comprar uma folha, preencher a folha, tirar fotocópia do passaporte, anexar ao papel que trouxe de Portugal e ao outro que me entregaram no hotel, e entregar tudo isto aqui mesmo. OK, percebido. Faço isto tudo e (atenção a esta parte) no requerimento escrevo qualquer coisa do género: "venho respeitosamente requerer que V.Excelência se digne autorizar o levantamento da minha bagagem pessoal isento de formalidades de despacho". Paguei 299 meticais e julguei que a parte isenta de formalidades de despacho teria muito significado, mas como percebi mais tarde estava redondamente enganada, ora vejamos.
Entreguei a papelada toda na 1ª porta à direita para o Sr da 1ª secretária assinar e registar no livro grande, depois fui à 2ª porta à direita falei com a 3ª senhora ao balcão, carimbou 3 folhas das muitas do meu molho e disse para ir lá para fora "apanhar ar durante meia hora". Segui as ordens que me eram dadas, fui para o carro apanhar ar condicionado porque às 10h da manhã (sim com isto já eram 10h da manhã) a temperatura já tinha subido para os 35ºC.
Meia hora depois voltei, a senhora disse-me para ir ao 1º sítio onde tinha feito o requerimento, lá fui, cheguei lá peguei nos papéis preencheram uns rabiscos num livro pequeno e disseram-me que podia ir ao armazém buscar as malas para serem revistadas. Revistadas? Todas? "Sim, o chefe mandou revistar", pensei cá para mim, trago 4 míseras malas com roupa usada, barbatas de mergulho, e equipamento de equitação, descriminei ponto por ponto tudo o que trazia em 2 folhas A4 e agora ainda querem ver as malas todas? e ao meu lado vem montes de importadores com caixotes em paletes, que sabe-se lá o que trazem, enchem-se camiões com eles e ninguém abre sequer uma caixa... ora bolas... isto está mal... deve ser por ser turista... devem achar que venho para cá vender a minha roupa. Mas adiante.
Toca a rasgar a plastificação de 5€/mala, abrir os cadeados, o revisor pede para afastar a toalha de praia, o casaco, as barbatanas... pergunta se é tudo usado, digo que sim, pergunta quanto tempo vou ficar cá, ao que respondo que tenciono ficar cá a viver. Afinal era esta a resposta que faltava, deve ter-se feito luz, "pode fechar, então seja bem vinda, espero que goste de ficar por cá." Obrigada digo eu. Mas isto ainda não acabou por aqui.
A informação segue para o chefe, o chefe demora demora demora, vou fazer uma espera para junto da 3ª senhora do balcão, lá vem o meu processo, são 11h35, os serviços fecham às 12h para o almoço... aiiii que vai ser apertado. Corro para a 1ª porta do lado direito, o senhor da 2ª secretária assina e carimba mais 3 das minhas muitas folhas, corro para o armazém e já suo em bica, vou finalmente ao balcão da carga, fazem-se as contas e tenho que pagar o manuseamento da carga, mais 1.170 meticais, desembolsa no balcão do lado que aqui cada coisa é feita no seu sítio. Paguei e carimbei, vou ao senhor que tinha ido buscar as minhas malas, ele assina, eu assino e ponho a data, vou ao revisor ele carimba e assina, deseja mais uma vez bom dia, e sigo para o guiché de carga, entrego o papel, pego nas malas e vou a sair. Já com um pé de fora sou parada mais um Sr desta vez da taxa de carga diz-me que ainda não paguei, "ohhh meu deus", lá faz umas contas manhosas, são 11:55h, estou em desespero... são mais 200 meticais. Bolas. Nem acredito.
Saio do armazém ponho as malas no carro, finalmente acabou esta saga. E isto tudo isento de formalidades... nem quero imaginar se houvesse formalidades...
O motorista diz-me que se tivesse desembolsado mais 500 já estaria com tudo resolvido a meio da manhã, mas explico-lhe que isso vai contra os meus princípios, não pago mais pelo trabalho que cada um tem de fazer. Custou-me, penei, mas passei mais este teste, um teste de paciência, calma, de não ceder ao facilitismo e pequena corrupção, e sempre com um sorriso nos lábios.
Cheguei ao hotel e tive que tomar um banho gelado, à tarde ia trabalhar no duro, e não podia dar-me ao luxo de estar cansada. Felizmente o sol e o calor têm em mim um efeito revigorante, e a seguir ao almoço a energia e o espírito estavam outra vez em alta.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A viagem

“Srs Passageiros, pedimos a vossa atenção (…) for the safety vídeo presentation” foi com qualquer coisa do género que começou o percurso para a pista, com falhas de memória incluídas. Estava cansada, estes últimos dias de preparativos tinham-me deixado de rastos. As despedidas tinham sido sempre que possível nos dias anteriores e a maior parte não presenciais, porque efectivamente assim custa menos, mas mesmo assim esgotei a minha dose de lágrimas. Tal como escrevo no post anterior, as despedidas não são fáceis mas esta tem um sabor diferente e especial.
Voltando a voo. Olho pela janela, o lugar é privilegiado, estou junto ao nariz, tão perto que sou das primeiras a perceber que descolamos suavemente do solo. As luzes do lado oriental de Lisboa afastam-se de nós, subimo-nos vislumbrando o lado que menos gostos de Lisboa, prefiro as minhas bandas, mas não se pode ter tudo… passamos o rio Tejo em ascensão e já na península de Setúbal começa a turvar-se a vista, a bruma dos dias cinzentos mesmo de noite paira no ar. Em segundos esconde as minhas referências em terra, em vez destas tenho as estrelas, as minhas guias e companheiras de viagem de sempre, aquelas que aprendi a reconhecer nos acampamentos na Serra de Estrela e que vi mudar nas noites quentes de África, aquelas que estão lá todas as noites, em todos os meus voos.
De manhã bem cedo o despertar faz-se com uma toalha quente nas mãos e um “bom dia” do comandante, o pequeno-almoço é servido e passado pouco tempo inicia-se a descida para Jo-burg (Joanesburgo). Finalmente abro a janela e agora reconheço o vasto continente africano que tanto me fascina, já o sobrevoo, já quase o toco, daqui a pouco mais de 3 horas pisarei o solo, a ansiedade da chegada cresce em mim.
Passadas 3 horas efectivamente piso solo africano, mas ainda na África do Sul, foi detectada uma avaria no motor… depois de ficarmos fechados no avião até suar em bica lá conseguimos autorização para desembarcar na free-shop do aeroporto. As lojas de artesanato africano misturam-se com a Body-shop, a Lacoste e outras do género. Dei voltas e voltas, finalmente o problema está resolvido, com 3 horas de atraso partimos para o destino final e aterro no aeroporto de Mavalane… Maputo at last. O bafo quente denuncia o verão africano, dão 17:30 e estão 35ºC, que maravilha…
À minha espera e já quase em desespero, mas avisado do atraso, esperavam-me da empresa, saí com as malas que trazia no avião, as da bagagem não acompanhada têm de ficar para amanhã porque o terminal de carga já está a fechar a esta hora. Sigo para o hotel , tomo um banho, troco dinheiro, vou jantar, desfaço as malas e às 21h cometo a minha primeira loucura um mergulho na piscina no terraço do hotel, a cidade toda à minha volta, é noite a temperatura óptima. Sim, estou cá.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

A lágrima mais doce

Escolhi este título de post já há muito tempo porque é assim que sinto esta minha viagem.
As lágrimas normalmente salgadas, associadas a dor ou a alegria, desta vez são muito mais do que só isso. Estas minhas lágrimas de despedida doeram, arderam ao deslizar nas faces. Eram salgadas por natureza e eram lágrimas de dor, mas ao mesmo tempo eram lágrimas doces cheias de amor, cheias de carinho, cheias de doces abraços, beijos, palavras e olhares, cheias de doces sentimentos. Estas lágrimas são de partida mas também são de regresso, são de recomeço, de conquista, são lágrimas que partilho aqui convosco mas que são todas elas para a minha família.

domingo, dezembro 28, 2008

Momento de Relax

Enquanto faço as malas (sim... já comprei as malas... um monte de malas, todas do mesmo conjunto, para condizer!!!), e porque não tenho tempo para escrever nada de jeito e tudo o que poderia escrever só ia provar que estou a ficar stressada... o costume... nada mais do que o normal a 1 semana da partida... Decidi que o melhor era recuperar um momento que me faz sempre rir e descontrair um bocadinho Mahnamahna.



Beijinhos para todos, boa semana e um óptimo ano de 2009.



terça-feira, dezembro 23, 2008

Finalmente Férias

E depois de um ano inteirinho a bulir que nem um mouro, lá me fiz à estrada e tive direito ao meu lugar ao sol e às tão merecidas férias...
Não posso dizer que foram umas grandes férias, nem que foram longe, sem interrupções, nem mesmo que deram para esquecer o trabalho... mas mesmo assim foram férias.
Na segunda-feira fui logo de manhã cedo à empresa (à nova empresa, mas à sede em Lisboa, não à empresa em Maputo) para ver se estava tudo em ordem. Ora pensava eu que estaria lá das 9h às 10h no máximo, mas era preciso ver isto e mais aquilo, levar este ficheiro, analisar o outro, falar com este e com o outro, fazer umas continhas, analisar o contrato... enfim... quando dei por mim eram 20h e já estava com umas olheiras demasiado grandes para me meter a fazer 300km que ainda me faltavam para o descanso do guerreiro.
Viagem adiada para o dia seguinte... isto já não estava a correr nada bem... menos 24h do que estava planeado, lá segue a comitiva no Toyota rumo ao Algarve. Destino final - Vale do Lobo... o nosso paraíso de descanso no mês de Dezembro.
Os nossos dias eram passados, basicamente assim: levantar tarde, sem despertadores, tomar banho com água escaldante, embaciar a casa de banho (cada uma tinha a sua... um luxo), tomar o pequeno almoço na varanda ao sol, andar sempre de t-shirt, sempre de calças de ganga, sempre com as botas de caminhada desapertadas, com o boné na cabeça e óculos de sol. Saída para um passeio a pé pelo empreendimento, pela praia, pela ria... o que quiséssemos. Apanhar sol e mais sol. Regresso a casa, almoçar aquelas coisas deliciosas que comprámos no meu supermercado preferido, gourmet do melhor que há (e do mais caro também) - o famoso Apolónia, que é de ir lá controlar bem a carteira e os impulsos consumistas, ou então arriscamo-nos a ficar sem 500€ de uma só ida às compras. À tarde, mais passeio, ler um livro, lanche, dormir, descansar, jogar às cartas, apanhar sol, ouvir música... era mesmo o que quiséssemos.
Passaram-se assim os dias, no bem bom, a descansar e a curtir o céu azul do nosso país, o calor... a paz.
Antes da partida estas férias serviram não só para descansar, mas também para reunir a família, para festejar o aniversário da minha mãe, e para mais uma vez reforçarmos os laços que nos unem tão firmemente. Esta tradição recente de ir para lá na semana do aniversário está a saber-nos muito bem, já está a fazer parte de nós, tanto que para o ano, se continuar lá fora terei de vir cá dentro para não quebrar a tradição.

sábado, dezembro 13, 2008

Jantar de Natal - Trabalho

Os jantares de Natal das empresas por onde tenho passado têm sido estranhos... alguns são hilariantes, outros uma verdadeira seca. Mas o deste ano foi muito muito bom. Eu devia estar de férias, ou melhor, de descanso compensatório das horas extra de trabalho acumulado deste ano, mas mesmo assim fui ao jantar que acabou por ser também a festa de despedida para a maior parte das pessoas.
Mal entrei percebi que não ia ser uma noite normal. "Ana! Dá-me um abraço." diziam-me de um lado "Ana, vieste!" ou então "Já estás aqui!", foi lindo... imensas caras familiares do meu dia-a-dia, desta vez com sorrisos abertos e ar descontraído, abraçavam-me e acolhiam-me com carinho. Até conseguir pedir o meu gin tónico do costume tive que passar por um mar de beijos e abraços quase interminável, e foi muito bom. Já com o copo na mão começou um desenrolar de perguntas sobre a viagem, o que me espera, sobre a minha aventura. Fomos interrompidos com um "temos de descer para o jantar", e eu obedientemente e porque a fome já apertava, lá fui. Os amigos do costume já tinham a mesa reservada, corri para o meu lugar na mais louca dança das cadeiras, para ver se fugia a ficar com algumas almas que se colam sempre... e lá conseguimos ficar com um grupo compostinho.
A comida não foi nada de especial, aliás ficamos sempre com fome neste jantares... não percebo muito bem porquê... mas é sempre a mesma coisa.
Quanto à música, isso sim esteve melhor do que em anos anteriores. Desde Kuduro, a Samba, a Pimba, a Rock, houve um pouco de tudo e dançou-se um pouco de tudo. Sinceramente houve momentos em que pensei "ohhh meus amigos, mas o que é que é isto??? eu não danço esta mer..." mas depois pensei "que se lix... parar é morrer, e hoje é mesmo para a despedida, é dançar até cair". Dançámos mesmo de tudo, até mesmo quando se meteu o Karaoke pelo meio, e aí dançámos e desafinámos em palco, foi de chorar a rir. Gritámos, gesticulámos, abraçámo-nos e até caímos ao som de "YMCA", "Sol da Caparica", "Contentores", "Maria"e até o "Feliz Natal" na versão original e na versão assassina do João "esfaqueei o Pai Natal". Eram já 1:30h da manhã quando literalmente nos cortaram o pio, e já tínhamos nós um público tão fiel que nos aplaudia entusiasticamente junto ao palco e pedia mais...
Saímos do restaurantes entre mais abraços e apertos de mão, muitas palavras de apoios e alguns "se precisar de ajuda lá em Moçambique mande-me chamar". Como ainda era cedo partimos para a discoteca maior e mais irreal aqui da zona, HK - Hacienda Klub. É um Centro Hípico (coitados dos cavalos) com 2 pistas de dança e cheias de miúdos... tão miúdos que tivemos de ficar a primeira hora no bar a cantar mais um bocadinho, desta vez foi o "We are the Champions" e o "Dancing Queen", e o resto da noite já mais quentes e habituados ao ritmo da música vibrante dançámos até ... nem vi as horas... não me lembro... sei apenas que cheguei a casa pouco antes do nascer do sol... fechei bem as persianas e meti-me debaixo do edredão para não entrar claridade... e dormi... dormi... dormi...
Que noite... que grande farra... diverti-me à grande. Doem-me os pés, mas tenho a alma cheia. Adorei. Beijinhos para todos.

PS - As fotos e vídeos deste jantar deviam ser publicadas neste blog, mas foram confiscadas por inviabilizarem o futuro político de algumas das personalidades nelas presentes

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Provérbio chinês

"Não desespere jamais com as mais sombrias aflições da sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda."

Chovia

Começaram as despedidas aqui no trabalho... de algumas pessoas sentirei falta, de outras nem por isso, já se sabe que é mesmo assim.
Das que interessam recebi sorrisos largos, beijos e abraços, força, palavras de apoio, das outras não veio nada de especial, mas também não esperava nada de mais.
Senti o coração apertado em algumas despedidas, pela distância e pelo tempo que vão transformar a forma como nos vamos dar uns com os outros. Mas também isto sei que é normal.
Já parti algumas vezes, as vezes suficientes para saber que é mesmo assim, mas também as vezes suficientes para saber que custa sempre. Não me importo que custe, faz parte de mim sentir assim.
Por isso hoje quando corria de um edifício para o outro para fazer algumas despedidas chovia ao de leve, não me importei com a chuva da rua porque cá dentro a chuva miudinha que sentia era um bocadinho mais forte, hoje chovia um bocadinho mais dentro de mim.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Hoje não tenho palavras, só música dentro de mim...

Don’t run away
If you know that you’ve got what it takes
Don’t shy away (No, no)
Sleep now
Dream here
And hopefully the night will ease your fears
Hey
There will be tears to shed again
Time to begin
And time to end
Baby and you say I’ll be sad
But that depends

Come on recognise me
I know that you know my face
Weren’t you’re the one who told me once you would be there
And every time I try to walk away
You keep me in my place
I try to break away but I’m much too much too scared
Try to break away but I’m much too much too scared

And you think of your chance
Cuz life will grant you one and that’s your last
Hey
Baby, don’t think too fast
No, no
You can’t have mine
All I do is move you round in time
Baby, there will be nights to sleep alone?
Time to fight, and time to grow
Baby and you say I’ll be sad
But you don’t know
You don’t know

Come on, recognise me
I know that you know my face
Weren’t you’re the one who told me once you would be there
And every time I try to walk away
You keep me in my place
Baby, I try to break away but I’m much too much too scared
I try to break away but I’m much too much too scared
Try to break away but I’m much too much too scared
Hey, yeah, yeah
Baby, hey
Baby now
Baby now
Hey, yeah, ohh
Baby now, come on recognise me
I know that you know my face
Weren’t you’re the one who told me once you would be there
And, every time I try to walk away
You keep me in my place
And I try to break away but I’m much too much too scared
I try to break away but I’m much too much too scared
Yeah, I try to break away but I’m much too scared

The hardest thing I ever had to do was let you go
The hardest thing I ever had to do was let you go
Baby, now come on,
Now, come on
Hey, come on
Yeah, I try to break away but I’m much too much too scared
I try to break away but I’m much too much too scared

Ana Free

terça-feira, dezembro 09, 2008

Count Down

"5 dias de trabalho é quanto falta" foi o que pensei hoje logo de manhã.
Acabar os quadros do mês, fazer o último envio dos dados, quadros de controlo de gestão, análise de desvios, e depois, mais uma vez na minha curta vida, arrumar a secretária e seguir viagem.
Tenho já só 5 dias para tudo isto e para as despedidas.
Estou a ficar ansiosa e emocionada... eu sou assim... falo com as pessoas e, sem que elas percebam, gravo na minha memória as suas vozes, as suas feições, expressões, tiques, pequenos jeitos, pequenos gestos, aqueles que as tornam únicas e diferentes. Gravo-as na minha memória.
Gravo também o cheiro do ar, o som dos pássaros, a cor do céu, o som das árvores a abanar ao vento, o frio das manhãs e o calor do meio-dia.
Gravo na pele os abraços, nos ouvidos as palavras, no nariz o cheiro do campo, nos olhos os sorrisos e na boca o doce sabor dos dias que passam agora a correr mais do que nunca.
Saudades, sei que as vou sentir, já as sinto chegar, tocam-me nas pontas dos pés por antecipação e a pouco e pouco vão subindo e não tarda chegam ao coração.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Frio... Neve...

E antes de ser abraçada por uma onda de calor decidi ir despedir-me do frio. No fim-de-semana eu e o grupo do costume enfiámos os gorros e os casacões nos carros e partimos naquela estrada em direcção ao ponto mais alto de Portugal continental - Serra da Estrela.
Palmilhámos a aldeia de Águas e os terrenos do nosso cicerone e grande latifundiário da região para conhecer os terrenos e os seus planos de expansão territorial. Ouvíamos sempre ao longe as badaladas do sino da igreja e o cheiro a lareira enchia os caminhos de pedra. Chovia sempre, tanto que nem se conseguia sentir o cheiro da terra molhada de tão ensopada que estava.
Depois de uma refeição de alho francês à brás subimos à serra em busca de neve. O nevão do fim-de-semana anterior praticamente tinha desaparecido, mas bem perto da Torre os primeiros vestígios começaram a encher os meus olhos. A temperatura ia descendo, passando dos 12 para os 1ºC em apenas alguns minutos, mas continuava sempre a chover.
Saímos do carro já totalmente equipados, mas o vento cortante conseguia sempre encontrar uma brecha na roupa e fazer assim enregelar os ossos. Mal se conseguia respirar... As calças de ganga mais uma vez provaram não ser à prova de neve e chuva, e por isso ficaram geladas e fizeram as pernas parecer dois blocos de gelo do ártico. Descobrimos um disco de plástico para fazer sku, directamente para uma poça de água, e quase que caímos lá dentro. As bolas de neve compactas iam voando em todas as direcções, os risos também, mas o frio transportado pelo vento levou a melhor e obrigou-nos a procurar refúgio junto dos queijos e presuntos no "centro comercial" mais concorrido do local. Já abastecidos para regressar a Lisboa dizendo que efectivamente fomos à Serra, decidimos que era melhor voltar para o carro e começar a descer para tentar descongelar as calças.
Parámos no Fundão onde me abasteci ainda dos bolos da minha infância "esquecidos", "broinhas de mel" e "bolos de leite", seguimos para casa com paragem num restaurante/tascas onde uma dobrada com feijão branco de tamanho gigante esperava por mim.
O resto do serão passou-se junto à lareira já quentinhos a comer castanhas e a jogar ao Party, Situação Limite e o Assassino, com dois dos melhores narradores de histórias e muitas gargalhadas.
No dia seguinte passeio, passeio e passeio, quase não falei, só queria sentir a serra e a boa companhia... às vezes nas viagens sou assim, só ando por ali, sem falar, só estou. Foi o que fiz, estive, vi, ouvi, senti, vivi... e gostei.
Penha Garcia e Monsanto, adorei adorei adorei. Era capaz de ficar sentada horas nas rochas, nos muros, nas muralhas, a olhar, a sentir a brisa e mesmo a chuva miudinha na cara e a ouvir as vozes que me são familiares a contar histórias de fazer rir.
Foi um fim-de-semana de frio e de neve, foi também um fim-de-semana de calor de muito calor. Obrigada amigos, levo-vos comigo para lá para as terras quentes, para todo os sítios onde eu for.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Última auditoria

7h da manhã, toca o despertador, rebolo na cama, espreguiço-me duas vezes e salto com genica. Acendo a luz, ponho o aquecedor a funcionar e corro para a banheira. Tomo aquele banho quente, que enche a casa de banho de vapor, típico de uma manhã de inverno. Visto as calças de ganga e dou duas dobras na bainha, chove lá fora e como vou para o aterro, é melhor prevenir. Calço as botas de obra, visto a camisola, o impermeável, e não esqueço as luvas. Saio cedo, apanho boleia e sigo para a empresa com a Natacha.
Chove, mas a equipa auditora não esmorece, vamos para o aterro, lama até aos tornozelos, é preciso subir mais as calças, no meio das máquinas, dos camiões, pisando lixo e lama, falamos com o operador, com o encarregado e com chefe de divisão. Tiramos apontamentos, vemos folhas, registos, apertos de mão, mais lama, perguntas, respostas, o falcoeiro passa perto, descemos e vamos para outras paragens.
Seguimos atrás de um camião de recolha selectiva, ecoponto, recolhem as embalagens, movem os contentores, vemos as caixas de primeiros socorros, o absorvente, mais apertos de mão e mais registos, controle dos EPI, chove mais um bocadinho, e chega a hora de almoço.
Buffet, muita comida, pão de queijo, entradas e saladas, vários pratos, baba de camelo, engolimos quase tudo junto, um café queimado por cima, mais chuva, e de novo para a auditoria.
Segue-se a triagem, montes de embalagens, montes e montes delas, ao lado, paletes de fardos, em cima o tapete de triagem, senhoras na linha, pegam de um lado, puxam para o outro, tiram, afastam, atiram lá para baixo, quase não falam, respiram para a máscara, dizem o boa tarde e o sim de quem sabe que hoje há auditoria. Testamos os lava-olhos e um quase-banho ataca a auditora coordenadora alvo de uma brincadeira dos auditados, fossem todos assim e não havia os stresses de auditorias anteriores que nos tiravam do sério.
Depois disto vamos finalmente para uma sala, pousar os papéis pejados de rabiscos e falamos entre nós, conseguimos resumir o que vimos, tudo com provas, porque assim tem de ser, porque a isto nos obrigam. Fazemos o relatório, escrevemos no computador e finalmente às 20h reunimos para apresentar as nossas constatações.
Acabou. A minha última auditoria interna foi num só dia, foi sem parar, com direito a tudo, chuva, lama, lixo, apertos de mão, sensação de missão cumprida.
Pensei muitas vezes ao longo do dia "sim, vou ter saudades disto."

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Rumo a sul

E é assim...
Este é um ano de objectivos cumpridos e de regressos. Acabei o mestrado, comprei casa, acabei de pagar o carro, cresci, reencontrei-me em Portugal, reencontrei amigos, reencontrei o meu lugar no mundo, caí e voltei a levantar-me, e agora depois de tudo isto, vou partir rumo a sul.
Mais um regresso.
16,5 anos depois de levantar voo da cidade de Maputo com as lágrimas no olhos e o coração apertado, regresso finalmente para concretizar um dos meus mais velhos sonhos. Vou regressar para trabalhar lá, na terra que viu nascer o meu pai, na terra onde se conheceram, casaram e viveram os meus pais, na terra onde vivi na pré-adolescência e de onde tenho muitas recordações felizes.
Parto no início de Janeiro com a mala cheia de tudo e de nada. Estou ansiosa e expectante. As partidas nunca são fáceis, mas esta em particular...
Ainda não consigo verbalizar o que sinto, tenho um turbilhão de sentimentos no meu peito... sinto uma energia crescente cá dentro e um tremor a percorrer-me a pele...
Às vezes penso que esta ansiedade deve-se em parte ao facto de eu ser do signo gémeos, devo estar a sentir uma necessidade de me dividir em duas e seguir dois caminhos diferentes... mas como uma única que sou, vou toda eu, carregada de malas e bagagens para lá.

Moçambique
terra vermelha
longa, extensa, interminável
qual a mais bonita savana
se não a que se estende para lá do Cabo da Boa Esperança.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Convite

Pessoal, que tal umas bejecas e uns minuins na tasca ali do lado?

Ensaio sobre a cegueira

terça-feira, novembro 25, 2008

Estrelas

"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirás, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"

Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, novembro 24, 2008

Mamma Mia

E o fim-de-semana começou bem... para relaxar um bocadinho "Mamma Mia" no cinema mais perto de casa depois de jantar um fondue caseiro... a sala com o ecrã gigante, do qual já tinha muitas saudades, estava praticamente vazia e isso soube-me tão bem... Adoro ver filmes à vontade, assim posso rir sempre que me apetece sem me preocupar com o que os outros pensam. E desta vez para além de rir cantámos, eu e a minha irmã, praticamente todas as músicas que passaram no filme. Não sou propriamente fã dos ABBA, mas quando era pequena lembro-me bem de por o disco de vinil a tocar no gira discos, que ainda hoje funciona a custo, e de nós as duas de microfone em punho disputarmos a glória do momento perante as caras risonhas dos pais e avós que nos aplaudiam e fotografavam. Tal como os Beatles e alguns discos de Bossa Nova, os ABBA fizeram parte da minha infância, e mais do que ver na 6ª feira um filme de amor passado numa qualquer ilha grega, ao melhor estilo dos contos de fada, revivi pedaços sorridentes da minha infância. Saí do cinema mesmo no fim do filme, no fim da música, fomos as últimas a sair e saímos a dançar.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Muito sol

Consegui terminar mais uma tarefa, às vezes não é fácil e este não foi um mês fácil, mas esta etapa chegou ao fim.
A todos bom fim-de-semana, muito sol, muitos sorrisos, livros, música, almoços, jantares, convívios e sonos repousantes... (acho que finalmente vou conseguir dormir).
Mil beijinhos

quinta-feira, novembro 20, 2008

Alma de criança

Prof.: - O que estás a fazer?
Criança: - Um desenho.
Prof.: - Estás a desenhar o quê?
Criança: - Estou a desenhar Deus.
Prof.: - Mas ninguém sabe como Deus é!
Criança: - Em 1 minuto vão saber.

Deus Toth

Parece que as pessoas estão sempre à procura de justificações para o que não conseguem ou não querem explicar acerca do seu "Eu", acerca do que são, do que sentem, do que fazem... Numa dessas buscas, que eu própria acabo por fazer mesmo que não de forma sistemática nem mesmo de forma pensada ou consciente, cruzei-me com uma breve descrição do Deus Toth, que em teoria seria o deus egípcio protector do meu mês de nascimento. E a descrição é a que se segue.

"É uma divindade auto-concebida, que apareceu no mundo sobre uma flor de lótus, no amanhecer dos tempos. É um dos deuses primordiais. É o senhor das palavras, criador da fala e da escrita, deus do tempo e das medidas, criador de todas as ciências, portador das forças civilizadoras. É representado como um homem com cabeça de Íbis, a ave sagrada. Por ter recuperado o olho de Rá, que tinha fugido para Núbia na forma de Tefnut, como prêmio o deus Rá deu a Toth a Lua, e o transformou no deus do disco branco, governador das estrelas; também foi advogado do deus assassinado, Osíris, e de seu filho Hórus. As pessoas nascidas sob sua proteção têm grande capacidade de comunicação e uma inteligência rápida e penetrante. Seus protegidos têm uma natureza dupla, nervosa e inconstante, são muito ativos, sempre inventando coisas para fazer ou dizer. Embora sensíveis como a flor de lótus, no amor eles são frios como a lua e inconstantes como as aves, voando de galho em galho."

Agora digam-me... será que todos os gémeos são assim? será que eu própria sou assim ? só assim? a minha resposta é um redondo NÃO. Ainda posso concordar um bocadinho com a parte "têm uma natureza dupla, nervosa e inconstante, são muito ativos, sempre inventando coisas para fazer" mas julgo que tudo o resto, e mesmo esta expressão, não passa muitas vezes de um conjunto de palavras que, igual a todos os outros, diz tudo a quem procura um pouco que seja e não diz nada a quem nada procura... Perceberam, ou baralhei-me? O que quero dizer é que lemos e interpretamos apenas o que estamos predispostos a ouvir, e nem sempre temos o botão da racionalidade ligado para podermos distinguir o que são ideias do que são verdades.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Piadinha

«The USA have Obama, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash. We have Sócrates, no wonder, no hope and no cash…».

terça-feira, novembro 18, 2008

Análises

Isto de acordar às 7h da manhã depois de um jejum de 12 horas e ir direitinha para o laboratório de análises para nos espetarem uma agulha no braço e tirarem sangue... está mal... e dói. Percebem?
Ia desmaiando... a sério... agulhas não é comigo. Sentada na cadeira começo a ver tudo a andar à roda, lá tenho que despejar um pacote de açúcar para dentro da boca e depois arrastar-me cambaleante para o bar para finalmente comer alguma coisa a custo.
A analista com um sorriso nos lábios dizia-me assim "um dia que queira engravidar vai ter de se habituar, ou então terá um problema", e eu pensava cá para mim "vou ter mesmo um grande problema, porque habituar-me é mentira".

segunda-feira, novembro 17, 2008

Regresso a Santos

Quando andava no liceu e durante a faculdade, ir aos bares de Santos era algo habitual para mim. Se calhar não tanto como para alguns amigos, mas ia duas vezes por mês, mais coisa menos coisa. Mas sinceramente sempre achei que eram poucos os sítios que passavam boa música, e como nunca fui para lá para beber até cair para o lado... acho que ia mesmo para estar um bocado à conversa enquanto os interlocutores ainda diziam coisas coerentes e depois acabava sempre ou por ir para casa, ou para o Bairro Alto ou, de vez em quando, dançar numa qualquer discoteca com os mais resistentes.
No fim-de-semana, passados cerca de 7 anos, regressei com amigos aos bares de Santos, e chegámos à conclusão que nada mudou. A qualidade da música é a mesma, nem melhor nem pior, continuam a cambalear por ali magotes de gente de todo o tipo, e cá fora, à porta dos bares (sempre foi o meu sítio de eleição) ficámos à conversa, os mesmos do costume, com a sobriedade do costume, a falar da amizade que nos mantém unidos aqui em Santos ou em qualquer outra sítio. Gargalhadas soltas, sorrisos cúmplices, desabafos bons, perguntas directas com respostas prontas, abraços e brindes.
Obrigada amigos. Um beijinho

Consultas em pós-laboral

Pode parecer estranho à maioria das pessoas, mas para mim já não é... As consultas com o meu ginecologista são sempre a horas muito fora do normal, impraticáveis para grande parte das pessoas.
A primeira consulta estava marcada para as 19h, como a clínica é perto da casa da minha avó, decidi ir jantar com ela e fiquei lá a fazer-lhe companhia até que me telefonassem para o telemóvel a avisar que podia ir para o consultório (tal como estava combinado), eram 21h e ainda não tinha sido chamada... entrei na consulta às 22h.
A 2ª consulta foi marcada para as 22h e só se atrasou para as 22:30h, até que não foi nada mau.
A 3ª estava para as 19h, mas como havia um jogo de futebol de Portugal a essa hora o médico ligou-me a perguntar se não me importava de passar a consulta para depois do jogo, obviamente não me importei. A alternativa de ver o jogo com o médico a meio de uma consulta de ginecologia não me parecia muito viável...
A 4ª consulta era para ser às 22h e foi-se atrasando para as 24h quando fui atendida.
Mas a melhor de todas foi mesmo a última consulta. Estava prevista para as 21h, claro que quando foi marcada, fui logo avisada "sabe que pode não ser bem às 21h...", "eu sei, deve ser mais pelas 22h ou 23h, não se preocupe" respondi eu. Então nesse dia saí do trabalho fui ter com uma amiga minha e fomos jantar. Avisei logo que tinha uma consulta que devia estar a ser atrasada a qualquer momento. Às 19h recebo um telefonema a dizer "já temos uma previsão para a sua consulta, não se assuste, está prevista para a 1h da manhã", eu largo uma gargalhada e digo "não se preocupe que eu vou jantar fora, até me dá jeito". Depois viro-me para a minha amiga e digo "Susy, temos até à 1h", resposta dela "se não estivesses aqui comigo não acreditava". Lá fomos jantar e por a conversa em dia. O atraso do ginecologista veio mesmo a calhar, soube tão bem ter aquele tempo todo para conversar contigo. Já estávamos a precisar deste tipo de momentos. Com o telemóvel sempre por perto para não falhar as horas, vejo que recebo uma mensagem, a consulta foi atrasada para a 1:30h, e pronto, "tens de me aturar mais meia-horita". Às 2h da manhã fui atendida e cheguei a casa às 3h. Que longo dia...
Porque é que continuo a ir a este médico? Porque ele é o melhor. E não me importo nada de esperar para ser atendida por ele, confio a minha saúde na experiência dele. Porque me havia de importar se ainda por cima me dá a oportunidade de combinar encontros com amigas e com a família de cada vez que espero por ele?

domingo, novembro 16, 2008

E se Obama fosse africano?

"Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto. E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia."

Mia Couto
14/11/2008, jornal Savana, Maputo

sexta-feira, novembro 14, 2008

Pela Paz

Acho que por vezes ficamos demasiados passivos e calados, quando a alternativa de agir não custa mais do que mandar um mail, mesmo para os que "não têm tempo".
Agora, como noutros casos, é preciso que unamos esforços e façamos ouvir a nossa voz "Stand with the people of Congo" para que um dia não sejamos nós a precisar de ajuda.

"Na primeira noite, eles se aproximam
E colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
Pisam as flores, matam nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
Entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."

Maiakovsky

quinta-feira, novembro 13, 2008

Jornalismo

Hoje no Correio da Manhã, a propósito da eleição de Obama, Leonor Pinhão escrevia assim:
"(...) "Então, já notaste muitas mudanças no Mundo?" Sim, imensas. E George W. Bush também já notou. Esta semana recebeu a família Obama para um chá na Casa Branca e conduziu o presidente eleito à sala Oval. Isto foi esta semana. Porque há quatro anos, quando se conheceram, a primeira coisa que Bush fez depois de cumprimentar o negro foi ir a correr à casa de banho lavar as mãos. Por causa "das constipações" explicou Bush na altura. Esta semana nem espirrou. Porque o Mundo mudou."

O que tenho na minha secretária?

O que vamos acumulando no metro quadrado em que nos confinamos a maior parte do nosso dia, pode dizer muito de nós. Ora hoje dei por mim a olhar para o que tenha em cima da minha secretária e a lista é no mínimo variada, já para não dizer estranha aos olhos dos que a vêm de fora.

Para além do computador, teclado ergonómico e monitor plano topo de gama, sempre o melhor e mais actualizado da empresa (devo ser a menina mais pedinchona de bons monitores que já passou por aqui), tenho ainda um rato normalíssimo, um tapete de rato da empresa (porque eu sou daquelas pessoas que veste a camisola da empresa onde trabalha) e ainda um apoio para o pulso que é nada mais nada menos do que uma vaca de gel (que já mereceu variadíssimos comentários sempre divertidos).

Tenho depois todos os utensílios que se consideram indispensáveis num escritório, uma caixa tipo "desk set" com milhentas canetas de todas as cores, sendo que algumas funcionam e outras nem por isso, lápis, lapiseiras, réguas, borrachas, correctores, agrafadores, furadores, clips, molas, post-its novos e outros cheios de notas, tesoura, minas, e outras coisas mais.

Do lado esquerdo do computador tenho 5 pilhas de papéis e dossiers, que resumem todos os assuntos em que estou sempre a trabalhar e que acabam sempre por ser o meu arquivo e a minha biblioteca diária.

Um manual de Hidraúlica e um de Gestão de Resíduos, as minhas bíblias, fazem companhia a um pacote de bolachas e à minha caneca de chá cor-de-rosa que tem gatos desenhados e que me acompanha sempre para todos os trabalhos (já tive várias versões, mas o chá fez sempre parte).

E depois no meio disto tudo vêm as coisas mais pessoais: Um copo para as canetas, em madeira que veio de Moçambique que traz imensas recordações e me leva um bocadinho às minhas origens; 3 gatos (2 em madeira e 1 em pêlo) que me acompanham desde o meu primeiro trabalho, um deles desde o meu primeiro dia; 1 burro para me relembrar que nunca somos donos e senhores do saber e que temos sempre muito ainda por aprender; 1 barco em madeira que veio de Cabo Verde para recordar o trabalho que fiz lá e para recordar que a vida é uma viagem; 1 coral que existe desde que me lembro de mim; 1 pá de colocar cimento que veio do meu 3º trabalho para me lembrar que tudo na vida se constrói; 2 cavalos porque os adoro e admiro; 1 gota de água anti-stress e para lembrar que este é um bem precioso; 1 bruxinha protectora dos animais que me trouxe um amigo do caminho de Santiago; 1 borboleta efémera e bela, livre como o vento.

Confuso? não.... no meio do que parece ser esta confusão está muita muita organização.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Se eu pudesse...

Se eu pudesse escolher o que fazer à hora de almoço do dia de hoje sem restrições nenhumas de espaço, tempo ou dinheiro, o que é que escolhia?
Tenho duas respostas, uma para se fosse um lugar/espaço/tempo já conhecido e já passado, outra para uma nova ideia, um novo lugar. Mas hoje escolho um sítio do passado.
Teletransportava-me para o Vietnam, mais precisamente para uma embarcação tradicional com a proa em forma de cabeça de dragão que navega deslizante pelas águas lisas do rio Perfume, partindo de Hue a cidade imperial, e almoçava aqueles deliciosos springrolls, aqueles noodles, aqueles indecifráveis acepipes de todas as cores e feitios, que foram confeccionados a bordo. Recostava-me depois tranquilamente a apreciar a paisagem que passa devagar, os templos que se sucedem, as embarcações de pesca tradicional à rede, os chapéus em bico, repouso a minha mão na água do rio, troco sorrisos com os meus companheiros de viagem e penso "Amigos, como é bom estar aqui".

terça-feira, novembro 11, 2008

1ª Árvore de Natal

Este ano vou comprar a minha primeira árvore de Natal, mas esta tarefa simples está a revelar-se bem mais complicada do que eu pensava. Primeiro vão dos 5€ aos 199€, ridículo... depois há-as de todas as cores: verdes, azuis, vermelhas, douradas, castanhas, pretas, prateadas, de arame, de luz, de ráfia, enfim... Algumas nem parecem árvores de natal... Com esta variedade toda tive que primeiro definir o que é que eu procurava: uma árvore tipo pinheiro, verde, até 1,50m de altura, farfalhudo, fácil de arrumar e que não se desfaça de cada vez que passe uma brisa.
Não, não opto por nenhuma árvore natural, e a explicação é simples, a maior parte das árvores naturais que se vendem nesta época não as cortadas por haver excedente, são mesmo as que se cortam para fazer dinheiro. Ainda se fosse para ajudar ao ordenamento da floresta portuguesa ou qualquer coisa do género, mas agora para encher os bolsos de alguns e contribuir para o abate descontrolado de pequenas árvores... isso não. Por outro lado podia ser uma planta natural envasada sem ser cortada, mas aí iria estar a condenar a pequena planta a uma morte lenta, visto ter as janelas fechadas ao longo de todo o dia e o sol só entrar lá em casa ao fim-de-semana quando eu tenho tempo para as lides da casa. Tenho ainda uma outra opção, armar-me em louca comprar dezenas de metros de luzes de exterior, trepar para a árvore do relvado que existe à entrada do prédio e decorar ao meu gosto. Mas aí o mais provável seria ser visitada por uns senhores simpáticos de bata branca que me levariam numa carrinha almofadada para um sítio calmo para descansar.
Optando então pela solução mais racional e razoável, ou seja "árvore tipo pinheiro, verde, até 1,50m de altura, farfalhudo, fácil de arrumar e que não se desfaça de cada vez que passe uma brisa" verifiquei que as lojas do Chinês ficam logo postas de parte, bem como todas as árvores baratinhas (até 29,90€). Agora, resta-me percorrer alguns hipermercados e centros comerciais (bolas...) em horas de jogos de futebol que é para ver se não sou atropelada pela enchente de gente em crise que compra quinhentas mil coisas desnecessárias com o parco ordenado que recebem todos os meses e com o crédito pessoal que foi aprovado à 15 dias num balcão de um qualquer banco.
Para não desanimar, e caso não tenha paciência para me aventurar nesta odisseia (que é o mais provável) comprei um mini-pai natal autocolante que já aderiu à janela da minha sala, e por este andar já não deve conseguir sair de lá nos próximos 10 anos... (é da loja do chinês do bairro).
Entretanto vou descobrindo os enfeites que tinha guardado para a dita árvore de natal e vou espalhando pelas estantes... fica original. Se calhar é mesmo melhor pensar em criar a minha tradição natalícia lá em casa e esquecer, pelo menos por este ano, as tradições que tenho desde pequena.
Se tiver coragem ainda pergunto ao meu colega João quando é que o Benfica joga que é para ir nessa hora ao AKI.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Chá no Bairro Alto

O que fazer ao fim-de-semana?
Por vezes a imaginação esgota-se com o stress e o cansaço da semana, e esta vez parecia não estar a ser excepção.
Sexta jantar com os amigos, finalmente conseguimos reunir o grupo todo, ou quase todo, e foi muito muito bom.
No sábado dormir, ler, passear e tratar daquelas coisas chatas da casa, mas que todos temos de fazer.
Domingo - tempo para descansar mais um bocadinho e depois um chá/lanche revigorante com as amigas. "Vamos onde?" "Aqui ao lado", "Um bocadinho mais lá à frente", "A esta casa de chá"... hum... a indecisão do costume... e fomos parar a um dos meus sítios preferidos - Bairro Alto.
Parámos o carro no Príncipe Real com o objectivo de ir dar a conhecer o Pavilhão Chinês, que eu adoro, a uma das amigas, mas estava fechado.
Enquanto caminhávamos pela R. D. Pedro V iam surgindo algumas surpresas, todas as lojas e galerias estavam abertas, ouvia-se música em toda a rua e passeava um casal trajado à século XIX.
Fomos descendo à procura de uma mesa numa das pastelarias ou casas de chá, mas tudo estava cheio, parámos no miradouro junto à Calçada da Glória para apreciar a vista e a luminosidade magnífica da nossa cidade de Lisboa.
Continuámos a descida e finalmente encontrámos um recanto no café Royale já perto do Largo do Carmo.
À falta de sconnes vieram as torradas esquisitas e largos minutos de conversa.
Já era noite quando decidimos retomar a subida e o regresso a casa, o friozinho do Outono já estava a apertar principalmente para quem tinha decidido andar com roupa de verão, como tinha sido o meu caso.
Ao chegar novamente à R. D. Pedro V a música chegou novamente aos nossos ouvidos, mas desta vez ouviam-se também cantores que às janelas de um dos edifícios cantavam para quem passava e quisesse ficar a ouvir.
Dezenas de pessoas ficaram paradas nos passeios, os carros abrandavam e ficámos ali até ao fim.
Aplausos e mais aplausos... a melhor para mim foi "Amsterdam" de Jacques Brel... ouvi-la assim, uma música que adoro, num lugar que me é muito querido.... ai Lisboa Lisboa, são estes os momentos que ficam em mim.


sexta-feira, novembro 07, 2008

Estes últimos dias têm sido de loucos... a ansiedade parece que decidiu voltar a entrar em mim... isto não pode ser. Preciso gastar energias, dançar, correr, dar murros, nadar, gritar,... o que seja... preciso disso tudo e de dormir profundamente também, e de preferência antes de começar a bater com a cabeça nas paredes.
Tenho acordado sempre antes do despertador... sei que muitos de vocês dizem que isso não é nada mais do que o normal... mas não me venham dizer que depois de me deitar à 1h da manhã, é normal acordar às 5h sabendo que o despertador só estava programado para tocar às 7h... E agora imaginem isto todos os dias... Bolas, já chega.

Se isto continua assim o mais provável é cumprir rapidamente com todos os pontos do post anterior... e nessa altura o melhor mesmo é preparar-me para meter baixa por insanidade, não tenho a menor dúvida que qualquer médico ma dará de bom grado sem ser sequer necessário ir lá pedir.

Mas antes que isso aconteça, amigos preparem-se, hoje quero borga, quero e, se não desmaiar de sono, vou sair para dançar.

Como mostrar e manter um certo nível de insanidade

1. Na sua hora de almoço, sente-se no seu carro estacionado, ponha os óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade.
2. Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer batatas fritas a acompanhar.
3. Encoraje os seus colegas de gabinete a fazerem uma dança de cadeiras sincronizada consigo.
4. Coloque o seu recipiente do lixo sobre a mesa de trabalho e escreva nele, 'Entrada de Documentos'.
5. Desenvolva um estranho medo aos agrafadores.
6. Ponha café descafeinado na máquina de café, durante três semanas. Quando todos tiverem perdido o vício da cafeína, mude para café expresso.
7. No verso de todos os seus cheques, escreva, 'referente a suborno'.
8. Sempre que alguém lhe disser alguma coisa, responda, ' isso é o que tu pensas '.
9. Termine todas as suas frases com, ' de acordo com a profecia'.
10. Ajuste o brilho do seu monitor para o ní­vel máximo, de forma a iluminar toda a área de trabalho. Insista com os outros de que gosta assim.
11. Não use pontuação nos seus textos.
12. Sempre que possível, salte em vez de andar.
13. Pergunte às pessoas de que sexos são. Ria, histericamente, depois delas responderem.
14. Quando for à Ópera, cante com os actores.
15. Vá a um recital de poesia e pergunte por que é que os poemas não rimam.
16. Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exactamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois do seu chefe as usar. Tem, ainda, mais impacto, se o seu chefe for do sexo oposto.
17. Mande E-mail's para o resto da empresa, dizendo o que está a fazer, em cada momento. Por exemplo: 'Se precisarem de mim, estou na casa de banho'.
18. Coloque um mosquiteiro à volta da sua secretária e ponha um CD com sons da floresta, durante o dia inteiro.
19. Quando sair dinheiro da caixa Multibanco, grite.
20. Ao sair do jardim zoológico, corra na direcção do parque de estacionamento, gritando, 'Salve-se quem puder! Eles estão soltos!'
21. À hora do jantar, anuncie aos seus filhos: 'devido à nossa situação económica, teremos de mandar embora um de vós’.
22. Todas as vezes que vir uma vassoura, grite, 'Amor, a tua mãe chegou!'

quinta-feira, novembro 06, 2008

Girl talk

Ontem a minha amiga Sónia, amiga de longa data, desde o colégio, foi passar uma parte do serão comigo... o tempo passou demasiado depressa, mas mesmo assim conseguimos por a conversa em dia. Entre um brinde e outro aos bons velhos tempos, ao presente e ao futuro, recordámos histórias e rimos um bom bocado, como é hábito sempre que nos encontramos.
Obrigada amiga.
À nossa.

Nothing sweet about me

Ooh, watching me
Hanging by
A string this time
Don't, easily
The climax
Of the perfect lie
Ooh, watching me
Hanging by
A string this time
Don't, easily
Smile worth
A hundred lies

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
Tell you something
That I've found
That the world's
A better place
When it's
Upside down, boy

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
When your playing
With desire
Don't come running
To my place
When it burns
Like fire, boy

Chorus (4x):
Sweet about me
Nothing sweet
About me, yeah

Blue, blue, blue
Waves, they crash
As time goes by
So hard to catch
Too, too smooth
Ain't all that
Why don't you ride
On my side
Of the tracks

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
Tell you something
That I've found
That the world's
A better place
When it's
Upside down, boy

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
When your playing
With desire
Don't come running
To my place
When it burns
Like fire, boy

Chorus (6x):
Sweet about me
Nothing sweet
About me, yeah

Gabriela Cilmi

quarta-feira, novembro 05, 2008

Desculpa... mas explodi


Os lugares da minha vida

Já vivi em muitos sítios e viajei por muitos lugares, todos deixaram marcas, de todos tenho lembranças e memórias que fazem de mim quem sou e que moldam o que penso do mundo.
Hoje listo os lugares onde morei, e chego à conclusão que a maior parte começa pela letra M, M de Maravilhoso:
- Carnaxide, Portugal: desde que nasci em 1978 até que fui para o interior do país
- Manteigas, Portugal: enfiada num vale da Serra da Estrela entre 1985 e 1989
- Maputo, Moçambique: durante a guerra civil entre 1989 e 1992
- Miraflores, Portugal: colégio, liceu, faculdade e primeiros anos de trabalho (4 trabalhos em 4 anos), entre 1992 e 2004
- Mindelo, Cabo Verde: ilha de festa onde não se pode ter sono, durante 2005
- Miraflores, Portugal: regresso a casa, novo trabalho, novos desafios, crescer, entre 2005 e 2008
- Carnaxide, Portugal: mais um regresso mas para uma nova casa e uma nova vida, a minha primeira casa, T2 à minha medida, 2008

Lugar seguinte? esperem para ver...

Yes we can

Sim podemos. Podemos sempre.
Não é só uma expressão dita e aplicável a Barack Obama, é também uma expressão aplicável a muitos dos que conheço. Amigos e amigas que abraçaram e abraçam ainda novos desafios, que se lançam em novos rumos e novos percursos de vida. Mudam de país, de emprego, têm filhos, partem para o desconhecido e fazem dele o seu dia-a-dia, conhecem novas realidades e fazem-nas suas.
Deixando Portugal para trás numa fase das suas vidas relembro a menina de caracóis vermelhos que se lançou na descoberta da arquitectura tradicional da ilha de Santo Antão; a sonhadora bióloga que mergulhou primeiro por mares de S. Vicente e depois por mares açorianos; a morena que se apaixonou por Moçambique quando foi numa missão de apoio ao desenvolvimento e desde então ficou amarrada a África, passando da baía de Maputo para a agitada Luanda e agora lançando-se na maravilhosa aventura da maternidade; o casal que queria ter filhos e não podia, viajou para o Mindelo onde encontrou a menina dos olhos doces a que hoje chamam sua filha; o menino das bermudas que sempre soube tudo, partiu para o frio de Bristol onde desenha as asas que me levam para o outro lado do mundo.
Deixando outras paragens ainda lembro a menina sorridente e agitada que hoje cumpre o seu sonho na grande barreira de coral da Austrália; os dois espanhóis que tinham um bar em Barcelona e que decidiram pura e simplesmente deixar tudo e viver aquele ano no Mindelo para depois seguirem rumos diferentes e seguirem as suas vidas...
Todas estas pessoas e muitas muitas mais, sem esquecer as que não partem mas que ficam e cumprem cá os seus sonhos e desejos, todas estas lutaram e lutam pelo que querem, pelo que acreditam, pela sua vida. E todas estas disseram e ainda dizem "Yes I Can"

terça-feira, novembro 04, 2008

ZEN

Hoje preciso mesmo de ter o meu momento Zen... tenho que fugir à hora de almoço e deixar que os meus pensamentos voem para longe daqui.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Aboborita escrevia assim...

Chegam de novo as aves e as flores
cobrindo a terra alumiada,
renasce uma natureza perdida
com a primavera abençoada.

Beija-me a pele,
abraça o meu corpo esfaimado,
sacia minha sede de paixão,
toca com os lábios a minha face,
afasta os cabelos doirados
enaltecendo meus ombros,
tocam-me os raios divinos
alimentando meus olhos,

Os dedos brincam nos seios
descobertos pela suave brisa,
cantam os anjos nas nuvens
que se apressam na despedida,

Grita o sol bem alto
com regozijo profundo,
soltam as flores o odor
que reconforta o meu mundo.

Liberta-se então a minha alma
ouvindo as aves cantar,
santa melodia do monte
que corre desesperadamente para o mar.

A brisa me eleva bem alto,
acima da terra e do mar,
bate o coração mais forte
ansioso por estar a sonhar,

A paixão sobe-me ao rosto
fazendo meus olhos brilhar,
brinca o vento em meu corpo
tornando-o livre como o mar,

Soltos meus cabelos voam
o mais alto que podem chegar,
tocam o azul do céu infinito,
fim deste mundo bendito,

que me dá conforto e paz.