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segunda-feira, maio 28, 2012

Um aniversário diferente

Escrevo a história do meus 34º aniversário, porque não quero nunca esquecer-me destes dias. Todos os meus aniversários têm sido especiais e lembro de cada um deles. Mas nunca me tinha acontecido, durante o meu aniversário lembrar-me tão claramente dos outros aniversários... dos amigos que estiveram aqui e dos que não puderam estar.
Cada aniversário é especial, e é uma oportunidade única de nos sentirmos rodeados de felicidade e carinho, abraçados pelos braços da amizade. Sim,  cada aniversário é especial, mas este ainda mais, porque num único aniversário recordei-me de todos os outros, por isso foi um aniversário onde estiveram todos presentes :) mesmo os ausentes...

O aniversário começou na sexta-feira no momento em que entrei no carro da minha grande amiga P.. Éramos 4, eu apenas conhecia a P. mas ao fim de uns 100 km já cantávamos alto e bom som, com muito movimento, as músicas boas e não tão boas, que nos fazem recordar, sorrir e cantar.
Já na Swazilândia o frio começou a apertar e por cima da blusa de alças fui vestindo casacos, enrolei o lenço ao pescoço e já à entrada do festival Bushfire esperámos um outro grupo de amigos com quem tínhamos combinado ir jantar.
Àquela hora só um sítio ainda tinha comida, o Royal Swazi Hotel. Para aquecer pedimos uns shots de Kahula, Amarula e natas, era já quase meia-noite e a comida veio acompanhada de um bom vinho. A conversa e risadas fluíam com uma naturalidade quase surpreendente.

Pensei que já que me estava a mimar com a presença de amigos, estes e os que vim a encontrar ao longo do fim-de-semana, achei por bem mimar-me a sério para o meu fim-de-semana de aniversário.
O Hotel estava cheio, nós tínhamos reservado umas casinhas num lodge no meio de um parque natural, mas com aquele frio todo lá fora e o conforto do Royal Swazi Spa, achei melhor ver se conseguia arranjar um quarto. E depois de alguma conversa, o bláblá de que faço anos, etc etc, consegui um quarto e ainda por cima a metade do preço no Lugogo Hotel (mesmo ao lado e que é do mesmo grupo do Royal). Alguém tinha cancelado uma reserva à última da hora.
Quando chego ao quarto tenho um dilema... em qual das 2 camas de casal me havida de deitar :) Há pessoas com sorte, eu sei, e acho que fui uma delas.

Não dormi muito mas o suficiente para deixar o stress da semana de trabalho para trás. Acordei mesmo a tempo do pequeno-almoço gigantesco, tomei banho e vesti-me.
Era sábado dia, dia de festival.
Fui ter com o resto dos amigos ao Royal, aproveitei para comprar um gorro de lã e um cachecol, e assim fiquei equipada para o frio da noite de festival (frio a sério acho que chegámos a ter 7ºC).
Fomos almoçar ao Calabash, onde já não ia há 22 anos, desde que era pequenina. Entro na sala e vejo uma mesa grande lá ao fundo e praticamente todos os meus amigos (dos que foram ao festival) estavam lá, para me dar um beijinho no último dia dos 33 anos e começarmos a festejar os 34 logo ali.
Éramos mais de 30 :), seríamos 34? talvez.
Comemos da melhor carne, entradas fabulosas e no fim um bolo de chocolate divinal que deu para todos. As velas não apagavam apesar da minha determinação em as apagar. Eram daquelas velas chatas que não param de acender outra vez.
No fim do bolo uma rodada de shots, de uma qualquer coisa demasiado alcoólica, e transparente. Depois do shot é que vimos que era o álcool que estava dentro de uma garrafa com cobras e lagartos em conserva :) um bocadinho melhor do que o que bebemos no Vietnam ;)
Tive direito à sempre única música dos parabéns que este ano foi mais ou menos assim "Parabéns a você, Só amanhã!, Nesta data querida, Só amanhã!,...." foi muito bom :)

Saímos do restaurante e fomos para a House on Fire onde decorre o festival Bushfire. Um espaço ao ar livre com construções estranhas de uma mente criativa completamente louca, mas fenomenal. O espaço é mesmo espectacular.
O ritmo da festa eram as músicas do mundo, com um toque muito especial de África. Bons concertos, boa onda, boa gente, muitos sorrisos, abraços e mimos dos amigos que rodeavam. O calor humano era tanto que só ao fim de umas horas tive frio suficiente para vestir o casaco. Gritei, saltei, dancei e cantei... adorei :)

Quase perto da meia-noite consegui comer um hot-dog daquelas salsichas sul-africanas que detesto, mas como há alturas que não vale a pena ser esquisita.
Rapidamente esqueci os apertos da fila da comida (a comida acabou nas outras barraquinhas), esqueci a fome e com a música de fundo recebi abraços e beijinhos dos amigos que ainda se aguentavam no festival. Era dia 27 de Maio, começava assim o meu dia de anos em pleno festival.

Dancei, dancei até não poder mais... as pernas doíam tanto... nem me lembro de alguma vez ter tido tantas dores...
Já estoirada mas com um sorriso nos lábios voltei para o hotel, dormi um pouco e no meu aniversário fui tomar outro pequeno-almoço fantástico, e segui para as massagens :)
1:30 de massagem, daquelas a sério, com pedras quentes ao som dos pássaros no spa no meio do jardim. Rejuvenesci.

Seguimos para um almoço já tardio mais uma vez no Calabash, mas desta vez éramos menos e daqui seguimos para Maputo, onde os meu "bixos" esperavam ansiosamente por mim. O Pumba, a Matilde e o Valentim, brindaram-me de mimos enquanto recebia chamadas de Portugal e de outros lados do mundo...

Mais uma vez senti-me abraçada por todos, amigos e família, senti-me abraçada por aqueles que me fazem muita falta, mas que estiveram comigo neste dia especial.

Obrigada amigos, por me darem mais um dia (ou vários dias) tão especial.

Beijinhos grandes para todos do fundo do coração.

Para os meus amigos...

Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida ...
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias


(Autor: Fernando Pessoa )

quarta-feira, maio 23, 2012

Mudanças

Há dias... vários dias... que penso que tenho que escrever isto ou aquilo, mas depois penso que o melhor é mesmo guardar para mim as palavras, tal como guardo para mim as imagens (e por isso tenho tão poucas fotografias). Mas depois há dias como o de hoje, em que sinto que escrever me faz bem, me faz pensar num futuro lá longe, onde vou ler o que agora escrevi e vou recordar o que senti, o que vivi, o que experienciei.
Hoje é um apenas mais um dia normal, mas no meio de uns meses que em nada têm sido normais. Já vos contei a história da minha vida? venho contando aos bocadinhos... mas, e a história da minha vida desde o início deste ano? essa ainda não.
Então em breves palavras conto o que me vem à cabeça sem grande ordem lógica. E faço-o hoje porque perdi mais uma tia, daquelas do coração, e percebi (mais uma vez, infelizmente) que a vida são pequenos retalhos que partilhamos, pequenos momentos em que nos damos e em que recebemos o que os outros são.

Durante 3 anos andei a lutar para provar ao mundo e a mim mesma que era capaz de levar a avante um projecto profissional, que agora percebo era completamente louco, e que me desgastou fisica e psicologicamente, de uma forma que nunca pensei que fosse possível. Sem vos conseguir descrever os momentos que passei, falo apenas de alguns alertas que tive e que fui ignorando até estar à beira de um esgotamento.
 No primeiro ano do projecto, a felicidade que sentia por estar em Moçambique era tanta que o meu corpo foi sugado de toda e qualquer energia, sem que me apercebesse disso. Foi só no início do 2º ano de projecto que percebi que alguma coisa não estava bem.
Alergias, constipações, infecções e enxaquecas pareciam que estavam em disputa permanente para ver quem conseguia maior tempo de antena. Depois vieram os ataques de ansiedade durante o dia, depois ao acordar e mais tarde um aperto no peito constante que se agudizava quando o telemóvel começava a tocar. Inconscientemente associei o som e até mesmo a vibração do telemóvel a problemas de trabalho e a stress, e isso fez gerar mais stress.

Nesta altura fui a 2 médicos em Moçambique e 1 em Portugal, e mesmo assim foi difícil acreditar que algo estava errado comigo. Diagnosticaram-me uma depressão associada a um esgotamento físico. Nesta altura percebi que a pressão arterial normal não é 18 / 12, percebi que o meu corpo estava em stress constante, o colestrol altíssimo, os açucares também, e etc etc etc. Tive ordem imediata para parar, para dormir... caso contrário qualquer um destes médicos iria passar-me uma baixa médica.
Ok. Foi aqui que vi que exagerei, foi aqui que percebi que tinha que mudar de vida. Assim, lentamente, fui tentando por as peças do puzzle, que era a minha cabeça, no lugar.
Apercebi-me que não conseguia decorar mais nada, que não me lembrava de compromissos, que para pensar tinha que fazer um esforço brutal e mesmo assim pensava a passo de caracol, quando comparado com o meu eu passado que pensava à velocidade da luz.
Então, entrando no último ano do projecto programei umas férias e uma viagem que parecia demasiado arriscada e louca, mas que acabou por ser tão simples, tranquila, magnífica e centrada nas coisas belas e momentos que ficam na memória.

Esta viagem foi a volta a Moçambique. E foi aqui que se iniciou a minha verdadeira mudança. Foi depois da viagem que decidi que tinha que mudar a minha vida e voltar a agarrar as rédeas do meu destino. Foi durante a viagem que percebi que tinha vivido os últimos 12 anos a pensar na minha evolução profissional, e que me tinha, algures no caminho, esquecido de mim.
Decidi que até Fevereiro de 2012 tinha que tomar alguma decisão que implicasse mudança, e é essa mudança enorme que se está ainda hoje a processar em mim.

E em Fevereiro iniciaram-se então as mudanças. Pedi licença sem vencimento no grupo Águas de Portugal, abracei um desafio profissional diferente, mudei de casa, adoptei um gato para dar cabo das baratas e confusionar os meus canitos. Agora que já iniciei este processo de mudança percebo que ainda não acabou, e que afinal as mudanças que preciso são ainda mais profundas do que imaginei no início.
Preciso de voltar um bocadinho atrás no tempo e deixar de ser tão adulta e tão pouco criança. Não me apercebi desta mudança, mas crescer assim não me fez bem, foi muito rápido, e por pouco não perdi a o meu eu criança, aquele eu que deve sempre habitar em nós.
Mas a maior de todas as mudanças é o facto de eu agora assumir claramente que adoro viver aqui :) e, pelo menos por enquanto, é aqui que quero viver. Nesta terra que me abraça calorosamente desde o amanhecer, onde tomo o pequeno-almoço no quintal enquanto os canitos dormitam ao sol e o gatufis sobe às árvores.

É agora, antes de continuar neste processo de mudança, que tenho que vos dizer, olhando nos olhos de cada um (assim o imagino) "Desculpa por ficar tão longe, tanto tempo. Desculpa por ter decidido que agora vivo em África." e ao mesmo tempo dizer "Penso em ti todos os dias, sinto a tua falta todos os dias. Sinto falta das nossas conversas, dos nossos cafésinhos, do sorriso dos teus filhos, sinto falta de os ver crescer." .
Ainda ontem escrevi a uma amiga e disse-lhe "Espero que me compreendas, tu que me percebes tão bem" (tal como os meus amigos, aqueles do coração). Eu sei que compreendem incondicionalmente, porque isso é amizade, mas acho que vos devo uma explicação. Adoro ver-vos e, quando a distância não permite, adoro falar convosco ao telefone. Mas de cada vez que falo convosco choro por dentro com uma dor infinita que me custa tanto, mas tanto, aguentar. É por isto que não ligo tantas vezes... pelo menos não tantas como gostaria.

Não posso prometer nada neste meu discurso longo, nesta introspecção pública. Não posso prometer mais viagens a Portugal, visitas a toda a gente, mas uma coisa posso prometer, estão sempre no meu coração. E durante este processo de mudança foram vocês que me deram força para começar, e são agora também o que me move. A nossa amizade é uma parte fundamental da minha vida, e da minha felicidade. A única coisa que posso prometer, e prometo sempre a mim própria, é que todos os dias sou feliz, e se tal é possível, a mudança em curso tem apenas como objectivo trazer ainda mais felicidade para junto de mim.

terça-feira, março 27, 2012

O regresso do emigrante

Às vezes perguntam-me se penso em regressar a Portugal, e respondo que sim... penso nisso. E cada vez que vejo um amigo partir, dou por mim a pensar no meu regresso, enquanto lhes explico que já fiz um regresso e não foi nada fácil.
Serão estas as novas preocupações dos emigrantes, as grandes ansiedades, que aliadas à tão típica saudade, faz com que alguns dos novos emigrantes passem anos a pendulando entre ficar aqui ou finalmente regressar a casa.

Depois de 3 anos aqui (mais os 3 de quando era miúda) posso dizer que já vi demasiadas pessoas a ir embora, já vi como custa muito, a todos os que regressam, voltar a encaixar no dia-a-dia de Portugal. Por isso decidi escrever uma carta a um amigo que agora parte para Londres, fazendo uma pequena paragem em Portugal.
Escrevo para ele, mas é como se fosse para todos, e principalmente para mim, para um dia voltar a ler o que escrevo, na esperança que as minhas próprias palavras me dêem a força que preciso para partir e deixar o continente que adoro... África.

" (...)
Sobre o teu regresso aí… eu sei que é doloroso, eu sei que é estranho e que já não encaixas, principalmente nesta altura de crise. Mas apesar disso, repara como sabe bem ir ao café, andar pelas ruas da cidade com essa luz que só Lisboa tem, como é fantástico o nosso frio oceano atlântico, e como é bom rever família e amigos, e perceber que aqueles amigos continuam sempre nossos amigos.

Escrevo-te assim, porque quando regressei de Cabo Verde, foi um choque demasiado grande voltar a viver em Portugal e, sendo honesta comigo própria, acho que encaixo melhor em África do que em Portugal, pelo menos nesta fase da minha vida.
Mas tenho quase a certeza que um dia também eu farei o regresso por vontade própria, e nessa altura sei que vou sofrer por antecipação e sei que vai doer quando aterrar em Lisboa de armas e bagagens, mas também sei que à primeira oportunidade vou a Sintra comer as queijadas, vou a Óbidos andar na muralha do castelo e vou à praia da Arrifana brincar com a prancha de bodyboard nas ondas pequenas de verão.

E se em vez de Portugal decidisse regressar ao velho continente, escolheria uma cidade como Londres, Amesterdão ou Barcelona, para morar.
E se fosse em Londres, comprava um carro para poder ir passear para o “countryside” aos fins-de-semana, ir a Bath, a Stonehendge, a Portsmouth, a Stratford-upon-Avon ou a Cambridge.
E nos fins-de-semana que não me apetecesse sair da cidade, ia fingir-me de turista e comprava um bilhete para um musical, ou ia passear pelos mercados que vendem um pouco de tudo, ou ia esticar-me na relva dos jardins e parques. Ou talvez ainda, estender-me no chão da Tate Modern… onde “sonhei” com um pôr-do-sol africano.
(…)"

quinta-feira, dezembro 24, 2009

O que aprendi neste Natal

Aiiii.... se tivesse escrito esta mensagem ontem... seria tão negativa...
Ontem pensei mil e uma vezes, ou talvez um milhão, quais teriam sido as razões que me mantinham aqui...
Tanto stress, tanto trabalho, tão poucas horas de sono... Senti por momentos que o mundo à minha volta desabava, caía aos pedaços sem que eu pudesse fazer alguma coisa para impedir, sem que tivesse forças para me agarrar mais ao meu sonho, ao sonho de estar aqui.
Estava cansada, demasiado cansada e já sem forças para falar ou receber más notícias. Mas o telefone tocou com 2 más notícias (não eram péssimas, apenas más). Mas aquela mensagem e os inúmeros telefonemas que se seguiram para resolver estes pequenos problemas de trabalho, deitaram-me abaixo e impediram-me de adormecer.
E como precisava de adormecer... em paz... descansar... recuperar das horas infinitas que me têm faltado de descanso neste último ano.
E pensava... o que me faz ainda insistir em ficar aqui, em continuar a lutar, a remar contra a maré? Será que sou só teimosa? ou não consigo admitir que algumas coisas falhem? e pensando bem percebi que o que tem falhado e me tem deitado abaixo nada tem a haver comigo, não depende de mim.
Então deveria ser capaz de descansar, mas não conseguia. Vi e revi todos os meus passos e decisões, não vi como poderia ter feito as coisas de forma diferente, e no entanto houve carros que avariaram, pessoas que faltaram, exigências e solicitações muitas e muito grandes... passei por tudo isto no seu devido tempo, mas parece que nada disto nunca tem fim.
São testes da vida? Não. É mesmo a vida.... a vida é que é assim. Cheia de provações, testes, desafios, batalhas, avanços e falhanços, conquistas, sorrisos, lágrimas, coisas boas e coisas más.
Finalmente consegui dormir. O meu mal era mesmo sono... Acordei com o telemóvel a tocar mais um problema... mas desta vez o sol deu-me energia e sem pensar muito fui resolvendo o que estava ao meu alcance resolver.
Olho agora para trás para estes dias e para ontem em particular e vejo que fiz tudo o que podia e que devia, tudo do que dependia de mim. Por isso estou de consciência tranquila e percebo que tenho que encarar o futuro como um percurso que não posso controlar, mas que trará sempre mais um desafio.
Apesar de estar longe da família neste dia, longe do meu meio nesta época de Natal, percebo que recebi a prenda que precisava de receber: compreender a minha verdadeira dimensão no mundo, o meu percurso, os limites do meu ser, querer e poder.
Tem sido sempre em momentos difíceis que percebo algo mais sobre mim e o que me rodeia, sobre o que é importante, verdadeiramente importante. É nestes momentos que se cresce e se olha para o mundo com os olhos de criança sábia, que aprecia o sol como se fosse a primeira vez, mas que no entanto percebe que precisa dele para viver.
E com isto me retiro para a ceia de Natal entre amigos que é já daqui a pouco. Presentes tenho poucos para dar, quase nenhuns, mas levo um sorriso nos lábios e uma leveza de espírito que ontem por esta hora não conseguia ter.
Bom Natal meus queridos amigos, mesmo de longe segue aquele abraço forte do fundo do meu coração.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O dia de ontem

Tantas coisas acontecem todos os dias por aqui… e não consigo arranjar tempo para as escrever, mas o dia de ontem vale a pena ser contado…
Acordei com o sol a bater na janela e soube-me tão bem que já me levantei com um sorriso nos lábios… Bem cedo já estava numa esplanada a tomar o pequeno-almoço com um amigo e em 10 minutos juntaram-se mais dois. Já com a energia em cima fui trabalhar e foi sempre a correr… dia produtivo, bem mais do que o normal.
Ao almoço estava um calor quase insuportável, aliás nestes dias a pele está sempre húmida e colante, até para vestir a roupa é complicado. Saí do trabalho e tive direito a um almoço caseiro que me soube pela vida. Depois do café Nespresso fiquei a descansar um bocadinho e voltei para o escritório.
Ao fim da tarde fui ao Mica para ver rodas de contentores e andei por ali enrolada em espírito consumista natalício a escolher a minha árvore de natal e os enfeites. Percebi que não tenho jeito nenhum para isto, mas enfim… fiz o que podia.
Segui para casa já só com tempo de tomar o 3º banho do dia, troquei de roupa e fui ao Moçambique Fashion Week. Era noite de “young desinners”, com roupas um bocado lunáticas que encobriam quase por completo ideias interessantes que gostava de reproduzir (gostei de muito poucas). No fim do desfile de cada estilista lá descia o idiota de cada colecção… e era vê-los passar ao som das palmas e risotas libertadas pela audiência. 2 ou 3 eram normais, mas os outros… desde um que não podia ser mais mariconço e enfezado, ao que trazia galochas azuis brilhante e mochila do Bugs Bunny (no mínimo estranho…), ou ainda a um outro que logo a seguir apareceu com umas jardineiras do Tweety… Foi risota total.
Saímos do desfile e com o estômago já a refilar decidimos e comer qualquer coisa. “CFM. Vamos aos pastéis de massa tenra”… azar, estava fechado. Então vamos aos frangos na feira popular, o único sítio que ainda estava aberto só vendia frangos para fora… não tinha nem uma mesa para sentar. Por fim rendi-me às propostas dos que estavam comigo: Gipsy. Um bar de luz vermelha com ambiente de ver jogos de futebol na televisão, localizado na rua de maior de boites e bares de meninas… Pergunto-me eu: porque é que um sítio que tem potencial para ser bom (atenção que tem boa clientela e são raras as meninas que por ali circulam), com pizzas óptimas e funcionários que vão atrás de nós para devolver o que nos esquecemos dentro do estabelecimento (a carteira da Patrícia foi devolvida ainda nem tínhamos dado pela falta dela), sim… porque é que um espaço destes tem de estar numa rua destas? Garanto-vos que se não fosse a fome e a insistência num teria pisado aquele sítio, mas o medo que tinha de ir a esta rua, foi superado pelo bom ambiente que se sentia dentro do bar.
Daqui, já com a barriga cheia, fui ao Rua d’Arte, a uma 3ª feira… uma loucura para mim que só saio aos fins-de-semana e só muito de vez em quando. Era noite de festa para os estilistas, que depois do desfile fizeram a noite aqui. Uma amiga minha fazia anos e estava também a festejar ao som da música que não varia, mas que é o mais próximo do que gosto de ouvir, que há em Maputo. Dançar, dançar, saltar, muitos sorrisos de abraços, reencontros com amigos que já não via à muito tempo (isto de estar fechada no meu casulo não pode continuar). Adorei a noite e a companhia, o som e o calor abrasador que mesmo às 2h30 da manhã se fazia sentir. Esta tarde já tenho combinada a cervejinha semanal com os amigos no sítio do costume (Piri-piri). Vai ser bom como sempre é, aos poucos e poucos uma “família” de amigos começa a formar-se aqui, num sitio a que aos poucos vamos chamando casa, a 8500km do ponto de origem.

quarta-feira, novembro 04, 2009

O Acidente

Na 2ª feira da semana passada tive um acidente de carro.
Tinha ido de manhã à África do Sul com um motorista de pesados e um responsável da manutenção das viaturas, para ir buscar um camião que tinha ido para reparação. Teoricamente chegávamos a Nelspruit (que entretanto mudou de nome para Mbombela) e depois de almoçar iniciávamos a viagem já com o camião atrás do meu carro. Mas como na empresa só fizeram metade do que estava programado acabámos por esperar 3 horas para a viatura estar pronta. Neste tempo decidi ir comer ao 1º Mac Donalds que aqui na zona (já fui lá duas vezes… o vícios são difíceis de largar). Fui depois ao Mall (Riverside Mall – o antro de perdição para pessoas loucas por fazer compras…) é gigante e para quem não tem muita paciência para ir para sítios fechados barulhentos e cheios de gente, como eu, é quase um martírio ir lá. Mas acabei por aproveitar para comprar algumas coisas que me faziam falta lá em casa e que ainda não tinha tido tempo para ir comprar.
Enchi a bagageira do carro, e com os 2 funcionários voltámos às oficinas onde fizemos nova inspecção da viatura. Tudo em ordem, ou aparentemente em ordem, meti-me no carro com o camião a seguir-me de perto porque era eu que sabia o caminho (mal… mas ainda assim sabia-o).
Já estava escuro quando saímos da cidade (aqui está a escurecer por volta das 18h), e a estrada cheia de carros impedia-nos de seguir a mais de 80 km/h. Fizemos tranquilamente o caminho de 2 h até à fronteira, tratámos das papeladas todas do lado sul-africano e depois do lado moçambicano, e seguimos viagem.
Para quem não conhece a N4, estrada nacional que faz a ligação Maputo-Nelspruit, explico que não passa por povoação nenhuma até chegarmos quase às portas de Maputo. É só mato e mais mato. Sem iluminação na estrada e com muitos camiões e carros a circularem sem luzes. Mas esta noite até estava calma, quase não passavam carros por nós.
Já a meio do caminho íamos a 100 km/h, nada demais quando o limite é 120… eu à frente o camião atrás, felizmente bem atrás. Uma pick-up inicia a ultrapassagem ao meu carro e quando estava ao meu lado surge no meio da via em sentido contrário um homem a pé. Eu só o vi quando estava a menos de 20 m de nós. O carro que me ultrapassava, travou mas não o suficiente, e teve que guinar o volante perdendo o controlo do carro, para não atropelar o homem. Ao perder o controlo bate de lado na parte de trás do meu carro e… bem… o meu carro perdeu o contacto com o piso, saiu disparado para a faixa contrária em direcção ao mato e à valeta que não existe. Percebi imediatamente que se saísse da estrada corria sérios riscos de capotar devido ao desnível. Agarrei-me ao volante e numa cena quase de filme tentava controlar o carro impedindo-o de fazer piões completos. Consegui fazer 3 meios piões, num dos quais fiquei de frente para o camião que me seguia. Consegui voltar a virar noutra direcção, vi pelo espelho retrovisor a pick-up a cair de lado na beira da estrada, e em segundos consegui também imobilizar o meu carro, já fora da estrada.
Parei, respirei fundo… está tudo bem. O funcionário que me acompanhava saiu a correr do carro, eu desliguei o motor e tirei a chave, procurei o telemóvel que entretanto tinha voado juntamente com tudo o que estava solto no carro. Ainda a fechar o carro comecei a fazer as chamadas a pedir auxílio. Procurei o homem que se tinha atravessado na estrada, mas não havia sinal dele. Fui ter com o condutor do outro carro que entretanto saía da viatura virada de lado. Estamos todos bem…
Só na manhã seguinte quando acordei é que me apercebi do perigo que isto foi, podia ter corrido tudo muito mal, mas felizmente correu bem. Não capotei (se isso tivesse acontecido provavelmente não estava aqui hoje), ninguém se magoou (nem um arranhão), e os carros saíram a andar sozinhos… nem sei muito bem como…
Valeu-me o telemóvel, a ajuda de quem passava e de alguns amigos que me apoiaram nas horas e dia seguinte.
Estes últimos dias tenho andado muito zen… ou perto disso. Estou contente por estar bem… e penso nas pequenas coisas que me fazem bem… todas elas muito mais importantes do que a correria do dia-a-dia… Tempo de balanço mais uma vez… E depois desta continua-se em frente com mais força e mais cuidado, com um sorriso nos lábios por, tão simplesmente, ver o sol nascer, mais uma vez.

terça-feira, outubro 13, 2009

E se...

Esta expressão acompanha-me desde que me lembro de mim e significa tão simplesmente que todos os dias, a cada momento, para pequenas e grandes decisões (desde escolher o que vou beber ao almoço, qual o próximo destino de férias, onde vou morar...), vejo e revejo rapidamente todas as alternativas que se me apresentam perante o problema.
A decisão normalmente é tomada por impulso (pelo menos eu faço assim), sabendo que nas decisões mais difíceis peso sempre a razão também, mas quase invariavalmente opto pelo que me apetece, sigo o meu "feeling". Não me arrependo disso porque todas as decisões tomadas contribuíram para chegar onde cheguei hoje, para ser quem sou, para alcançar aqueles objectivos maiores da minha vida, contribuíram para que no fundo hoje seja feliz com o que tenho e esteja tranquila quanto ao caminho que segui.
Sim, sei que estou a ser confusa, mas esta reflexão começou pouco antes da minha vinda para Moçambique, numa reconstrução interior do meu percurso, e nos últimos dias tem assomado à minha cabeça de forma muito mais intensa do que o normal.
Ultimamente pergunto-me "e se tivesse ficado em Portugal?". Independentemente da perspectiva que uso para analisar esta questão, chego sempre à mesma conclusão: se não tivesse vindo, se naquele momento de decisão tivesse optado por Portugal, não tenho dúvidas que já teria arranjado um outro momento de decisão que me levaria a sair de lá. No fundo o sair de Portugal era já um dado adquirido, o lugar para onde ir é que tomou muitas formas e a escolha estava apenas dependente das oportunidades no momento. Quando Moçambique voltou a surgir no meu mapa, então o destino final desta saída ficou claro e eu vim.
Deve ter sido uma das decisões mais rápidas da minha vida, acho mesmo que já estava tomada antes de me ser apresentada a questão. Sabia que viria para cá mais cedo ou mais tarde, também isso já estava decidido, por isso fiz as malas e vim.
Agora aqui, passados 9 meses da minha estadia, concluo que a vinda e estes primeiros tempos foram "um parto difícil" por várias razões: este era um regresso cheio de emoções, um desafio profissional intenso e um desafio pessoal que perseguia há já algum tempo. Passada esta fase percebo que resisti aos primeiros choques, resisti e estou cá.
Feliz por estar onde sinto que devia, é preciso agora olhar outra vez à minha volta e arranjar novos desafios. Agora passada a fase de regresso, vamos então à fase de integração (ou reintegração). Neste cenário abrem-se novos caminhos e alternativas. Preciso de ponderar questões como "o que fazer a seguir" para todos os campos da minha vida: viajar - sim, voluntariado - talvez (mas preciso de tempo com dias fixos para o fazer), associativismo - está em ponderação, formação - claramente, desportos - quais? (Yoga parece-me uma ideia cada vez mais presente).
Mesmo antes do fim do ano já penso que o primeiro ciclo está a fechar, agora vem esta nova fase cheia de novas perspectivas que preciso de considerar. Ano novo vida nova... vamos avançar.

sexta-feira, outubro 02, 2009

E hoje quando acordei... saiu-me isto.

Sinto-me perdida nestas voltas da vida
porque corro e ando e volto para trás,
quero ir mais longe e saltar de alegria
mas nos dias cinzentos não sou capaz.

Por vezes preciso de uns raios de sol,
de um sorriso na cara, de um olhar de carinho,
de um bom dia que me abraça
quando os lençóis brancos ainda me agarram aos sonhos
enquanto rebolo mais uma vez neste ninho.

sexta-feira, setembro 11, 2009

quarta-feira, setembro 09, 2009

Regresso de férias

Já voltei de férias há quase 2 semanas... muito muito tempo...
Souberam bem. Deu para descansar, estar com a família, com alguns amigos e ainda deu para fazer compras, que já não fazia a sério desde que tinha saído de Portugal.
Os reencontros que tive em PT foram muito bons e alguns foram mesmo saborosos, recuperando sabores de que gosto e que, mesmo sem saber, me faziam falta. E com isto falo nos ovos moles, nas queijadas de Sintra e no queijo fresco (sim, queijo fresco).
O regresso a Moz foi demasiado cedo para quem sente ainda muitas saudades, mas por outro lado, foi na altura certa. Quando se é expatriado temos de encontrar um equilíbrio no tempo de regresso a casa. Não pode ser de menos senão não descansamos, não vemos ninguém, não tratamos de tudo o que ficou pendente (bancos, finanças e afins); mas também não pode ser demais senão voltamos a entrar naquele ciclo do "está tudo na mesma". Temos de ficar o tempo certo para ver as pessoas que queremos, saber as novidades maiores, e ter um bocadinho de colo. Temos de regressar no dia em que não nos dói demais sair de PT nem nos bate a saudade do sítio novo onde vivemos - Moz.
Se calhar não me fiz entender muito bem, mas sei que praticamente todos os expatriados que conheço sentem o mesmo que eu. Aliás as nossas conversas antes, durante e depois das viagens de verão de emigrante, eram basicamente à volta deste tema.
Enfim... regressei. Não dormi nada no voo como já vem sendo hábito, e por isso fiquei com os horários todos trocados. Mas depois de umas horas de sono reposto voltei a entrar no ritmo normal.
Por aqui tudo se tinha aguentado e fui muito bem recebida no trabalho e pelos amigos. A minha casa está na mesma, e é a minha casa. Sabe bem regressar a este lar emprestado, cada vez mais meu.
Mas apesar de ter sido um regresso aparentemente fácil, tenho saudadinhas... muitas... e os telefonemas e mails (dos poucos que escrevo) estão carregados desse sentimento tão português.
Bem... mas adiante. O que fiz depois do regresso? Fui a Marloth Park, fiz uma apresentação sobre resíduos na FACIM (Feira Internacional de Maputo), e fui fazer um fim-de-semana de regatas a Chidenguele.
Sobre os passeios elaboro mais e vou colocar fotos... até porque vale mesmo a pena ver os sítios por onde andei.
Sobre a FACIM... nervosismo... muito stress... mas correu tudo bem.

quinta-feira, agosto 06, 2009

FÉRIAS!!!!

Pessoal... não tenho dito nada de nada... a razão é muito simples: Estou de férias :)
ahhh e sabe tão bem...

quando voltar vão ter de me aturar de novo.

Muito sol para todos

sexta-feira, julho 24, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

Tanto tempo depois...

Estive quase em hibernação... passaram-se semanas de trabalho duro, sem direito a pausas, com poucas horas de sono... mas quase um mês depois e já com o sono reposto, já estou a voltar ao meu ritmo normal e já tenho mais histórias para contar.
No sábado de 13 de Junho a comunidade portuguesa juntou-se para comemorar o 10 de Junho, na Escola Portuguesa (onde estudei, mas nas instalações que ainda não conhecia). Era um monte de gente, havia música, comida tipicamente portuguesa, mesas e mesas redondas cheias de caras conhecidas, e eram muitos os que iam saltando de mesa em mesa para confraternizar. Houve momentos de Hino Nacional emocionantes, teatro, bandas a tocar, violinos, saxofone e cavaquinho (de arrepiar). O sol estava abrasador e o calor puxava à festa, à dança. No final da noite a marrabenta inundou o lugar já quase vazio e os poucos resistentes (borguistas) dançaram, dançaram, subiram para o palco e animaram a festa que terminou num auge de sorrisos e vontade de mais festa. Saí já no fim, o meu carro era, provavelmente, o último a sair do recinto. Jantei no Mundo's mas como ainda tinha energias para dar e vender, a noite estendeu-se para o "Face to face", uma discoteca na feira popular mais ao género de sala de baile com música ao vivo para dançar a dois, onde dancei, dancei, até não poder mais.
No dia seguinte era suposto ir fazer uma regata... mas tanto eu como o meu colega estávamos mais interessados em descansar, e após uma breve troca de mensagens decidimos ficar na ronha. Passei o dia a ver filmes e a conversar, sem pressas, sem stress, com amigos. Tempo de recuperar energias para a semana que se adivinhava difícil.
Voltei a acordar para a vida 10 dias depois, já com o trabalho a estabilizar de novo e com uma visita muito querida em minha casa. A minha amiga MB (das GMB - sim é um código só nosso, não é amigas?) veio passar cá uns dias. Começou por se recordar desta cidade, teve tempo para descansar e depois ainda consegui levá-la a ouvir música ao vivo e a comer os magníficos camarões do Costa do Sol. Nessa primeira semana outra amiga que está cá a trabalhar também ficou lá em casa, e estes momentos com elas foram preciosos para mim. Soube-me bem ter aquelas conversas de amigas, daquelas que dizemos disparates, ou nem tanto, que fazemos confidências e nos rimos das coisas absurdas que se passam na vida. Foi muito bom, amigas, ter-vos aqui. Obrigada

segunda-feira, junho 01, 2009

Festinha

A minha festinha foi... espectacular :)
Juntei amigos de antes, daqueles de há 20 anos atrás, amigos de agora, amigos da família e a minha mãe.
Adorei, simplesmente adorei.
Podia ter sido melhor? sim podia... se estivessem cá algumas daquelas pessoas que me fazem falta... não digo nomes porque vocês sabem bem quem são.
Senti a vossa falta. Mas sorria ao lembrar-me de todos.
O meu bolo devia ter à volta de 7 a 8 kg... não esperava que fosse tão grande... com 1 palmo de altura (sem exagero). Acho que o que sobrou era a vossa parte, a parte dos que apesar de ausentes, estiveram muito presentes.
Um beijinho grande para todos

quarta-feira, maio 27, 2009

31

Hoje faço 31 aninhos... um grande número, mas que não me assusta.
Longe de casa, mas numa nova casa, vou festejar o meu aniversário rodeada de caras novas e algumas já familiares.
Longe por Portugal e pelo mundo, mas também muito perto, estão todos os amigos e principalmente a família, a celebrar este dia comigo.
Queria ter-vos todos ao pé de mim... Saudades, saudades.

quarta-feira, abril 29, 2009

Mummy is coming to town

Lá para o fim da tarde embarca no aeroporto de Lisboa a minha mãe linda. 10 horas depois e muito continente africano sobrevoado vai aterrar aqui ao lado no aeroporto de Mavalane. Amanhã logo cedo vou saltar da cama cheia de energia e depois de um banhinho revigorante vou preparar as coisas todas (tudo o que seja possível preparar) e sigo depois para o aeroporto para a ir buscar.
Ao fim de 17 anos voltamos a estar as duas juntas outra vez em Moçambique. Muita coisa mudou... aliás, já nada é como era antes... ..... .....
Mas finalmente vamos estar aqui outra vez, e apenas 4 meses depois da minha saída de Portugal revejo e retomo uma parte de mim :)
Mummy que esta viagem de avião seja o início de uma nova magnífica aventura pelo "nosso Moçambique".

sexta-feira, abril 24, 2009

Avó mais linda do mundo

Querida avó, Mariana de seu nome, linda como o sol. No meu imaginário dou-te beijinhos todos os dias, mas ontem em especial "voei" para aí, para o teu colo, como se fosse menina, e enrolando os meus braços no teu pescoço, disse-te assim "Parabéns avó. Gosto muito de ti." O teu sorriso alargou-se e encheu a sala, a casa, a cidade, o mundo e o nosso coração.
Adoro-te Vózinha.
Mil beijinhos gigantes cheios de flores e Muitos Parabéns.

sexta-feira, abril 17, 2009

Skype

Subi as escadas a correr, entrei em casa, liguei o computador e de repente estava outra vez na sala de jantar da minha mãe, à volta da mesa, num jantar de família. O jantar de aniversário da minha irmã. Com o ecrãn e a webcam virados para a mesa, estive por alguns minutos à cabeceira da mesa, senti-me em casa, em família, senti-me lá, só faltou o cheirinho da comida e o suave toque dos beijos da face. Cantámos os parabéns, vi-te apagar as velas com a Francisca ao colo, cantámos outra vez os parabéns para os pequenitos, mas desta vez já não conseguia cantar. As lágrimas caiam pelas faces e os soluços prendiam-me a voz. Que saudades... tantas saudades... Gosto tanto de vocês... e sinto tanto a vossa falta.

Parabéns maninha

Não gosto nada de estar tão longe e não te poder dar um abraço e mil beijinhos. Bem sei que já passámos muitos aniversários teus longe uma da outra, mas ao fim de apenas uns dias estávamos outra vez juntinho... este ano não vai ser bem assim... vão ser precisos alguns meses para te dar aquele abraço... cheio de saudades.
Adoro-te maninha, desejo que este ano seja um ano de "construções" na tua vida.

Um xiiii coração do tamanho do Mundo, com muito sol e calor.