Escrevo a história do meus 34º aniversário, porque não quero nunca esquecer-me destes dias. Todos os meus aniversários têm sido especiais e lembro de cada um deles. Mas nunca me tinha acontecido, durante o meu aniversário lembrar-me tão claramente dos outros aniversários... dos amigos que estiveram aqui e dos que não puderam estar.
Cada aniversário é especial, e é uma oportunidade única de nos sentirmos rodeados de felicidade e carinho, abraçados pelos braços da amizade. Sim, cada aniversário é especial, mas este ainda mais, porque num único aniversário recordei-me de todos os outros, por isso foi um aniversário onde estiveram todos presentes :) mesmo os ausentes...
O aniversário começou na sexta-feira no momento em que entrei no carro da minha grande amiga P.. Éramos 4, eu apenas conhecia a P. mas ao fim de uns 100 km já cantávamos alto e bom som, com muito movimento, as músicas boas e não tão boas, que nos fazem recordar, sorrir e cantar.
Já na Swazilândia o frio começou a apertar e por cima da blusa de alças fui vestindo casacos, enrolei o lenço ao pescoço e já à entrada do festival Bushfire esperámos um outro grupo de amigos com quem tínhamos combinado ir jantar.
Àquela hora só um sítio ainda tinha comida, o Royal Swazi Hotel. Para aquecer pedimos uns shots de Kahula, Amarula e natas, era já quase meia-noite e a comida veio acompanhada de um bom vinho. A conversa e risadas fluíam com uma naturalidade quase surpreendente.
Pensei que já que me estava a mimar com a presença de amigos, estes e os que vim a encontrar ao longo do fim-de-semana, achei por bem mimar-me a sério para o meu fim-de-semana de aniversário.
O Hotel estava cheio, nós tínhamos reservado umas casinhas num lodge no meio de um parque natural, mas com aquele frio todo lá fora e o conforto do Royal Swazi Spa, achei melhor ver se conseguia arranjar um quarto. E depois de alguma conversa, o bláblá de que faço anos, etc etc, consegui um quarto e ainda por cima a metade do preço no Lugogo Hotel (mesmo ao lado e que é do mesmo grupo do Royal). Alguém tinha cancelado uma reserva à última da hora.
Quando chego ao quarto tenho um dilema... em qual das 2 camas de casal me havida de deitar :) Há pessoas com sorte, eu sei, e acho que fui uma delas.
Não dormi muito mas o suficiente para deixar o stress da semana de trabalho para trás. Acordei mesmo a tempo do pequeno-almoço gigantesco, tomei banho e vesti-me.
Era sábado dia, dia de festival.
Fui ter com o resto dos amigos ao Royal, aproveitei para comprar um gorro de lã e um cachecol, e assim fiquei equipada para o frio da noite de festival (frio a sério acho que chegámos a ter 7ºC).
Fomos almoçar ao Calabash, onde já não ia há 22 anos, desde que era pequenina. Entro na sala e vejo uma mesa grande lá ao fundo e praticamente todos os meus amigos (dos que foram ao festival) estavam lá, para me dar um beijinho no último dia dos 33 anos e começarmos a festejar os 34 logo ali.
Éramos mais de 30 :), seríamos 34? talvez.
Comemos da melhor carne, entradas fabulosas e no fim um bolo de chocolate divinal que deu para todos. As velas não apagavam apesar da minha determinação em as apagar. Eram daquelas velas chatas que não param de acender outra vez.
No fim do bolo uma rodada de shots, de uma qualquer coisa demasiado alcoólica, e transparente. Depois do shot é que vimos que era o álcool que estava dentro de uma garrafa com cobras e lagartos em conserva :) um bocadinho melhor do que o que bebemos no Vietnam ;)
Tive direito à sempre única música dos parabéns que este ano foi mais ou menos assim "Parabéns a você, Só amanhã!, Nesta data querida, Só amanhã!,...." foi muito bom :)
Saímos do restaurante e fomos para a House on Fire onde decorre o festival Bushfire. Um espaço ao ar livre com construções estranhas de uma mente criativa completamente louca, mas fenomenal. O espaço é mesmo espectacular.
O ritmo da festa eram as músicas do mundo, com um toque muito especial de África. Bons concertos, boa onda, boa gente, muitos sorrisos, abraços e mimos dos amigos que rodeavam. O calor humano era tanto que só ao fim de umas horas tive frio suficiente para vestir o casaco. Gritei, saltei, dancei e cantei... adorei :)
Quase perto da meia-noite consegui comer um hot-dog daquelas salsichas sul-africanas que detesto, mas como há alturas que não vale a pena ser esquisita.
Rapidamente esqueci os apertos da fila da comida (a comida acabou nas outras barraquinhas), esqueci a fome e com a música de fundo recebi abraços e beijinhos dos amigos que ainda se aguentavam no festival. Era dia 27 de Maio, começava assim o meu dia de anos em pleno festival.
Dancei, dancei até não poder mais... as pernas doíam tanto... nem me lembro de alguma vez ter tido tantas dores...
Já estoirada mas com um sorriso nos lábios voltei para o hotel, dormi um pouco e no meu aniversário fui tomar outro pequeno-almoço fantástico, e segui para as massagens :)
1:30 de massagem, daquelas a sério, com pedras quentes ao som dos pássaros no spa no meio do jardim. Rejuvenesci.
Seguimos para um almoço já tardio mais uma vez no Calabash, mas desta vez éramos menos e daqui seguimos para Maputo, onde os meu "bixos" esperavam ansiosamente por mim. O Pumba, a Matilde e o Valentim, brindaram-me de mimos enquanto recebia chamadas de Portugal e de outros lados do mundo...
Mais uma vez senti-me abraçada por todos, amigos e família, senti-me abraçada por aqueles que me fazem muita falta, mas que estiveram comigo neste dia especial.
Obrigada amigos, por me darem mais um dia (ou vários dias) tão especial.
Beijinhos grandes para todos do fundo do coração.
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segunda-feira, maio 28, 2012
Um aniversário diferente
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quinta-feira, maio 21, 2009
Laranjinha
Sempre que tenho um dos dias de fim-de-semana livre, tento descansar e sair da rotina de trabalho por umas horas. Uma das minhas saídas preferidas é para aqui bem perto, o Safari Parque, a cerca de 30 km de Maputo, onde ando ao lado de avestruzes, tomo uma coca-cola ao lado de zebras e búfalos e onde partilho momentos de descanso com o meu novo amigo do ombro, o Laranjinha, o pássaro pelo qual me "apaixonei".

sábado, maio 16, 2009
Krugger em imagens
sexta-feira, maio 15, 2009
12 h de bichos
Fim-de-semana grande com a mãe cá significa 3 dias de passeio por terras de África, mais precisamente South Africa.
Saímos de Maputo na 5ª feira ao fim da tarde, mas já estava escuro como breu. Os viajantes eram 5, dos quais 3 antigos colegas de liceu e 2 descendentes (eu, claro, e a S.), 3 mulheres e 2 homens. Apesar de os homens irem à frente, a ala da retaguarda revelou-se desde cedo a ala responsável pela navegação, orientações e algumas histórias engraçadas que resultaram em gargalhadas bem dispostas de todos os viajantes.
2 horas de viagem, 2 postos de fronteira, comemos qualquer coisita no único restaurante/pub aberto de Komatiport, e fomos cedinho para a cama. Dormimos num lodge à porta do Krugger Park, onde mesmo à beirinha se passeiam animais daqueles mesmo selvagens... junto ao Crocodile River (achei que ficava mais emocionante em inglês).
Acordámos às 3:45h da manhã e às 4:15h já estávamos a entrar no parque para fazer o passeio da madrugada, guiado pelo motorista Mr. Wonderful
Na carrinha tipo jipe gigante, totalmente aberto, 3 alminhas enrolaram-se em cobertores de lã e só com o nariz de fora olhavam a escuridão à procura de olhos que brilhassem com o passar das lanternas. Vimos muitas Impalas (como não podia deixar de ser), e já ao nascer do sol 1 girafa. Eram 6h e estávamos a ficar desanimados quando começa a festa: um rinoceronte a atravessar a estrada, um outro a marcar território, outro a virar as costas e a ir embora; um monte de zebras e mais à frente bois-cavalo (wildbeast); 1 Kudu, 2 Kudu, 3 Kudu (de vários tamanhos e feitios); 1 elefante gigante que avança ameaçador para nós, outro que passa tranquilo para derrubar uma pequena árvore; hipopótamos no lago a espreguiçar, na margem espreitam os olhos de 2 crocodilos e lá ao fundo umas impalas bebem água enquanto 2 girafas comem folhinhas tenras do topo das árvores; seguimos em perseguição de uma família de 8 leões mas já não estão lá, depois em perseguição de uma família de 18 leões, mas tudo o que vemos são manadas de herbívoros a fugir deles e no meio da confusão consigo distinguir a cauda de uma leoa adulta... hummm leões hoje não há... Já a regressar ao carro para seguirmos a viagem pelos nossos meios, vemos mais 3 rinocerontes em conferência enquanto outros 2 se aproximam... "hoje é dia de Sto Rino". Trocámos de carro e vamos lá a andar com isto. No primeiro cruzamento estacámos para deixar passar uma manada gigante, magnífica, brutal de mais de 100 búfalos....
E o dia não acabou por aqui... mais girafas, macacos, babuínos, mais 1 leoa, famílias de elefantes e de hipopótamos, mas leopardos que eu queria... nicles, nem vê-los
Para quem não sabe ver tantos rinocerontes e tantos búfalos é muito muito raro. Rinocerontes juntos, assim tantos (5) raríssimo, e manadas gigantes de búfalos, só mesmo quase nos filmes (e nós fizemos o nosso filme claro)
Atravessámos o parque, almoçámos por lá e fizemos as compras do costume nas lojinhas de souvenirs, ao fim da tarde rumámos a Nelspruit pela estrada que atravessa extensíssimos campos de bananeira, pinhal e depois eucaliptos, até perder de vista, lagos interiores pelo meio... a certa altura parecia o norte da Europa. Este país é verdadeiramente outro mundo.
Saímos de Maputo na 5ª feira ao fim da tarde, mas já estava escuro como breu. Os viajantes eram 5, dos quais 3 antigos colegas de liceu e 2 descendentes (eu, claro, e a S.), 3 mulheres e 2 homens. Apesar de os homens irem à frente, a ala da retaguarda revelou-se desde cedo a ala responsável pela navegação, orientações e algumas histórias engraçadas que resultaram em gargalhadas bem dispostas de todos os viajantes.
2 horas de viagem, 2 postos de fronteira, comemos qualquer coisita no único restaurante/pub aberto de Komatiport, e fomos cedinho para a cama. Dormimos num lodge à porta do Krugger Park, onde mesmo à beirinha se passeiam animais daqueles mesmo selvagens... junto ao Crocodile River (achei que ficava mais emocionante em inglês).
Acordámos às 3:45h da manhã e às 4:15h já estávamos a entrar no parque para fazer o passeio da madrugada, guiado pelo motorista Mr. Wonderful
Na carrinha tipo jipe gigante, totalmente aberto, 3 alminhas enrolaram-se em cobertores de lã e só com o nariz de fora olhavam a escuridão à procura de olhos que brilhassem com o passar das lanternas. Vimos muitas Impalas (como não podia deixar de ser), e já ao nascer do sol 1 girafa. Eram 6h e estávamos a ficar desanimados quando começa a festa: um rinoceronte a atravessar a estrada, um outro a marcar território, outro a virar as costas e a ir embora; um monte de zebras e mais à frente bois-cavalo (wildbeast); 1 Kudu, 2 Kudu, 3 Kudu (de vários tamanhos e feitios); 1 elefante gigante que avança ameaçador para nós, outro que passa tranquilo para derrubar uma pequena árvore; hipopótamos no lago a espreguiçar, na margem espreitam os olhos de 2 crocodilos e lá ao fundo umas impalas bebem água enquanto 2 girafas comem folhinhas tenras do topo das árvores; seguimos em perseguição de uma família de 8 leões mas já não estão lá, depois em perseguição de uma família de 18 leões, mas tudo o que vemos são manadas de herbívoros a fugir deles e no meio da confusão consigo distinguir a cauda de uma leoa adulta... hummm leões hoje não há... Já a regressar ao carro para seguirmos a viagem pelos nossos meios, vemos mais 3 rinocerontes em conferência enquanto outros 2 se aproximam... "hoje é dia de Sto Rino". Trocámos de carro e vamos lá a andar com isto. No primeiro cruzamento estacámos para deixar passar uma manada gigante, magnífica, brutal de mais de 100 búfalos....
E o dia não acabou por aqui... mais girafas, macacos, babuínos, mais 1 leoa, famílias de elefantes e de hipopótamos, mas leopardos que eu queria... nicles, nem vê-los
Para quem não sabe ver tantos rinocerontes e tantos búfalos é muito muito raro. Rinocerontes juntos, assim tantos (5) raríssimo, e manadas gigantes de búfalos, só mesmo quase nos filmes (e nós fizemos o nosso filme claro)
Atravessámos o parque, almoçámos por lá e fizemos as compras do costume nas lojinhas de souvenirs, ao fim da tarde rumámos a Nelspruit pela estrada que atravessa extensíssimos campos de bananeira, pinhal e depois eucaliptos, até perder de vista, lagos interiores pelo meio... a certa altura parecia o norte da Europa. Este país é verdadeiramente outro mundo.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Kruger Park
A completar 1 mês de estadia em Moçambique e ainda sem ter o DIRE que me permite apresentar como residente, precisava de sair do país para renovar o visto no passaporte. A viagem à fronteira estava decidida e planeada para o fim-de-semana passado e para juntar o útil ao agradável, passei para território da vizinha África do Sul e fui re-explorar o Kruger Park, reserva natural.
Como já todos sabem, não gosto de pagar para ter facilidades de tratamento e por isso estive na fronteira do lado de Moçambique durante horas na fila a ver os outros meter o dinheiro nos bolsos dos traficantes de influências. Vezes sem conta vieram ter connosco a propor negócio, dizendo que podiam ajudar a passar rápido e que por sermos muito claros não era bom estarmos ao sol porque apanhávamos um escaldão. E os outros não têm tanto direito como nós? estava muito indignada, a sério... Iniciámos uma revolução e acabámos, pelo menos temporáriamente, com o negócio do guarda que supostamente evitava os fura-filas na entrada. Naqueles minutos em que tomámos nós o controlo da porta apoiados por uns quantos que se juntaram ao protesto, de todas as classes sociais e nacionalidades, o guarda deixou de receber uns trocos e deixaram de nos passar à frente, e finalmente conseguimos entrar. Lá dentro era uma sauna... preenche papel aqui, paga ali, mostra passaporte acolá, empurra de um lado, chega para o outro e finalmente sai.
Passamos para a terra de ninguém. Seguimos para a fronteira sul africana, aqui ninguém fura a fila, um tenta, mas é burro porque tentou à minha frente como tinha feito do lado moçambicano... ia sendo chacinado ali mesmo pela revolta popular.
Vistos os passaportes e preenchidos os papéis do carro é hora de seguir, olhamos o relógio, passam 3,5h desde que iniciámos a saga da fronteira... temos dia praticamente estragado. Prego a fundo siga para o Kruger que é quase hora de almoço e os animais devem estar todos a descansar.
Já meios desanimados achámos que não íamos ver nada, mas para meio dia de passeio no parque, durante a época da vegetação verde cerrada, o resultado não foi nada mau. E aqui estão as fotos para comprovar.
No meio da savana agora verdejante e densa em plena época das chuvas, zebras e impalas comem tranquilamente à beira da estrada.
Abutres numa árvore despida. Tantos juntos num só sítio só pode significar uma coisa, aqui há uma carcaça e provávelmente ainda está por perto o grande predador.
Não falhámos, o grande rei da selva, o leão. E que grande leão, um macho adulto de grande porte, o maior que jamais vi, espetacular. Passeia-se serenamente afastando a cada passo os herbíveros que estavam nas redondezas.
Não me lembro do nome verdadeiro deste, mas para mim é um javali e não se vêm os filhotes mas estão lá, escondidos pelo capim alto.
À beira do lago dois passarinhos pernaltas arranjam a penugem.
Ao almoço os passarinhos tecelões (não tenho bem a certeza do nome) roubam-nos a comida do prato, aqui para além de enxotar as moscar tenho de enxotar pássaros.
Emergindo do lago uns olhinhos espreitam, mais à frente ergue-se mesmo uma cabeça e depois o dorso de um enorme hipopótamo, só lhe faltou mesmo abrir a bocarra enorme para a fotografia... pronto fica para a próxima, não se pode pedir tudo, não é?
À beirinha da estrada a 2 passos de mim olho para o lado e .... susto.... um elefante juvenil. Para ele sou-lhe indiferente e o carro também, continua a comer tranquilamente como se eu não existisse.
Mais à frente este já não está tão contente, abana vigorosamente as orelhas e dá 2 passos em direcção a nós. Ok amigo, percebemos a mensagem. Ficamos parados e aguardamos. Afinal eles têm uma cria ali no meio... não a consegui fotografar mas era tão mini...
Já mais calmo o elefante mantém-nos debaixo de olho enquanto o resto da família se embrenha na savana, só depois de estarem todos a salvo é que ele também segue a sua vida e nos deixa seguir o nosso caminho.
Travagem a fundo, travessia de peões mal assinalada, o que vale é que só se pode andar a 50 km/h, esta impala atravessou sem olhar. Lindo, não é?
E agora temos de esperar que acabe a macacada... uma família inteirinha de babuínos deciciu literalmente descer da árvore e vir fazer macacadas para o meio da estrada. Rebolam, saltam, brincam, catam-se, dão de mamar às crias, deitam-se no asfalto, sentam-se a olhar para nós, andam ao nosso lado e até acasalam... que pouca vergonha, já não há respeito. Ao fim de uns minutos e dos bébés do grupo terem feito as passagens todas de modelo para a fotografia, lá vão desimpedindo a estrada e a custo conseguimos passar.
Agora chegámos ao "bed & breakfast" das impalas, estas duas descansam, mas ao lado estão 3 a comer... vida de impala é difícil...
Galinha do mato. Conhecem? preta com pintinhas brancas, forma esquisita, cabeça careca azul e com crista pequena vermelha. É uma galinha com muita pinta.
Ao almoço as vistas e a companhia não podia ser melhor... lá ao fundo aqueles montinhos junto da margem do rio são uma família de hipopótamos a almoçar... hummm tá-se bem.
Entretanto surge um amigo de longa data e que tinha andado desaparecido, o Búfalo. Come umas ervinhas e depois vai a banhos, fica de molho o almoço todo e despede-se antes de seguir a sua vida.
E finalmente eu na despedida. De binóculos na mão, sentada na varanda a olhar para uma vista deslumbrante sobre a savana, o rio desliza ali em baixo e os animais passeiam aqui ao lado. Não há vedações, não há barulho, só tranquilidade. Era capaz de ficar aqui no coração de África, na África do meu coração.
Como já todos sabem, não gosto de pagar para ter facilidades de tratamento e por isso estive na fronteira do lado de Moçambique durante horas na fila a ver os outros meter o dinheiro nos bolsos dos traficantes de influências. Vezes sem conta vieram ter connosco a propor negócio, dizendo que podiam ajudar a passar rápido e que por sermos muito claros não era bom estarmos ao sol porque apanhávamos um escaldão. E os outros não têm tanto direito como nós? estava muito indignada, a sério... Iniciámos uma revolução e acabámos, pelo menos temporáriamente, com o negócio do guarda que supostamente evitava os fura-filas na entrada. Naqueles minutos em que tomámos nós o controlo da porta apoiados por uns quantos que se juntaram ao protesto, de todas as classes sociais e nacionalidades, o guarda deixou de receber uns trocos e deixaram de nos passar à frente, e finalmente conseguimos entrar. Lá dentro era uma sauna... preenche papel aqui, paga ali, mostra passaporte acolá, empurra de um lado, chega para o outro e finalmente sai.
Passamos para a terra de ninguém. Seguimos para a fronteira sul africana, aqui ninguém fura a fila, um tenta, mas é burro porque tentou à minha frente como tinha feito do lado moçambicano... ia sendo chacinado ali mesmo pela revolta popular.
Vistos os passaportes e preenchidos os papéis do carro é hora de seguir, olhamos o relógio, passam 3,5h desde que iniciámos a saga da fronteira... temos dia praticamente estragado. Prego a fundo siga para o Kruger que é quase hora de almoço e os animais devem estar todos a descansar.
Já meios desanimados achámos que não íamos ver nada, mas para meio dia de passeio no parque, durante a época da vegetação verde cerrada, o resultado não foi nada mau. E aqui estão as fotos para comprovar.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Baratas
Todos os que me conhecem bem, sabem que só há um bicho que me mete verdadeiramente NOJO... baratas.
Não posso vê-las, são repugnantes, detecto-as a 10 metros de mim, fujo a sete pés, fico em pânico, quase descontrolada, tento ter reacções racionais e controlar a parte emocional de puro pavor, mas não consigo e às vezes dou por mim a correr, a saltar, a guinchar ou mesmo a berrar, sem conseguir expressar uma palavra perceptível. Quem me veja nestes momentos deve achar que sou louca, mas quando finalmente consigo explicar que tudo aquilo é por causa de uma barata... enfim.
Quanto fui ao Vietname, elas eram tantas e andavam por todos os lados que eu comecei a lidar melhor com a presença delas, pensei que estava a melhorar. Mas agora percebi que não.
Mal entrei na minha nova mansão tive o cuidado de comprar baygon ou raid ou outra coisa do género, e pulverizei tudo até acabar a embalagem. No dia seguinte apenas um cadáver apareceu.
Fiquei tranquilizada, isto significava que não tinha baratas. Mas 2 dias depois, estava eu ao telefone com a família em Portugal, olho para trás de mim e vejo a passear-se na ombreira da porta uma baratonga do maior que já tinha visto. Desatei aos berros ao telefone, devo ter assustado a minha mãe e a minha irmã. O meu pânico era real, "como é que vou fazer?" e elas diziam "mata com o spray", "mas já acabou, e agora?" eu estava completamente em pânico, a sério vocês não imaginam. Elas diziam-me "mata com a vassoura", "mas eu não consigo, é perto demais", do outro lado a minha irmã responde "acho que consegues estar a 2 metros dela com a vassoura". Entretanto a chamada caiu. Passei a muito custo para a cozinha, que era na porta ao lado de onde estava a barata (as baratas aqui são voadoras, daí o meu pavor ser ainda maior que o normal), peguei na vassoura, não sem antes confirmar que não tinha nenhuma barata agarrada também. Quando saí da cozinha já suava em bica, estava completamente descontrolada, tremia (a sério, nunca me tinha visto assim). Peguei na vassoura como se fosse um taco de basebol e bati com toda a força, mas foi só de lado e ela caiu e começou a correr na minha direcção. Ahhhhhhh. Batia desenfreadamente no chão com a vassoura mas sem sucesso, a barata entretanto inverteu a marcha e fugiu para dentro do escritório, fui a correr atrás dela a medo, tentei acertar mais umas vezes mas ela desapareceu na parede, não sei para onde.
Tranquei a porta pus a vassoura junto à porta e a lata de spray vazia em sinal de aviso. Nessa noite devo ter dormido no máximo 2 horas.
No dia seguinte sai sem olhar para trás, quando voltei à hora de almoço vi uma barata a morta à entrada do quarto, pensei que o spray afinal apesar de retardado sempre fazia efeito, deixei-a ficar lá, espreitei para dentro do escritório e estava lá outra também de patas para o ar, afinal eram duas... bolas.
À noite quando voltei a que estava à porta do quarto estava já no meio do corredor a espernear, "está viva!!!", peguei na vassoura e esmaguei-a com toda a força, mas ela voltou-se e começou a correr para mim, "bolas, outra vez não !!!", bato no chão mais umas vezes e por fim separo o corpo da cabeça e ela deixa de mexer. Penso então na outra que era maior e que estava dentro do escritório. Abro a porta e não a vejo, entro devagar, espreito para todos os recantos e só quando já vou a sair do quarto é que a vejo a subir pela porta. Dou-lhe uma vassourada que a atira ao chão e agora, já com a pontaria afinada, dou-lhe duas pauladas que a põe KO. Isto é demais...
Ontem, como se isto não chegasse, despejei mais uma embalagem de spray em casa e antes de fazer efeito uma barata pequena saltou para cima de mim.... Ahhhhhh, pus-me aos saltos e aos berros, porcaria de barata. Mal me livrei dela meti-me no banho purificante... Ufff
Amanhã vêm cá fazer a desbaratização, entretanto tenho uma série de cadáveres à espera de ser apanhados em casa, tenho que comprar uma pá, já que não consigo apanhá-los com a mão.
Só vos digo meus amigos, estas baratas estão a sair-me muito caras.
Não posso vê-las, são repugnantes, detecto-as a 10 metros de mim, fujo a sete pés, fico em pânico, quase descontrolada, tento ter reacções racionais e controlar a parte emocional de puro pavor, mas não consigo e às vezes dou por mim a correr, a saltar, a guinchar ou mesmo a berrar, sem conseguir expressar uma palavra perceptível. Quem me veja nestes momentos deve achar que sou louca, mas quando finalmente consigo explicar que tudo aquilo é por causa de uma barata... enfim.
Quanto fui ao Vietname, elas eram tantas e andavam por todos os lados que eu comecei a lidar melhor com a presença delas, pensei que estava a melhorar. Mas agora percebi que não.
Mal entrei na minha nova mansão tive o cuidado de comprar baygon ou raid ou outra coisa do género, e pulverizei tudo até acabar a embalagem. No dia seguinte apenas um cadáver apareceu.
Fiquei tranquilizada, isto significava que não tinha baratas. Mas 2 dias depois, estava eu ao telefone com a família em Portugal, olho para trás de mim e vejo a passear-se na ombreira da porta uma baratonga do maior que já tinha visto. Desatei aos berros ao telefone, devo ter assustado a minha mãe e a minha irmã. O meu pânico era real, "como é que vou fazer?" e elas diziam "mata com o spray", "mas já acabou, e agora?" eu estava completamente em pânico, a sério vocês não imaginam. Elas diziam-me "mata com a vassoura", "mas eu não consigo, é perto demais", do outro lado a minha irmã responde "acho que consegues estar a 2 metros dela com a vassoura". Entretanto a chamada caiu. Passei a muito custo para a cozinha, que era na porta ao lado de onde estava a barata (as baratas aqui são voadoras, daí o meu pavor ser ainda maior que o normal), peguei na vassoura, não sem antes confirmar que não tinha nenhuma barata agarrada também. Quando saí da cozinha já suava em bica, estava completamente descontrolada, tremia (a sério, nunca me tinha visto assim). Peguei na vassoura como se fosse um taco de basebol e bati com toda a força, mas foi só de lado e ela caiu e começou a correr na minha direcção. Ahhhhhhh. Batia desenfreadamente no chão com a vassoura mas sem sucesso, a barata entretanto inverteu a marcha e fugiu para dentro do escritório, fui a correr atrás dela a medo, tentei acertar mais umas vezes mas ela desapareceu na parede, não sei para onde.
Tranquei a porta pus a vassoura junto à porta e a lata de spray vazia em sinal de aviso. Nessa noite devo ter dormido no máximo 2 horas.
No dia seguinte sai sem olhar para trás, quando voltei à hora de almoço vi uma barata a morta à entrada do quarto, pensei que o spray afinal apesar de retardado sempre fazia efeito, deixei-a ficar lá, espreitei para dentro do escritório e estava lá outra também de patas para o ar, afinal eram duas... bolas.
À noite quando voltei a que estava à porta do quarto estava já no meio do corredor a espernear, "está viva!!!", peguei na vassoura e esmaguei-a com toda a força, mas ela voltou-se e começou a correr para mim, "bolas, outra vez não !!!", bato no chão mais umas vezes e por fim separo o corpo da cabeça e ela deixa de mexer. Penso então na outra que era maior e que estava dentro do escritório. Abro a porta e não a vejo, entro devagar, espreito para todos os recantos e só quando já vou a sair do quarto é que a vejo a subir pela porta. Dou-lhe uma vassourada que a atira ao chão e agora, já com a pontaria afinada, dou-lhe duas pauladas que a põe KO. Isto é demais...
Ontem, como se isto não chegasse, despejei mais uma embalagem de spray em casa e antes de fazer efeito uma barata pequena saltou para cima de mim.... Ahhhhhh, pus-me aos saltos e aos berros, porcaria de barata. Mal me livrei dela meti-me no banho purificante... Ufff
Amanhã vêm cá fazer a desbaratização, entretanto tenho uma série de cadáveres à espera de ser apanhados em casa, tenho que comprar uma pá, já que não consigo apanhá-los com a mão.
Só vos digo meus amigos, estas baratas estão a sair-me muito caras.
sexta-feira, setembro 21, 2007
A história da Pantufa
Com o passar dos dias a confiança foi aumentando, a tal ponto que, passadas 3 semanas, já vinha a correr atrás de nós a abanar o rabo e a pedir festinhas. A meiguice que tinha no olhar era óbvia, e o contentamento com os miminhos era retribuído com muitas festas.
Nesta altura percebemos que a barriga dela estava anormalmente grande, e começámos a suspeitar de uma gravidez, ou isso ou algo muito mau estaria a passar-se com ela. Num dia depois do trabalho, eu e mais duas amigas e colegas, demos um valente banho à Pantufa e, depois de muitas peripécias, metemo-la numa caixa transportadora e seguimos para o veterinário.
A notícia foi recebida com entusiasmo: a Pantufa está grávida!!!
Fizemos Raio-X, e estimámos que seriam entre 3 a 5 cachorros. Demos as vacinas necessárias, desparasitámo-la, e pesámo-la - 6 kg de cão com presentes dentro da barriga...
Desde essa noite a Pantufa tem dormido em casa da Sandra que tem um óptimo quintal, e tem feito as nossas alegrias e a de toda a vizinhança.
Na sequência de um dos anúncios da Rusca (entretanto já com a nova família), apareceu a nova dona da Pantufa, que adorou as fotos e as descrições das andanças da nossa cachorra de adopção. Ficou combinado que a Pantufa irá para a nova casa logo que deixe de amamentar as crias e logo que estas sejam adoptadas também.
Nesta última semana, a cadelinha andava já com dificuldade, e só queria festinhas na barriga, sempre que podia encostava-se em qualquer lado e punha-se a dormir.
Na 4ª feira a Pantufa começou a fazer o ninho, a esgravatar por todo o lado e a recolher panos e folhas para um canto. Preparámos então uma espécie de casota, para onde ela entrou toda contente e fez de imediato dona e senhora do novo lugar. Percebemos à noite que ela não queria comer mais e fizemos as contas prevendo que a ninhada fosse nascer na noite de 5ª ou 6ª feira.
Logo bem cedo pela manhã (5ª feira), decidi, antes de ir trabalhar, passar pela casa da Sandra para por à disposição da Pantufa mais mantinhas e toalhas para o ninho. Quando cheguei deparei-me com a surpresa das surpresas: A Pantufa lavava cuidadosa e vigorosamente 2 cachorrinhos lindos.
Enquanto via estupefacta esta maravilha da natureza, reparo que a Pantufa faz alguma força com as patinhas de trás e de repente rebenta mais uma bolsa e sai o 3º filhote. Este era o branco com manchas castanhas, uma delas bem no meio da cabeça. Que lindo...
Quase não conseguia sair dali, mas tinha de a deixar em paz a tratar do assunto, e como o fazia tão bem, tinha a certeza que não havia motivos para preocupações.
Depois do trabalho fui a correr para ver a nova família canina, e quando chego, nova surpresa: afinal são 5 cachorrinhos todos lindos, limpinhos, a arrastarem-se à volta da mãe e a mamar desalmadamente.
A Pantufa logo que me viu veio pedir mais comida, e nunca pensei que uma cadela deste tamanho comesse tanto como o fez em 2 minutos. Muito despachada voltou rapidamente para junto das crias e não saiu mais. A postura dela é de mãe super protectora, e eu estou contente que ela esteja a agir assim.
Agora temos 5 bébés lindos a "miar" lá por casa a pedir mimo e atenção.
- 1 preto
- 1 castanho-escuro com manchas brancas
- 1 branco com manchas pretas
- 2 brancos com manchas castanho-escuro
Estes malhados parecem vaquinhas bebés... e são todos tão lindos com o focinho rosadinho...
Boa sorte para a Pantufa e para os seus bebés.
Estes malhados parecem vaquinhas bebés... e são todos tão lindos com o focinho rosadinho...
Boa sorte para a Pantufa e para os seus bebés.
quarta-feira, junho 27, 2007
Campanha da União Zoófila
Ainda sobre os animais...
eis algumas das esfarrapadas desculpas que as pessoas costumam dar quando decidem abandonar um fiel amigo.
O vídeo é da União Zoófila e pretende combater o abandono dos animais de estimação. Gostava que estas campanhas tivessem um impacto muito maior sobre os estúpidos que fazem isto...
http://uz.edupt.com/uzfiles/contra_abandono_funeral.mpg
eis algumas das esfarrapadas desculpas que as pessoas costumam dar quando decidem abandonar um fiel amigo.
O vídeo é da União Zoófila e pretende combater o abandono dos animais de estimação. Gostava que estas campanhas tivessem um impacto muito maior sobre os estúpidos que fazem isto...
http://uz.edupt.com/uzfiles/contra_abandono_funeral.mpg
terça-feira, junho 26, 2007
A Rusca
Trouxe-a comigo e levei-a de imediato ao veterinário que me confirmou que está tudo bem. Depois de desparasitada e de retiradas todas as pulgas e carraças, já tomou banho e já arranjou o pêlo que estava em muito mau estado.
A Rusca deve ter entre 1,5 a 2 anos, é arraçada de Podengo Português, é de porte pequeno-médio e tem a pelagem de cor castanha.
Ela come bem, é muito bem educada, anda sempre atrás de mim, mesmo na rua, não tendo sido ainda necessário utilizar trela. Julgo que ela foi treinada em pequena pois obedece a todas as ordens que lhe dou. É uma cadela muito meiga e amorosa, como sabem tenho e tive alguns cães, e conheço outros tantos, mas nunca tinha encontrado um tão especial assim.
Infelizmente não posso ficar com ela, pois não só não tenho espaço (vivo num apartamento e já tenho a Pituca), como também não tenho muito tempo para a poder mimar como merece.
Por isso pedia-vos a vossa ajuda para encontrar um novo dono que a receba de braços abertos e que a queira como companhia fiel e dedicada.
Bem sei que a maior parte de vocês não quer nem pode ficar com ela, mas peço-vos que reencaminhem esta mensagem para amigos vossos que a possam acolher.
Infelizmente não posso ficar com ela, pois não só não tenho espaço (vivo num apartamento e já tenho a Pituca), como também não tenho muito tempo para a poder mimar como merece.
Por isso pedia-vos a vossa ajuda para encontrar um novo dono que a receba de braços abertos e que a queira como companhia fiel e dedicada.
Bem sei que a maior parte de vocês não quer nem pode ficar com ela, mas peço-vos que reencaminhem esta mensagem para amigos vossos que a possam acolher.
O regresso do verão
Nem parece que já chegou o verão, o sol brilha com medo, as nuvens estão sempre presentes e de vez em quando lá decidem deixar cair mais uma chuvinha... o vento continua frio e a água do mar.... essa nem se fala. Se no calendário não dissesse que o verão tinha chegado, quase que não acreditava...
Mas não escrevo hoje este blog por causa do que o verão este ano ainda não trouxe, mas sim por causa das coisas que o verão já trouxe. Animais abandonados... às dezenas aqui perto... porquê?
Todos os dias a caminho do trabalho olho para as bermas à procura de algum gato ou cão que precisem da minha ajuda, mas invariavelmente o que encontro são corpos estendidos pelos quais já nada posso fazer. Todos os anos este cenário repete-se, mas nunca tinha chegado a ter um impacto assim tão grande em mim... é que agora ao trabalhar numa zona rural e longe das cidades, a história parece que se repete com maior intensidade, são muito mais do que eu estava à espera.
E pergunto mais uma vez, porquê?
Porque é que as pessoas decidem a certa altura da sua vida ter um animal de estimação, e depois, como se fosse muito normal, fartem-se deles no verão, só porque "dá muito trabalho", "não tenho onde os deixar"... e outras desculpas igualmente estúpidas...
Pois bem... será que estas pessoas ainda não perceberam que existem canis? e hotéis? e famílias de acolhimento? e até mesmo locais onde passam as férias que já aceitam animais nas suas instalações?
Será que estas pessoas não percebem que ao abandonar um fiel amigo não lhe estão a conceder liberdade, mas pelo contrário a levá-lo ao sofrimento e até mesmo à morte?
Imaginem, tentem só imaginar, o que seria de vocês se os vossos familiares vos levassem para longe de casa, para um sítio onde não sabiam onde encontrar comida nem abrigo, e como se a solidão e o desespero não bastassem ainda tinham que atravessar estradas cheias de carros a alta velocidade que não se desviam.... Conseguem imaginar?
Quando se abandona o nosso melhor amigo (sim, porque eles continuam a ser os nossos melhores amigos, pois nunca nos deixariam nem trairiam), é isto que acontece...
Algumas pessoas agora dizem, "mas depois há pessoas que os recolhem", pois há, mas não são assim tantas e por vezes não chegam a tempo de os ajudar.
De entre todos os animais (muitos) que tenho visto estendidos na berma, só consegui salvar 1. A Rusca, a cadela mais meiga que já conheci...
Mas não escrevo hoje este blog por causa do que o verão este ano ainda não trouxe, mas sim por causa das coisas que o verão já trouxe. Animais abandonados... às dezenas aqui perto... porquê?
Todos os dias a caminho do trabalho olho para as bermas à procura de algum gato ou cão que precisem da minha ajuda, mas invariavelmente o que encontro são corpos estendidos pelos quais já nada posso fazer. Todos os anos este cenário repete-se, mas nunca tinha chegado a ter um impacto assim tão grande em mim... é que agora ao trabalhar numa zona rural e longe das cidades, a história parece que se repete com maior intensidade, são muito mais do que eu estava à espera.
E pergunto mais uma vez, porquê?
Porque é que as pessoas decidem a certa altura da sua vida ter um animal de estimação, e depois, como se fosse muito normal, fartem-se deles no verão, só porque "dá muito trabalho", "não tenho onde os deixar"... e outras desculpas igualmente estúpidas...
Pois bem... será que estas pessoas ainda não perceberam que existem canis? e hotéis? e famílias de acolhimento? e até mesmo locais onde passam as férias que já aceitam animais nas suas instalações?
Será que estas pessoas não percebem que ao abandonar um fiel amigo não lhe estão a conceder liberdade, mas pelo contrário a levá-lo ao sofrimento e até mesmo à morte?
Imaginem, tentem só imaginar, o que seria de vocês se os vossos familiares vos levassem para longe de casa, para um sítio onde não sabiam onde encontrar comida nem abrigo, e como se a solidão e o desespero não bastassem ainda tinham que atravessar estradas cheias de carros a alta velocidade que não se desviam.... Conseguem imaginar?
Quando se abandona o nosso melhor amigo (sim, porque eles continuam a ser os nossos melhores amigos, pois nunca nos deixariam nem trairiam), é isto que acontece...
Algumas pessoas agora dizem, "mas depois há pessoas que os recolhem", pois há, mas não são assim tantas e por vezes não chegam a tempo de os ajudar.
De entre todos os animais (muitos) que tenho visto estendidos na berma, só consegui salvar 1. A Rusca, a cadela mais meiga que já conheci...
quinta-feira, abril 14, 2005
sexta-feira, abril 08, 2005
uma DUNA dentro de casa
Pois é.... tenho mesmo uma duna dentro de casa....
e como é isso possível perguntam vocês?
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Ora bem... tudo começou assim:
quinta feira às 18h estava eu a sair do emprego a dirigia-me para o supermercado, precisava de comprar algumas coisas para o jantar e já tinha acabado os garrafões de água que tinha em casa. Passava tranquilamente na Travessa da Praia quando quase tropeço na nova inquilina que tenho em casa. A Duna, uma gatinha linda com cerca de 2 meses, com dentes de leite, olhos azuis, malhada, tão pequenina que cabe na minha mão e é mais pequena que o meu pé (nº 36).
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Esta bébé, estava a miar e a andar meia atarantada de um lado para o outro. Depois de meia hora a tentar perceber o que é que ela andava a fazer, e a ver se encontrava a mãe ou os irmão dela, percebi que ela estava perdida. Ela ainda não via muito bem, e com o andar meio desengonçado nem conseguia evitar tropeçar nas pedras do chão.
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Peguei nela ao colo e logo apareceram umas 5 pessoas que me diziam que a levasse para casa e que a tratasse bem. Veio ter comigo um mendigo, uma senhora bem vestida, um senhor surdo-mudo e mais duas pessoas normais.
O mendigo dizia que ela tinha que ir para minha casa porque ela tinha fome e frio à noite, a senhora bem vestida dizia-me que se eu quisesse um gatinho que devia deixar este na rua que ela dava-me um siamês puro de uma ninhada que estava para nascer em casa dela, e o surdo-mudo não disse nada, apenas pegou nela com imenso carinho e tentou perceber se era gatinha ou gatinho.
Quando eu lhe disse que era gatinha, apontando para mim ele confirmou com a cabeça e um enorme sorriso. Colocou-a nas minhas mão e fez-me um sinal de me ir embora com ela e para a tratar bem.
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Coração mole como sou lá a trouxe para casa.
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Mal cheguei a casa telefonei à Catarina que tem em casa o Fanfrélio (um gato completamente alucinado... e muito giro), e pedi-lhe que me fosse ajudar.
A gatinha esteve uma meia hora assustada, eu até fiquei com medo que ela não estivesse bem... pensei que tivesse fome, e frio e então tratei de fazer uma cama e de preparar a comidinha.
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A caminha é uma caixa de chocapic com o pano do pó que trouxe de Portugal para a aquecer. E a sua primeira refeição era um bocadinho de leite que ainda tinha em casa, diluído com água (como não tinha chegado a ir às compras, não tinha mais nada em casa).
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Depois de comer a gatinha começou logo a arrebitar e agora já é dona e senhora daquela casa.
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Nem vos consigo dizer como ela é linda... enche-me a casa e o coração... é tão bom ter companhia... ter alguém que nos espera quando chegamos tarde a casa... alguém que nos dá mimos e nos faz rir com as suas brincadeiras e que nos ama do fundo do coração, sem pedir mais do que uns minutos de atenção...
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Duna da Praia de Cabo Verde, és a menina dos meus olhos... o meu bébé... com os teus passinhos de gata encontraste o caminho para o meu coração...
sábado, março 26, 2005
um mau dia
Hoje nada correu bem... também é impossível que depois de uma má notícia o dia ainda voltasse a endireitar...
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O Dingo morreu... o meu gatinho mais lindo...
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Que abalo grande no meu coração...
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O Dingo morreu... o meu gatinho mais lindo...
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Que abalo grande no meu coração...
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