Hoje, não sei muito bem porquê, parecia Natal.
Talvez tenha sido uma conjugação de factores, que me fizeram sentir o cheirinho no ar daquela típica manhã de véspera de Natal. Aquela manhã em que acordamos todas bem cedo, tomamos um duche e um pequeno-almoço rápido, pomos o leitor de cd ou o gira-discos a tocar aquelas músicas clássicas que já todos sabemos de cor. Aquela manhã em que decidimos qual de nós vai ajudar a mãe e qual vai ajudar a avó. :)
Hoje parecia-me esse momento em que tomo o pequeno-almoço antes de começar a preparar a ceia. E porque é que me parecia esse momento?
Acordei e estava frio, bastante frio. Mas estava sol, aquela luz no ar, aquele tom de azul no céu de inverno. O ar seco do aquecedor, os cães espreguiçam-se com aquela preguiça de inverno, eu levanto-me com um sorriso nos lábios (muito típico do espírito natalício).
Dias antes fui a casa dos vizinhos de cima onde ainda está montada a minha árvore de Natal. Decidimos que como já faltam menos de 6 meses, o melhor é ficar já montada para a próxima ceia.
E para além disto tudo, ligo a televisão enquanto tomo o pequeno-almoço, e ouvem-se as vozes angelicais dos meninos dos coros de Natal.
Por momentos, breves momentos, sorri e sonhei. Hoje para mim é Natal.
E bateu cá dentro um coração cheio de saudades... já foram 2 anos longe do calor da família, não pode passar mais um ano sem que coma o bacalhau e o peru envolvida pelos braços daqueles que sinto demasiada falta. :)
Este ano estarei aí. Feliz Natal
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segunda-feira, julho 18, 2011
quinta-feira, junho 11, 2009
Ricardo Rangel
"Morreu esta noite, aos 84 anos, o decano do fotojornalismo moçambicano, Ricardo Rangel."
(Rádio Moçambique, noticiário das 21 horas)
(Rádio Moçambique, noticiário das 21 horas)
domingo, abril 26, 2009
25 de Abril
Ontem não estive em Lisboa a ver os 50.000 cravos que caiam do céu, não estive a ouvir os discursos entusiasmantes que se fizerem um pouco por todo o país, não estive numa festa de portugueses emigrantes a comer sardinhas e a cantar o hino nacional. Não fiz nada disso, não. Sentei-me por momentos em minha casa a vasculhar os cd's que trouxe comigo, e ouvi aquelas músicas que encheram e enchem o coração de um povo com uma carga emocional desmedida, ao relembrarem os 35 anos do dia em que os cravos vermelhos sairam à rua espreitando do cano de uma arma qualquer.
Sentada mais tarde na esplanada com um pequeno grupo de jovens portugueses (tão jovens que não passaram por estes 35 anos e as suas mudanças), brindavam ao nosso 25 de Abril e explicavam o que significava para nós esta data aos emigrantes de outras nacionalidades que connnosco ergueram o copo em saudação.
Sentada mais tarde na esplanada com um pequeno grupo de jovens portugueses (tão jovens que não passaram por estes 35 anos e as suas mudanças), brindavam ao nosso 25 de Abril e explicavam o que significava para nós esta data aos emigrantes de outras nacionalidades que connnosco ergueram o copo em saudação.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Reencontros
Mais uma semana que chega ao fim, e o tempo corre corre demasiado depressa, e eu corro o mais depressa que posso para o tentar agarrar.
Sem tempo para escrever, vivi intensamente esta semana, e agora em 5 minutos aqui vai um pequeno resumo do que fiz, e devo acrescentar, em muito boa companhia.
Na 6ª feira e no sábado fui jantar fora com os novos companheiros do programa contacto. Chegados aqui de fresco os novos contacteantes estavam cheios de energia e eu como tinha estado este mês enfiada no trabalho tinha também muita energia para gastar.
Jantámos no Mundo's num dia e no outro no Zambi, e aqui deu-se o primeiro reencontro. Um amigo de pré-adolescência, que me conhece desde os 11 anos, que conheceu os meus pais e a minha irmã, fizemos vela juntos, reencontrámo-nos em Portugal, e agora estamos finalmente os 2 novamente aqui. Em 2 ou 3 minutos pusemos uma data de conversa em dia, e em tão pouco tempo 15 anos de afastamento (mais coisa menos coisa) desapareceram. Reconhecemo-nos. "Estás bem?" "sim, muito bem" "que bom voltar a ver-te" " que bom estares aqui" "olha, lembras-te de fulano?" "este casou, o outro tem filhos, o outro está junto, o outro emigrou".... e no fim trocámos telefones, "vamos sair um dia, marcar um almoço com a malta" "sim, claro que sim".
Saída do restaurante com um sorriso nos lábios, o coração cheio de emoções, rodeada de novos amigos e a barriga a agradecer os magníficos camarões grelhados, segui para o bar que já é o meu favorito "Rua d'Arte".
E agora uma à parte para os amigos de Cabo Verde, este sítio faz-me sentir tão em casa... tão bem... parece que estou no Interarte com todos vocês a dançar ao ritmo das nossas 6ª feiras... é tão bom...
No Rua d'Arte mal entrei, uma cara curiosa e algo familiar olhou para mim fixamente, reconhecia o olhar de algum lado, mas não sabia de onde, dirigindo-se a mim perguntou-me se não o reconhecia, e assim reencontrei mais um amigo, um daqueles também de há 20 anos... um amigo que queria reencontrar desde que cheguei cá. Caí nos braços dele num abraço de anos de distância, para ver se o tempo que passou se encurtava, e bastaram algumas histórias recuperadas, algumas novas histórias de novos momentos das nossas vidas, bastaram novas partilhas, para que estes 15 anos desaparecessem num ápice, e voltássemos a sorrir com os olhares trocados da mesma forma, de quando éramos ainda jovens estudantes.
Neste dia dancei, dancei muito, e fiquei tão calada, porque me vieram à memória tantas e tantas recordações... de mim, dos meus amigos, da minha família. As saudades apertaram tanto em tão pouco tempo, olhei para as estrelas inúmeras e incontáveis vezes, para estas estrelas que me guiam e acompanham sempre, para estas estrelas que são muito mais do que estrelas para mim.
E agora para ti pai: neste dia soube que estes nossos amigos, teus e meus, quando souberam da tua partida para lá longe, para demasiado longe, puseram a bandeira do Clube Naval a meia haste. O teu clube pai, o nosso clube, onde vou e por onde passo tantas vezes para recuperar aquelas memórias que me são tão queridas, aquelas que me fazem bem.
Sinto assim, aos poucos que estou cá, sinto que saio desta dormência, deste sonho que me parecia envolver nos primeiros dias, e agora já com saudades, amigos, risadas, e aquela sensação boa do calor e do sol me abraçarem e me elevarem bem alto... agora sinto que recupero a pessoa completa que sabia ser no momento que pisasse Moçambique novamente.
Sem tempo para escrever, vivi intensamente esta semana, e agora em 5 minutos aqui vai um pequeno resumo do que fiz, e devo acrescentar, em muito boa companhia.
Na 6ª feira e no sábado fui jantar fora com os novos companheiros do programa contacto. Chegados aqui de fresco os novos contacteantes estavam cheios de energia e eu como tinha estado este mês enfiada no trabalho tinha também muita energia para gastar.
Jantámos no Mundo's num dia e no outro no Zambi, e aqui deu-se o primeiro reencontro. Um amigo de pré-adolescência, que me conhece desde os 11 anos, que conheceu os meus pais e a minha irmã, fizemos vela juntos, reencontrámo-nos em Portugal, e agora estamos finalmente os 2 novamente aqui. Em 2 ou 3 minutos pusemos uma data de conversa em dia, e em tão pouco tempo 15 anos de afastamento (mais coisa menos coisa) desapareceram. Reconhecemo-nos. "Estás bem?" "sim, muito bem" "que bom voltar a ver-te" " que bom estares aqui" "olha, lembras-te de fulano?" "este casou, o outro tem filhos, o outro está junto, o outro emigrou".... e no fim trocámos telefones, "vamos sair um dia, marcar um almoço com a malta" "sim, claro que sim".
Saída do restaurante com um sorriso nos lábios, o coração cheio de emoções, rodeada de novos amigos e a barriga a agradecer os magníficos camarões grelhados, segui para o bar que já é o meu favorito "Rua d'Arte".
E agora uma à parte para os amigos de Cabo Verde, este sítio faz-me sentir tão em casa... tão bem... parece que estou no Interarte com todos vocês a dançar ao ritmo das nossas 6ª feiras... é tão bom...
No Rua d'Arte mal entrei, uma cara curiosa e algo familiar olhou para mim fixamente, reconhecia o olhar de algum lado, mas não sabia de onde, dirigindo-se a mim perguntou-me se não o reconhecia, e assim reencontrei mais um amigo, um daqueles também de há 20 anos... um amigo que queria reencontrar desde que cheguei cá. Caí nos braços dele num abraço de anos de distância, para ver se o tempo que passou se encurtava, e bastaram algumas histórias recuperadas, algumas novas histórias de novos momentos das nossas vidas, bastaram novas partilhas, para que estes 15 anos desaparecessem num ápice, e voltássemos a sorrir com os olhares trocados da mesma forma, de quando éramos ainda jovens estudantes.
Neste dia dancei, dancei muito, e fiquei tão calada, porque me vieram à memória tantas e tantas recordações... de mim, dos meus amigos, da minha família. As saudades apertaram tanto em tão pouco tempo, olhei para as estrelas inúmeras e incontáveis vezes, para estas estrelas que me guiam e acompanham sempre, para estas estrelas que são muito mais do que estrelas para mim.
E agora para ti pai: neste dia soube que estes nossos amigos, teus e meus, quando souberam da tua partida para lá longe, para demasiado longe, puseram a bandeira do Clube Naval a meia haste. O teu clube pai, o nosso clube, onde vou e por onde passo tantas vezes para recuperar aquelas memórias que me são tão queridas, aquelas que me fazem bem.
Sinto assim, aos poucos que estou cá, sinto que saio desta dormência, deste sonho que me parecia envolver nos primeiros dias, e agora já com saudades, amigos, risadas, e aquela sensação boa do calor e do sol me abraçarem e me elevarem bem alto... agora sinto que recupero a pessoa completa que sabia ser no momento que pisasse Moçambique novamente.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Mamma Mia
E o fim-de-semana começou bem... para relaxar um bocadinho "Mamma Mia" no cinema mais perto de casa depois de jantar um fondue caseiro... a sala com o ecrã gigante, do qual já tinha muitas saudades, estava praticamente vazia e isso soube-me tão bem... Adoro ver filmes à vontade, assim posso rir sempre que me apetece sem me preocupar com o que os outros pensam. E desta vez para além de rir cantámos, eu e a minha irmã, praticamente todas as músicas que passaram no filme. Não sou propriamente fã dos ABBA, mas quando era pequena lembro-me bem de por o disco de vinil a tocar no gira discos, que ainda hoje funciona a custo, e de nós as duas de microfone em punho disputarmos a glória do momento perante as caras risonhas dos pais e avós que nos aplaudiam e fotografavam. Tal como os Beatles e alguns discos de Bossa Nova, os ABBA fizeram parte da minha infância, e mais do que ver na 6ª feira um filme de amor passado numa qualquer ilha grega, ao melhor estilo dos contos de fada, revivi pedaços sorridentes da minha infância. Saí do cinema mesmo no fim do filme, no fim da música, fomos as últimas a sair e saímos a dançar.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Diziam que...
Quando era pequena, lá para o final dos anos 80, época em que vivíamos em Manteigas, no coração da Serra da Estrela, lembro-me de se dizer que havia sempre um dia da semana em que cada um de nós não fazia anos. Ou seja, todos os anos o dia da semana a que calha o nosso aniversário muda, mas alguém dizia que havia sempre um desses dias da semana que nunca calhava, e eu lembro-me na altura de pensar que era a 5ª feira. Não sei bem porquê tive esta ideia... era ainda muito miúda e tinha poucos anos de lembranças para saber a que dias tinham calhado os meus aniversários.
Obviamente isto não passa de uma daquelas mentirinhas de criança... mas se fosse verdade e se eu pudesse escolher, escolhia a 2ª feira. É que se há dias difíceis geralmente são as 2ª feiras.
Obviamente isto não passa de uma daquelas mentirinhas de criança... mas se fosse verdade e se eu pudesse escolher, escolhia a 2ª feira. É que se há dias difíceis geralmente são as 2ª feiras.

quinta-feira, outubro 23, 2008
Era um vez no Espaço
Lembram-se? Eu lembro-me bem :)
"Lá em cima, há planícies sem fim
Há estrelas que parecem correr
Há o sol e a vida a nascer
Nós aqui sem parar numa terra a girar
Lá em cima, há um céu de cetim
Há cometas, há planetas sem fim
Galileu teve um sonho assim
Há uma nave no espaco, a subir passo a passo
Lá em cima pode ser o futuro
A alegria, vamos saltar o muro
E a rir, unidos num abraço
Vamos contar uma historia
Era uma vez... o Espaço
Lá em cima, já não há sentinelas
Sinfonia toda feita de estrelas
Uma casa sem portas nem janelas
É estenderes o braços e tu estás no espaço!"
por Paulo Carvalho
"Lá em cima, há planícies sem fim
Há estrelas que parecem correr
Há o sol e a vida a nascer
Nós aqui sem parar numa terra a girar
Lá em cima, há um céu de cetim
Há cometas, há planetas sem fim
Galileu teve um sonho assim
Há uma nave no espaco, a subir passo a passo
Lá em cima pode ser o futuro
A alegria, vamos saltar o muro
E a rir, unidos num abraço
Vamos contar uma historia
Era uma vez... o Espaço
Lá em cima, já não há sentinelas
Sinfonia toda feita de estrelas
Uma casa sem portas nem janelas
É estenderes o braços e tu estás no espaço!"
por Paulo Carvalho
segunda-feira, outubro 06, 2008
quarta-feira, setembro 26, 2007
Manteigas

Talvez muitos de vocês não saibam, mas eu vivi num sítio lindo entalado no meio da Serra da Estrela, que se chama Manteigas.
E hoje recebi um comentário inesperado a um dos posts neste blog que me fez relembrar tudo o que vivi e todos os que conheci.
Fui para Manteigas em 1985 (se a memória não me falha), era ainda muito miúda, entrei para a primária e a minha irmã (mais nova 3 anos) entrou para o jardim infantil. A minha escola, de arquitectura típica da época salazarista, tinha um ar imponente e frio, mas com o passar do tempo, foi ganhando uma dimensão humana que nunca esqueci.
Lembro-me ainda hoje das brincadeiras que fazíamos de Verão e de Inverno, da pintura do mural da escola, dos passeios ao rio, das caminhadas para casa com todos os amigos, de jogar às escondidas, de saltar ao elástico, da marmita que levava com o lanche... e de milhares de outras pequenas e grandes coisas que me fizeram ser quem hoje sou.
Lembro-me de todas as caras e da maior parte dos nomes, lembro de momentos de pura felicidade que partilhei com este amigos de infância, amigos que se foram separando com o tempo, mas que continuam a habitar na minha memória.
Muitas vezes pergunto-me o que será feito de todos e de cada um deles.
Gostava de ter acompanhado um bocadinho do percurso de cada um, gostava de saber se ainda temos semelhanças, se nos complementamos ou se aqueles foram momentos singulares da nossa vida.
Gostava de saber que vida têm, se estão bem, em quem se tornaram... gostava que cruzassem novamente o meu caminho, nem que fosse por breves instantes, para recuperarmos histórias e gargalhadas desses tempos.
Hoje quando recebi aquela mensagem revivi 4 anos da minha vida.
Hoje, passados 18 anos desde que saí do meio da serra, relembro todos os que fizeram e ainda fazem parte da minha vida. Todos os que cresceram comigo, todos os que partilharam comigo momentos, todos os amigos que nessa altura foram tão importantes para mim.
Obrigada a todos por terem existido para mim.
segunda-feira, agosto 27, 2007
A flor que dança só para mim
Quando estava em Cabo Verde adaptei-me a novas formas de comunicar com os amigos que tinha deixado em Portugal, mas sem dúvida a mais original de todas era a que me fazia acordar a dançar e a cantar logo de manhã. A minhas amigas GMB mandaram-me "a prenda"... uma flor que canta e dança e que enchia a minha casa de alegria logo de manhã. A Duna (a minha gatinha mais linda) saltava da cama e ia para a frente da flor, em posição de ataque, e logo que eu carregava no botão para iniciar a cantoria, ela atacava as folhas que balançavam... estão agora a imaginar a cena?
e a música era?????
"I used to think maybe you loved me now baby I'm sure
And I just cant wait till the day when you knock on my door
Now everytime I go for the mailbox, gotta hold myself down
Cos I just wait till you write me your coming around
I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooa
hand don't it feel good!!
Hey, alright now
and dont it feel good!!
hey yeh
I used to think maybe you loved me, now I know that its true
and I don't want to spend all my life, just in waiting for you
now I don't want u back for the weekend not back for a day,
no no no
I said baby I just want you back and I want you to stay
woah yeh!
I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooah
and don't it feel good!!
Hey, alright now and don't it feel good!!
hey yeh, oh yeh
and don't it feel good!!
walking on sunshine
walking on sunshine
I feel the love,I feel the love,
I feel the love that's really real
I feel the love, I feel the love,
I feel the love that's really real
I'm on sunshine baby oh
I'm on sunshine baby oh
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
and don't it feel good!!
I'll say it again now
and don't it feel good!!
cont till the end"
e a música era?????
"I used to think maybe you loved me now baby I'm sure
And I just cant wait till the day when you knock on my door
Now everytime I go for the mailbox, gotta hold myself down
Cos I just wait till you write me your coming around
I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooa
hand don't it feel good!!
Hey, alright now
and dont it feel good!!
hey yeh
I used to think maybe you loved me, now I know that its true
and I don't want to spend all my life, just in waiting for you
now I don't want u back for the weekend not back for a day,
no no no
I said baby I just want you back and I want you to stay
woah yeh!
I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooah
and don't it feel good!!
Hey, alright now and don't it feel good!!
hey yeh, oh yeh
and don't it feel good!!
walking on sunshine
walking on sunshine
I feel the love,I feel the love,
I feel the love that's really real
I feel the love, I feel the love,
I feel the love that's really real
I'm on sunshine baby oh
I'm on sunshine baby oh
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
and don't it feel good!!
I'll say it again now
and don't it feel good!!
cont till the end"
terça-feira, janeiro 16, 2007
Memórias
Há dias em que as memórias se apoderam de nós... e hoje é um desses dias...
A notícia de que ganhei o prémio de melhor estágio da Ordem dos Engenheiros foi publicada hoje na página do programa de estágios do ICEP que me levou a Cabo Verde, e quase de imediato começaram a aparecer mails de parabéns e de apoio de várias pessoas. Há momentos na vida de uma pessoa que nos apercebemos que somos capazes de fazer coisas difíceis, ou quase impossíveis, coisas que nos exigiram muito esforço e dedicação, e é muito bom quando vemos que esse esforço valeu a pena.
O ano do meu estágio em Cabo Verde (2005) começou com uma grande euforia e felicidade que foram rapidamente substituídas por desespero e tristeza profunda... Alguns de vocês não sabem, mas exactamente uma semana depois de ter chegado àquela terra maravilhosa, recebi a notícia que fez abalar o meu mundo e que me roubou definitivamente a inocência da juventude. Perdi-me e fui obrigada a achar-me... coisa que só tenho agora posso afirmar estar a conseguir fazer... No dia 5 de Fevereiro de 2005, à chegada ao aeroporto de Lisboa fui recebida com abraços e beijos de consolo, porque este foi o dia em que o meu pai morreu.
Não consigo explicar por palavras o que senti e o que ainda sinto, mas aqueles que já passaram pelo mesmo sabem bem do que falo, sentiram-no e sentem-no na pele tal como eu. Só consigo descrever como uma dor profunda de uma ferida que fica no peito e que com o passar do tempo nos habituamos a ela... nunca desaparece, apenas nos habituamos a sentir esta dor, e a cada segundo que passa sentimos a saudade cada vez a apertar mais e mais. Quem diz que o tempo tudo cura não sabe o que é perder alguém...
Depois da morte do meu pai fiquei por Lisboa durante 3 semanas, pensei várias vezes em não voltar a Cabo Verde, afinal não tinha nada que me obrigasse a voltar lá. Mas depois percebi que ficar cá não me ia ajudar nada, ao passo que voltando para Cabo Verde poderia continuar a ter uma vida minimamente normal. O programa de estágio estava definido, já tinha casa onde ficar e as minhas coisas tinham já desembarcado no porto do Mindelo. Pensei muito sobre o que fazer, e entre ficar quietinha no meu lugar (em Lisboa) sem trabalho, sem objectivos, sem nada para fazer além de me lamentar e chorar, decidi voltar. Em Cabo Verde tinha trabalho para pelo menos 9 meses, tinha um plano de estágio perfeitamente definido para mim, só tinha que trabalhar ao meu ritmo e no fim apresentar o relatório. Por outro lado as pessoas não me conheciam e como tal não sabiam nada de mim, nem tinham expectativas sobre o que podiam esperar de mim. O que era bom, tinha apenas de viver a minha vida sem ter que fazer e ser a pessoa que os outros esperavam ver em mim.
Então voltei. Nos primeiros tempos fiquei no meu canto, mas a pouco e pouco fui passeando nas ruas, fui conhecendo pessoas, fui passeando e mais tarde fazendo amigos. E os amigos que fiz foram daqueles que ficam, daqueles que estavam lá sempre prontos a dar-me apoio sem saberem o quanto me ajudaram a sobreviver. Alguns deles nunca chegaram a saber a importância que tiverem e têm para mim, alguns nunca souberam o que se tinha passado em Portugal, alguns só sabiam a minha história de Cabo Verde, e mesmo assim, estavam sempre lá para mim... A todos eles, aos que sabiam e aos que não sabiam da minha história, a todos os que me ajudaram a reencontrar-me e a construir uma nova história, a todos os que me ajudaram a viver em vez de sobreviver, a todos vocês Muito Obrigado.
O prémio que agora recebo vejo-o como um prémio por ter conseguido sobreviver e depois viver. Vejo-o como um prémio ao Amor e à Amizade, à conquista de independência e à celebração da união entre as pessoas. É um prémio que partilho com todos, principalmente com o meu Pai, a minha Mãe, a minha Irmã, os meus Avós, e toda a família, é um prémio que partilho também com todos vocês, os que chamo e considero meus Amigos.
Este prémio é tanto meu como vosso, foi a força e a amizade que recebi de todos, que me permitiu ir em frente e ultrapassar aquela que até agora foi a barreira mais dura e difícil de passar na minha vida.
Este prémio vem fechar um ciclo, um grande ciclo. Vem celebrar o pior e o melhor ano da minha ainda curta vida.
São momentos como estes que nos fazem crescer e nos fazem olhar para o mundo e para a vida como coisas extraordinárias que devemos cuidar e preservar. São momentos como estes que me fazem dizer
"Carpe diem"
A notícia de que ganhei o prémio de melhor estágio da Ordem dos Engenheiros foi publicada hoje na página do programa de estágios do ICEP que me levou a Cabo Verde, e quase de imediato começaram a aparecer mails de parabéns e de apoio de várias pessoas. Há momentos na vida de uma pessoa que nos apercebemos que somos capazes de fazer coisas difíceis, ou quase impossíveis, coisas que nos exigiram muito esforço e dedicação, e é muito bom quando vemos que esse esforço valeu a pena.
O ano do meu estágio em Cabo Verde (2005) começou com uma grande euforia e felicidade que foram rapidamente substituídas por desespero e tristeza profunda... Alguns de vocês não sabem, mas exactamente uma semana depois de ter chegado àquela terra maravilhosa, recebi a notícia que fez abalar o meu mundo e que me roubou definitivamente a inocência da juventude. Perdi-me e fui obrigada a achar-me... coisa que só tenho agora posso afirmar estar a conseguir fazer... No dia 5 de Fevereiro de 2005, à chegada ao aeroporto de Lisboa fui recebida com abraços e beijos de consolo, porque este foi o dia em que o meu pai morreu.
Não consigo explicar por palavras o que senti e o que ainda sinto, mas aqueles que já passaram pelo mesmo sabem bem do que falo, sentiram-no e sentem-no na pele tal como eu. Só consigo descrever como uma dor profunda de uma ferida que fica no peito e que com o passar do tempo nos habituamos a ela... nunca desaparece, apenas nos habituamos a sentir esta dor, e a cada segundo que passa sentimos a saudade cada vez a apertar mais e mais. Quem diz que o tempo tudo cura não sabe o que é perder alguém...
Depois da morte do meu pai fiquei por Lisboa durante 3 semanas, pensei várias vezes em não voltar a Cabo Verde, afinal não tinha nada que me obrigasse a voltar lá. Mas depois percebi que ficar cá não me ia ajudar nada, ao passo que voltando para Cabo Verde poderia continuar a ter uma vida minimamente normal. O programa de estágio estava definido, já tinha casa onde ficar e as minhas coisas tinham já desembarcado no porto do Mindelo. Pensei muito sobre o que fazer, e entre ficar quietinha no meu lugar (em Lisboa) sem trabalho, sem objectivos, sem nada para fazer além de me lamentar e chorar, decidi voltar. Em Cabo Verde tinha trabalho para pelo menos 9 meses, tinha um plano de estágio perfeitamente definido para mim, só tinha que trabalhar ao meu ritmo e no fim apresentar o relatório. Por outro lado as pessoas não me conheciam e como tal não sabiam nada de mim, nem tinham expectativas sobre o que podiam esperar de mim. O que era bom, tinha apenas de viver a minha vida sem ter que fazer e ser a pessoa que os outros esperavam ver em mim.
Então voltei. Nos primeiros tempos fiquei no meu canto, mas a pouco e pouco fui passeando nas ruas, fui conhecendo pessoas, fui passeando e mais tarde fazendo amigos. E os amigos que fiz foram daqueles que ficam, daqueles que estavam lá sempre prontos a dar-me apoio sem saberem o quanto me ajudaram a sobreviver. Alguns deles nunca chegaram a saber a importância que tiverem e têm para mim, alguns nunca souberam o que se tinha passado em Portugal, alguns só sabiam a minha história de Cabo Verde, e mesmo assim, estavam sempre lá para mim... A todos eles, aos que sabiam e aos que não sabiam da minha história, a todos os que me ajudaram a reencontrar-me e a construir uma nova história, a todos os que me ajudaram a viver em vez de sobreviver, a todos vocês Muito Obrigado.
O prémio que agora recebo vejo-o como um prémio por ter conseguido sobreviver e depois viver. Vejo-o como um prémio ao Amor e à Amizade, à conquista de independência e à celebração da união entre as pessoas. É um prémio que partilho com todos, principalmente com o meu Pai, a minha Mãe, a minha Irmã, os meus Avós, e toda a família, é um prémio que partilho também com todos vocês, os que chamo e considero meus Amigos.
Este prémio é tanto meu como vosso, foi a força e a amizade que recebi de todos, que me permitiu ir em frente e ultrapassar aquela que até agora foi a barreira mais dura e difícil de passar na minha vida.
Este prémio vem fechar um ciclo, um grande ciclo. Vem celebrar o pior e o melhor ano da minha ainda curta vida.
São momentos como estes que nos fazem crescer e nos fazem olhar para o mundo e para a vida como coisas extraordinárias que devemos cuidar e preservar. São momentos como estes que me fazem dizer
"Carpe diem"
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