domingo, abril 12, 2009

Parabéns Campeã - "é a minha irmã :)"

Rita Gonçalves Revalida Título
A Schröders Sailing Team, de Rita Gonçalves, revalidou o título de Campeã de Portugal Feminino de Match Racing. A prova, que decorreu em Leixões, teve organização do Yate Clube do Porto e da Federação Portuguesa de Vela.


A Schröders Sailing Team, de Rita Gonçalves, sagrou-se Campeã de Portugal de Match Racing, batendo na final Marta Lobato por 3-0.
Rita Gonçalves revalidou o título de forma dominadora nunca dando hipóteses à sua adversária. Na disputa pelos 3º e 4º lugares, Margarida Cassiano superou Catarina Carvalho por 2-0.

Fonte: Federação Portugesa de Vela

E para aqueles que querem conhecer as aventuras náuticas da melhor velejadora de Portugal, sigam o link http://www.schroderssailingteam.blogspot.com/

terça-feira, março 31, 2009

Regresso à vida

Sabem aquelas longas horas que se perdem nos longos dias em que não se dorme, não se come, não se vê ninguém, em que se sonha com números e em que somos só nos e os nossos pensamentos, todos focados na execução de uma só coisa... Trabalho…Uma proposta... pois... foi assim que andei durante 1 semana... e tinha de ser logo a semana depois de estar doentinha...
Ainda andava com febre e já estava com o computador acoplado a mim de forma mais que permanente...
Mas felizmente esses dias passaram e finalmente consegui no fim-de-semana ter o vislumbre do que poderão ser fins-de-semana normais aqui.
Dormi 7 a 8 horas por dia, finalmente e o corpo agradeceu. Sábado acordei cedinho peguei na mochila e recheei-a com protector solar, chinelos de enfiar no dedo, t-shirt, luvas, boné... e máquina fotográfica xpto.
Saio de casa, paro no Nautilus para comprar uma torta de ovos que eu adoro e um sumo de goiaba natural. Apanho o Zé que já de máquina fotográfica em punho salta para o carro e seguimos nós pelas estradas calmas de uma cidade em descanso. Paramos no depósito de água das Águas de Moçambique para as primeiras fotos ao mural de mosaico do Naguib (conhecidíssimo artista moçambicano e que tenho o privilégio de conhecer pessoalmente e de ser uma das suas primeiras fãs... fã desde pequenina...). Fotos atrás de fotos... fascinados com as cores, as ideias, as imagens...
Seguimos depois para a Marginal para o mural gigante que acompanha a estrada ao longo do mar. Para além de enorme é magnífico e tem pormenores difíceis de esquecer. Mais fotos, montes delas... o calor começa a apertar... tenho que descansar... paro a meio e recolho no meu Clube... no Clube Naval.
Como o belo do prego no prato acompanhado da coca-cola com gelo e limão, como manda a regra. Recupero as energias e logo depois saio a correr para a secção de vela. Lá espera-me o companheiro de vela, amigo de juventude e de agora. Carregámos o barco no atrelado e seguimos para o Clube Marítimo pela marginal que serpenteia a baía.
Descanso de mais 1 horita para a maré subir e o vento aumentar a velocidade, mais uma coca-cola e dois dedos de conversa, para ganhar coragem e aparelhar o barco. Em 15 minutos estamos prontos, por protector solar, calçar as luvas, beber água, acertar o relógio e receber instruções sobre o campo de regatas.
Siga, cá vamos nós, para a minha primeira regata em Moçambique, e a primeira de vela ligeira depois de uns 11 anos longe destas andanças.
1ª regata partimos mal, mas logo na primeira bolina passámos de último (para aí 10º) para 3º lugar, boa recuperação, estava tudo a correr bem, não sei como virámos... bolas... em pouco tempo endireitámos o barco e regressámos ao activo, só perdemos um lugar na classificação, mas um erro do júri fez-nos passar para último lugar... bolas... dizem que tocámos na bóia... treta... tinham o barco mal posicionado e não viram nada... que chatice... esta regata é a que sai fora (das 5 do campeonato só vão contar 4).
2ª regata, partimos bem, em 3º lugar, andámos sempre os 3 primeiros ali lado a lado, taco a taco, e na popa conseguimos ganhar vantagem e passar para 2º lugar, que mantivemos até ao final... sempre a abrir... um espectáculo....
Para quem estava enferrujada não foi nada mau... agora no próximo fim-de-semana temos mais, só mais 3 regatas.... que bom...
Agora ando com aquelas dorzinhas boas no corpo, tenho um monte de calos nas mãos e nódoas negras um pouco por todo o lado, e nos lábios um sorriso.... já não me lembrava de como gostava disto...

quarta-feira, março 18, 2009

Picada no dedo

Ontem o dia começou normal até que por volta das 10h da manhã uma dor de cabeça gigante se abateu sobre mim acompanhada de suores frios e muita febre. "Ok... deve ser um desconfortosinho qualquer típico da mudança de tempo" pensei eu. Mas como não melhorava e o meu amigo ben-u-ron demorou 1h30 a fazer efeito achei melhor ir fazer o teste da malária.
Saio do trabalho carregada com o computador, na esperança de ainda conseguir trabalhar mais qualquer coisita esta noite, e vou à Clínica 222 na Av. 24 de Julho. 100 meticais vem a picada no dedo, o esfregaço na lâmina e a espera de 45 minutos para saber o resultado.
Deu negativo. Ao menos isso. Mas que raio de gripe brutal então que eu tenho... a febre continua aqui, mal consigo comer, pensar, andar... bolas...
Fui para casa dormir com o ederdon e a manta polar em cima. Esta manhã tomei outro ben-u-ron e depois de mais 2 horas na cama lá consegui arranjar energias para me levantar e vir trabalhar. Vamos lá ver se aguento...
Entretanto lá fora chove e a temperatura desceu abruptamente dos 33ºC para os 26ºC... o inverno está a caminho.

terça-feira, março 17, 2009

Finalmente fim-de-semana

Precisava de um assim. E já se notava...
Sábado de manhã cedo, mas não muito cedo, acordei, preparei a mochila, sai de casa, fui apanhar os dois companheiros de viagem e depois de uma paragem para um curto pequeno-almoço na pastelaria Nautilus, lá nos fizemos à estrada.
Sempre em frente, mais uma vez, atravessando para o outro lado da fronteira, para a "europa" de África. África do Sul.
Entrada directa e imediata no Kruger Park, mais uma vez, e desta vez era eu que ia ao volante, 40 km/h a 50 km/h de velocidade máxima, muitas paragens, muitas fotografias. Olhos e ouvidos atentos, e assim no meio da vegetação que já começa a secar, fomos desencantando elefantes aos molhos, girafas tranquilas, búfalos, tartarugas, javalis, galinhas do mato, milhares de pássaros e impalas, macacos, babuínos, aranhas, hipopótamos e crocodilos. Desta vez não houve leões, nem qualquer outro tipo de gatinho... shuifff, que pena, queria tanto ver o meu amigo leo...
Saímos do parque no último minuto, mesmo ao fim da tarde... foi mesmo a aproveitar até à última. Seguimos para Nelspruit, jantámos num restaurante qualquer de beira de estrada e depois das energias repostas rumámos novamente a Maputo.
À meia-noite e pouco chegámos a casa para dormir descansada.
Domingo acordei com o sol a bater na janela, salto da cama, "hoje é dia de ir ao mercado". De manhã Mercado Central, fruta e legumes, um cesto carregado deles, cerca de 7 kg. Carregar tudo para o carro, levar as coisas para casa e vamos almoçar com o pé na areia no Miramar.
Depois do prego no pão (aqui a carne é óptima) e da coca-cola gelada seguimos para o mercado do peixe. Garoupa aqui, peixe-serra ali e mais um peixito novo que não reconheci. Ok estou abastecida para a semana.
Segunda-feira a Teresa começa a trabalhar na minha casa, sim, vou ter uma empregada. Preciso de alguém que cuide de mim e da casa, não tenho tempo nenhum, não cozinho, mal durmo... Agora vou ter alguém que organize a minha vida em casa por mim... que bom.

quinta-feira, março 12, 2009

Hoje é um daqueles dias...

Ontem acordei às 4h da manhã... não consegui voltar a dormir... depois tive um dia de trabalho de cão... daqueles mesmo mesmo maus... ainda tive um jantar de trabalho que se prolongou até à meia-noite e com uma enxaqueca em cima que não me deixava comer o magnífico arroz de marisco... Pedi o "doggy bag" e fui dormir para casa. Acordo sobressaltada às 3h da manhã, viro-me na cama como se tivesse tido uma série de pesadelos. Quero dormir e não consigo. Ao fim de uns longos minutos adormeci para acordar às 7h e entrar na rotina do dia-a-dia.
Agora sentada à secretária como amendoins torrados, tento esquecer que bati com o carro ontem a sair da garagem, e que depois torci um pé...
O dia lá fora está cinzento e o meu humor está negro.
Penso vezes sem conta que devia ter trazido o meu girassol, aquele que dança e canta... porque é que não o trouxe?
Já decidi, daqui a bocado saio daqui com o computador às costas e vou trabalhar para casa, ao menos lá não me interrompem de 2 em 2 minutos e pode ser que consiga acabar as 22.300 coisas que tenho de fazer.
Ufff, preciso de.... sei lá... qualquer coisa que não o que tenho estado a ter hoje...
Se calhar bastava um bocadinho de Sol. Pode ser?

sexta-feira, março 06, 2009

Picar o ponto

Continuo à espera do meu DIRE (Documento de Identificação de Residente Estrangeiro), aquele livrinho azul que me vai permitir sentir um bocadinho mais em casa, menos "outsider". Enquanto ele não chega tenho que "picar o ponto" de 30 em 30 dias, e isto significa ir á fronteira carimbar o visto para renovar a minha estadia em Moçambique. Da primeira vez fui durante o fim-de-semana, aquele das fotografias do Kruger Park, mas desta vez, como estou com muito pouco tempo fui e vim numa tarde durante a semana.
Saí de Maputo às 12h00, rumo à Matola, pelo caminho aproveitei para resolver mais uma questão do trabalho (tenho que fazer render o tempo). Da Matola rumo "sempre em frente" para Ressano Garcia, onde está a fronteira. Passo o lado de Moçambique e depois de carimbar passaporte, dar saída do carro, comprar papéis e carimbar os mesmos já preenchidos, sigo nos 500 m da terra de ninguém e paro novamente na fronteira da África do Sul. Aqui os procedimentos são basicamente os mesmos, mas fala-se inglês.
Passadas as formalidades, pé a fundo no acelerador, mas sempre a cumprir limites de velocidade que eles aqui multam mesmo. Paro só em Melalane para comprar umas coisitas no supermercado local e para comer num restaurantesito (o único agradável, ou pelo menos com ar disso, de toda esta região). Acabo as comprinhas que dão algum conforto ao lar e faço-me à estrada de volta para Maputo.
O sol começa a pôr-se discreto, olho pelo espelho retrovisor e uma paz começa a invadir-me. A estrada tem este efeito em mim, e o sol...
Mesmo as viagens de picar o ponto têm o seu quê de beleza, e nesta captei um bocadinho da energia positiva que carregou as minhas baterias nestas fotografias. Um pôr-do-sol em África.Para vocês. Lembrei-me dos pores-do-sol que partilhei convosco.

Experiência Centro Comercial Maputo

Sabem que odeio Centros Comerciais? Pois, odeio. Só vou lá por mera necessidade, em dias como o dia de ir ao supermercado fazer as compras do mês, e só porque sai mesmo muito mais barato; ou em dias como o dia de comprar o microondas para a empresa, ou o dia em que tive de o ir trocar porque 1 de apenas 2 botões não funcionava. Ok... neura...
Hoje como passei à porta do dito Centro Comercial, ao melhor estilo Colombo mais com mais néons, e vi que tinha lugares no estacionamento, pensei “ hoje é um bom dia para vir trocar o dito microondas”. Entro no parque, estaciono (até aqui tudo bem), entro no CCM e apanho o bafo gelado do ar condicionado. Lojas pimba por todo o lado, parecem lojas do chinês, ou aquelas do Centro Comercial da Mouraria (bolas, eu hoje estou mesmo com mau feitio...). À mistura com estas uma loja/galeria de arte, uma loja de bikinis "Pokopano", uma loja com roupa de surf e bodyboard e uma loja "Parfois". Escondida no meia da loja das chaves e da loja dos panos, há ainda uma Levis, mas o que há realmente mais são sapatarias com sapatos indescritíveis... de gala no mínimo exibicionista... brilhantes por todo o lado... Lojas ainda de vestidos de noiva e de vestidos de noite com muitos folhos, muito cetim, muitas rendas, brilhantes e pérolas... e no meio de tudo isto uma loja de peluches de meter medo ao susto.
Ok... controla-te... subo as escadas rolantes por entre gente de todas as nacionalidades, 3 pisos com música em altos berros, mas ao menos é música que eu conheço. Vou para a loja gigante de electrodomésticos, e qual não é o meu espanto... a loja está fechada. À porta um monte de trabalhadores estão sentados no chão à porta a conversar alto como se de uma feira se tratasse, e esperam tranquilamente que seja hora de abrir. Descobri que a loja abre às 14h, pois... são 14:25 e ainda estou à espera... haja paciência...
Dou uma volta mais ao CCM... quero sair daqui, rapidamente... AHHHH
Logo que a loja abre, despacho o assunto, e saio a correr em direcção ao carro, prego a fundo até ao escritório onde me fecho no gabinete... ufff, finalmente a salvo da confusão. Aqui os stresses são outros.

terça-feira, março 03, 2009

Piadinha do dia

Um polícia Sul-Africano mandou parar um carro que transportava
Moçambicanos e disse ao motorista que, por estar a usar o seu cinto de
segurança, acabava de ganhar um prémio de R5 000, como parte de uma
campanha de segurança nas Auto-estradas!
O homem mal quis acreditar na sua sorte e quando o polícia perguntou
o que pretendia fazer com o dinheiro, respondeu:
"Bom, eu vou tirar a minha carta de condução."
"Oh, não lhe dê ouvidos, Sr. Polícia", gritou a mulher no assento do passageiro, "ele pensa que é engraçado quando esta bêbado..."
Com isto acordou o tipo no assento traseiro que deitou um olhar ao polícia e resmungou:
"Eu sabia que não chegaríamos longe em um carro roubado!"
Nesse momento, ouviram-se batidas vindas do porta-bagagens e uma voz disse:~
"Comé? Já atravessámos a fronteira?"

domingo, março 01, 2009

Notícias

Duas semanas sem dar notícias... desculpem nunca pensei ficar tanto tempo afastada do computador, mas foi impossível parar para escrever umas linhas.
O trabalho roubou-me horas, muitas horas. Horas de vida, de sono, de descanso, de convívio, horas minhas, tão só minhas, que este fim-de-semana tive de me isolar e finalmente descansar.
Estive a trabalhar que nem uma louca, horas seguidas, sem me sentar muito na secretária, sem escrever os mails que precisar de escrever, sem fazer alguns dos relatórios que precisava de fazer, mas a controlar o que era preciso controlar, a fazer aquilo a que os americanos chamam de "damage control", para em tempos de crise, ou neste caso, em tempos de pico, se conseguirem fazer os serviços à mesma.
O que se passou? a lixeira entupiu, literalmente entupiu, e não entrava nem mais um saquinho de lixo, muito menos as minhas viaturas... enfim... foi um filme para o qual quase não via o fim. Mas agora com tudo a andar mais calmo, mais dentro do normal, posso dormir mais do que as 3 horas da semana passada, e posso voltar às rotinas de trabalho que se querem a funcionar.
Desculpem o desabafo, mas este até está a ser bem mais "soft" do que os que precisei de fazer ao longo destas duas semanas. Desculpem também a linguagem básica, mas preciso disto agora, os textos elaborados tenho de os deixar para os 500 relatórios e cartas que escrevo e ainda faltam escrever.
Mas para que não se assustem, eu estou bem, dormi lindamente este fim-de-semana, tive uns jantaritos com amigos que me ajudaram a levantar as energias, e agora estou finalmente de volta do computador a ver os mails de há muitos dias.
Quanto a novidades, nada de novo. Mas posso dizer-vos como tendem a ser as minhas rotinas dos dias normais durante a semana. Acordar às 7h, tomar banho, vestir, sair de casa, dar boleia ao vizinho do lado, parar no hotel Rovuma e tomar o pequeno-almoço, sempre na melhor companhia (aqui atenção, peço sempre a conta logo quando faço o pedido, senão arrisco-me a ficar 30 min à espera de pagar uma mísera meia de leite e um pão com manteiga). Depois sigo para o trabalho atravessando em gincana a Av. 25 de Setembro. Trabalho, trabalho, trabalho, paro para almoçar às 12:30 (preferencialmente) e encontro-me com amigos num qualquer restaurante da cidade, regresso às 14h (mas isto de almoçar fora vai mudar, para a próxima semana já devo ter empregada e almocinho feito em casa... um luxo). Trabalhar das 14h às 17:30(em teoria)... ou às 18h... 19h... ou mesmo às 20h (se não houver stresses vou para casa sem passar na lixeira). A caminho de casa paro no Piri-piri, tomo uma Laurentina (famosa cerveja nacional) com os amigos, às vezes como uma chamussa de camarão, e depois sigo para a casa de qualquer um dos novos amigos para um belo repasto. Às vezes, mas só às vezes, vamos todos ou só alguns jantar fora. E depois ao fim da noite, já muito cansada regresso a casa com os vizinhos, sempre os do costume. Deito-me na minha caminha de casal sob a minha rede mosquiteira, vidro abertos e cortinas afastadas, acerto o despertador... e o sono chega tranquilamente.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Reencontros

Mais uma semana que chega ao fim, e o tempo corre corre demasiado depressa, e eu corro o mais depressa que posso para o tentar agarrar.
Sem tempo para escrever, vivi intensamente esta semana, e agora em 5 minutos aqui vai um pequeno resumo do que fiz, e devo acrescentar, em muito boa companhia.
Na 6ª feira e no sábado fui jantar fora com os novos companheiros do programa contacto. Chegados aqui de fresco os novos contacteantes estavam cheios de energia e eu como tinha estado este mês enfiada no trabalho tinha também muita energia para gastar.
Jantámos no Mundo's num dia e no outro no Zambi, e aqui deu-se o primeiro reencontro. Um amigo de pré-adolescência, que me conhece desde os 11 anos, que conheceu os meus pais e a minha irmã, fizemos vela juntos, reencontrámo-nos em Portugal, e agora estamos finalmente os 2 novamente aqui. Em 2 ou 3 minutos pusemos uma data de conversa em dia, e em tão pouco tempo 15 anos de afastamento (mais coisa menos coisa) desapareceram. Reconhecemo-nos. "Estás bem?" "sim, muito bem" "que bom voltar a ver-te" " que bom estares aqui" "olha, lembras-te de fulano?" "este casou, o outro tem filhos, o outro está junto, o outro emigrou".... e no fim trocámos telefones, "vamos sair um dia, marcar um almoço com a malta" "sim, claro que sim".
Saída do restaurante com um sorriso nos lábios, o coração cheio de emoções, rodeada de novos amigos e a barriga a agradecer os magníficos camarões grelhados, segui para o bar que já é o meu favorito "Rua d'Arte".
E agora uma à parte para os amigos de Cabo Verde, este sítio faz-me sentir tão em casa... tão bem... parece que estou no Interarte com todos vocês a dançar ao ritmo das nossas 6ª feiras... é tão bom...
No Rua d'Arte mal entrei, uma cara curiosa e algo familiar olhou para mim fixamente, reconhecia o olhar de algum lado, mas não sabia de onde, dirigindo-se a mim perguntou-me se não o reconhecia, e assim reencontrei mais um amigo, um daqueles também de há 20 anos... um amigo que queria reencontrar desde que cheguei cá. Caí nos braços dele num abraço de anos de distância, para ver se o tempo que passou se encurtava, e bastaram algumas histórias recuperadas, algumas novas histórias de novos momentos das nossas vidas, bastaram novas partilhas, para que estes 15 anos desaparecessem num ápice, e voltássemos a sorrir com os olhares trocados da mesma forma, de quando éramos ainda jovens estudantes.
Neste dia dancei, dancei muito, e fiquei tão calada, porque me vieram à memória tantas e tantas recordações... de mim, dos meus amigos, da minha família. As saudades apertaram tanto em tão pouco tempo, olhei para as estrelas inúmeras e incontáveis vezes, para estas estrelas que me guiam e acompanham sempre, para estas estrelas que são muito mais do que estrelas para mim.
E agora para ti pai: neste dia soube que estes nossos amigos, teus e meus, quando souberam da tua partida para lá longe, para demasiado longe, puseram a bandeira do Clube Naval a meia haste. O teu clube pai, o nosso clube, onde vou e por onde passo tantas vezes para recuperar aquelas memórias que me são tão queridas, aquelas que me fazem bem.
Sinto assim, aos poucos que estou cá, sinto que saio desta dormência, deste sonho que me parecia envolver nos primeiros dias, e agora já com saudades, amigos, risadas, e aquela sensação boa do calor e do sol me abraçarem e me elevarem bem alto... agora sinto que recupero a pessoa completa que sabia ser no momento que pisasse Moçambique novamente.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Kruger Park

A completar 1 mês de estadia em Moçambique e ainda sem ter o DIRE que me permite apresentar como residente, precisava de sair do país para renovar o visto no passaporte. A viagem à fronteira estava decidida e planeada para o fim-de-semana passado e para juntar o útil ao agradável, passei para território da vizinha África do Sul e fui re-explorar o Kruger Park, reserva natural.
Como já todos sabem, não gosto de pagar para ter facilidades de tratamento e por isso estive na fronteira do lado de Moçambique durante horas na fila a ver os outros meter o dinheiro nos bolsos dos traficantes de influências. Vezes sem conta vieram ter connosco a propor negócio, dizendo que podiam ajudar a passar rápido e que por sermos muito claros não era bom estarmos ao sol porque apanhávamos um escaldão. E os outros não têm tanto direito como nós? estava muito indignada, a sério... Iniciámos uma revolução e acabámos, pelo menos temporáriamente, com o negócio do guarda que supostamente evitava os fura-filas na entrada. Naqueles minutos em que tomámos nós o controlo da porta apoiados por uns quantos que se juntaram ao protesto, de todas as classes sociais e nacionalidades, o guarda deixou de receber uns trocos e deixaram de nos passar à frente, e finalmente conseguimos entrar. Lá dentro era uma sauna... preenche papel aqui, paga ali, mostra passaporte acolá, empurra de um lado, chega para o outro e finalmente sai.
Passamos para a terra de ninguém. Seguimos para a fronteira sul africana, aqui ninguém fura a fila, um tenta, mas é burro porque tentou à minha frente como tinha feito do lado moçambicano... ia sendo chacinado ali mesmo pela revolta popular.
Vistos os passaportes e preenchidos os papéis do carro é hora de seguir, olhamos o relógio, passam 3,5h desde que iniciámos a saga da fronteira... temos dia praticamente estragado. Prego a fundo siga para o Kruger que é quase hora de almoço e os animais devem estar todos a descansar.
Já meios desanimados achámos que não íamos ver nada, mas para meio dia de passeio no parque, durante a época da vegetação verde cerrada, o resultado não foi nada mau. E aqui estão as fotos para comprovar. No meio da savana agora verdejante e densa em plena época das chuvas, zebras e impalas comem tranquilamente à beira da estrada.
Abutres numa árvore despida. Tantos juntos num só sítio só pode significar uma coisa, aqui há uma carcaça e provávelmente ainda está por perto o grande predador.
Não falhámos, o grande rei da selva, o leão. E que grande leão, um macho adulto de grande porte, o maior que jamais vi, espetacular. Passeia-se serenamente afastando a cada passo os herbíveros que estavam nas redondezas.
Não me lembro do nome verdadeiro deste, mas para mim é um javali e não se vêm os filhotes mas estão lá, escondidos pelo capim alto.
À beira do lago dois passarinhos pernaltas arranjam a penugem.
Ao almoço os passarinhos tecelões (não tenho bem a certeza do nome) roubam-nos a comida do prato, aqui para além de enxotar as moscar tenho de enxotar pássaros.
Emergindo do lago uns olhinhos espreitam, mais à frente ergue-se mesmo uma cabeça e depois o dorso de um enorme hipopótamo, só lhe faltou mesmo abrir a bocarra enorme para a fotografia... pronto fica para a próxima, não se pode pedir tudo, não é?
À beirinha da estrada a 2 passos de mim olho para o lado e .... susto.... um elefante juvenil. Para ele sou-lhe indiferente e o carro também, continua a comer tranquilamente como se eu não existisse.
Mais à frente este já não está tão contente, abana vigorosamente as orelhas e dá 2 passos em direcção a nós. Ok amigo, percebemos a mensagem. Ficamos parados e aguardamos. Afinal eles têm uma cria ali no meio... não a consegui fotografar mas era tão mini...
Já mais calmo o elefante mantém-nos debaixo de olho enquanto o resto da família se embrenha na savana, só depois de estarem todos a salvo é que ele também segue a sua vida e nos deixa seguir o nosso caminho.
Travagem a fundo, travessia de peões mal assinalada, o que vale é que só se pode andar a 50 km/h, esta impala atravessou sem olhar. Lindo, não é?
E agora temos de esperar que acabe a macacada... uma família inteirinha de babuínos deciciu literalmente descer da árvore e vir fazer macacadas para o meio da estrada. Rebolam, saltam, brincam, catam-se, dão de mamar às crias, deitam-se no asfalto, sentam-se a olhar para nós, andam ao nosso lado e até acasalam... que pouca vergonha, já não há respeito. Ao fim de uns minutos e dos bébés do grupo terem feito as passagens todas de modelo para a fotografia, lá vão desimpedindo a estrada e a custo conseguimos passar.
Agora chegámos ao "bed & breakfast" das impalas, estas duas descansam, mas ao lado estão 3 a comer... vida de impala é difícil...
Galinha do mato. Conhecem? preta com pintinhas brancas, forma esquisita, cabeça careca azul e com crista pequena vermelha. É uma galinha com muita pinta.
Ao almoço as vistas e a companhia não podia ser melhor... lá ao fundo aqueles montinhos junto da margem do rio são uma família de hipopótamos a almoçar... hummm tá-se bem.
Entretanto surge um amigo de longa data e que tinha andado desaparecido, o Búfalo. Come umas ervinhas e depois vai a banhos, fica de molho o almoço todo e despede-se antes de seguir a sua vida.
E finalmente eu na despedida. De binóculos na mão, sentada na varanda a olhar para uma vista deslumbrante sobre a savana, o rio desliza ali em baixo e os animais passeiam aqui ao lado. Não há vedações, não há barulho, só tranquilidade. Era capaz de ficar aqui no coração de África, na África do meu coração.

Praia da Macaneta

Aproveitando um sol tímido de fim-de-semana fui à 2 semanas à praia da Macaneta. Estas são algumas das imagens do passeio, da viagem, do lugar, dos momentos. Descansei um bocado, apanhei sol e tirei as primeiras fotografias, só não dei um mergulho no mar porque... já vão ver porquê.
Aqui estão as imagens de um domingo bem passado.
A caminho encontro o famoso cabeleireiro Yur Yurica, pena estar fechado... fica para a próxima.
O nosso batelão... leva 6 jipes e muitas muitas pessoas.... não parece pois não?
Aqui estão os trabalhadores que se dedicam afincadamente a arranjar a estrada... a ver se recebem alguma moedinha... é preciso ter lata... ao fim da tarde ainda estava tudo na mesma...
Uma casa de praia tem de ter uma coleção de barcos de pesca... e cá está ela.
A praia da Macaneta - vista do lado direito, com os pescadores ao fundo.
Mais praia da Macaneta - vista do lado esquerdo sem ninguém á vista... um luxo.
O motivo porque não podia entrar na água - garrafa azul, também conhecida por caravela portuguesa. A praia estava apinhada dela e água então...
Do outro lado da duna está um jardim com árvores altas, estão as casas e está o futuro centro cultural.
Ali ao fundo a mesa do almoço... vive-se mal por aqui.... não há restaurantes apinhados de gente e com misturas de cheiros de fritos e perfumos baratos... saudades.... naaaaaa
Já no caminho de regresso passamos pela aldeia, as casas tradicionais apresentam-se em aglomerados de um e do outro lado da estrada. Palhotas redondas e quadradas, com o terreno limpo, liso e varrido à volta.
Sim meus amigos, é desta África que eu gosto.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Dia dos Heróis Moçambicanos

Celebrado hoje em Moçambique, passados 40 anos da morte de Eduardo Mondlane, aquele que é considerado o aquitecto da unidade nacional moçambicana.
Eduardo Mondlane foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Frelimo (Frente de Libertação Moçambicana), assassinado neste dia pela PIDE, numa tentativa de travar o rumo natural da história... a independência deste país.
Hoje são támbém lembrados todos os outros heróis deste país, mais conhecidos ou não do grande público, heróis nacionais como Samora Machel, Josina Machel, Filipe Samuel Samuel Magaia, entre muitos outros.

Caminhos

Quando vivia cá, entre 1989 e 1992, sair de Maputo por estrada era um sonho que muitos tinham e poucos concretizavam. Quando o faziam, a cada metro de estrada percorrida, arriscavam a sua própria vida. Os que iam e conseguiam chegar, e dos que ainda regressavam e conseguiam contar, as histórias eram terríveis, mas de sobrevivência.
Na altura não saí por essa estrada fora, mas logo depois da guerra civil ter terminado (já estavamos nós em Portugal) foram muitos os que se fizeram à estrada e finalmente sairam desta "prisão dourada" que era a cidade de Maputo.
Em 1997 voltámos cá de férias e fizémos uma viagem para norte de Maputo até Vilanculo, passando por Xai-Xai e Inhambane. Agora que voltei, as viagens sucedem-se e agora sou eu que pego no volante saio da cidade e sigo naquela estrada.
Estes são alguns dos caminhos que percorro por aqui, aqueles que antes não percorri.
Saída de Maputo, estrada larga, "chapas" por todo o lado, mais de duas faixas em cada sentido, bermas cheias de gente e mercados ambulantes que vendem de tudo um pouco.
Caminho entre Marracuene e o batelão que nos leva à praia da Macaneta. pertinho de Maputo, caminho de areia mas em muito boas condições.
Estrada entre o batelão e a praia da Macaneta, só mesmo para 4x4 e mesmo assim.... vamos a 20km/h no máximo com muitos buracos á mistura, muita lama, muita aventura. Pelo caminho cruzamo-nos com algumas almas inteligentes que fingem arranjar a estrada na esperança que algum turista lhes dê uns trocos... hilariante. Entretanto, do nada, um sinal de curva perigosa à direita... é melhor abrandar... eheheh
Estrada interminável, daquelas que se estendem por quilómetros sem ver um único carro. Aqui estamos na África do Sul, mas poderia ser em território moçambicano que temos iguais extensões de asfalto para percorrer. E eu feliz com o volante nas mãos, vidro aberto para sentir o vento quente que me bate na cara, e com o braço direito de fora a fazer ondinhas contra a corrente, tal e qual como quando era miúda... é mesmo assim que eu gosto de viajar...

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Cidade de "Caniço"

A cidade de Maputo está dividida entre cidade de "cimento" e cidade de "caniço", sendo que esta designação fazia sentido quando as casas da periferia eram mesmo feitas de caniço, actualmente são feitas de cimento, mas são um monte de casinhas encostadas ao lado umas das outras, quando vistas em comparação com a cidade de cimento, onde temos ruas largas com passeios amplos, prédios altos e casas de maiores dimensões.
No fim-de-semana passado fui passear para fora de Maputo e ao sair da cidade conseguir tirar algumas fotos do movimento que se vive na periferia.
Aqui estamos a chegar ao mercado, a confusão de "chapa 100" (transportes colectivos, normalmente em carrinhas tipo toyota hiace, meus velhos conhecidos de Cabo Verde como "iace"), misturados com gente que atravessa a rua em todas as direcções, a rua que não tem faixas de rodagem marcadas, camiões de transporte de tudo e mais alguma coisa (neste caso de palha), e começam a misturar-se com vendedeiras que se organizam em zonas: zonas das sapatarias, das mobílias, dos legumes, da roupa, das peças de automóvel, dos materiais de contrução... tudo ao ar livre. Aqui passamos nas sapatarias, a primeira loja tem uma mistura de sapatos usados e de sapatos novos, óbviamente os primeiros são muito mais baratos que os segundos.
Avançamos então para a zona dos que arranjam as bicicletas (em primeiro plano) e dos materiais de construção (em segundo plano).
E já à saída passamos por uma das muitas igrejas universais do reino de deus, onde passa à porta uma família protestante que sai da missa de domingo de uma outra igreja qualquer, e vem vestida a rigor, fato para os homens e vestido branco com chapéu, também branco, para as mulheres.
Como diria o pai de um amigo, usam a roupa de "ir ver a deus".

Baratas

Todos os que me conhecem bem, sabem que só há um bicho que me mete verdadeiramente NOJO... baratas.
Não posso vê-las, são repugnantes, detecto-as a 10 metros de mim, fujo a sete pés, fico em pânico, quase descontrolada, tento ter reacções racionais e controlar a parte emocional de puro pavor, mas não consigo e às vezes dou por mim a correr, a saltar, a guinchar ou mesmo a berrar, sem conseguir expressar uma palavra perceptível. Quem me veja nestes momentos deve achar que sou louca, mas quando finalmente consigo explicar que tudo aquilo é por causa de uma barata... enfim.
Quanto fui ao Vietname, elas eram tantas e andavam por todos os lados que eu comecei a lidar melhor com a presença delas, pensei que estava a melhorar. Mas agora percebi que não.
Mal entrei na minha nova mansão tive o cuidado de comprar baygon ou raid ou outra coisa do género, e pulverizei tudo até acabar a embalagem. No dia seguinte apenas um cadáver apareceu.
Fiquei tranquilizada, isto significava que não tinha baratas. Mas 2 dias depois, estava eu ao telefone com a família em Portugal, olho para trás de mim e vejo a passear-se na ombreira da porta uma baratonga do maior que já tinha visto. Desatei aos berros ao telefone, devo ter assustado a minha mãe e a minha irmã. O meu pânico era real, "como é que vou fazer?" e elas diziam "mata com o spray", "mas já acabou, e agora?" eu estava completamente em pânico, a sério vocês não imaginam. Elas diziam-me "mata com a vassoura", "mas eu não consigo, é perto demais", do outro lado a minha irmã responde "acho que consegues estar a 2 metros dela com a vassoura". Entretanto a chamada caiu. Passei a muito custo para a cozinha, que era na porta ao lado de onde estava a barata (as baratas aqui são voadoras, daí o meu pavor ser ainda maior que o normal), peguei na vassoura, não sem antes confirmar que não tinha nenhuma barata agarrada também. Quando saí da cozinha já suava em bica, estava completamente descontrolada, tremia (a sério, nunca me tinha visto assim). Peguei na vassoura como se fosse um taco de basebol e bati com toda a força, mas foi só de lado e ela caiu e começou a correr na minha direcção. Ahhhhhhh. Batia desenfreadamente no chão com a vassoura mas sem sucesso, a barata entretanto inverteu a marcha e fugiu para dentro do escritório, fui a correr atrás dela a medo, tentei acertar mais umas vezes mas ela desapareceu na parede, não sei para onde.
Tranquei a porta pus a vassoura junto à porta e a lata de spray vazia em sinal de aviso. Nessa noite devo ter dormido no máximo 2 horas.
No dia seguinte sai sem olhar para trás, quando voltei à hora de almoço vi uma barata a morta à entrada do quarto, pensei que o spray afinal apesar de retardado sempre fazia efeito, deixei-a ficar lá, espreitei para dentro do escritório e estava lá outra também de patas para o ar, afinal eram duas... bolas.
À noite quando voltei a que estava à porta do quarto estava já no meio do corredor a espernear, "está viva!!!", peguei na vassoura e esmaguei-a com toda a força, mas ela voltou-se e começou a correr para mim, "bolas, outra vez não !!!", bato no chão mais umas vezes e por fim separo o corpo da cabeça e ela deixa de mexer. Penso então na outra que era maior e que estava dentro do escritório. Abro a porta e não a vejo, entro devagar, espreito para todos os recantos e só quando já vou a sair do quarto é que a vejo a subir pela porta. Dou-lhe uma vassourada que a atira ao chão e agora, já com a pontaria afinada, dou-lhe duas pauladas que a põe KO. Isto é demais...
Ontem, como se isto não chegasse, despejei mais uma embalagem de spray em casa e antes de fazer efeito uma barata pequena saltou para cima de mim.... Ahhhhhh, pus-me aos saltos e aos berros, porcaria de barata. Mal me livrei dela meti-me no banho purificante... Ufff
Amanhã vêm cá fazer a desbaratização, entretanto tenho uma série de cadáveres à espera de ser apanhados em casa, tenho que comprar uma pá, já que não consigo apanhá-los com a mão.
Só vos digo meus amigos, estas baratas estão a sair-me muito caras.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Entrevista imaginada

Fui para as ruas de Maputo e entrevistei em pensamentos condutores e peões, e imaginei que para as minhas perguntas seriam estas as suas respostas (com base no que tenho visto):


Aboborita - Bom dia, pode-me dizer quando se deve atravessar uma rua?
Condutores e Peões - Sempre que me apetecer.
A- E onde há semáforos?
CeP - Aí é quando o semáforo grande passa para verde (o semáforo dos carros).
A - E onde se deve atravessar?
CeP - Onde me der mais jeito.
A - Sabe o que são passadeiras?
CeP - Nunca fomos apresentados.
A - Já viu aqueles traços brancos paralelos no chão que atravessam a rua?
CeP - Sim, mas tenho tentado apagar, todas as pessoas da cidade estão a colaborar.
A - Quando está parado num semáforo quando sabe que deve arrancar?
CeP - Quando acho que já estou parado à demasiado tempo, mas se estiver polícia do outro lado vou avançando devagarinho com o sinal vermelho e logo que passe a verde dou um arranque de deitar muito fumo para trás.
A- Quantos carros cabem numa faixa de rodagem?
CeP - Depende, pode ir de 1 até 2 ou 3, é ir experimentando.
A - Quando os carros andam depressa e as pessoas se atravessam à frente o que é que se deve fazer?
CeP - Manter a velocidade dos carros, não desviar, as pessoas desviam e se for preciso correm para não serem atropeladas.
A - Na Av. 25 de Setembro pintaram a "lagarta" no chão para delimitar as faixas que viram e as que vão em frente, mas ninguém cumpre, toda a gente passa as linhas como se nem as visse, sabe porquê?
CeP - Minha Sra, pintaram a lagarta porque os nossos artistas são modernos e agora não pintam só na tela, gostam também de pintar a cidade, aquilo é arte, a rua é para andar normalmente, sempre em frente, por cima da arte.
A - ahhh, ok, muito obrigada.

A - E fecho por aqui a minha entrevista, tenho que me desligar dos parâmetros portugueses e adaptar-me à nova realidade onde vivo e conduzo diariamente. Já vou sempre em frente, sem me desviar, sem abrandar, passadeiras não as conheço, e sinais verdes já os vejo a passar.
Em breve conto ter um vídeo para mostrar a famosa Av. 25 de Setembro nas horas de maior movimento.

terça-feira, janeiro 27, 2009

A minha mansão

Ora então deixem que vos apresente a minha nova casa, que ao contrário da micro-casa de portugal esta é uma verdadeira mansão, só lhe falta o jardim e a piscina, mas também num 8º andar, isso seria algo difícil de conseguir.
Esta é a minha sala de estar, como podem ver tem 2 zonas com sofás diferentes, ao todo tenho 6 sofás e dois móveis/estantes. As minhas malas acabadas de entrar em casa fazem um montinho de cerca de 150 kg, nada mau para o caracol que anda com a casa às costas.
Daqui temos uma vista da sala de estar para a sala de jantar, de onde se tem acesso também para o resto da casa.
Esta divisão é uma inovação para a maior parte das habitações, é um quarto dos arrumos em tamanho gigante. Aqui vou por o meu equipamento de desporto todo, tenho uma arca frigorífica tamanho gigante (dá para me meter lá dentro nos dias mais quentes) e é onde se passa a roupa.
A divisão das lavagens de roupa com uma máquina de lavar e um tanque. Daqui também se tem acesso para a casa-de-banho da empregada, um luxo herdado das casas da época colonial.
A cozinha gigante só cabe em parte na fotografia, tem 2 frigoríficos gigantes, um fogão gigante, 3 bancadas, 1 parede inteira de despensa e metade da cozinha é toda ela a zona de refeições.
O quarto pequeno (maior do que o meu quarto mais pequeno de Portugal) que serve de momento de escritório, tem uma cama para receber visitas e está equipado com ar condicionado, aliás como todos os outros e também a sala.
A casa de banho pequena com duche, para as visitas.
O quarto de visitas (em princípio) com duas camas de solteiro e cómodas para arrumação para além do guarda-fatos. Podem vir visitas, serão bem recebidas.
A casa de banho grande, com banheira, arrumação e pronto, o normal.
E finalmente o meu quarto. Tem duas belíssimas janelas uma para cada lado, vista para a baía de Maputo e vista para a Catembe... um luxo. Uma cama gigante só para mim, mesmo como eu gosto, um tocador e um sofá. E dorme-se tão bem...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Lixeira

22h de quarta-feira, horas normais de um dia normal da recolha de lixo na cidade de Maputo. Os camiões já iniciaram a recolha, daqui a cerca de 2 horas devem iniciar as primeiras descargas da noite na lixeira. Acabo de jantar, com o rádio em punho e os mapas das rotas na mão, saio para as ruas quase desertas atrás deles. Hoje sigo as rotas 1 e 2, vou só ver se está tudo a correr bem, ver quais são as maiores dificuldades, e são muitas. “Rota 1, rota 1, chama”, “Aqui rota 1, diga Engª”, “Em que ponto está”, “Ponto 16, na Av. Karl Marx”, “ok, vou ter consigo”. Já um pouco mais à frente cruzo-me com a viatura, pelo caminho ficaram umas 5 brigadas de trânsito que se posicionaram ao longo da 25 de Setembro, deve estar cá alguém importante hoje… isto só é normal ao fim-de-semana. Assisto à recolha, falo com eles, combino por volta das 23h entrar no camião para ir acompanhar a descarga à lixeira, os olhares e espanto transformam-se em satisfação.
À hora combinada trepo para a cabine, mais parece uma suite com tanto espaço, ou o cockpit do avião com tantas luzes, seguimos com o ar condicionado ligado, porque doutra forma aqui era impossível. Saímos da cidade, passamos pelos subúrbios em tempos chamados cidade de caniço, para distinguir da cidade de cimento, agora é tudo feito de cimento, mas o ordenamento é que continua marcadamente diferente. Em apenas 25 minutos aproximamo-nos da lixeira, a vista de dia é completamente diferente da vista de noite. O cenário é agora dantesco… os montes de lixo escuros deixam escapar uma névoa de fumo da combustão lenta e quase invisível de um lado, do outro lançam labaredas vivas e com cerca de 2 metros de altura. A zona da descarga de lixo é lá ao fundo, temos de avançar em marcha a trás por entre este corredor de lixo, orientado apenas pelo instinto, e desta vez o instinto falhou, atolámos a meio deste corredor, ficámos com as rodas submersas em lixo fresco.
Lá ao fundo começam a surgir alguns vultos na penumbra, um cambaleante trás na mão um copo de shot e acaba de beber a bebida de elevado teor alcoólico que o deve acompanhar há anos, outros trazem ganchos e sacos às costas, outros trazem lanternas. São os catadores. Aproximam-se para tentar ajudar. Começam a tirar o lixo que bloqueou as rodas, mas nem isso faz mover o monstro, “vem lá um camião” pedimos reboque, temos apenas um problema, não há cabo de reboque, em 5 minutos com um corropio de gente para trás e para a frente, surge do meio da lixeira um cabo de reboque de aço, daqueles mesmo bons. Entretanto o camião já tinha descarregado e seguido caminho. Vêm os nossos camiões fazem as descargas, passam, cumprimentam, sorriem e fazem adeus, “é a Engª”, que espanto. Nesta confusão estão 3 carros nossos a descarregar, 1 atolado e nos entretantos chega um outro que se liga a nós com o cabo de reboque e nos puxa dali para fora. O motorista todo contente pega no rádio e comunica com um sorriso nos lábios o seguinte “Já vamos sair da lixeira, levo a Engª comigo, desta vez conseguimos não a deixar cá”, do outro lado ouve-se o supervisor a dizer “bom trabalho”. Os outros motoristas ainda ali ao lado riem e acenam, a noite ainda agora começou, ainda virão à lixeira fazer mais uma descarga esta noite, mas desta já se safaram.

A Saga da Casa

Desde dia 6 até dia 24... estava a ver que isto não acabava... Ainda antes de vir para cá já andava meio mundo à procura de casa para mim, e nem mesmo assim encontrar ninho foi uma tarefa fácil. Vou resumir um pouco as casas e situações que vi e vivi.
Primeiro apartamento, T3 grande com vista para a baía e para a Catembe, precisa de obras e tem um pequeno problema... elevador avariado... sobe, sobe, sobe... bolas... é melhor pensar.
Vou ver outros, vejo muitos outros, tantos que nem me lembro da ordem. T3 com obras na cozinha e nas duas WC, entro e a cozinha está podre e as wc têm a descarga a funcionar à caneca... ok. Siga para outro.
Casa de um Libanês, chegamos antes dele, não podemos entrar porque a mulher está sozinha, esperamos pelo marido. Marido chega, é da minha idade, pergunta para quem é a casa (eu estou acompanhada por duas pessoas das agências), digo que é para mim, e ele responde então só podes entrar tu, mas antes tenho de ver se a minha mulher tem a casa pronta para tu entrares, ok. Espero mais 2 minutos. Quando entro a mulher (muito muito nova) está sentada no sofá da sala frente à televisão onde passa a "Al Jazeera" em árabe, não me dirige o olhar directamente, nem a palavra. O marido mostra-me a casa ao pormenor. Gostei de tudo principalmente por estar totalmente equipada, problema imensa humidade que está a desfazer as paredes... Antes de sair a conversa foge para a guerra entre Israel e Palestina... digo que não compreendo nenhuma guerra, as feições dele alteram-se e diz "vamos lutar até à última gota de sangue", e eu digo, percebo o que sentem, mas continuo a acreditar que há forma melhores de resolver os conflitos, sem que haja necessidade de morrerem tantos inocentes. Em resposta recebi um convite para almoçar com eles. Das duas uma, ou me queria envenenar, ou queria começar um harém. Agradeci, e saí para o almoço. Cá fora chovia torrencialmente e tive que ficar à porta do prédio à espera que houvesse uma aberta, para meu espanto, o rapaz sai de casa com um chapéu-de-chuva para me acompanhar ao carro. Mais espantada fiquei quando me deu o chapéu e seguiu a trás de mim à chuva, a cerca de 2,5m como mandam as boas regras da cultura dele, e como manda o bom cavalheirismo que nunca tinha visto senão em filmes do antigamente.
Continuando com as aventuras das casas. Encontrei entretanto a casa dos meus sonhos, mas estava vazia, sem mobílias nem electrodomésticos, mas negociei com o proprietário e ele comprometeu-se a colocar lá o mínimo dos mínimos para eu poder mudar-me para lá 4 dias depois. Combinei tudo, ligar-lhe-ia daí a 1h para ele me dizer que mobílias iria colocar na casa, e eu entretanto tratava de arranjar o resto no fim-de-semana. Estava feliz, iria regressar ao prédio onde tinha morado quando vivi cá, com uma vista brutal sobre a baía e sobre a cidade, a casa está impecável, com obras recentes, numa zona central, um privilégio. Estava tudo a correr tão bem... quando 1h depois o dito ficou pelo não dito e o preço da casa passou para mais 400 dólares do que o que já estava acordado... fiquei estupefacta, fula, passada... como é que é possível... já tinha a saída do hotel marcada e tudo... bolas.... Volta tudo à estaca zero.
Entretanto vi mais casa, e mais casa, nenhuma especial, em zonas já não tão aconselháveis, algumas bem mais caras, a chegarem a valores como 2.500 dólares por mês... Cheguei a inscrever-me para lista de espera de condomínios fechados mas sem grande esperança de conseguir vaga...
Entretanto no hotel acho que já nem podia mais com a comida do pequeno-almoço, já tinha alergia ao quarto, do gerente à empregada da limpeza já me conhecem pelo nome... bem... estava a criar raízes e as malas a acumular pó num canto do quarto.
Finalmente a 1ª casa que vi, teve o problema do elevador resolvido, as obras de beneficiação estão a ficar concluídas e eu voltei a ir vê-la. Ok, quando é que consegue tê-la pronta? Sábado, responde o senhorio. Fico com ela. E este sábado estavam os homens das obras a sair à hora de almoço e eu a entrar. Finalmente tenho casa.
Carreguei cerca de 150 kg de bagagem pelo elevador ressuscitado, besuntei portas, janelas e armários com mata-insectos, lavei casas de banho, bancadas e etc's e tais, olhei pela janela e finalmente sinto-me em casa.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Uma equipa fantástica

A minha equipa aqui em Maputo tem-me surpreendido a cada dia que passa. Ao completar uma semana e meia da minha chegada, o balanço do relacionamento com todos eles tem sido positivo, e há alguns momentos que acho tão importantes, por serem simples e sinceros, que tenho de partilhar convsco.
O encarregado, o meu braço direito operacional (como o chamei um dia), mais conhecido por comandante, por já ter sido sargento das tropas portuguesas na época do ultramar, é uma pessoa grande e impõe respeito. Com ele tive já 2 episódios muito marcantes que tenho que relatar.
No meu 3º dia de trabalho, quando fazia a minha apresentação ao 3º e último grupo de recolha, ele apresentou-me assim “esta é a nossa chefe, é a nossa mãe”. As lágrimas quase me vieram aos olhos, mas controlei-me, e passo a explicar porquê: aqui a maior expressão de respeito que se pode ter por uma mulher é chamá-la de mãe, pelas ligações muito fortes que têm culturalmente com a família, e eu sabia disto, e por saber disto não esperava que me viessem a ter em tão elevada consideração tão cedo. Foi bom… foi muito emocionante… coisas como esta tiram-nos as palavras, tiram-nos o chão. J
Hoje, voltou a surpreender-me ao dizer-me que me queria oferecer uma pulseira feita por si, e que esperava que a minha mãe chegasse rápido a Maputo para fazer-lhe uma pulseira a ela também. E explica-me assim “é que eu trabalho bem marfim”. J Já lhe expliquei que só uso madeira, não uso marfim, porque prefiro vê-lo nos elefantes vivos do que nos meus braços, mas o orgulho nos olhos deste homem ao dizer-me que é artesão e que sabe fazer mais do que o que já me mostrou, é tão grande…
Entretanto vão surgindo surpresas de outros lados. A secretária trouxe-me uma manga, linda vermelhinha, cheirosa, como só as mangas de cá sabem ser, colhida do seu quintal na Matola, “achei que ia gostar” disse-me, e eu sorri babada porque adoro manga. Um doce…
Hoje o responsável da contabilidade saiu para tratar de milhares de assuntos na rua e quando chegou veio fazer o ponto de situação e para acompanhar trouxe um saquinho de amendoim torrado em areia, daquele que eu adoro e morria de saudades… vocês sabem o que isso é? Hummm é muito bom… delícias.
Como fazia em Cabo Verde decidi que logo que tenha casa vou passar a trazer os meus bolinhos caseiros para aqui também, alguns de vocês sabem que aos domingos gosto de fazer bolos, pois estes meus colegas vão ter à 2ª feira um contributo para a engorda não tarda muito, espero eu (só falta a casa e forno).

segunda-feira, janeiro 12, 2009

1º Fim-de-semana

Depois de uma semana cheia de sol e muito calor, o sábado acordou ligeiramente cinzento e foi a pouco e pouco carregando céu de nuvens. A meio da manhã, depois de um pequeno-almoço descansado, fui ver um apartamento que teoricamente reunia as condições desejadas. Chagada ao local, percebemos que o elevador estava avariado, e então o que fazer? decidi que mesmo assim ia ver a dita casa. Toca a subir, subir, subir... e pára para descansar, e depois sobe mais e mais e mais, e pronto chegámos com a língua de fora ao 8º andar. Abrimos uma porta, depois outra, e finalmente no hall do piso abrimos o portão da casa com 2 cadeados, e depois finalmente a porta reforçada. A casa era um T3, com sala grande, cozinha gigante, 1 varanda, zona de lavagem, 2 wc, 3 quartos com ar condicionado, wc para empregada, copa, electrodomésticos incluindo 2 frigoríficos, 1 arca e 1 máquina de lavar a roupa. Acabadinha de pintar, com mobília em todas as divisões, apesar da época de Luís XV, mas com umas capulanas em cima dá para disfarçar. 1500 dólares por mês, mais condomínio, mais tv-cabo, mais internet, mas ainda tem lugar na garagem. Parece-me bem, não fossem os 8 andares para subir cada vez que o elevador avaria (e ao que parece é bastante frequente). Decidi que é melhor procurar mais casas e desta vez mais baixas.
Saio daqui e vou ao Polana Shopping Center, entro na europa, e tenho tudo o que preciso e não preciso está ali à mão de semear, ao passo que lá fora para muitos falta tudo... enfim... coisas de país em vias de desenvolvimento (em linguagem politicamente correcta).
Almoço depois num dos sítios que mais me é familiar o Clube Naval, onde fui sócia, eu e toda a família, onde tínhamos o barco Caluca, que procurei nas boxes mas não encontrei, onde nadava na piscina, de onde saiam os barcos à vela, onde se mostravam os troféus das pescarias de fim-de-semana... memórias.
À tarde choveu, e choveu tanto que só parou de chover na 2ª feira, daquela chuva grossa que cada gota parece um copo de água, daquela chuva quente de verão, daquela que eu apanhava quando estava na escola enquanto jogávamos às escondidas...
No domingo com a capa da chuva vestida meti-me a caminho para casa de uns amigos, almoço em boa companhia, senti-me em casa, como sempre eles me fazem sentir. Fiquei lá horas e acabámos o dia a ver e a cantar o “Mamma mia”, mais uma vez... foi tão bom... delicioso. Obrigada amigos.
Para fechar o fim-de-semana fui "apanhada" pela polícia, e a história merece ser contada: Farda cinzenta (que pelos vistos não é polícia de trânsito nem lhe dá o direito de me pedir a carta de condução, mas só descobri isso mais tarde), armado com uma arma semi-automática de meter respeito, diz que tenho de pagar uma multa de 1.500 meticais (qualquer coisa como 42 €, quando a multa máxima cá é de 1.000 meticais segundo me informaram mais tarde). Respondi que não tinha comigo essa quantia (verdade verdadinha), disse-me que tinha que me apreender a carta até eu pagar e que me passava uma credencial para eu continuar a conduzir, eu respondi que isso não podia ser porque a credencial apenas substituía a carta de condução e a carta de condução não serve apenas para conduzir, é também o meu documento de identificação, pelo que se eu necessitasse de me identificar a algum colega dele até levantar a carta não tinha como. Começou então a dizer que estava só a fazer o seu trabalho, e eu respondi que compreendia e que o respeitava por isso e por considerar que o seu trabalho era muito importante e que era principalmente de educar e sensibilizar as pessoas. Ele disse então que não podia deixar de passar a multa porque esse era dinheiro que iria para os cofres do estado (e eu já a ver o rumo da conversa), disse-lhe que sim, mas que me deixasse então pagar na 2ª feira depois de levantar dinheiro. Ele então disse que ganhava uma comissão da multa, e eu perguntei quanto. 50%, eu arregalei os olhos (750 meticais, bolas, pensei cá para mim). Disse-lhe claramente, olhe, não tenho mesmo esse dinheiro, se tivesse dava-lho já de bom grado (até tinha, mas...), é que eu saí só por um bocadinho e sem dinheiro. Ele disse então para ver o que é que eu podia fazer... dar o que pudesse, ao que eu respondi, que eu vim só com dinheiro para tomar café, porque vinha mesmo só tomar café (tinha ido comer um gelado, mas pronto, até porque não bebo café à noite). Estendeu-me a carta e disse, pode ir. Estendi-lhe a mão e dei-lhe um aperto de mão, agradeci e desejei continuação de bom trabalho. Atravessei a rua, sentei-me no café e tive mesmo que tomar o café... gelados... nicles... fica para a próxima... poupei o dinheiro do gelado e da multa.
Bem me parecia que eles andavam aí... e bem perto.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Uma aventura nas estradas

Depois do almoço do primeiro dia de trabalho foram buscar-me ao hotel e passaram-me a chave para as mãos e, logo ali, explicaram-me em 2 minutos os segredos do carro.
Ora carrega-se neste botão para abrir as portas, entrar, fechar as portas, trancar as portas, por a chave na ignição (já sei, até aqui nada fora do normal), e passar a mão aqui neste botãozinho escondido para desactivar o corta corrente senão começa a disparar o alarme e não consegue andar com o carro. Ahhh, ok o carro tem truque… boa. Lá aprendi a coisa.
Entro no carro e faço tudo isto com mais um pormenor à mistura: entra-se do lado direito do carro, volante do lado direito, mudanças do lado esquerdo (a meio do carro como todos os outros), com a 1ª a meter para a esquerda e a 5ª a meter para a direita (tal como nos outros carros), os pedais exactamente na mesma posição, olho para os espelhos não estou habituada a vê-los naqueles sítios, o carro também cresce para a esquerda e não para a direita… bem… não há-de ser nada.
Ponho o carro a trabalhar depois de me livrar do truque. E agora o sentido nas estradas também é todo ao contrário…. Ai ai ai, faixa dos lentos é à esquerda, circulamos pela esquerda, ultrapassamos pela direita, atenção fazer o pisca e ligar as luzes também é no manípulo da direita (bolas já liguei o limpa pára-brisas), tenho que ter o eixo de via junto a mim do lado direito senão arrisco-me a bater no passeio, meto a segunda (mas antes disso bato com toda a força com a mão direita na porta do carro… dói), lá atino com a coisa.
Chego à primeira rotunda… e agora… pois, é mesmo ao contrário, não sei explicar mas com jeito a coisa vai. Consegui um bocado a custo chegar ao trabalho, não bati em ninguém, não atropelei ninguém, não subi passeios, não deixei o carro ir abaixo, usei todas as mudanças e o alarme não tocou. Até o motorista que ia ao lado manteve um ar sereno e não veio agarrado ao banco. Posso dizer que foi um sucesso.
Ao fim do dia ao regressar ao hotel a aventura foi feita de noite com as luzes acesas, também correu bem, com menos movimento e já sozinha, acho que já posso receber visitas e ir buscar-vos ao aeroporto. Já tive outra cobaia entretanto, ainda não morreu de susto e até já arriscou duas vezes.
Agora o meu stress mais recente é ser mandada parar pela polícia ou pelos militares, e isso não deve faltar muito, eles andam aí.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Uma aventura na alfândega

8h da manhã cheia de energia e com o pequeno-almoço tomado, sigo para o terminal de carga do aeroporto para levantar as minhas 4 malas que totalizavam 100kg.
Chego com os papéis na mão, dirijo-me à primeira pessoa que estava com ar de guarda do lugar sentado num banco e ele aponta para a porta do lado. Aqui dizem-me para ir ao portão do outro lado ao armazém, aqui no guiché da carga, olham para os papéis sem sequer dizerem bom dia e dizem para ir ao balcão da alfândega, e finalmente encontramos alguém que nos explica minimamente o que se vai passar. Então primeiro tem de escrever um requerimento, comprar uma folha, preencher a folha, tirar fotocópia do passaporte, anexar ao papel que trouxe de Portugal e ao outro que me entregaram no hotel, e entregar tudo isto aqui mesmo. OK, percebido. Faço isto tudo e (atenção a esta parte) no requerimento escrevo qualquer coisa do género: "venho respeitosamente requerer que V.Excelência se digne autorizar o levantamento da minha bagagem pessoal isento de formalidades de despacho". Paguei 299 meticais e julguei que a parte isenta de formalidades de despacho teria muito significado, mas como percebi mais tarde estava redondamente enganada, ora vejamos.
Entreguei a papelada toda na 1ª porta à direita para o Sr da 1ª secretária assinar e registar no livro grande, depois fui à 2ª porta à direita falei com a 3ª senhora ao balcão, carimbou 3 folhas das muitas do meu molho e disse para ir lá para fora "apanhar ar durante meia hora". Segui as ordens que me eram dadas, fui para o carro apanhar ar condicionado porque às 10h da manhã (sim com isto já eram 10h da manhã) a temperatura já tinha subido para os 35ºC.
Meia hora depois voltei, a senhora disse-me para ir ao 1º sítio onde tinha feito o requerimento, lá fui, cheguei lá peguei nos papéis preencheram uns rabiscos num livro pequeno e disseram-me que podia ir ao armazém buscar as malas para serem revistadas. Revistadas? Todas? "Sim, o chefe mandou revistar", pensei cá para mim, trago 4 míseras malas com roupa usada, barbatas de mergulho, e equipamento de equitação, descriminei ponto por ponto tudo o que trazia em 2 folhas A4 e agora ainda querem ver as malas todas? e ao meu lado vem montes de importadores com caixotes em paletes, que sabe-se lá o que trazem, enchem-se camiões com eles e ninguém abre sequer uma caixa... ora bolas... isto está mal... deve ser por ser turista... devem achar que venho para cá vender a minha roupa. Mas adiante.
Toca a rasgar a plastificação de 5€/mala, abrir os cadeados, o revisor pede para afastar a toalha de praia, o casaco, as barbatanas... pergunta se é tudo usado, digo que sim, pergunta quanto tempo vou ficar cá, ao que respondo que tenciono ficar cá a viver. Afinal era esta a resposta que faltava, deve ter-se feito luz, "pode fechar, então seja bem vinda, espero que goste de ficar por cá." Obrigada digo eu. Mas isto ainda não acabou por aqui.
A informação segue para o chefe, o chefe demora demora demora, vou fazer uma espera para junto da 3ª senhora do balcão, lá vem o meu processo, são 11h35, os serviços fecham às 12h para o almoço... aiiii que vai ser apertado. Corro para a 1ª porta do lado direito, o senhor da 2ª secretária assina e carimba mais 3 das minhas muitas folhas, corro para o armazém e já suo em bica, vou finalmente ao balcão da carga, fazem-se as contas e tenho que pagar o manuseamento da carga, mais 1.170 meticais, desembolsa no balcão do lado que aqui cada coisa é feita no seu sítio. Paguei e carimbei, vou ao senhor que tinha ido buscar as minhas malas, ele assina, eu assino e ponho a data, vou ao revisor ele carimba e assina, deseja mais uma vez bom dia, e sigo para o guiché de carga, entrego o papel, pego nas malas e vou a sair. Já com um pé de fora sou parada mais um Sr desta vez da taxa de carga diz-me que ainda não paguei, "ohhh meu deus", lá faz umas contas manhosas, são 11:55h, estou em desespero... são mais 200 meticais. Bolas. Nem acredito.
Saio do armazém ponho as malas no carro, finalmente acabou esta saga. E isto tudo isento de formalidades... nem quero imaginar se houvesse formalidades...
O motorista diz-me que se tivesse desembolsado mais 500 já estaria com tudo resolvido a meio da manhã, mas explico-lhe que isso vai contra os meus princípios, não pago mais pelo trabalho que cada um tem de fazer. Custou-me, penei, mas passei mais este teste, um teste de paciência, calma, de não ceder ao facilitismo e pequena corrupção, e sempre com um sorriso nos lábios.
Cheguei ao hotel e tive que tomar um banho gelado, à tarde ia trabalhar no duro, e não podia dar-me ao luxo de estar cansada. Felizmente o sol e o calor têm em mim um efeito revigorante, e a seguir ao almoço a energia e o espírito estavam outra vez em alta.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A viagem

“Srs Passageiros, pedimos a vossa atenção (…) for the safety vídeo presentation” foi com qualquer coisa do género que começou o percurso para a pista, com falhas de memória incluídas. Estava cansada, estes últimos dias de preparativos tinham-me deixado de rastos. As despedidas tinham sido sempre que possível nos dias anteriores e a maior parte não presenciais, porque efectivamente assim custa menos, mas mesmo assim esgotei a minha dose de lágrimas. Tal como escrevo no post anterior, as despedidas não são fáceis mas esta tem um sabor diferente e especial.
Voltando a voo. Olho pela janela, o lugar é privilegiado, estou junto ao nariz, tão perto que sou das primeiras a perceber que descolamos suavemente do solo. As luzes do lado oriental de Lisboa afastam-se de nós, subimo-nos vislumbrando o lado que menos gostos de Lisboa, prefiro as minhas bandas, mas não se pode ter tudo… passamos o rio Tejo em ascensão e já na península de Setúbal começa a turvar-se a vista, a bruma dos dias cinzentos mesmo de noite paira no ar. Em segundos esconde as minhas referências em terra, em vez destas tenho as estrelas, as minhas guias e companheiras de viagem de sempre, aquelas que aprendi a reconhecer nos acampamentos na Serra de Estrela e que vi mudar nas noites quentes de África, aquelas que estão lá todas as noites, em todos os meus voos.
De manhã bem cedo o despertar faz-se com uma toalha quente nas mãos e um “bom dia” do comandante, o pequeno-almoço é servido e passado pouco tempo inicia-se a descida para Jo-burg (Joanesburgo). Finalmente abro a janela e agora reconheço o vasto continente africano que tanto me fascina, já o sobrevoo, já quase o toco, daqui a pouco mais de 3 horas pisarei o solo, a ansiedade da chegada cresce em mim.
Passadas 3 horas efectivamente piso solo africano, mas ainda na África do Sul, foi detectada uma avaria no motor… depois de ficarmos fechados no avião até suar em bica lá conseguimos autorização para desembarcar na free-shop do aeroporto. As lojas de artesanato africano misturam-se com a Body-shop, a Lacoste e outras do género. Dei voltas e voltas, finalmente o problema está resolvido, com 3 horas de atraso partimos para o destino final e aterro no aeroporto de Mavalane… Maputo at last. O bafo quente denuncia o verão africano, dão 17:30 e estão 35ºC, que maravilha…
À minha espera e já quase em desespero, mas avisado do atraso, esperavam-me da empresa, saí com as malas que trazia no avião, as da bagagem não acompanhada têm de ficar para amanhã porque o terminal de carga já está a fechar a esta hora. Sigo para o hotel , tomo um banho, troco dinheiro, vou jantar, desfaço as malas e às 21h cometo a minha primeira loucura um mergulho na piscina no terraço do hotel, a cidade toda à minha volta, é noite a temperatura óptima. Sim, estou cá.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

A lágrima mais doce

Escolhi este título de post já há muito tempo porque é assim que sinto esta minha viagem.
As lágrimas normalmente salgadas, associadas a dor ou a alegria, desta vez são muito mais do que só isso. Estas minhas lágrimas de despedida doeram, arderam ao deslizar nas faces. Eram salgadas por natureza e eram lágrimas de dor, mas ao mesmo tempo eram lágrimas doces cheias de amor, cheias de carinho, cheias de doces abraços, beijos, palavras e olhares, cheias de doces sentimentos. Estas lágrimas são de partida mas também são de regresso, são de recomeço, de conquista, são lágrimas que partilho aqui convosco mas que são todas elas para a minha família.

domingo, dezembro 28, 2008

Momento de Relax

Enquanto faço as malas (sim... já comprei as malas... um monte de malas, todas do mesmo conjunto, para condizer!!!), e porque não tenho tempo para escrever nada de jeito e tudo o que poderia escrever só ia provar que estou a ficar stressada... o costume... nada mais do que o normal a 1 semana da partida... Decidi que o melhor era recuperar um momento que me faz sempre rir e descontrair um bocadinho Mahnamahna.



Beijinhos para todos, boa semana e um óptimo ano de 2009.



terça-feira, dezembro 23, 2008

Finalmente Férias

E depois de um ano inteirinho a bulir que nem um mouro, lá me fiz à estrada e tive direito ao meu lugar ao sol e às tão merecidas férias...
Não posso dizer que foram umas grandes férias, nem que foram longe, sem interrupções, nem mesmo que deram para esquecer o trabalho... mas mesmo assim foram férias.
Na segunda-feira fui logo de manhã cedo à empresa (à nova empresa, mas à sede em Lisboa, não à empresa em Maputo) para ver se estava tudo em ordem. Ora pensava eu que estaria lá das 9h às 10h no máximo, mas era preciso ver isto e mais aquilo, levar este ficheiro, analisar o outro, falar com este e com o outro, fazer umas continhas, analisar o contrato... enfim... quando dei por mim eram 20h e já estava com umas olheiras demasiado grandes para me meter a fazer 300km que ainda me faltavam para o descanso do guerreiro.
Viagem adiada para o dia seguinte... isto já não estava a correr nada bem... menos 24h do que estava planeado, lá segue a comitiva no Toyota rumo ao Algarve. Destino final - Vale do Lobo... o nosso paraíso de descanso no mês de Dezembro.
Os nossos dias eram passados, basicamente assim: levantar tarde, sem despertadores, tomar banho com água escaldante, embaciar a casa de banho (cada uma tinha a sua... um luxo), tomar o pequeno almoço na varanda ao sol, andar sempre de t-shirt, sempre de calças de ganga, sempre com as botas de caminhada desapertadas, com o boné na cabeça e óculos de sol. Saída para um passeio a pé pelo empreendimento, pela praia, pela ria... o que quiséssemos. Apanhar sol e mais sol. Regresso a casa, almoçar aquelas coisas deliciosas que comprámos no meu supermercado preferido, gourmet do melhor que há (e do mais caro também) - o famoso Apolónia, que é de ir lá controlar bem a carteira e os impulsos consumistas, ou então arriscamo-nos a ficar sem 500€ de uma só ida às compras. À tarde, mais passeio, ler um livro, lanche, dormir, descansar, jogar às cartas, apanhar sol, ouvir música... era mesmo o que quiséssemos.
Passaram-se assim os dias, no bem bom, a descansar e a curtir o céu azul do nosso país, o calor... a paz.
Antes da partida estas férias serviram não só para descansar, mas também para reunir a família, para festejar o aniversário da minha mãe, e para mais uma vez reforçarmos os laços que nos unem tão firmemente. Esta tradição recente de ir para lá na semana do aniversário está a saber-nos muito bem, já está a fazer parte de nós, tanto que para o ano, se continuar lá fora terei de vir cá dentro para não quebrar a tradição.