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segunda-feira, maio 28, 2012

Para os meus amigos...

Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida ...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias


(Autor: Fernando Pessoa )

terça-feira, janeiro 05, 2010

Recomeça...

Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

Miguel Torga

sábado, maio 09, 2009

Os Estatutos do Homem

Os Estatutos do Homem
(Acto Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
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Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
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Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.
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Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Thiago de Mello, Santiago do Chile, Abril de 1964

quarta-feira, abril 15, 2009

Livraria

Soube-me bem entrar hoje na livraria do Polana Shopping Center. Já lá tinha entrado imensas vezes, a maior parte das quais para comprar livros para amigos (prendas de aniversário e afins), mas porque já tenho a colecção completa do famoso Mia Couto, e porque tenho uma biblioteca que não conseguia já carregar às costas... não tinha conseguido comprar nada para mim desde que aqui cheguei.
Comprar livros para mim é cada vez mais um desafio, para além do prazer enorme que tenho ao folhear as páginas pela primeira vez junto daquelas prateleiras de uma qualquer livraria. Sim adoro ler, mas adoro também o descobrir livros, passo muito muito tempo nas livrarias a pegar em livros quase por instinto e a folhear num página qualquer, leio umas linhas e logo ali decido se vibrarei ou não com mais uma história, ou se irei aprender algo mais com as sábias palavras de quem entende do assunto.
No entanto desde que cheguei a livraria parecia-me demasiado pequena. Olhava para as filas de lombadas e reconhecia muitos dos títulos... iguais aos que tenho lá em casa... Por outro lado tinha títulos novos de autores desconhecidos que escreviam de vivências e sentimentos ainda diferentes dos meus... Com o passar dos meses o entrusamento, ou re-entrusamento, com esta minha nova realidade fez-me hoje ir à livraria e passar lá 1 horinha inteira a folhear novos livros, novos escritores. Consegui comprar só dois livros, um romance e um de pequenas poesias. Apaixonei-me por 2 a 3 linhas de cada um e sinto-me cheia. Adoro esta sensação... pego nos livros e parece que nem preciso de os ler, parece que por osmose me passam tudo o que contêm, mais as minhas interpretações... Adoro esta sensação.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Pela Paz

Acho que por vezes ficamos demasiados passivos e calados, quando a alternativa de agir não custa mais do que mandar um mail, mesmo para os que "não têm tempo".
Agora, como noutros casos, é preciso que unamos esforços e façamos ouvir a nossa voz "Stand with the people of Congo" para que um dia não sejamos nós a precisar de ajuda.

"Na primeira noite, eles se aproximam
E colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
Pisam as flores, matam nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
Entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."

Maiakovsky

segunda-feira, novembro 03, 2008

Aboborita escrevia assim...

Chegam de novo as aves e as flores
cobrindo a terra alumiada,
renasce uma natureza perdida
com a primavera abençoada.

Beija-me a pele,
abraça o meu corpo esfaimado,
sacia minha sede de paixão,
toca com os lábios a minha face,
afasta os cabelos doirados
enaltecendo meus ombros,
tocam-me os raios divinos
alimentando meus olhos,

Os dedos brincam nos seios
descobertos pela suave brisa,
cantam os anjos nas nuvens
que se apressam na despedida,

Grita o sol bem alto
com regozijo profundo,
soltam as flores o odor
que reconforta o meu mundo.

Liberta-se então a minha alma
ouvindo as aves cantar,
santa melodia do monte
que corre desesperadamente para o mar.

A brisa me eleva bem alto,
acima da terra e do mar,
bate o coração mais forte
ansioso por estar a sonhar,

A paixão sobe-me ao rosto
fazendo meus olhos brilhar,
brinca o vento em meu corpo
tornando-o livre como o mar,

Soltos meus cabelos voam
o mais alto que podem chegar,
tocam o azul do céu infinito,
fim deste mundo bendito,

que me dá conforto e paz.