Esta semana foi cansativa mas positiva :) muito positiva.
Na 2ª feira nasceu a Laricia Sofia, a filha mais nova da minha empregada / amiga Teresa. A Teresa, para quem não sabe, trabalha comigo desde que eu vim para Moçambique. Damo-nos muito bem e damos apoio uma à outra, sempre que é necessário. Cozinha maravilhosamente bem, e tem treinado outras empregadas de amigos meus, adora e cuida dos meus bixos quando estou fora, e gere toda a casa. Sem a ajuda dela a minha vida aqui seria um stress imenso.
Então 2ª feira a bebé nasceu, às 21:15, com 3.120kg, depois de muitas horas em trabalho de parto (desde sábado á noite).
Durante os 9 meses não se escolheu nome, até porque nem sabíamos se ia ser menina ou menino. A minha mãe dizia que ia ser menina, e eu e a Teresa estávamos convencidas que seria um menino.
A menina nasceu bem, é linda, super calma, um doce... hoje fui conhecê-la e dar-lhe o nome.
Na casa da Teresa, onde sou sempre bem recebida, estava eu, ela e as duas filhas já grandes. Enquanto a bebé mamava tranquila, falámos sobre os nomes, e graças à tecnologia móvel conseguimos pesquisar o significado de alguns nomes. A decisão foi relativamente rápida, quanto ao 2º nome, todas concordámos com Sofia.
O primeiro nome é que foi mais difícil e foi a Teresa que sugeriu, Laricia.
Laricia, ou Larissa ou ainda Larissia, é um nome de origem grega que significa "cheia de vida", "cheia de alegria", "tem charme", "é agradável". Na mitologia grega é o nome de uma ninfa de Thessaly. É ainda o nome de uma das luas de Neptuno.
Sofia é também um nome de origem grega, que significa "sabedoria", "a sábia".
Bem vinda a este mundo Laricia Sofia, que a tua vida seja recheada de amor e felicidade.
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sábado, junho 09, 2012
segunda-feira, maio 28, 2012
Um aniversário diferente
Escrevo a história do meus 34º aniversário, porque não quero nunca esquecer-me destes dias. Todos os meus aniversários têm sido especiais e lembro de cada um deles. Mas nunca me tinha acontecido, durante o meu aniversário lembrar-me tão claramente dos outros aniversários... dos amigos que estiveram aqui e dos que não puderam estar.
Cada aniversário é especial, e é uma oportunidade única de nos sentirmos rodeados de felicidade e carinho, abraçados pelos braços da amizade. Sim, cada aniversário é especial, mas este ainda mais, porque num único aniversário recordei-me de todos os outros, por isso foi um aniversário onde estiveram todos presentes :) mesmo os ausentes...
O aniversário começou na sexta-feira no momento em que entrei no carro da minha grande amiga P.. Éramos 4, eu apenas conhecia a P. mas ao fim de uns 100 km já cantávamos alto e bom som, com muito movimento, as músicas boas e não tão boas, que nos fazem recordar, sorrir e cantar.
Já na Swazilândia o frio começou a apertar e por cima da blusa de alças fui vestindo casacos, enrolei o lenço ao pescoço e já à entrada do festival Bushfire esperámos um outro grupo de amigos com quem tínhamos combinado ir jantar.
Àquela hora só um sítio ainda tinha comida, o Royal Swazi Hotel. Para aquecer pedimos uns shots de Kahula, Amarula e natas, era já quase meia-noite e a comida veio acompanhada de um bom vinho. A conversa e risadas fluíam com uma naturalidade quase surpreendente.
Pensei que já que me estava a mimar com a presença de amigos, estes e os que vim a encontrar ao longo do fim-de-semana, achei por bem mimar-me a sério para o meu fim-de-semana de aniversário.
O Hotel estava cheio, nós tínhamos reservado umas casinhas num lodge no meio de um parque natural, mas com aquele frio todo lá fora e o conforto do Royal Swazi Spa, achei melhor ver se conseguia arranjar um quarto. E depois de alguma conversa, o bláblá de que faço anos, etc etc, consegui um quarto e ainda por cima a metade do preço no Lugogo Hotel (mesmo ao lado e que é do mesmo grupo do Royal). Alguém tinha cancelado uma reserva à última da hora.
Quando chego ao quarto tenho um dilema... em qual das 2 camas de casal me havida de deitar :) Há pessoas com sorte, eu sei, e acho que fui uma delas.
Não dormi muito mas o suficiente para deixar o stress da semana de trabalho para trás. Acordei mesmo a tempo do pequeno-almoço gigantesco, tomei banho e vesti-me.
Era sábado dia, dia de festival.
Fui ter com o resto dos amigos ao Royal, aproveitei para comprar um gorro de lã e um cachecol, e assim fiquei equipada para o frio da noite de festival (frio a sério acho que chegámos a ter 7ºC).
Fomos almoçar ao Calabash, onde já não ia há 22 anos, desde que era pequenina. Entro na sala e vejo uma mesa grande lá ao fundo e praticamente todos os meus amigos (dos que foram ao festival) estavam lá, para me dar um beijinho no último dia dos 33 anos e começarmos a festejar os 34 logo ali.
Éramos mais de 30 :), seríamos 34? talvez.
Comemos da melhor carne, entradas fabulosas e no fim um bolo de chocolate divinal que deu para todos. As velas não apagavam apesar da minha determinação em as apagar. Eram daquelas velas chatas que não param de acender outra vez.
No fim do bolo uma rodada de shots, de uma qualquer coisa demasiado alcoólica, e transparente. Depois do shot é que vimos que era o álcool que estava dentro de uma garrafa com cobras e lagartos em conserva :) um bocadinho melhor do que o que bebemos no Vietnam ;)
Tive direito à sempre única música dos parabéns que este ano foi mais ou menos assim "Parabéns a você, Só amanhã!, Nesta data querida, Só amanhã!,...." foi muito bom :)
Saímos do restaurante e fomos para a House on Fire onde decorre o festival Bushfire. Um espaço ao ar livre com construções estranhas de uma mente criativa completamente louca, mas fenomenal. O espaço é mesmo espectacular.
O ritmo da festa eram as músicas do mundo, com um toque muito especial de África. Bons concertos, boa onda, boa gente, muitos sorrisos, abraços e mimos dos amigos que rodeavam. O calor humano era tanto que só ao fim de umas horas tive frio suficiente para vestir o casaco. Gritei, saltei, dancei e cantei... adorei :)
Quase perto da meia-noite consegui comer um hot-dog daquelas salsichas sul-africanas que detesto, mas como há alturas que não vale a pena ser esquisita.
Rapidamente esqueci os apertos da fila da comida (a comida acabou nas outras barraquinhas), esqueci a fome e com a música de fundo recebi abraços e beijinhos dos amigos que ainda se aguentavam no festival. Era dia 27 de Maio, começava assim o meu dia de anos em pleno festival.
Dancei, dancei até não poder mais... as pernas doíam tanto... nem me lembro de alguma vez ter tido tantas dores...
Já estoirada mas com um sorriso nos lábios voltei para o hotel, dormi um pouco e no meu aniversário fui tomar outro pequeno-almoço fantástico, e segui para as massagens :)
1:30 de massagem, daquelas a sério, com pedras quentes ao som dos pássaros no spa no meio do jardim. Rejuvenesci.
Seguimos para um almoço já tardio mais uma vez no Calabash, mas desta vez éramos menos e daqui seguimos para Maputo, onde os meu "bixos" esperavam ansiosamente por mim. O Pumba, a Matilde e o Valentim, brindaram-me de mimos enquanto recebia chamadas de Portugal e de outros lados do mundo...
Mais uma vez senti-me abraçada por todos, amigos e família, senti-me abraçada por aqueles que me fazem muita falta, mas que estiveram comigo neste dia especial.
Obrigada amigos, por me darem mais um dia (ou vários dias) tão especial.
Beijinhos grandes para todos do fundo do coração.
Cada aniversário é especial, e é uma oportunidade única de nos sentirmos rodeados de felicidade e carinho, abraçados pelos braços da amizade. Sim, cada aniversário é especial, mas este ainda mais, porque num único aniversário recordei-me de todos os outros, por isso foi um aniversário onde estiveram todos presentes :) mesmo os ausentes...
O aniversário começou na sexta-feira no momento em que entrei no carro da minha grande amiga P.. Éramos 4, eu apenas conhecia a P. mas ao fim de uns 100 km já cantávamos alto e bom som, com muito movimento, as músicas boas e não tão boas, que nos fazem recordar, sorrir e cantar.
Já na Swazilândia o frio começou a apertar e por cima da blusa de alças fui vestindo casacos, enrolei o lenço ao pescoço e já à entrada do festival Bushfire esperámos um outro grupo de amigos com quem tínhamos combinado ir jantar.
Àquela hora só um sítio ainda tinha comida, o Royal Swazi Hotel. Para aquecer pedimos uns shots de Kahula, Amarula e natas, era já quase meia-noite e a comida veio acompanhada de um bom vinho. A conversa e risadas fluíam com uma naturalidade quase surpreendente.
Pensei que já que me estava a mimar com a presença de amigos, estes e os que vim a encontrar ao longo do fim-de-semana, achei por bem mimar-me a sério para o meu fim-de-semana de aniversário.
O Hotel estava cheio, nós tínhamos reservado umas casinhas num lodge no meio de um parque natural, mas com aquele frio todo lá fora e o conforto do Royal Swazi Spa, achei melhor ver se conseguia arranjar um quarto. E depois de alguma conversa, o bláblá de que faço anos, etc etc, consegui um quarto e ainda por cima a metade do preço no Lugogo Hotel (mesmo ao lado e que é do mesmo grupo do Royal). Alguém tinha cancelado uma reserva à última da hora.
Quando chego ao quarto tenho um dilema... em qual das 2 camas de casal me havida de deitar :) Há pessoas com sorte, eu sei, e acho que fui uma delas.
Não dormi muito mas o suficiente para deixar o stress da semana de trabalho para trás. Acordei mesmo a tempo do pequeno-almoço gigantesco, tomei banho e vesti-me.
Era sábado dia, dia de festival.
Fui ter com o resto dos amigos ao Royal, aproveitei para comprar um gorro de lã e um cachecol, e assim fiquei equipada para o frio da noite de festival (frio a sério acho que chegámos a ter 7ºC).
Fomos almoçar ao Calabash, onde já não ia há 22 anos, desde que era pequenina. Entro na sala e vejo uma mesa grande lá ao fundo e praticamente todos os meus amigos (dos que foram ao festival) estavam lá, para me dar um beijinho no último dia dos 33 anos e começarmos a festejar os 34 logo ali.
Éramos mais de 30 :), seríamos 34? talvez.
Comemos da melhor carne, entradas fabulosas e no fim um bolo de chocolate divinal que deu para todos. As velas não apagavam apesar da minha determinação em as apagar. Eram daquelas velas chatas que não param de acender outra vez.
No fim do bolo uma rodada de shots, de uma qualquer coisa demasiado alcoólica, e transparente. Depois do shot é que vimos que era o álcool que estava dentro de uma garrafa com cobras e lagartos em conserva :) um bocadinho melhor do que o que bebemos no Vietnam ;)
Tive direito à sempre única música dos parabéns que este ano foi mais ou menos assim "Parabéns a você, Só amanhã!, Nesta data querida, Só amanhã!,...." foi muito bom :)
Saímos do restaurante e fomos para a House on Fire onde decorre o festival Bushfire. Um espaço ao ar livre com construções estranhas de uma mente criativa completamente louca, mas fenomenal. O espaço é mesmo espectacular.
O ritmo da festa eram as músicas do mundo, com um toque muito especial de África. Bons concertos, boa onda, boa gente, muitos sorrisos, abraços e mimos dos amigos que rodeavam. O calor humano era tanto que só ao fim de umas horas tive frio suficiente para vestir o casaco. Gritei, saltei, dancei e cantei... adorei :)
Quase perto da meia-noite consegui comer um hot-dog daquelas salsichas sul-africanas que detesto, mas como há alturas que não vale a pena ser esquisita.
Rapidamente esqueci os apertos da fila da comida (a comida acabou nas outras barraquinhas), esqueci a fome e com a música de fundo recebi abraços e beijinhos dos amigos que ainda se aguentavam no festival. Era dia 27 de Maio, começava assim o meu dia de anos em pleno festival.
Dancei, dancei até não poder mais... as pernas doíam tanto... nem me lembro de alguma vez ter tido tantas dores...
Já estoirada mas com um sorriso nos lábios voltei para o hotel, dormi um pouco e no meu aniversário fui tomar outro pequeno-almoço fantástico, e segui para as massagens :)
1:30 de massagem, daquelas a sério, com pedras quentes ao som dos pássaros no spa no meio do jardim. Rejuvenesci.
Seguimos para um almoço já tardio mais uma vez no Calabash, mas desta vez éramos menos e daqui seguimos para Maputo, onde os meu "bixos" esperavam ansiosamente por mim. O Pumba, a Matilde e o Valentim, brindaram-me de mimos enquanto recebia chamadas de Portugal e de outros lados do mundo...
Mais uma vez senti-me abraçada por todos, amigos e família, senti-me abraçada por aqueles que me fazem muita falta, mas que estiveram comigo neste dia especial.
Obrigada amigos, por me darem mais um dia (ou vários dias) tão especial.
Beijinhos grandes para todos do fundo do coração.
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Para os meus amigos...
Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida ...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias
(Autor: Fernando Pessoa )
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida ...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias
(Autor: Fernando Pessoa )
quarta-feira, maio 23, 2012
Mudanças
Há dias... vários dias... que penso que tenho que escrever isto ou aquilo, mas depois penso que o melhor é mesmo guardar para mim as palavras, tal como guardo para mim as imagens (e por isso tenho tão poucas fotografias). Mas depois há dias como o de hoje, em que sinto que escrever me faz bem, me faz pensar num futuro lá longe, onde vou ler o que agora escrevi e vou recordar o que senti, o que vivi, o que experienciei.
Hoje é um apenas mais um dia normal, mas no meio de uns meses que em nada têm sido normais. Já vos contei a história da minha vida? venho contando aos bocadinhos... mas, e a história da minha vida desde o início deste ano? essa ainda não.
Então em breves palavras conto o que me vem à cabeça sem grande ordem lógica. E faço-o hoje porque perdi mais uma tia, daquelas do coração, e percebi (mais uma vez, infelizmente) que a vida são pequenos retalhos que partilhamos, pequenos momentos em que nos damos e em que recebemos o que os outros são.
Durante 3 anos andei a lutar para provar ao mundo e a mim mesma que era capaz de levar a avante um projecto profissional, que agora percebo era completamente louco, e que me desgastou fisica e psicologicamente, de uma forma que nunca pensei que fosse possível. Sem vos conseguir descrever os momentos que passei, falo apenas de alguns alertas que tive e que fui ignorando até estar à beira de um esgotamento.
No primeiro ano do projecto, a felicidade que sentia por estar em Moçambique era tanta que o meu corpo foi sugado de toda e qualquer energia, sem que me apercebesse disso. Foi só no início do 2º ano de projecto que percebi que alguma coisa não estava bem.
Alergias, constipações, infecções e enxaquecas pareciam que estavam em disputa permanente para ver quem conseguia maior tempo de antena. Depois vieram os ataques de ansiedade durante o dia, depois ao acordar e mais tarde um aperto no peito constante que se agudizava quando o telemóvel começava a tocar. Inconscientemente associei o som e até mesmo a vibração do telemóvel a problemas de trabalho e a stress, e isso fez gerar mais stress.
Nesta altura fui a 2 médicos em Moçambique e 1 em Portugal, e mesmo assim foi difícil acreditar que algo estava errado comigo. Diagnosticaram-me uma depressão associada a um esgotamento físico. Nesta altura percebi que a pressão arterial normal não é 18 / 12, percebi que o meu corpo estava em stress constante, o colestrol altíssimo, os açucares também, e etc etc etc. Tive ordem imediata para parar, para dormir... caso contrário qualquer um destes médicos iria passar-me uma baixa médica.
Ok. Foi aqui que vi que exagerei, foi aqui que percebi que tinha que mudar de vida. Assim, lentamente, fui tentando por as peças do puzzle, que era a minha cabeça, no lugar.
Apercebi-me que não conseguia decorar mais nada, que não me lembrava de compromissos, que para pensar tinha que fazer um esforço brutal e mesmo assim pensava a passo de caracol, quando comparado com o meu eu passado que pensava à velocidade da luz.
Então, entrando no último ano do projecto programei umas férias e uma viagem que parecia demasiado arriscada e louca, mas que acabou por ser tão simples, tranquila, magnífica e centrada nas coisas belas e momentos que ficam na memória.
Esta viagem foi a volta a Moçambique. E foi aqui que se iniciou a minha verdadeira mudança. Foi depois da viagem que decidi que tinha que mudar a minha vida e voltar a agarrar as rédeas do meu destino. Foi durante a viagem que percebi que tinha vivido os últimos 12 anos a pensar na minha evolução profissional, e que me tinha, algures no caminho, esquecido de mim.
Decidi que até Fevereiro de 2012 tinha que tomar alguma decisão que implicasse mudança, e é essa mudança enorme que se está ainda hoje a processar em mim.
E em Fevereiro iniciaram-se então as mudanças. Pedi licença sem vencimento no grupo Águas de Portugal, abracei um desafio profissional diferente, mudei de casa, adoptei um gato para dar cabo das baratas e confusionar os meus canitos. Agora que já iniciei este processo de mudança percebo que ainda não acabou, e que afinal as mudanças que preciso são ainda mais profundas do que imaginei no início.
Preciso de voltar um bocadinho atrás no tempo e deixar de ser tão adulta e tão pouco criança. Não me apercebi desta mudança, mas crescer assim não me fez bem, foi muito rápido, e por pouco não perdi a o meu eu criança, aquele eu que deve sempre habitar em nós.
Mas a maior de todas as mudanças é o facto de eu agora assumir claramente que adoro viver aqui :) e, pelo menos por enquanto, é aqui que quero viver. Nesta terra que me abraça calorosamente desde o amanhecer, onde tomo o pequeno-almoço no quintal enquanto os canitos dormitam ao sol e o gatufis sobe às árvores.
É agora, antes de continuar neste processo de mudança, que tenho que vos dizer, olhando nos olhos de cada um (assim o imagino) "Desculpa por ficar tão longe, tanto tempo. Desculpa por ter decidido que agora vivo em África." e ao mesmo tempo dizer "Penso em ti todos os dias, sinto a tua falta todos os dias. Sinto falta das nossas conversas, dos nossos cafésinhos, do sorriso dos teus filhos, sinto falta de os ver crescer." .
Ainda ontem escrevi a uma amiga e disse-lhe "Espero que me compreendas, tu que me percebes tão bem" (tal como os meus amigos, aqueles do coração). Eu sei que compreendem incondicionalmente, porque isso é amizade, mas acho que vos devo uma explicação. Adoro ver-vos e, quando a distância não permite, adoro falar convosco ao telefone. Mas de cada vez que falo convosco choro por dentro com uma dor infinita que me custa tanto, mas tanto, aguentar. É por isto que não ligo tantas vezes... pelo menos não tantas como gostaria.
Não posso prometer nada neste meu discurso longo, nesta introspecção pública. Não posso prometer mais viagens a Portugal, visitas a toda a gente, mas uma coisa posso prometer, estão sempre no meu coração. E durante este processo de mudança foram vocês que me deram força para começar, e são agora também o que me move. A nossa amizade é uma parte fundamental da minha vida, e da minha felicidade. A única coisa que posso prometer, e prometo sempre a mim própria, é que todos os dias sou feliz, e se tal é possível, a mudança em curso tem apenas como objectivo trazer ainda mais felicidade para junto de mim.
Hoje é um apenas mais um dia normal, mas no meio de uns meses que em nada têm sido normais. Já vos contei a história da minha vida? venho contando aos bocadinhos... mas, e a história da minha vida desde o início deste ano? essa ainda não.
Então em breves palavras conto o que me vem à cabeça sem grande ordem lógica. E faço-o hoje porque perdi mais uma tia, daquelas do coração, e percebi (mais uma vez, infelizmente) que a vida são pequenos retalhos que partilhamos, pequenos momentos em que nos damos e em que recebemos o que os outros são.
Durante 3 anos andei a lutar para provar ao mundo e a mim mesma que era capaz de levar a avante um projecto profissional, que agora percebo era completamente louco, e que me desgastou fisica e psicologicamente, de uma forma que nunca pensei que fosse possível. Sem vos conseguir descrever os momentos que passei, falo apenas de alguns alertas que tive e que fui ignorando até estar à beira de um esgotamento.
No primeiro ano do projecto, a felicidade que sentia por estar em Moçambique era tanta que o meu corpo foi sugado de toda e qualquer energia, sem que me apercebesse disso. Foi só no início do 2º ano de projecto que percebi que alguma coisa não estava bem.
Alergias, constipações, infecções e enxaquecas pareciam que estavam em disputa permanente para ver quem conseguia maior tempo de antena. Depois vieram os ataques de ansiedade durante o dia, depois ao acordar e mais tarde um aperto no peito constante que se agudizava quando o telemóvel começava a tocar. Inconscientemente associei o som e até mesmo a vibração do telemóvel a problemas de trabalho e a stress, e isso fez gerar mais stress.
Nesta altura fui a 2 médicos em Moçambique e 1 em Portugal, e mesmo assim foi difícil acreditar que algo estava errado comigo. Diagnosticaram-me uma depressão associada a um esgotamento físico. Nesta altura percebi que a pressão arterial normal não é 18 / 12, percebi que o meu corpo estava em stress constante, o colestrol altíssimo, os açucares também, e etc etc etc. Tive ordem imediata para parar, para dormir... caso contrário qualquer um destes médicos iria passar-me uma baixa médica.
Ok. Foi aqui que vi que exagerei, foi aqui que percebi que tinha que mudar de vida. Assim, lentamente, fui tentando por as peças do puzzle, que era a minha cabeça, no lugar.
Apercebi-me que não conseguia decorar mais nada, que não me lembrava de compromissos, que para pensar tinha que fazer um esforço brutal e mesmo assim pensava a passo de caracol, quando comparado com o meu eu passado que pensava à velocidade da luz.
Então, entrando no último ano do projecto programei umas férias e uma viagem que parecia demasiado arriscada e louca, mas que acabou por ser tão simples, tranquila, magnífica e centrada nas coisas belas e momentos que ficam na memória.
Esta viagem foi a volta a Moçambique. E foi aqui que se iniciou a minha verdadeira mudança. Foi depois da viagem que decidi que tinha que mudar a minha vida e voltar a agarrar as rédeas do meu destino. Foi durante a viagem que percebi que tinha vivido os últimos 12 anos a pensar na minha evolução profissional, e que me tinha, algures no caminho, esquecido de mim.
Decidi que até Fevereiro de 2012 tinha que tomar alguma decisão que implicasse mudança, e é essa mudança enorme que se está ainda hoje a processar em mim.
E em Fevereiro iniciaram-se então as mudanças. Pedi licença sem vencimento no grupo Águas de Portugal, abracei um desafio profissional diferente, mudei de casa, adoptei um gato para dar cabo das baratas e confusionar os meus canitos. Agora que já iniciei este processo de mudança percebo que ainda não acabou, e que afinal as mudanças que preciso são ainda mais profundas do que imaginei no início.
Preciso de voltar um bocadinho atrás no tempo e deixar de ser tão adulta e tão pouco criança. Não me apercebi desta mudança, mas crescer assim não me fez bem, foi muito rápido, e por pouco não perdi a o meu eu criança, aquele eu que deve sempre habitar em nós.
Mas a maior de todas as mudanças é o facto de eu agora assumir claramente que adoro viver aqui :) e, pelo menos por enquanto, é aqui que quero viver. Nesta terra que me abraça calorosamente desde o amanhecer, onde tomo o pequeno-almoço no quintal enquanto os canitos dormitam ao sol e o gatufis sobe às árvores.
É agora, antes de continuar neste processo de mudança, que tenho que vos dizer, olhando nos olhos de cada um (assim o imagino) "Desculpa por ficar tão longe, tanto tempo. Desculpa por ter decidido que agora vivo em África." e ao mesmo tempo dizer "Penso em ti todos os dias, sinto a tua falta todos os dias. Sinto falta das nossas conversas, dos nossos cafésinhos, do sorriso dos teus filhos, sinto falta de os ver crescer." .
Ainda ontem escrevi a uma amiga e disse-lhe "Espero que me compreendas, tu que me percebes tão bem" (tal como os meus amigos, aqueles do coração). Eu sei que compreendem incondicionalmente, porque isso é amizade, mas acho que vos devo uma explicação. Adoro ver-vos e, quando a distância não permite, adoro falar convosco ao telefone. Mas de cada vez que falo convosco choro por dentro com uma dor infinita que me custa tanto, mas tanto, aguentar. É por isto que não ligo tantas vezes... pelo menos não tantas como gostaria.
Não posso prometer nada neste meu discurso longo, nesta introspecção pública. Não posso prometer mais viagens a Portugal, visitas a toda a gente, mas uma coisa posso prometer, estão sempre no meu coração. E durante este processo de mudança foram vocês que me deram força para começar, e são agora também o que me move. A nossa amizade é uma parte fundamental da minha vida, e da minha felicidade. A única coisa que posso prometer, e prometo sempre a mim própria, é que todos os dias sou feliz, e se tal é possível, a mudança em curso tem apenas como objectivo trazer ainda mais felicidade para junto de mim.
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Carta para as minhas amigas
Minhas queridas
tenho montes, toneladas de saudades de todas e dos nossos encontros.
Apesar de não me "cheirar" nada a Natal, porque está calor em vez de frio, porque está sol em vez de chuva, porque não há música de natal na rua, porque não estou numa casa cheia de gente, porque não há no ar aquele cheiro de fritos de natal, porque nem sequer tenho o bacalhau de molho à espera da ceia de amanhã... apesar de tudo isto, quero desejar-vos um bom natal.
Adorei as vossa fotos, as barriguinhas redondinhas e cheias de vida, o vosso encontro que foi também quase meu nesse dia de frio... parei um bocadinho para "entrar" nas vossas/nossas conversas, e apesar de não vos ter podido dar beijinhos e rir com as nossas histórias, sinto que estive um bocadinho aí.
Por aqui vou festejar o natal em casa de amigos, novos amigos, e isso é bom, muito bom. Montei uma árvore de natal em minha casa, quase que me enche a sala de luz e de cor. Costumo dizer que não tenho tempo para comprar prendas, mas sempre o consegui fazer. Só que desta vez parece que vai ser mesmo impossível. Não tenho uma fnac ou um allegro aqui bem perto para ir a correr ao fim do dia (bem tarde) para comprar o que gostava de oferecer. Mas outros dias virão, e tal como aprendi este ano, o natal é efectivamente quando e sempre que nós quisermos.
Por isso minhas amigas do coração, desejo que seja sempre natal para vocês.
Um beijinho gigante do tamanho do mundo para as meninas lindas e as suas barrigas (com ou sem bébé).
Ana
tenho montes, toneladas de saudades de todas e dos nossos encontros.
Apesar de não me "cheirar" nada a Natal, porque está calor em vez de frio, porque está sol em vez de chuva, porque não há música de natal na rua, porque não estou numa casa cheia de gente, porque não há no ar aquele cheiro de fritos de natal, porque nem sequer tenho o bacalhau de molho à espera da ceia de amanhã... apesar de tudo isto, quero desejar-vos um bom natal.
Adorei as vossa fotos, as barriguinhas redondinhas e cheias de vida, o vosso encontro que foi também quase meu nesse dia de frio... parei um bocadinho para "entrar" nas vossas/nossas conversas, e apesar de não vos ter podido dar beijinhos e rir com as nossas histórias, sinto que estive um bocadinho aí.
Por aqui vou festejar o natal em casa de amigos, novos amigos, e isso é bom, muito bom. Montei uma árvore de natal em minha casa, quase que me enche a sala de luz e de cor. Costumo dizer que não tenho tempo para comprar prendas, mas sempre o consegui fazer. Só que desta vez parece que vai ser mesmo impossível. Não tenho uma fnac ou um allegro aqui bem perto para ir a correr ao fim do dia (bem tarde) para comprar o que gostava de oferecer. Mas outros dias virão, e tal como aprendi este ano, o natal é efectivamente quando e sempre que nós quisermos.
Por isso minhas amigas do coração, desejo que seja sempre natal para vocês.
Um beijinho gigante do tamanho do mundo para as meninas lindas e as suas barrigas (com ou sem bébé).
Ana
terça-feira, julho 07, 2009
Tanto tempo depois...
Estive quase em hibernação... passaram-se semanas de trabalho duro, sem direito a pausas, com poucas horas de sono... mas quase um mês depois e já com o sono reposto, já estou a voltar ao meu ritmo normal e já tenho mais histórias para contar.
No sábado de 13 de Junho a comunidade portuguesa juntou-se para comemorar o 10 de Junho, na Escola Portuguesa (onde estudei, mas nas instalações que ainda não conhecia). Era um monte de gente, havia música, comida tipicamente portuguesa, mesas e mesas redondas cheias de caras conhecidas, e eram muitos os que iam saltando de mesa em mesa para confraternizar. Houve momentos de Hino Nacional emocionantes, teatro, bandas a tocar, violinos, saxofone e cavaquinho (de arrepiar). O sol estava abrasador e o calor puxava à festa, à dança. No final da noite a marrabenta inundou o lugar já quase vazio e os poucos resistentes (borguistas) dançaram, dançaram, subiram para o palco e animaram a festa que terminou num auge de sorrisos e vontade de mais festa. Saí já no fim, o meu carro era, provavelmente, o último a sair do recinto. Jantei no Mundo's mas como ainda tinha energias para dar e vender, a noite estendeu-se para o "Face to face", uma discoteca na feira popular mais ao género de sala de baile com música ao vivo para dançar a dois, onde dancei, dancei, até não poder mais.
No dia seguinte era suposto ir fazer uma regata... mas tanto eu como o meu colega estávamos mais interessados em descansar, e após uma breve troca de mensagens decidimos ficar na ronha. Passei o dia a ver filmes e a conversar, sem pressas, sem stress, com amigos. Tempo de recuperar energias para a semana que se adivinhava difícil.
Voltei a acordar para a vida 10 dias depois, já com o trabalho a estabilizar de novo e com uma visita muito querida em minha casa. A minha amiga MB (das GMB - sim é um código só nosso, não é amigas?) veio passar cá uns dias. Começou por se recordar desta cidade, teve tempo para descansar e depois ainda consegui levá-la a ouvir música ao vivo e a comer os magníficos camarões do Costa do Sol. Nessa primeira semana outra amiga que está cá a trabalhar também ficou lá em casa, e estes momentos com elas foram preciosos para mim. Soube-me bem ter aquelas conversas de amigas, daquelas que dizemos disparates, ou nem tanto, que fazemos confidências e nos rimos das coisas absurdas que se passam na vida. Foi muito bom, amigas, ter-vos aqui. Obrigada
No sábado de 13 de Junho a comunidade portuguesa juntou-se para comemorar o 10 de Junho, na Escola Portuguesa (onde estudei, mas nas instalações que ainda não conhecia). Era um monte de gente, havia música, comida tipicamente portuguesa, mesas e mesas redondas cheias de caras conhecidas, e eram muitos os que iam saltando de mesa em mesa para confraternizar. Houve momentos de Hino Nacional emocionantes, teatro, bandas a tocar, violinos, saxofone e cavaquinho (de arrepiar). O sol estava abrasador e o calor puxava à festa, à dança. No final da noite a marrabenta inundou o lugar já quase vazio e os poucos resistentes (borguistas) dançaram, dançaram, subiram para o palco e animaram a festa que terminou num auge de sorrisos e vontade de mais festa. Saí já no fim, o meu carro era, provavelmente, o último a sair do recinto. Jantei no Mundo's mas como ainda tinha energias para dar e vender, a noite estendeu-se para o "Face to face", uma discoteca na feira popular mais ao género de sala de baile com música ao vivo para dançar a dois, onde dancei, dancei, até não poder mais.
No dia seguinte era suposto ir fazer uma regata... mas tanto eu como o meu colega estávamos mais interessados em descansar, e após uma breve troca de mensagens decidimos ficar na ronha. Passei o dia a ver filmes e a conversar, sem pressas, sem stress, com amigos. Tempo de recuperar energias para a semana que se adivinhava difícil.
Voltei a acordar para a vida 10 dias depois, já com o trabalho a estabilizar de novo e com uma visita muito querida em minha casa. A minha amiga MB (das GMB - sim é um código só nosso, não é amigas?) veio passar cá uns dias. Começou por se recordar desta cidade, teve tempo para descansar e depois ainda consegui levá-la a ouvir música ao vivo e a comer os magníficos camarões do Costa do Sol. Nessa primeira semana outra amiga que está cá a trabalhar também ficou lá em casa, e estes momentos com elas foram preciosos para mim. Soube-me bem ter aquelas conversas de amigas, daquelas que dizemos disparates, ou nem tanto, que fazemos confidências e nos rimos das coisas absurdas que se passam na vida. Foi muito bom, amigas, ter-vos aqui. Obrigada
sexta-feira, maio 15, 2009
A chegada
Para os que sabem e para os que ainda não sabem, a minha mãe chegou bem, aliás muito bem e muito carregada de coisinhas boas para a filhota emigra que já tinha saudades dos miminhos de Portugal.
A mãe chegou, a filhota foi esperá-la ao aeroporto, claro está. Nos dias antes da chegada o inverno estava já a espreitar, mas no dia da chegada o sol brilhou e aqueceu como num qualquer dia de verão, para dar as boas vindas.
Depois de um abraço longo de meses de saudades, que emocionou outros que por ali andavam, metemo-nos no meu carro e devagarinho, bem devagarinho, para apreciar cada momento, fomos percorrendo as estradas cheias de gente, trânsito e alguns buracos, a caminho da cidade.
Algumas coisas iguais, algumas bem diferentes do que era antes...
"Sinto-me em casa" disse-me ao percorrer a marginal, "sinto que mesmo que fique muito tempo fora, quando volto, é como se nunca tivesse saído de cá". E eu respondi com um sorriso cúmplice de quem sente exactamente o mesmo, mas com tempos e vivências diferentes... Moçambique é assim.
Depois do breve passeio pela cidade, rumámos a casa para pousar as malas, almoçar e descansar um bocado.
E neste bocadinho de pausa abrimos desenfreadamente as malas para ver as prendinhas: chocolates (sim… porque adoro, porque tem de ser, porque como só um de vez em quando para poupar, daqueles que vêm de Portugal); biquíni novo (ideia da mana, e ainda bem porque ainda não fui à praia… e preciso de um para mergulhar nas águas do Índico); camisas lindas para o meu dia de anos (que ainda vai longe, mas já me imagino com elas… lindas); equipamento de vela (porque o que tinha aqui já se está a desfazer… mais uma vez obrigada à patrocinadora oficial a mana); queijinhos…. Hummm que hum…. Delícia… como adoro queijinho; Bolo de aniversário da mana (aquele que apaguei as velas pelo computador), de chocolate óptimo claro… adorei; uma caneca (porque a minha se partiu); o girassol que canta e dança só para mim (das amigas… a prenda de Cabo Verde); o disco externo (essencial por estas paragens… não sobrevivo sem ele); um quadro de Barcelona do Parque Guel (prenda da mana, claro); e o meu primeiro mp3, ou como o baptizei “a banda sonora da minha vida”, prenda das amigas lindas… cheias das músicas que enchem os meus dias…
Estava feliz, parecia uma criança, e ao mesmo tempo tive saudades… imensas saudades, lembrei-me de caras e mais do que isso de sorrisos e abraços, e enquanto sorria uma lágrima deslizou suavemente pela face… (suspiro)
A mãe chegou, a filhota foi esperá-la ao aeroporto, claro está. Nos dias antes da chegada o inverno estava já a espreitar, mas no dia da chegada o sol brilhou e aqueceu como num qualquer dia de verão, para dar as boas vindas.
Depois de um abraço longo de meses de saudades, que emocionou outros que por ali andavam, metemo-nos no meu carro e devagarinho, bem devagarinho, para apreciar cada momento, fomos percorrendo as estradas cheias de gente, trânsito e alguns buracos, a caminho da cidade.
Algumas coisas iguais, algumas bem diferentes do que era antes...
"Sinto-me em casa" disse-me ao percorrer a marginal, "sinto que mesmo que fique muito tempo fora, quando volto, é como se nunca tivesse saído de cá". E eu respondi com um sorriso cúmplice de quem sente exactamente o mesmo, mas com tempos e vivências diferentes... Moçambique é assim.
Depois do breve passeio pela cidade, rumámos a casa para pousar as malas, almoçar e descansar um bocado.
E neste bocadinho de pausa abrimos desenfreadamente as malas para ver as prendinhas: chocolates (sim… porque adoro, porque tem de ser, porque como só um de vez em quando para poupar, daqueles que vêm de Portugal); biquíni novo (ideia da mana, e ainda bem porque ainda não fui à praia… e preciso de um para mergulhar nas águas do Índico); camisas lindas para o meu dia de anos (que ainda vai longe, mas já me imagino com elas… lindas); equipamento de vela (porque o que tinha aqui já se está a desfazer… mais uma vez obrigada à patrocinadora oficial a mana); queijinhos…. Hummm que hum…. Delícia… como adoro queijinho; Bolo de aniversário da mana (aquele que apaguei as velas pelo computador), de chocolate óptimo claro… adorei; uma caneca (porque a minha se partiu); o girassol que canta e dança só para mim (das amigas… a prenda de Cabo Verde); o disco externo (essencial por estas paragens… não sobrevivo sem ele); um quadro de Barcelona do Parque Guel (prenda da mana, claro); e o meu primeiro mp3, ou como o baptizei “a banda sonora da minha vida”, prenda das amigas lindas… cheias das músicas que enchem os meus dias…
Estava feliz, parecia uma criança, e ao mesmo tempo tive saudades… imensas saudades, lembrei-me de caras e mais do que isso de sorrisos e abraços, e enquanto sorria uma lágrima deslizou suavemente pela face… (suspiro)
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