sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Kruger Park

A completar 1 mês de estadia em Moçambique e ainda sem ter o DIRE que me permite apresentar como residente, precisava de sair do país para renovar o visto no passaporte. A viagem à fronteira estava decidida e planeada para o fim-de-semana passado e para juntar o útil ao agradável, passei para território da vizinha África do Sul e fui re-explorar o Kruger Park, reserva natural.
Como já todos sabem, não gosto de pagar para ter facilidades de tratamento e por isso estive na fronteira do lado de Moçambique durante horas na fila a ver os outros meter o dinheiro nos bolsos dos traficantes de influências. Vezes sem conta vieram ter connosco a propor negócio, dizendo que podiam ajudar a passar rápido e que por sermos muito claros não era bom estarmos ao sol porque apanhávamos um escaldão. E os outros não têm tanto direito como nós? estava muito indignada, a sério... Iniciámos uma revolução e acabámos, pelo menos temporáriamente, com o negócio do guarda que supostamente evitava os fura-filas na entrada. Naqueles minutos em que tomámos nós o controlo da porta apoiados por uns quantos que se juntaram ao protesto, de todas as classes sociais e nacionalidades, o guarda deixou de receber uns trocos e deixaram de nos passar à frente, e finalmente conseguimos entrar. Lá dentro era uma sauna... preenche papel aqui, paga ali, mostra passaporte acolá, empurra de um lado, chega para o outro e finalmente sai.
Passamos para a terra de ninguém. Seguimos para a fronteira sul africana, aqui ninguém fura a fila, um tenta, mas é burro porque tentou à minha frente como tinha feito do lado moçambicano... ia sendo chacinado ali mesmo pela revolta popular.
Vistos os passaportes e preenchidos os papéis do carro é hora de seguir, olhamos o relógio, passam 3,5h desde que iniciámos a saga da fronteira... temos dia praticamente estragado. Prego a fundo siga para o Kruger que é quase hora de almoço e os animais devem estar todos a descansar.
Já meios desanimados achámos que não íamos ver nada, mas para meio dia de passeio no parque, durante a época da vegetação verde cerrada, o resultado não foi nada mau. E aqui estão as fotos para comprovar. No meio da savana agora verdejante e densa em plena época das chuvas, zebras e impalas comem tranquilamente à beira da estrada.
Abutres numa árvore despida. Tantos juntos num só sítio só pode significar uma coisa, aqui há uma carcaça e provávelmente ainda está por perto o grande predador.
Não falhámos, o grande rei da selva, o leão. E que grande leão, um macho adulto de grande porte, o maior que jamais vi, espetacular. Passeia-se serenamente afastando a cada passo os herbíveros que estavam nas redondezas.
Não me lembro do nome verdadeiro deste, mas para mim é um javali e não se vêm os filhotes mas estão lá, escondidos pelo capim alto.
À beira do lago dois passarinhos pernaltas arranjam a penugem.
Ao almoço os passarinhos tecelões (não tenho bem a certeza do nome) roubam-nos a comida do prato, aqui para além de enxotar as moscar tenho de enxotar pássaros.
Emergindo do lago uns olhinhos espreitam, mais à frente ergue-se mesmo uma cabeça e depois o dorso de um enorme hipopótamo, só lhe faltou mesmo abrir a bocarra enorme para a fotografia... pronto fica para a próxima, não se pode pedir tudo, não é?
À beirinha da estrada a 2 passos de mim olho para o lado e .... susto.... um elefante juvenil. Para ele sou-lhe indiferente e o carro também, continua a comer tranquilamente como se eu não existisse.
Mais à frente este já não está tão contente, abana vigorosamente as orelhas e dá 2 passos em direcção a nós. Ok amigo, percebemos a mensagem. Ficamos parados e aguardamos. Afinal eles têm uma cria ali no meio... não a consegui fotografar mas era tão mini...
Já mais calmo o elefante mantém-nos debaixo de olho enquanto o resto da família se embrenha na savana, só depois de estarem todos a salvo é que ele também segue a sua vida e nos deixa seguir o nosso caminho.
Travagem a fundo, travessia de peões mal assinalada, o que vale é que só se pode andar a 50 km/h, esta impala atravessou sem olhar. Lindo, não é?
E agora temos de esperar que acabe a macacada... uma família inteirinha de babuínos deciciu literalmente descer da árvore e vir fazer macacadas para o meio da estrada. Rebolam, saltam, brincam, catam-se, dão de mamar às crias, deitam-se no asfalto, sentam-se a olhar para nós, andam ao nosso lado e até acasalam... que pouca vergonha, já não há respeito. Ao fim de uns minutos e dos bébés do grupo terem feito as passagens todas de modelo para a fotografia, lá vão desimpedindo a estrada e a custo conseguimos passar.
Agora chegámos ao "bed & breakfast" das impalas, estas duas descansam, mas ao lado estão 3 a comer... vida de impala é difícil...
Galinha do mato. Conhecem? preta com pintinhas brancas, forma esquisita, cabeça careca azul e com crista pequena vermelha. É uma galinha com muita pinta.
Ao almoço as vistas e a companhia não podia ser melhor... lá ao fundo aqueles montinhos junto da margem do rio são uma família de hipopótamos a almoçar... hummm tá-se bem.
Entretanto surge um amigo de longa data e que tinha andado desaparecido, o Búfalo. Come umas ervinhas e depois vai a banhos, fica de molho o almoço todo e despede-se antes de seguir a sua vida.
E finalmente eu na despedida. De binóculos na mão, sentada na varanda a olhar para uma vista deslumbrante sobre a savana, o rio desliza ali em baixo e os animais passeiam aqui ao lado. Não há vedações, não há barulho, só tranquilidade. Era capaz de ficar aqui no coração de África, na África do meu coração.

2 comentários:

Anónimo disse...

Adorei a visita guiada e fiquei com uma inveja terrível desse passeio!!!!! Espectacular!!!!
Obrigado pelas fotos tão fixes!!!
PS - Só estou curioso com uma coisa...com quem é que tu andas a passear por aí? Ah, e a apanhar tanto sol não te confundem já no meio dos locais? :)

Anónimo disse...

Já viste que ela não respondeu a este post....!??