terça-feira, maio 26, 2009

4x4 Maputo - Zongoene

Fim-de-semana de aventura, percorrendo picadas e trilhos escondidos de Moçambique, de Maputo até Zongoene, passando aldeias, crianças a acenar, lagoas de água salobra, savana, palmar, estradas de areia e muito mato.
Adorei!!!
Aqui vão algumas fotos para vocês adorarem também.

Concentração dos 11 TT à saída da cidade, às 6h da manhã. Estávamos todos frescos ainda cheios de energia.


A saída pelo bairro dos Pescadores que bem cedo já vendem o peixe no mercado.

2 viagens no batelão para fazer passar a comitiva. RTP filmava a cada oportunidade a aventura que aqui começava.

Batelão que atravessa o Incomati. "Preservar o meio ambiente" - mas atenção à imagem, um pescador à pesca à linha da tartaruga... hum...

Rio acima plamar, nas margens acumula-se um manto de jacintos de água... a praga já chegou cá.

Um latrina básica... nem vos mostro por dentro... sim... fui lá dentro... ao fim de uns km de viagem estas latrinas já nos são muito familiares.
Meninas que posam para a fotografia... e ficam espantadas a ver a fila de carros que ali parou.

Meio do mato a alta velocidade (máx 70 km/h) os carros mudaram de cor de tão riscados que ficaram. Venha o polimento por favor.

Uma das muitas aldeidas de palhotas. Tão calmas, organizadas, bonitas... África é assim.

Lagoa Pathi... que cenário...

Árvore de picos, como a baptizei... nunca tinha visto.

Molhando os pés na lagoa para refrescar... e contemplando a outra margem onde vamos "churrascar".

A comitiva segue em fila, com o nosso carro a liderar.

Susto... com calma, com muita calma... Ponte de paus... que estalam a passar... que vão quebrando... Uff... todos conseguiram atravessar.

E finalmente o belo do churrasco colectivo... cheirinho bom....

Aproveitou-se a pausa para contabilizar os danos... até ao momento muitos riscos e 1 pneu furado. Nada de mais.

Sobe, e sobe, e sobe... é preciso ser louco ou ter muita energia... a duna era mais alta que o prédio dos 33 andares...

Eu era a navegadora... ou co-pilota... seguíamos à frente com o roadbook a servir de guia... e de vez em quando, muito de vez em quando parávamos para apanhar florzinhas.

No meio do mato com vista para a lagoa.

Contagem da comitiva. Está tudo? Siga.

Já ao por do sol paragem forçada... vamos ter de atravessar um rio...

O molhinho de peixes que aquela criança leva para casa para o jantar...

Lá vão os condutores "apalpar terreno"

E um por um lá se fazem "ao mar"

Os últimos passaram já de noite... mas também o Bilene é já ali ao lado... vamos descansar.

Vista da janela do quarto... que bom acordar.

O vale dos lençóis...

O duche no meio das árvores... mas dentro de casa... que delícia

A casa da árvore... ou no meio das árvores...

Descida para a praia...

Bilene no seu melhor.

O barco descansa depois da faina

E a hora do pequeno-almoço chegou.

Mais uma vez... estrada...

ou nem por isso.... caminhos que rasgam a terra... em direcção ao Zongoene.

"Onde é o Zongoene?" - "É lá..."

Palmar a dar as boas vindas.

O farol espreita para o mar.

Zongoene é já ali...


A pequena caravana descansa antes do almoço.

Sabem o que isto é? Uma catana... hum... não vá o faroleiro precisar...

E monte a baixo... seguimos... trá-lá-lá-lá-lá

Fui atacada.... quase... por uma lagarta venenosa que entrou no carro... Foi o bicho mais perigoso que vi nesta viagem.

Vacas na praia... "oh Cornélia... vais a banhos?" - "Muuuu... ainda estou a pensar"

UAU...

Ninhos de pássaros tecelões pendurados no coqueiro.

E agora o doloroso regresso a casa...

Com um sorriso nos lábios... e pele bronzeada... aiiii.... como diriam uns amigos meus "TIA - This Is Africa"

À beira da estrada vendem-se saquinhos de castanha de caju.

E no final... um percurso por estrada...
Foi bom.

sexta-feira, maio 22, 2009

Surpresas escondidas na cidade

Por vezes andamos pelas ruas do lugar onde vivemos e vamo-nos habituando a não ver o que está ali todos os dias.
Para não me esquecer de pequenos pormenores que embelezam um lugar, ou que lhe dão identidade tornando-o único, aqui vai uma frase que o artista Naguib pôs em mosaico no mural ao longo da marginal.
Para reflectir um bocadinho.
Bom fim-de-semana.

quinta-feira, maio 21, 2009

Laranjinha

Sempre que tenho um dos dias de fim-de-semana livre, tento descansar e sair da rotina de trabalho por umas horas. Uma das minhas saídas preferidas é para aqui bem perto, o Safari Parque, a cerca de 30 km de Maputo, onde ando ao lado de avestruzes, tomo uma coca-cola ao lado de zebras e búfalos e onde partilho momentos de descanso com o meu novo amigo do ombro, o Laranjinha, o pássaro pelo qual me "apaixonei".

segunda-feira, maio 18, 2009

O meu temperamento?

Colérico
Imaginem só que num daqueles testes "da tanga" com 5 ou 6 perguntas, a resposta para o meu temperamento é isto:

"You enjoy socializing with friends and are very creative. You are often the leader or organizer of events, parties or meetings between friends. Your energy can fire-up events and people but you can also burn-up those around you with your intensity. An affirmation for you would be:
A lift of joy in the times of trouble
The touch of innocence in a jaded era
The word of wit when we’re weighted down the lift of humor when we’re heavy hearted
The ray of hope to blow away our black clouds
The enthusiasm and energy to start over and over again
The creativity to charm and color a drab day the simplicity of a child in a complex situation."

Mais uma vez, não sei se concordo, mas acho que estes testes são demasiado generalistas, mesmo assim têm algum piada. Gostei da parte " The enthusiasm and energy to start over and over again", faz lembrar o imaginário da Fénix.

sábado, maio 16, 2009

God's Window

No segundo dia seguiu-se o provérbio "deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", acordámos sem o despertador, cada um a seu ritmo, mas todos muito antes das 8h da manhã, e cheios de energia para mais um dia diferente.
Fizémo-nos à estrada subindo para Sabie e tomando depois do rumo de Graskop. Aqui subimos um bocadinho mais para espreitar à Janela de Deus (God's Window). A paisagem de savana já havia ficado para trás e nesta zona o verde dominava já o horizonte e o cheiro a fresco invadia as narinas. A Janela de Deus tem realmente uma vista fantática sobre o mundo, uma vista superior, de um sítio tranquilo, onde parece que os problemas não chegam e só a paz invade este lugar.
Depois de espreitar à "janela" subimos para o "telhado" atravessando uma pequena "rainsforest" cheia de ar puro e pequenos raios de sol que escapam por entre as copas das árvores.
O cenário é deslumbrante, e o percurso pequeno rapidamente nos leva a uma varanda sobre as terras cultivadas que se vêm lá muito em baixo... fascinante. Saímos daqui um bocado contrariados, mas os meus pés quentes da caminhada pediam um banho nas águas geladas dos Potholes, para onde seguimos de imediato. É impressionante ver como a água escavou a rocha e fez pequenos vasos, recantos, caminhos, talhados com precisão e mestria nas rochas sedimentares de váras cores.
Caminhando com os pés molhados de água fria sobre a rocha quente dirigi-me ao carro... estava na hora de almoçar.
Parámos numa terrinha simpática, onde se vende imenso artesanato, mas onde também se produz seda... daquela verdadeira do bichinho da seda... e dela se fazem ali mesmo ederdons, lençóis, roupa, lenços... o que se quiser... tudo do mais suave e requintado... um prazer ao toque e um pecado para a carteira.
Depois de repostas as energias e escapando por minutos à chuvada que caiu na região, o carro rumou agora para Pilgrim's Rest, antiga cidade mineira que conservou todos os seus edifícios e características, tornando-se assim num ponto de atracção turística bem diferente do normal. ´
Ao fim da tarde, com o por-do-sol a comandar o fecho do dia, voltámos para "casa" em Nelspruit, onde fizémos um balanço deste dia e preparámos o que ainda estava para vir.

Krugger em imagens

Morcegos em Skukuza
Hipopótamos a tomar banhos de sol
O búfalo chefe da grande manada de búfalos... olha fixamente nos olhos enquanto morde um bocadinho de capim
O grande rei da savana... majestoso elefante
... e quem vos disse que podiam estar no meu caminho???
Família de zebras olha curiosa para os turistas
Cavalinho, cavalinho.... zebrinha bébé
Boi-cavalo ou wild beast
Galinhas do mato em fila indiana
Babuínos na hora de descanso
Hipopótamos a banhos
Crocodilos andam por lá para lhes coçar as costas
Rinoceronte branco... ali mesmo ao lado... brutal
Hiena descontraída passeia-se sem nos ligar nenhuma
Este foi o primeiro Rino do dia de São Rino
Kudu olha curioso para nós (imponente este bichinho)
Tartaruga passeia-se devagar...
ao lado das veloses Impalas que pastam capim bem alto, um pouco por todo o lado

sexta-feira, maio 15, 2009

12 h de bichos

Fim-de-semana grande com a mãe cá significa 3 dias de passeio por terras de África, mais precisamente South Africa.
Saímos de Maputo na 5ª feira ao fim da tarde, mas já estava escuro como breu. Os viajantes eram 5, dos quais 3 antigos colegas de liceu e 2 descendentes (eu, claro, e a S.), 3 mulheres e 2 homens. Apesar de os homens irem à frente, a ala da retaguarda revelou-se desde cedo a ala responsável pela navegação, orientações e algumas histórias engraçadas que resultaram em gargalhadas bem dispostas de todos os viajantes.
2 horas de viagem, 2 postos de fronteira, comemos qualquer coisita no único restaurante/pub aberto de Komatiport, e fomos cedinho para a cama. Dormimos num lodge à porta do Krugger Park, onde mesmo à beirinha se passeiam animais daqueles mesmo selvagens... junto ao Crocodile River (achei que ficava mais emocionante em inglês).
Acordámos às 3:45h da manhã e às 4:15h já estávamos a entrar no parque para fazer o passeio da madrugada, guiado pelo motorista Mr. Wonderful
Na carrinha tipo jipe gigante, totalmente aberto, 3 alminhas enrolaram-se em cobertores de lã e só com o nariz de fora olhavam a escuridão à procura de olhos que brilhassem com o passar das lanternas. Vimos muitas Impalas (como não podia deixar de ser), e já ao nascer do sol 1 girafa. Eram 6h e estávamos a ficar desanimados quando começa a festa: um rinoceronte a atravessar a estrada, um outro a marcar território, outro a virar as costas e a ir embora; um monte de zebras e mais à frente bois-cavalo (wildbeast); 1 Kudu, 2 Kudu, 3 Kudu (de vários tamanhos e feitios); 1 elefante gigante que avança ameaçador para nós, outro que passa tranquilo para derrubar uma pequena árvore; hipopótamos no lago a espreguiçar, na margem espreitam os olhos de 2 crocodilos e lá ao fundo umas impalas bebem água enquanto 2 girafas comem folhinhas tenras do topo das árvores; seguimos em perseguição de uma família de 8 leões mas já não estão lá, depois em perseguição de uma família de 18 leões, mas tudo o que vemos são manadas de herbívoros a fugir deles e no meio da confusão consigo distinguir a cauda de uma leoa adulta... hummm leões hoje não há... Já a regressar ao carro para seguirmos a viagem pelos nossos meios, vemos mais 3 rinocerontes em conferência enquanto outros 2 se aproximam... "hoje é dia de Sto Rino". Trocámos de carro e vamos lá a andar com isto. No primeiro cruzamento estacámos para deixar passar uma manada gigante, magnífica, brutal de mais de 100 búfalos....
E o dia não acabou por aqui... mais girafas, macacos, babuínos, mais 1 leoa, famílias de elefantes e de hipopótamos, mas leopardos que eu queria... nicles, nem vê-los
Para quem não sabe ver tantos rinocerontes e tantos búfalos é muito muito raro. Rinocerontes juntos, assim tantos (5) raríssimo, e manadas gigantes de búfalos, só mesmo quase nos filmes (e nós fizemos o nosso filme claro)
Atravessámos o parque, almoçámos por lá e fizemos as compras do costume nas lojinhas de souvenirs, ao fim da tarde rumámos a Nelspruit pela estrada que atravessa extensíssimos campos de bananeira, pinhal e depois eucaliptos, até perder de vista, lagos interiores pelo meio... a certa altura parecia o norte da Europa. Este país é verdadeiramente outro mundo.

A chegada

Para os que sabem e para os que ainda não sabem, a minha mãe chegou bem, aliás muito bem e muito carregada de coisinhas boas para a filhota emigra que já tinha saudades dos miminhos de Portugal.
A mãe chegou, a filhota foi esperá-la ao aeroporto, claro está. Nos dias antes da chegada o inverno estava já a espreitar, mas no dia da chegada o sol brilhou e aqueceu como num qualquer dia de verão, para dar as boas vindas.
Depois de um abraço longo de meses de saudades, que emocionou outros que por ali andavam, metemo-nos no meu carro e devagarinho, bem devagarinho, para apreciar cada momento, fomos percorrendo as estradas cheias de gente, trânsito e alguns buracos, a caminho da cidade.
Algumas coisas iguais, algumas bem diferentes do que era antes...
"Sinto-me em casa" disse-me ao percorrer a marginal, "sinto que mesmo que fique muito tempo fora, quando volto, é como se nunca tivesse saído de cá". E eu respondi com um sorriso cúmplice de quem sente exactamente o mesmo, mas com tempos e vivências diferentes... Moçambique é assim.
Depois do breve passeio pela cidade, rumámos a casa para pousar as malas, almoçar e descansar um bocado.
E neste bocadinho de pausa abrimos desenfreadamente as malas para ver as prendinhas: chocolates (sim… porque adoro, porque tem de ser, porque como só um de vez em quando para poupar, daqueles que vêm de Portugal); biquíni novo (ideia da mana, e ainda bem porque ainda não fui à praia… e preciso de um para mergulhar nas águas do Índico); camisas lindas para o meu dia de anos (que ainda vai longe, mas já me imagino com elas… lindas); equipamento de vela (porque o que tinha aqui já se está a desfazer… mais uma vez obrigada à patrocinadora oficial a mana); queijinhos…. Hummm que hum…. Delícia… como adoro queijinho; Bolo de aniversário da mana (aquele que apaguei as velas pelo computador), de chocolate óptimo claro… adorei; uma caneca (porque a minha se partiu); o girassol que canta e dança só para mim (das amigas… a prenda de Cabo Verde); o disco externo (essencial por estas paragens… não sobrevivo sem ele); um quadro de Barcelona do Parque Guel (prenda da mana, claro); e o meu primeiro mp3, ou como o baptizei “a banda sonora da minha vida”, prenda das amigas lindas… cheias das músicas que enchem os meus dias…
Estava feliz, parecia uma criança, e ao mesmo tempo tive saudades… imensas saudades, lembrei-me de caras e mais do que isso de sorrisos e abraços, e enquanto sorria uma lágrima deslizou suavemente pela face… (suspiro)

sábado, maio 09, 2009

Os Estatutos do Homem

Os Estatutos do Homem
(Acto Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
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Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
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Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
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Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Thiago de Mello, Santiago do Chile, Abril de 1964

quarta-feira, abril 29, 2009

Mummy is coming to town

Lá para o fim da tarde embarca no aeroporto de Lisboa a minha mãe linda. 10 horas depois e muito continente africano sobrevoado vai aterrar aqui ao lado no aeroporto de Mavalane. Amanhã logo cedo vou saltar da cama cheia de energia e depois de um banhinho revigorante vou preparar as coisas todas (tudo o que seja possível preparar) e sigo depois para o aeroporto para a ir buscar.
Ao fim de 17 anos voltamos a estar as duas juntas outra vez em Moçambique. Muita coisa mudou... aliás, já nada é como era antes... ..... .....
Mas finalmente vamos estar aqui outra vez, e apenas 4 meses depois da minha saída de Portugal revejo e retomo uma parte de mim :)
Mummy que esta viagem de avião seja o início de uma nova magnífica aventura pelo "nosso Moçambique".

domingo, abril 26, 2009

25 de Abril

Ontem não estive em Lisboa a ver os 50.000 cravos que caiam do céu, não estive a ouvir os discursos entusiasmantes que se fizerem um pouco por todo o país, não estive numa festa de portugueses emigrantes a comer sardinhas e a cantar o hino nacional. Não fiz nada disso, não. Sentei-me por momentos em minha casa a vasculhar os cd's que trouxe comigo, e ouvi aquelas músicas que encheram e enchem o coração de um povo com uma carga emocional desmedida, ao relembrarem os 35 anos do dia em que os cravos vermelhos sairam à rua espreitando do cano de uma arma qualquer.
Sentada mais tarde na esplanada com um pequeno grupo de jovens portugueses (tão jovens que não passaram por estes 35 anos e as suas mudanças), brindavam ao nosso 25 de Abril e explicavam o que significava para nós esta data aos emigrantes de outras nacionalidades que connnosco ergueram o copo em saudação.

sexta-feira, abril 24, 2009

Avó mais linda do mundo

Querida avó, Mariana de seu nome, linda como o sol. No meu imaginário dou-te beijinhos todos os dias, mas ontem em especial "voei" para aí, para o teu colo, como se fosse menina, e enrolando os meus braços no teu pescoço, disse-te assim "Parabéns avó. Gosto muito de ti." O teu sorriso alargou-se e encheu a sala, a casa, a cidade, o mundo e o nosso coração.
Adoro-te Vózinha.
Mil beijinhos gigantes cheios de flores e Muitos Parabéns.

quarta-feira, abril 22, 2009

Concha Buika

Foi arrepiante e fabulosa a actuação de Concha Buika no Teatro Avenida na passada 2ª feira. Um verdadeiro privilégio ouvir esta voz e ver a esta força em palco. Um concerto em homenagem a Miriam Makeba - "Mama África".
No final de cada actuação um salva de palmas explodia da sala apinhada de gente. Foi fenomenal. O fim da noite fui ao Piri-piri jantar calmamente, eis senão quando entram Concha Buika e os músicos que a acompanhavam para jantar também. Mais uma salva de palmas, troca de palavras e ainda tivemos direito a autógrafos personalizados. O meu diz assim:
"Para la reina Ana. Reina de todo lo posible como yo".
E agora para vocês, Concha Buika em palco, tira fotos aos músicos durante o espectáculo.
Obrigada Buika.

sexta-feira, abril 17, 2009

Skype

Subi as escadas a correr, entrei em casa, liguei o computador e de repente estava outra vez na sala de jantar da minha mãe, à volta da mesa, num jantar de família. O jantar de aniversário da minha irmã. Com o ecrãn e a webcam virados para a mesa, estive por alguns minutos à cabeceira da mesa, senti-me em casa, em família, senti-me lá, só faltou o cheirinho da comida e o suave toque dos beijos da face. Cantámos os parabéns, vi-te apagar as velas com a Francisca ao colo, cantámos outra vez os parabéns para os pequenitos, mas desta vez já não conseguia cantar. As lágrimas caiam pelas faces e os soluços prendiam-me a voz. Que saudades... tantas saudades... Gosto tanto de vocês... e sinto tanto a vossa falta.

Parabéns maninha

Não gosto nada de estar tão longe e não te poder dar um abraço e mil beijinhos. Bem sei que já passámos muitos aniversários teus longe uma da outra, mas ao fim de apenas uns dias estávamos outra vez juntinho... este ano não vai ser bem assim... vão ser precisos alguns meses para te dar aquele abraço... cheio de saudades.
Adoro-te maninha, desejo que este ano seja um ano de "construções" na tua vida.

Um xiiii coração do tamanho do Mundo, com muito sol e calor.

Polícia - mais umas histórias

Tenho andado um bocadinho calada quanto a este assunto, não por falta de actualizações e histórias inimagináveis, mas porque são mesmo muitas as vezes que acontecem no dia-a-dia aqui na cidade.
Na semana passada, durante a semana, decidi ir fazer a ronda dos pontos de recolha de lixo na cidade. Lá fui na carrinha pick-up com o supervisor de serviço. Ponto por ponto, mapa na mão, caneta na outra, a tirar notas escritas e mentais. Passaram horas de trabalho e por volta da 1h da manhã, já estávamos a terminar, vejo uma lanterninha a atravessar-se na estrada como quem vem do bairro do Aeroporto. "Polícia" dissemos em uníssono, "lá vou ter de mostrar os meus documentos" disse em desespero de sono, e resposta do supervisor "Pois... esta cor não ajuda". Fiquei atónita. Encostámos o carro e começa a conversa "Boa noite", "Boa noite, tudo bem?", "Tudo bem, e você aí do seu lado?", "Também, obrigado. Podemos ajudar?", "Estamos a pedir boleia.". Fiquei de boca aberta, sem conseguir emitir uma palavra. O supervisor olhava para mim à espera de ordens, eu olhei para os mapas e vi o que ainda faltava fazer do trabalho... bolas. Perguntei para onde iam, "Para o Comando Geral", "Ok, podem vir, mas na parte de trás". Em 2 segundo sobem 2 polícias armados com AK47, e um civil. Pensei por momentos que era um prisioneiro, mas este ficou a meio do caminho, precisava de boleia para casa... Irreal??? nem tanto. Mal saíram todos da carrinha desatei a rir às gargalhadas.
Mas as aventuras não acabam por aqui. No fim-de-semana tinha que ir mais uma vez à fronteira para renovar o visto (pelo última vez, espero), e ia aproveitar para ver animais selvagens... ou seja, iria ao Kruger mais uma vez. Cheguei à porta do parque e surpresa das surpresas... o parque estava fechado porque tinha atingido a lotação máxima. "Mas como? como é que este parque do tamanho de Portugal fica com a lotação esgotada?". Resignei-me e fui às compras ao supermercado e voltei para trás. Como era cedo não havia movimento na estrada nem na fronteira, por isso os polícias que estavam espalhados um pouco por todo o lado mandavam-me parar. Parei 5 vezes, só 5 vezes. Nunca me pediram os documentos, nem meus nem do carro, limitavam-se a perguntar se estava tudo bem, de onde tinha vindo e para onde ia. Perguntavam-me como era o Kruger e como se ia para lá. Adorei. Realmente se fosse eu ali em pé horas a fio ao sol à espera que alguém passe, também mandava parar todos os carros e fazia um bocadinho de conversa, sempre ajuda a passar o tempo.
Bem.... não que as histórias tenham parado por aqui... há mais... muito mais... mas já escrevi muito, as outras ficam para outro dia. Ok?

quarta-feira, abril 15, 2009

Livraria

Soube-me bem entrar hoje na livraria do Polana Shopping Center. Já lá tinha entrado imensas vezes, a maior parte das quais para comprar livros para amigos (prendas de aniversário e afins), mas porque já tenho a colecção completa do famoso Mia Couto, e porque tenho uma biblioteca que não conseguia já carregar às costas... não tinha conseguido comprar nada para mim desde que aqui cheguei.
Comprar livros para mim é cada vez mais um desafio, para além do prazer enorme que tenho ao folhear as páginas pela primeira vez junto daquelas prateleiras de uma qualquer livraria. Sim adoro ler, mas adoro também o descobrir livros, passo muito muito tempo nas livrarias a pegar em livros quase por instinto e a folhear num página qualquer, leio umas linhas e logo ali decido se vibrarei ou não com mais uma história, ou se irei aprender algo mais com as sábias palavras de quem entende do assunto.
No entanto desde que cheguei a livraria parecia-me demasiado pequena. Olhava para as filas de lombadas e reconhecia muitos dos títulos... iguais aos que tenho lá em casa... Por outro lado tinha títulos novos de autores desconhecidos que escreviam de vivências e sentimentos ainda diferentes dos meus... Com o passar dos meses o entrusamento, ou re-entrusamento, com esta minha nova realidade fez-me hoje ir à livraria e passar lá 1 horinha inteira a folhear novos livros, novos escritores. Consegui comprar só dois livros, um romance e um de pequenas poesias. Apaixonei-me por 2 a 3 linhas de cada um e sinto-me cheia. Adoro esta sensação... pego nos livros e parece que nem preciso de os ler, parece que por osmose me passam tudo o que contêm, mais as minhas interpretações... Adoro esta sensação.

domingo, abril 12, 2009

Tete

Rumei ao interior de Moçambique num dia. Partida às 6h45 e regresso às 16h. Foi pouco tempo, pois foi, mas o que vi.... o que senti.... Adorei...

Sem palavras, porque as imagens contam muito mais... Tete e Moatize.
Rio Zambeze corre aparentemente pacífico lá em baixo... depois de descer das nuvens uma imagem do paraíso na terra... território verdejante, água que se espraia enquanto corre para o mar...
A grande surpresa da viagem... a famosa árvore Embondeiro... ou Baobás.

Casas "plantadas" à sombra do embondeiro...
Lindo... Não é?

As palhotas da minha África em coexistência perfeita com o velho e robusto embondeiro...

Ser adulto

Ser adulto tem as suas vantagens, mas meus amigos... também tem muitas desvantagens.
Trabalhamos, preferencialmente no que gostamos, ganhamos dinheiro, perdemos tempo para o gastar, ganhamos confiança, perdemos horas de sono, ganhamos autonomia, ficamos mais duros, nascem os primeiros cabelos brancos e as rugas deixam de ser só rugas de expressão (daquelas das risadas que dávamos com tanta vontade... verdade mesmo é que às vezes é mesmo preciso obrigar-mo-nos a rir, fazer a chamada terapia do riso, para que o dia, ou o fim do dia, corra um bocadinho melhor).
Mas no meio disto tudo, sabemos o que queremos e mais do que nunca temos ferramentas (ideias e dinheiro, básicamente) para fazer que nos apetece... o único senão é que o tempo foge e nem damos pelos dias que passam...
Há momentos que digo (e cada vez com mais frequência) "ser adulto é uma merda" (desculpem-me a expressão, mas é o que sinto)... mas depois surge um daqueles momentos que nos faz sentir bem... quando acordo de manhã na casa que escolhi e me enrolo só mais um bocadinho na cama gigante com sol que entra pela janela a bater-me nos pés...aquele percurso de carro pelas ruas da cidade que escolhi, passando junto à marginal com as palmeiras que vergam com a brisa num cumprimento matinal... aquela pausa ao final da tarde no Piri-piri para beber ora uma cerveja ora uma coca-cola gelada com os amigos enquanto trincamos umas chamussas de camarão e nos rimos das aventuras e desventuras do dia a dia aqui... e não podemos esquecer os passeios de fim-de-semana que me têm levado invariavelmente para o outro lado da fronteira (um pouco por necessidade/visto), mas que acabam por me encher os olhos de savana, quilómetros de estrada sem niguém, música na rádio com aquele ritmo que tanto gosto...
Chego à conclusão que já que tenho que ser adulta ao menos que o seja num lugar que me dá gozo e a fazer o que gosto... e assim fiz... cá estou... na terra que tem muito, ou mesmo tudo, a haver comigo...
Mas por vezes quando falo para o outro lado do computador lembro que é tão difícil ser adulto com parte de nós fora daqui, na outra terra, na terra natal... Portugal... Aiii família, família... amigos também, se pudesse estariam todos aqui... mas eu agora aí é que não... deixem-me só curtir mais um bocadinho da vida que sempre quis para mim... só mais uns meses... só mais uns anos.... sim? pode ser? e com um bocadinho mais de tempo para mim? já é pedir demais? ok, mesmo assim fico. Gosto disto, apesar de tudo...disto, o quê? de tudo.... de ser adulta, de estar aqui, de ser (apesar de tudo) feliz.

Parabéns Campeã - "é a minha irmã :)"

Rita Gonçalves Revalida Título
A Schröders Sailing Team, de Rita Gonçalves, revalidou o título de Campeã de Portugal Feminino de Match Racing. A prova, que decorreu em Leixões, teve organização do Yate Clube do Porto e da Federação Portuguesa de Vela.


A Schröders Sailing Team, de Rita Gonçalves, sagrou-se Campeã de Portugal de Match Racing, batendo na final Marta Lobato por 3-0.
Rita Gonçalves revalidou o título de forma dominadora nunca dando hipóteses à sua adversária. Na disputa pelos 3º e 4º lugares, Margarida Cassiano superou Catarina Carvalho por 2-0.

Fonte: Federação Portugesa de Vela

E para aqueles que querem conhecer as aventuras náuticas da melhor velejadora de Portugal, sigam o link http://www.schroderssailingteam.blogspot.com/

terça-feira, março 31, 2009

Regresso à vida

Sabem aquelas longas horas que se perdem nos longos dias em que não se dorme, não se come, não se vê ninguém, em que se sonha com números e em que somos só nos e os nossos pensamentos, todos focados na execução de uma só coisa... Trabalho…Uma proposta... pois... foi assim que andei durante 1 semana... e tinha de ser logo a semana depois de estar doentinha...
Ainda andava com febre e já estava com o computador acoplado a mim de forma mais que permanente...
Mas felizmente esses dias passaram e finalmente consegui no fim-de-semana ter o vislumbre do que poderão ser fins-de-semana normais aqui.
Dormi 7 a 8 horas por dia, finalmente e o corpo agradeceu. Sábado acordei cedinho peguei na mochila e recheei-a com protector solar, chinelos de enfiar no dedo, t-shirt, luvas, boné... e máquina fotográfica xpto.
Saio de casa, paro no Nautilus para comprar uma torta de ovos que eu adoro e um sumo de goiaba natural. Apanho o Zé que já de máquina fotográfica em punho salta para o carro e seguimos nós pelas estradas calmas de uma cidade em descanso. Paramos no depósito de água das Águas de Moçambique para as primeiras fotos ao mural de mosaico do Naguib (conhecidíssimo artista moçambicano e que tenho o privilégio de conhecer pessoalmente e de ser uma das suas primeiras fãs... fã desde pequenina...). Fotos atrás de fotos... fascinados com as cores, as ideias, as imagens...
Seguimos depois para a Marginal para o mural gigante que acompanha a estrada ao longo do mar. Para além de enorme é magnífico e tem pormenores difíceis de esquecer. Mais fotos, montes delas... o calor começa a apertar... tenho que descansar... paro a meio e recolho no meu Clube... no Clube Naval.
Como o belo do prego no prato acompanhado da coca-cola com gelo e limão, como manda a regra. Recupero as energias e logo depois saio a correr para a secção de vela. Lá espera-me o companheiro de vela, amigo de juventude e de agora. Carregámos o barco no atrelado e seguimos para o Clube Marítimo pela marginal que serpenteia a baía.
Descanso de mais 1 horita para a maré subir e o vento aumentar a velocidade, mais uma coca-cola e dois dedos de conversa, para ganhar coragem e aparelhar o barco. Em 15 minutos estamos prontos, por protector solar, calçar as luvas, beber água, acertar o relógio e receber instruções sobre o campo de regatas.
Siga, cá vamos nós, para a minha primeira regata em Moçambique, e a primeira de vela ligeira depois de uns 11 anos longe destas andanças.
1ª regata partimos mal, mas logo na primeira bolina passámos de último (para aí 10º) para 3º lugar, boa recuperação, estava tudo a correr bem, não sei como virámos... bolas... em pouco tempo endireitámos o barco e regressámos ao activo, só perdemos um lugar na classificação, mas um erro do júri fez-nos passar para último lugar... bolas... dizem que tocámos na bóia... treta... tinham o barco mal posicionado e não viram nada... que chatice... esta regata é a que sai fora (das 5 do campeonato só vão contar 4).
2ª regata, partimos bem, em 3º lugar, andámos sempre os 3 primeiros ali lado a lado, taco a taco, e na popa conseguimos ganhar vantagem e passar para 2º lugar, que mantivemos até ao final... sempre a abrir... um espectáculo....
Para quem estava enferrujada não foi nada mau... agora no próximo fim-de-semana temos mais, só mais 3 regatas.... que bom...
Agora ando com aquelas dorzinhas boas no corpo, tenho um monte de calos nas mãos e nódoas negras um pouco por todo o lado, e nos lábios um sorriso.... já não me lembrava de como gostava disto...

quarta-feira, março 18, 2009

Picada no dedo

Ontem o dia começou normal até que por volta das 10h da manhã uma dor de cabeça gigante se abateu sobre mim acompanhada de suores frios e muita febre. "Ok... deve ser um desconfortosinho qualquer típico da mudança de tempo" pensei eu. Mas como não melhorava e o meu amigo ben-u-ron demorou 1h30 a fazer efeito achei melhor ir fazer o teste da malária.
Saio do trabalho carregada com o computador, na esperança de ainda conseguir trabalhar mais qualquer coisita esta noite, e vou à Clínica 222 na Av. 24 de Julho. 100 meticais vem a picada no dedo, o esfregaço na lâmina e a espera de 45 minutos para saber o resultado.
Deu negativo. Ao menos isso. Mas que raio de gripe brutal então que eu tenho... a febre continua aqui, mal consigo comer, pensar, andar... bolas...
Fui para casa dormir com o ederdon e a manta polar em cima. Esta manhã tomei outro ben-u-ron e depois de mais 2 horas na cama lá consegui arranjar energias para me levantar e vir trabalhar. Vamos lá ver se aguento...
Entretanto lá fora chove e a temperatura desceu abruptamente dos 33ºC para os 26ºC... o inverno está a caminho.

terça-feira, março 17, 2009

Finalmente fim-de-semana

Precisava de um assim. E já se notava...
Sábado de manhã cedo, mas não muito cedo, acordei, preparei a mochila, sai de casa, fui apanhar os dois companheiros de viagem e depois de uma paragem para um curto pequeno-almoço na pastelaria Nautilus, lá nos fizemos à estrada.
Sempre em frente, mais uma vez, atravessando para o outro lado da fronteira, para a "europa" de África. África do Sul.
Entrada directa e imediata no Kruger Park, mais uma vez, e desta vez era eu que ia ao volante, 40 km/h a 50 km/h de velocidade máxima, muitas paragens, muitas fotografias. Olhos e ouvidos atentos, e assim no meio da vegetação que já começa a secar, fomos desencantando elefantes aos molhos, girafas tranquilas, búfalos, tartarugas, javalis, galinhas do mato, milhares de pássaros e impalas, macacos, babuínos, aranhas, hipopótamos e crocodilos. Desta vez não houve leões, nem qualquer outro tipo de gatinho... shuifff, que pena, queria tanto ver o meu amigo leo...
Saímos do parque no último minuto, mesmo ao fim da tarde... foi mesmo a aproveitar até à última. Seguimos para Nelspruit, jantámos num restaurante qualquer de beira de estrada e depois das energias repostas rumámos novamente a Maputo.
À meia-noite e pouco chegámos a casa para dormir descansada.
Domingo acordei com o sol a bater na janela, salto da cama, "hoje é dia de ir ao mercado". De manhã Mercado Central, fruta e legumes, um cesto carregado deles, cerca de 7 kg. Carregar tudo para o carro, levar as coisas para casa e vamos almoçar com o pé na areia no Miramar.
Depois do prego no pão (aqui a carne é óptima) e da coca-cola gelada seguimos para o mercado do peixe. Garoupa aqui, peixe-serra ali e mais um peixito novo que não reconheci. Ok estou abastecida para a semana.
Segunda-feira a Teresa começa a trabalhar na minha casa, sim, vou ter uma empregada. Preciso de alguém que cuide de mim e da casa, não tenho tempo nenhum, não cozinho, mal durmo... Agora vou ter alguém que organize a minha vida em casa por mim... que bom.

quinta-feira, março 12, 2009

Hoje é um daqueles dias...

Ontem acordei às 4h da manhã... não consegui voltar a dormir... depois tive um dia de trabalho de cão... daqueles mesmo mesmo maus... ainda tive um jantar de trabalho que se prolongou até à meia-noite e com uma enxaqueca em cima que não me deixava comer o magnífico arroz de marisco... Pedi o "doggy bag" e fui dormir para casa. Acordo sobressaltada às 3h da manhã, viro-me na cama como se tivesse tido uma série de pesadelos. Quero dormir e não consigo. Ao fim de uns longos minutos adormeci para acordar às 7h e entrar na rotina do dia-a-dia.
Agora sentada à secretária como amendoins torrados, tento esquecer que bati com o carro ontem a sair da garagem, e que depois torci um pé...
O dia lá fora está cinzento e o meu humor está negro.
Penso vezes sem conta que devia ter trazido o meu girassol, aquele que dança e canta... porque é que não o trouxe?
Já decidi, daqui a bocado saio daqui com o computador às costas e vou trabalhar para casa, ao menos lá não me interrompem de 2 em 2 minutos e pode ser que consiga acabar as 22.300 coisas que tenho de fazer.
Ufff, preciso de.... sei lá... qualquer coisa que não o que tenho estado a ter hoje...
Se calhar bastava um bocadinho de Sol. Pode ser?

sexta-feira, março 06, 2009

Picar o ponto

Continuo à espera do meu DIRE (Documento de Identificação de Residente Estrangeiro), aquele livrinho azul que me vai permitir sentir um bocadinho mais em casa, menos "outsider". Enquanto ele não chega tenho que "picar o ponto" de 30 em 30 dias, e isto significa ir á fronteira carimbar o visto para renovar a minha estadia em Moçambique. Da primeira vez fui durante o fim-de-semana, aquele das fotografias do Kruger Park, mas desta vez, como estou com muito pouco tempo fui e vim numa tarde durante a semana.
Saí de Maputo às 12h00, rumo à Matola, pelo caminho aproveitei para resolver mais uma questão do trabalho (tenho que fazer render o tempo). Da Matola rumo "sempre em frente" para Ressano Garcia, onde está a fronteira. Passo o lado de Moçambique e depois de carimbar passaporte, dar saída do carro, comprar papéis e carimbar os mesmos já preenchidos, sigo nos 500 m da terra de ninguém e paro novamente na fronteira da África do Sul. Aqui os procedimentos são basicamente os mesmos, mas fala-se inglês.
Passadas as formalidades, pé a fundo no acelerador, mas sempre a cumprir limites de velocidade que eles aqui multam mesmo. Paro só em Melalane para comprar umas coisitas no supermercado local e para comer num restaurantesito (o único agradável, ou pelo menos com ar disso, de toda esta região). Acabo as comprinhas que dão algum conforto ao lar e faço-me à estrada de volta para Maputo.
O sol começa a pôr-se discreto, olho pelo espelho retrovisor e uma paz começa a invadir-me. A estrada tem este efeito em mim, e o sol...
Mesmo as viagens de picar o ponto têm o seu quê de beleza, e nesta captei um bocadinho da energia positiva que carregou as minhas baterias nestas fotografias. Um pôr-do-sol em África.Para vocês. Lembrei-me dos pores-do-sol que partilhei convosco.

Experiência Centro Comercial Maputo

Sabem que odeio Centros Comerciais? Pois, odeio. Só vou lá por mera necessidade, em dias como o dia de ir ao supermercado fazer as compras do mês, e só porque sai mesmo muito mais barato; ou em dias como o dia de comprar o microondas para a empresa, ou o dia em que tive de o ir trocar porque 1 de apenas 2 botões não funcionava. Ok... neura...
Hoje como passei à porta do dito Centro Comercial, ao melhor estilo Colombo mais com mais néons, e vi que tinha lugares no estacionamento, pensei “ hoje é um bom dia para vir trocar o dito microondas”. Entro no parque, estaciono (até aqui tudo bem), entro no CCM e apanho o bafo gelado do ar condicionado. Lojas pimba por todo o lado, parecem lojas do chinês, ou aquelas do Centro Comercial da Mouraria (bolas, eu hoje estou mesmo com mau feitio...). À mistura com estas uma loja/galeria de arte, uma loja de bikinis "Pokopano", uma loja com roupa de surf e bodyboard e uma loja "Parfois". Escondida no meia da loja das chaves e da loja dos panos, há ainda uma Levis, mas o que há realmente mais são sapatarias com sapatos indescritíveis... de gala no mínimo exibicionista... brilhantes por todo o lado... Lojas ainda de vestidos de noiva e de vestidos de noite com muitos folhos, muito cetim, muitas rendas, brilhantes e pérolas... e no meio de tudo isto uma loja de peluches de meter medo ao susto.
Ok... controla-te... subo as escadas rolantes por entre gente de todas as nacionalidades, 3 pisos com música em altos berros, mas ao menos é música que eu conheço. Vou para a loja gigante de electrodomésticos, e qual não é o meu espanto... a loja está fechada. À porta um monte de trabalhadores estão sentados no chão à porta a conversar alto como se de uma feira se tratasse, e esperam tranquilamente que seja hora de abrir. Descobri que a loja abre às 14h, pois... são 14:25 e ainda estou à espera... haja paciência...
Dou uma volta mais ao CCM... quero sair daqui, rapidamente... AHHHH
Logo que a loja abre, despacho o assunto, e saio a correr em direcção ao carro, prego a fundo até ao escritório onde me fecho no gabinete... ufff, finalmente a salvo da confusão. Aqui os stresses são outros.

terça-feira, março 03, 2009

Piadinha do dia

Um polícia Sul-Africano mandou parar um carro que transportava
Moçambicanos e disse ao motorista que, por estar a usar o seu cinto de
segurança, acabava de ganhar um prémio de R5 000, como parte de uma
campanha de segurança nas Auto-estradas!
O homem mal quis acreditar na sua sorte e quando o polícia perguntou
o que pretendia fazer com o dinheiro, respondeu:
"Bom, eu vou tirar a minha carta de condução."
"Oh, não lhe dê ouvidos, Sr. Polícia", gritou a mulher no assento do passageiro, "ele pensa que é engraçado quando esta bêbado..."
Com isto acordou o tipo no assento traseiro que deitou um olhar ao polícia e resmungou:
"Eu sabia que não chegaríamos longe em um carro roubado!"
Nesse momento, ouviram-se batidas vindas do porta-bagagens e uma voz disse:~
"Comé? Já atravessámos a fronteira?"

domingo, março 01, 2009

Notícias

Duas semanas sem dar notícias... desculpem nunca pensei ficar tanto tempo afastada do computador, mas foi impossível parar para escrever umas linhas.
O trabalho roubou-me horas, muitas horas. Horas de vida, de sono, de descanso, de convívio, horas minhas, tão só minhas, que este fim-de-semana tive de me isolar e finalmente descansar.
Estive a trabalhar que nem uma louca, horas seguidas, sem me sentar muito na secretária, sem escrever os mails que precisar de escrever, sem fazer alguns dos relatórios que precisava de fazer, mas a controlar o que era preciso controlar, a fazer aquilo a que os americanos chamam de "damage control", para em tempos de crise, ou neste caso, em tempos de pico, se conseguirem fazer os serviços à mesma.
O que se passou? a lixeira entupiu, literalmente entupiu, e não entrava nem mais um saquinho de lixo, muito menos as minhas viaturas... enfim... foi um filme para o qual quase não via o fim. Mas agora com tudo a andar mais calmo, mais dentro do normal, posso dormir mais do que as 3 horas da semana passada, e posso voltar às rotinas de trabalho que se querem a funcionar.
Desculpem o desabafo, mas este até está a ser bem mais "soft" do que os que precisei de fazer ao longo destas duas semanas. Desculpem também a linguagem básica, mas preciso disto agora, os textos elaborados tenho de os deixar para os 500 relatórios e cartas que escrevo e ainda faltam escrever.
Mas para que não se assustem, eu estou bem, dormi lindamente este fim-de-semana, tive uns jantaritos com amigos que me ajudaram a levantar as energias, e agora estou finalmente de volta do computador a ver os mails de há muitos dias.
Quanto a novidades, nada de novo. Mas posso dizer-vos como tendem a ser as minhas rotinas dos dias normais durante a semana. Acordar às 7h, tomar banho, vestir, sair de casa, dar boleia ao vizinho do lado, parar no hotel Rovuma e tomar o pequeno-almoço, sempre na melhor companhia (aqui atenção, peço sempre a conta logo quando faço o pedido, senão arrisco-me a ficar 30 min à espera de pagar uma mísera meia de leite e um pão com manteiga). Depois sigo para o trabalho atravessando em gincana a Av. 25 de Setembro. Trabalho, trabalho, trabalho, paro para almoçar às 12:30 (preferencialmente) e encontro-me com amigos num qualquer restaurante da cidade, regresso às 14h (mas isto de almoçar fora vai mudar, para a próxima semana já devo ter empregada e almocinho feito em casa... um luxo). Trabalhar das 14h às 17:30(em teoria)... ou às 18h... 19h... ou mesmo às 20h (se não houver stresses vou para casa sem passar na lixeira). A caminho de casa paro no Piri-piri, tomo uma Laurentina (famosa cerveja nacional) com os amigos, às vezes como uma chamussa de camarão, e depois sigo para a casa de qualquer um dos novos amigos para um belo repasto. Às vezes, mas só às vezes, vamos todos ou só alguns jantar fora. E depois ao fim da noite, já muito cansada regresso a casa com os vizinhos, sempre os do costume. Deito-me na minha caminha de casal sob a minha rede mosquiteira, vidro abertos e cortinas afastadas, acerto o despertador... e o sono chega tranquilamente.