quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Desejo-te Tempo!

Desejo-te Tempo!
Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Tempo para te divertires e para sorrir,
Tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo para planear e realizar,
Não só para ti mesmo, mas também para doá-lo aos outros.
Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr,
Mas tempo para encontrares a ti mesmo.
Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo para que fiques,
Tempo para te encantares e tempo para confiar em alguém.
Desejo-te tempo para tocar as estrelas,
E tempo para crescer, para amadurecer.
Desejo-te tempo para aprender a acertar,
Tempo para recomeçar, se fracassar.
Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar,
Para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para ser feliz,
Para viver cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!

sexta-feira, janeiro 29, 2010

QUEM MORRE?

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo...

Morre lentamente quem se transforma em
escravo do hábito, repetindo todos os dias os
mesmo trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não
conversa com quem não conhece...

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de
um remoinho de emoções justamente as que
resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos
uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias
queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente quem abandona um projecto
antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto
que desconhece ou não responde quando lhe
indigam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige
um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda

terça-feira, janeiro 05, 2010

Recomeça...

Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

quinta-feira, dezembro 24, 2009

O que aprendi neste Natal

Aiiii.... se tivesse escrito esta mensagem ontem... seria tão negativa...
Ontem pensei mil e uma vezes, ou talvez um milhão, quais teriam sido as razões que me mantinham aqui...
Tanto stress, tanto trabalho, tão poucas horas de sono... Senti por momentos que o mundo à minha volta desabava, caía aos pedaços sem que eu pudesse fazer alguma coisa para impedir, sem que tivesse forças para me agarrar mais ao meu sonho, ao sonho de estar aqui.
Estava cansada, demasiado cansada e já sem forças para falar ou receber más notícias. Mas o telefone tocou com 2 más notícias (não eram péssimas, apenas más). Mas aquela mensagem e os inúmeros telefonemas que se seguiram para resolver estes pequenos problemas de trabalho, deitaram-me abaixo e impediram-me de adormecer.
E como precisava de adormecer... em paz... descansar... recuperar das horas infinitas que me têm faltado de descanso neste último ano.
E pensava... o que me faz ainda insistir em ficar aqui, em continuar a lutar, a remar contra a maré? Será que sou só teimosa? ou não consigo admitir que algumas coisas falhem? e pensando bem percebi que o que tem falhado e me tem deitado abaixo nada tem a haver comigo, não depende de mim.
Então deveria ser capaz de descansar, mas não conseguia. Vi e revi todos os meus passos e decisões, não vi como poderia ter feito as coisas de forma diferente, e no entanto houve carros que avariaram, pessoas que faltaram, exigências e solicitações muitas e muito grandes... passei por tudo isto no seu devido tempo, mas parece que nada disto nunca tem fim.
São testes da vida? Não. É mesmo a vida.... a vida é que é assim. Cheia de provações, testes, desafios, batalhas, avanços e falhanços, conquistas, sorrisos, lágrimas, coisas boas e coisas más.
Finalmente consegui dormir. O meu mal era mesmo sono... Acordei com o telemóvel a tocar mais um problema... mas desta vez o sol deu-me energia e sem pensar muito fui resolvendo o que estava ao meu alcance resolver.
Olho agora para trás para estes dias e para ontem em particular e vejo que fiz tudo o que podia e que devia, tudo do que dependia de mim. Por isso estou de consciência tranquila e percebo que tenho que encarar o futuro como um percurso que não posso controlar, mas que trará sempre mais um desafio.
Apesar de estar longe da família neste dia, longe do meu meio nesta época de Natal, percebo que recebi a prenda que precisava de receber: compreender a minha verdadeira dimensão no mundo, o meu percurso, os limites do meu ser, querer e poder.
Tem sido sempre em momentos difíceis que percebo algo mais sobre mim e o que me rodeia, sobre o que é importante, verdadeiramente importante. É nestes momentos que se cresce e se olha para o mundo com os olhos de criança sábia, que aprecia o sol como se fosse a primeira vez, mas que no entanto percebe que precisa dele para viver.
E com isto me retiro para a ceia de Natal entre amigos que é já daqui a pouco. Presentes tenho poucos para dar, quase nenhuns, mas levo um sorriso nos lábios e uma leveza de espírito que ontem por esta hora não conseguia ter.
Bom Natal meus queridos amigos, mesmo de longe segue aquele abraço forte do fundo do meu coração.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Carta para as minhas amigas

Minhas queridas

tenho montes, toneladas de saudades de todas e dos nossos encontros.

Apesar de não me "cheirar" nada a Natal, porque está calor em vez de frio, porque está sol em vez de chuva, porque não há música de natal na rua, porque não estou numa casa cheia de gente, porque não há no ar aquele cheiro de fritos de natal, porque nem sequer tenho o bacalhau de molho à espera da ceia de amanhã... apesar de tudo isto, quero desejar-vos um bom natal.
Adorei as vossa fotos, as barriguinhas redondinhas e cheias de vida, o vosso encontro que foi também quase meu nesse dia de frio... parei um bocadinho para "entrar" nas vossas/nossas conversas, e apesar de não vos ter podido dar beijinhos e rir com as nossas histórias, sinto que estive um bocadinho aí.

Por aqui vou festejar o natal em casa de amigos, novos amigos, e isso é bom, muito bom. Montei uma árvore de natal em minha casa, quase que me enche a sala de luz e de cor. Costumo dizer que não tenho tempo para comprar prendas, mas sempre o consegui fazer. Só que desta vez parece que vai ser mesmo impossível. Não tenho uma fnac ou um allegro aqui bem perto para ir a correr ao fim do dia (bem tarde) para comprar o que gostava de oferecer. Mas outros dias virão, e tal como aprendi este ano, o natal é efectivamente quando e sempre que nós quisermos.

Por isso minhas amigas do coração, desejo que seja sempre natal para vocês.

Um beijinho gigante do tamanho do mundo para as meninas lindas e as suas barrigas (com ou sem bébé).

Ana

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Árvore de Natal

Decidi comprar uma árvore de natal, mesmo pinheiro (de plástico, está claro) para montar na sala. Já que passo cá o Natal, ao menos que sinta que é Natal. Então fui ao Mica (uma espécie de Continente e Aki tudo num só sítio), depois de voltas e voltas, lá comprei o pinheiro. Com mais umas voltas comprei umas bolas e enfeites do género em dourado e vermelho, peguei também num conjunto de luzes pequeninas brancas e vim para casa. Abri o pinheiro e ficou bonito, coloquei as luzes e liguei à corrente... não eram brancas mas sim de todas as cores e a piscar... bolas... vou trocar esta porcaria. Tirei tudo da árvore e decidi que amanhã vou lá trocar. Entretanto como tinha comprado uma extensão também decidi experimentar para ver se funcionava. Liguei à corrente e PUM, apagaram-se as luzes todas... o quadro foi abaixo. Às apalpadelas lá encontrei o telemóvel e com a luz ténue consegui ir até às velas, acendi 3 e procurei o frontal que andava perdido numa das muitas gavetas desta casa. Fui ao quadro, liga, desliga, liga só um, só dois... não funciona... descobri que a arca congeladora está ligada, o quarto ao lado do meu tem luz, o modem também funciona e só uma tomada na sala... enfim, tudo o resto desligado... tv, rádio, frigorífico, fogão, termocumulador... ai que vou tomar banho de água fria... o que vale é que é verão.
Esta casa está a desfazer-se aos bocados... no outro dia caiu uma janela com dobradiças, caixilharia e tudo... não estava vento nem a janela estava aberta... enfim... não percebo.
O que será que vai acontecer a seguir? Vou de fim-de-semana para a Ponta do Ouro e preocupo-me com isto depois. :)

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O dia de ontem

Tantas coisas acontecem todos os dias por aqui… e não consigo arranjar tempo para as escrever, mas o dia de ontem vale a pena ser contado…
Acordei com o sol a bater na janela e soube-me tão bem que já me levantei com um sorriso nos lábios… Bem cedo já estava numa esplanada a tomar o pequeno-almoço com um amigo e em 10 minutos juntaram-se mais dois. Já com a energia em cima fui trabalhar e foi sempre a correr… dia produtivo, bem mais do que o normal.
Ao almoço estava um calor quase insuportável, aliás nestes dias a pele está sempre húmida e colante, até para vestir a roupa é complicado. Saí do trabalho e tive direito a um almoço caseiro que me soube pela vida. Depois do café Nespresso fiquei a descansar um bocadinho e voltei para o escritório.
Ao fim da tarde fui ao Mica para ver rodas de contentores e andei por ali enrolada em espírito consumista natalício a escolher a minha árvore de natal e os enfeites. Percebi que não tenho jeito nenhum para isto, mas enfim… fiz o que podia.
Segui para casa já só com tempo de tomar o 3º banho do dia, troquei de roupa e fui ao Moçambique Fashion Week. Era noite de “young desinners”, com roupas um bocado lunáticas que encobriam quase por completo ideias interessantes que gostava de reproduzir (gostei de muito poucas). No fim do desfile de cada estilista lá descia o idiota de cada colecção… e era vê-los passar ao som das palmas e risotas libertadas pela audiência. 2 ou 3 eram normais, mas os outros… desde um que não podia ser mais mariconço e enfezado, ao que trazia galochas azuis brilhante e mochila do Bugs Bunny (no mínimo estranho…), ou ainda a um outro que logo a seguir apareceu com umas jardineiras do Tweety… Foi risota total.
Saímos do desfile e com o estômago já a refilar decidimos e comer qualquer coisa. “CFM. Vamos aos pastéis de massa tenra”… azar, estava fechado. Então vamos aos frangos na feira popular, o único sítio que ainda estava aberto só vendia frangos para fora… não tinha nem uma mesa para sentar. Por fim rendi-me às propostas dos que estavam comigo: Gipsy. Um bar de luz vermelha com ambiente de ver jogos de futebol na televisão, localizado na rua de maior de boites e bares de meninas… Pergunto-me eu: porque é que um sítio que tem potencial para ser bom (atenção que tem boa clientela e são raras as meninas que por ali circulam), com pizzas óptimas e funcionários que vão atrás de nós para devolver o que nos esquecemos dentro do estabelecimento (a carteira da Patrícia foi devolvida ainda nem tínhamos dado pela falta dela), sim… porque é que um espaço destes tem de estar numa rua destas? Garanto-vos que se não fosse a fome e a insistência num teria pisado aquele sítio, mas o medo que tinha de ir a esta rua, foi superado pelo bom ambiente que se sentia dentro do bar.
Daqui, já com a barriga cheia, fui ao Rua d’Arte, a uma 3ª feira… uma loucura para mim que só saio aos fins-de-semana e só muito de vez em quando. Era noite de festa para os estilistas, que depois do desfile fizeram a noite aqui. Uma amiga minha fazia anos e estava também a festejar ao som da música que não varia, mas que é o mais próximo do que gosto de ouvir, que há em Maputo. Dançar, dançar, saltar, muitos sorrisos de abraços, reencontros com amigos que já não via à muito tempo (isto de estar fechada no meu casulo não pode continuar). Adorei a noite e a companhia, o som e o calor abrasador que mesmo às 2h30 da manhã se fazia sentir. Esta tarde já tenho combinada a cervejinha semanal com os amigos no sítio do costume (Piri-piri). Vai ser bom como sempre é, aos poucos e poucos uma “família” de amigos começa a formar-se aqui, num sitio a que aos poucos vamos chamando casa, a 8500km do ponto de origem.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O Acidente

Na 2ª feira da semana passada tive um acidente de carro.
Tinha ido de manhã à África do Sul com um motorista de pesados e um responsável da manutenção das viaturas, para ir buscar um camião que tinha ido para reparação. Teoricamente chegávamos a Nelspruit (que entretanto mudou de nome para Mbombela) e depois de almoçar iniciávamos a viagem já com o camião atrás do meu carro. Mas como na empresa só fizeram metade do que estava programado acabámos por esperar 3 horas para a viatura estar pronta. Neste tempo decidi ir comer ao 1º Mac Donalds que aqui na zona (já fui lá duas vezes… o vícios são difíceis de largar). Fui depois ao Mall (Riverside Mall – o antro de perdição para pessoas loucas por fazer compras…) é gigante e para quem não tem muita paciência para ir para sítios fechados barulhentos e cheios de gente, como eu, é quase um martírio ir lá. Mas acabei por aproveitar para comprar algumas coisas que me faziam falta lá em casa e que ainda não tinha tido tempo para ir comprar.
Enchi a bagageira do carro, e com os 2 funcionários voltámos às oficinas onde fizemos nova inspecção da viatura. Tudo em ordem, ou aparentemente em ordem, meti-me no carro com o camião a seguir-me de perto porque era eu que sabia o caminho (mal… mas ainda assim sabia-o).
Já estava escuro quando saímos da cidade (aqui está a escurecer por volta das 18h), e a estrada cheia de carros impedia-nos de seguir a mais de 80 km/h. Fizemos tranquilamente o caminho de 2 h até à fronteira, tratámos das papeladas todas do lado sul-africano e depois do lado moçambicano, e seguimos viagem.
Para quem não conhece a N4, estrada nacional que faz a ligação Maputo-Nelspruit, explico que não passa por povoação nenhuma até chegarmos quase às portas de Maputo. É só mato e mais mato. Sem iluminação na estrada e com muitos camiões e carros a circularem sem luzes. Mas esta noite até estava calma, quase não passavam carros por nós.
Já a meio do caminho íamos a 100 km/h, nada demais quando o limite é 120… eu à frente o camião atrás, felizmente bem atrás. Uma pick-up inicia a ultrapassagem ao meu carro e quando estava ao meu lado surge no meio da via em sentido contrário um homem a pé. Eu só o vi quando estava a menos de 20 m de nós. O carro que me ultrapassava, travou mas não o suficiente, e teve que guinar o volante perdendo o controlo do carro, para não atropelar o homem. Ao perder o controlo bate de lado na parte de trás do meu carro e… bem… o meu carro perdeu o contacto com o piso, saiu disparado para a faixa contrária em direcção ao mato e à valeta que não existe. Percebi imediatamente que se saísse da estrada corria sérios riscos de capotar devido ao desnível. Agarrei-me ao volante e numa cena quase de filme tentava controlar o carro impedindo-o de fazer piões completos. Consegui fazer 3 meios piões, num dos quais fiquei de frente para o camião que me seguia. Consegui voltar a virar noutra direcção, vi pelo espelho retrovisor a pick-up a cair de lado na beira da estrada, e em segundos consegui também imobilizar o meu carro, já fora da estrada.
Parei, respirei fundo… está tudo bem. O funcionário que me acompanhava saiu a correr do carro, eu desliguei o motor e tirei a chave, procurei o telemóvel que entretanto tinha voado juntamente com tudo o que estava solto no carro. Ainda a fechar o carro comecei a fazer as chamadas a pedir auxílio. Procurei o homem que se tinha atravessado na estrada, mas não havia sinal dele. Fui ter com o condutor do outro carro que entretanto saía da viatura virada de lado. Estamos todos bem…
Só na manhã seguinte quando acordei é que me apercebi do perigo que isto foi, podia ter corrido tudo muito mal, mas felizmente correu bem. Não capotei (se isso tivesse acontecido provavelmente não estava aqui hoje), ninguém se magoou (nem um arranhão), e os carros saíram a andar sozinhos… nem sei muito bem como…
Valeu-me o telemóvel, a ajuda de quem passava e de alguns amigos que me apoiaram nas horas e dia seguinte.
Estes últimos dias tenho andado muito zen… ou perto disso. Estou contente por estar bem… e penso nas pequenas coisas que me fazem bem… todas elas muito mais importantes do que a correria do dia-a-dia… Tempo de balanço mais uma vez… E depois desta continua-se em frente com mais força e mais cuidado, com um sorriso nos lábios por, tão simplesmente, ver o sol nascer, mais uma vez.

terça-feira, outubro 13, 2009

E se...

Esta expressão acompanha-me desde que me lembro de mim e significa tão simplesmente que todos os dias, a cada momento, para pequenas e grandes decisões (desde escolher o que vou beber ao almoço, qual o próximo destino de férias, onde vou morar...), vejo e revejo rapidamente todas as alternativas que se me apresentam perante o problema.
A decisão normalmente é tomada por impulso (pelo menos eu faço assim), sabendo que nas decisões mais difíceis peso sempre a razão também, mas quase invariavalmente opto pelo que me apetece, sigo o meu "feeling". Não me arrependo disso porque todas as decisões tomadas contribuíram para chegar onde cheguei hoje, para ser quem sou, para alcançar aqueles objectivos maiores da minha vida, contribuíram para que no fundo hoje seja feliz com o que tenho e esteja tranquila quanto ao caminho que segui.
Sim, sei que estou a ser confusa, mas esta reflexão começou pouco antes da minha vinda para Moçambique, numa reconstrução interior do meu percurso, e nos últimos dias tem assomado à minha cabeça de forma muito mais intensa do que o normal.
Ultimamente pergunto-me "e se tivesse ficado em Portugal?". Independentemente da perspectiva que uso para analisar esta questão, chego sempre à mesma conclusão: se não tivesse vindo, se naquele momento de decisão tivesse optado por Portugal, não tenho dúvidas que já teria arranjado um outro momento de decisão que me levaria a sair de lá. No fundo o sair de Portugal era já um dado adquirido, o lugar para onde ir é que tomou muitas formas e a escolha estava apenas dependente das oportunidades no momento. Quando Moçambique voltou a surgir no meu mapa, então o destino final desta saída ficou claro e eu vim.
Deve ter sido uma das decisões mais rápidas da minha vida, acho mesmo que já estava tomada antes de me ser apresentada a questão. Sabia que viria para cá mais cedo ou mais tarde, também isso já estava decidido, por isso fiz as malas e vim.
Agora aqui, passados 9 meses da minha estadia, concluo que a vinda e estes primeiros tempos foram "um parto difícil" por várias razões: este era um regresso cheio de emoções, um desafio profissional intenso e um desafio pessoal que perseguia há já algum tempo. Passada esta fase percebo que resisti aos primeiros choques, resisti e estou cá.
Feliz por estar onde sinto que devia, é preciso agora olhar outra vez à minha volta e arranjar novos desafios. Agora passada a fase de regresso, vamos então à fase de integração (ou reintegração). Neste cenário abrem-se novos caminhos e alternativas. Preciso de ponderar questões como "o que fazer a seguir" para todos os campos da minha vida: viajar - sim, voluntariado - talvez (mas preciso de tempo com dias fixos para o fazer), associativismo - está em ponderação, formação - claramente, desportos - quais? (Yoga parece-me uma ideia cada vez mais presente).
Mesmo antes do fim do ano já penso que o primeiro ciclo está a fechar, agora vem esta nova fase cheia de novas perspectivas que preciso de considerar. Ano novo vida nova... vamos avançar.

terça-feira, outubro 06, 2009

Marloth Park mais uma vez

Na África do Sul, ao lado do Krugger Park e a cerca de 1h30 da cidade de Maputo, existe um sítio que tem enchido os meus olhos de savana e o meu espírito de paz. Este sítio chama-se Marloth Park e aqui vive-se no meio dos animais.







Chidenguele

No fim-de-semana grande de 4 de Setembro parti numa caravana de barcos por estrada para a lagoa de Chidenguele onde iríamos participar em mais uma regata. Não tenho muitas fotos da competição em si, mas do cenário que nos rodeava... hummm lindo....

Os preparativos para a viagem, barcos nos atrelados, atrelados nos carros e fazemo-nos à estrada

Os montinhos de madeira que se vende à beira da estrada nacional

Caminho longo, longo demais para quem carrega à cabeça a água tão essencial


Chegados a Chidenguele, fui ver os aposentos. E o melhor de tudo era sem dúvida a vista. Lá ao fundo no mar, durante estes 3 dias, passaram baleias que saltavam bem alto e nos davam um espectáculo único ao pequeno-almoço

A entrada no campo das regatas, isto já na lagoa

Alguns barcos que se preparam para mais uma regata
2 lasers a par

Ao lado do lodge, erguia-se tímida e escondida uma latrina... esta já é moderna

A lagoa...

A recepção de um dos lodges que existem aqui

Uma pequena praia onde podemos jogar volei à beira da água

Momentos de relax

Caminhada pela praia ao por-do-sol

O mágico momento em África

E à noite a lua que reflete na superfície lisa da lagoa

Roupa lavada que seca ao sol pendurada em galhos de árvores à beira da lagoa

E o caminho de regresso a casa...

Passando pelo Xai-Xai

sexta-feira, outubro 02, 2009

E hoje quando acordei... saiu-me isto.

Sinto-me perdida nestas voltas da vida
porque corro e ando e volto para trás,
quero ir mais longe e saltar de alegria
mas nos dias cinzentos não sou capaz.

Por vezes preciso de uns raios de sol,
de um sorriso na cara, de um olhar de carinho,
de um bom dia que me abraça
quando os lençóis brancos ainda me agarram aos sonhos
enquanto rebolo mais uma vez neste ninho.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Li isto num blog qualquer e acho que serve como um bom conselho para todos os homens:

"Uma mulher tem sempre a última palavra em qualquer discussão. Qualquer coisa que um homem diga depois disso, é o começo de uma nova discussão."

sexta-feira, setembro 11, 2009

Um esboço de mim

Mozambique

I like to spend some time in Mozambique
The sunny sky is aqua blue
And all the couples dancing cheek to cheek.
It's very nice to stay a week or two.

There's lots of pretty girls in Mozambique
And plenty time for good romance
And everybody likes to stop and speak
To give the special one you seek a chance
Or maybe say hello with just a glance.

Lying next to her by the ocean
Reaching out and touching her hand,
Whispering your secret emotion
Magic in a magical land.

And when it's time for leaving Mozambique,
To say goodbye to sand and sea,
You turn around to take a final peek
And you see why it's so unique to be
Among the lovely people living free
Upon the beach of sunny Mozambique.
(Bob Dylan and Jaques Levy)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Regresso de férias

Já voltei de férias há quase 2 semanas... muito muito tempo...
Souberam bem. Deu para descansar, estar com a família, com alguns amigos e ainda deu para fazer compras, que já não fazia a sério desde que tinha saído de Portugal.
Os reencontros que tive em PT foram muito bons e alguns foram mesmo saborosos, recuperando sabores de que gosto e que, mesmo sem saber, me faziam falta. E com isto falo nos ovos moles, nas queijadas de Sintra e no queijo fresco (sim, queijo fresco).
O regresso a Moz foi demasiado cedo para quem sente ainda muitas saudades, mas por outro lado, foi na altura certa. Quando se é expatriado temos de encontrar um equilíbrio no tempo de regresso a casa. Não pode ser de menos senão não descansamos, não vemos ninguém, não tratamos de tudo o que ficou pendente (bancos, finanças e afins); mas também não pode ser demais senão voltamos a entrar naquele ciclo do "está tudo na mesma". Temos de ficar o tempo certo para ver as pessoas que queremos, saber as novidades maiores, e ter um bocadinho de colo. Temos de regressar no dia em que não nos dói demais sair de PT nem nos bate a saudade do sítio novo onde vivemos - Moz.
Se calhar não me fiz entender muito bem, mas sei que praticamente todos os expatriados que conheço sentem o mesmo que eu. Aliás as nossas conversas antes, durante e depois das viagens de verão de emigrante, eram basicamente à volta deste tema.
Enfim... regressei. Não dormi nada no voo como já vem sendo hábito, e por isso fiquei com os horários todos trocados. Mas depois de umas horas de sono reposto voltei a entrar no ritmo normal.
Por aqui tudo se tinha aguentado e fui muito bem recebida no trabalho e pelos amigos. A minha casa está na mesma, e é a minha casa. Sabe bem regressar a este lar emprestado, cada vez mais meu.
Mas apesar de ter sido um regresso aparentemente fácil, tenho saudadinhas... muitas... e os telefonemas e mails (dos poucos que escrevo) estão carregados desse sentimento tão português.
Bem... mas adiante. O que fiz depois do regresso? Fui a Marloth Park, fiz uma apresentação sobre resíduos na FACIM (Feira Internacional de Maputo), e fui fazer um fim-de-semana de regatas a Chidenguele.
Sobre os passeios elaboro mais e vou colocar fotos... até porque vale mesmo a pena ver os sítios por onde andei.
Sobre a FACIM... nervosismo... muito stress... mas correu tudo bem.

quinta-feira, agosto 06, 2009

FÉRIAS!!!!

Pessoal... não tenho dito nada de nada... a razão é muito simples: Estou de férias :)
ahhh e sabe tão bem...

quando voltar vão ter de me aturar de novo.

Muito sol para todos

sexta-feira, julho 24, 2009

The Warhol side of me

Odeio gente burra!!!!!

Ahhhhh!!!! Odeio gente burra!!!!
Imaginem alguém que tem toda a escolaridade mais um curso superior, tem 10 anos de experiência (teoricamente comprovada) e eu digo-lhe "1+1=2, ok?"
Pronto.
Passado uma semana nada de resultados, então explico outra vez que "1+1=2", e a resposta dele: "mas pode ser 3..."
Burro, burro, burro...
tem dúvidas e só ao fim de 1 semana é que me diz????
AHHHHH

terça-feira, julho 07, 2009

Fotos do Bilene

Com os atrelados montados e cheios é tempo de nos fazermos à estrada.

Em manhã de ventania os barcos tentam aguentar-se no areal.

"Gaivotas em terra, tempestade no mar"...

Só os papagaios podiam voar neste dia.

Uma das muitas boleias...

No sábado foi dia de regatas, eram 9h e já estávamos todos prontos para ir para a lagoa.

Velas em cima e proa a apontar para a água.

Uma das primeiras largadas... e os Dolphin partem à frente

Ó p'ra nós...
... a chegar ao barco do júri...

... depois de passar a linha de chegada...

E mais uma regata...

A chegar a terra para o almoço - sandes de ovo e sumo de frutas... ai que fome...

A vista do meu quarto... é mau, não é?

E um sorriso nos lábios no regresso a casa.