segunda-feira, novembro 17, 2008

Consultas em pós-laboral

Pode parecer estranho à maioria das pessoas, mas para mim já não é... As consultas com o meu ginecologista são sempre a horas muito fora do normal, impraticáveis para grande parte das pessoas.
A primeira consulta estava marcada para as 19h, como a clínica é perto da casa da minha avó, decidi ir jantar com ela e fiquei lá a fazer-lhe companhia até que me telefonassem para o telemóvel a avisar que podia ir para o consultório (tal como estava combinado), eram 21h e ainda não tinha sido chamada... entrei na consulta às 22h.
A 2ª consulta foi marcada para as 22h e só se atrasou para as 22:30h, até que não foi nada mau.
A 3ª estava para as 19h, mas como havia um jogo de futebol de Portugal a essa hora o médico ligou-me a perguntar se não me importava de passar a consulta para depois do jogo, obviamente não me importei. A alternativa de ver o jogo com o médico a meio de uma consulta de ginecologia não me parecia muito viável...
A 4ª consulta era para ser às 22h e foi-se atrasando para as 24h quando fui atendida.
Mas a melhor de todas foi mesmo a última consulta. Estava prevista para as 21h, claro que quando foi marcada, fui logo avisada "sabe que pode não ser bem às 21h...", "eu sei, deve ser mais pelas 22h ou 23h, não se preocupe" respondi eu. Então nesse dia saí do trabalho fui ter com uma amiga minha e fomos jantar. Avisei logo que tinha uma consulta que devia estar a ser atrasada a qualquer momento. Às 19h recebo um telefonema a dizer "já temos uma previsão para a sua consulta, não se assuste, está prevista para a 1h da manhã", eu largo uma gargalhada e digo "não se preocupe que eu vou jantar fora, até me dá jeito". Depois viro-me para a minha amiga e digo "Susy, temos até à 1h", resposta dela "se não estivesses aqui comigo não acreditava". Lá fomos jantar e por a conversa em dia. O atraso do ginecologista veio mesmo a calhar, soube tão bem ter aquele tempo todo para conversar contigo. Já estávamos a precisar deste tipo de momentos. Com o telemóvel sempre por perto para não falhar as horas, vejo que recebo uma mensagem, a consulta foi atrasada para a 1:30h, e pronto, "tens de me aturar mais meia-horita". Às 2h da manhã fui atendida e cheguei a casa às 3h. Que longo dia...
Porque é que continuo a ir a este médico? Porque ele é o melhor. E não me importo nada de esperar para ser atendida por ele, confio a minha saúde na experiência dele. Porque me havia de importar se ainda por cima me dá a oportunidade de combinar encontros com amigas e com a família de cada vez que espero por ele?

domingo, novembro 16, 2008

E se Obama fosse africano?

"Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto. E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia."

Mia Couto
14/11/2008, jornal Savana, Maputo

sexta-feira, novembro 14, 2008

Pela Paz

Acho que por vezes ficamos demasiados passivos e calados, quando a alternativa de agir não custa mais do que mandar um mail, mesmo para os que "não têm tempo".
Agora, como noutros casos, é preciso que unamos esforços e façamos ouvir a nossa voz "Stand with the people of Congo" para que um dia não sejamos nós a precisar de ajuda.

"Na primeira noite, eles se aproximam
E colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
Pisam as flores, matam nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
Entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."

Maiakovsky

quinta-feira, novembro 13, 2008

Jornalismo

Hoje no Correio da Manhã, a propósito da eleição de Obama, Leonor Pinhão escrevia assim:
"(...) "Então, já notaste muitas mudanças no Mundo?" Sim, imensas. E George W. Bush também já notou. Esta semana recebeu a família Obama para um chá na Casa Branca e conduziu o presidente eleito à sala Oval. Isto foi esta semana. Porque há quatro anos, quando se conheceram, a primeira coisa que Bush fez depois de cumprimentar o negro foi ir a correr à casa de banho lavar as mãos. Por causa "das constipações" explicou Bush na altura. Esta semana nem espirrou. Porque o Mundo mudou."

O que tenho na minha secretária?

O que vamos acumulando no metro quadrado em que nos confinamos a maior parte do nosso dia, pode dizer muito de nós. Ora hoje dei por mim a olhar para o que tenha em cima da minha secretária e a lista é no mínimo variada, já para não dizer estranha aos olhos dos que a vêm de fora.

Para além do computador, teclado ergonómico e monitor plano topo de gama, sempre o melhor e mais actualizado da empresa (devo ser a menina mais pedinchona de bons monitores que já passou por aqui), tenho ainda um rato normalíssimo, um tapete de rato da empresa (porque eu sou daquelas pessoas que veste a camisola da empresa onde trabalha) e ainda um apoio para o pulso que é nada mais nada menos do que uma vaca de gel (que já mereceu variadíssimos comentários sempre divertidos).

Tenho depois todos os utensílios que se consideram indispensáveis num escritório, uma caixa tipo "desk set" com milhentas canetas de todas as cores, sendo que algumas funcionam e outras nem por isso, lápis, lapiseiras, réguas, borrachas, correctores, agrafadores, furadores, clips, molas, post-its novos e outros cheios de notas, tesoura, minas, e outras coisas mais.

Do lado esquerdo do computador tenho 5 pilhas de papéis e dossiers, que resumem todos os assuntos em que estou sempre a trabalhar e que acabam sempre por ser o meu arquivo e a minha biblioteca diária.

Um manual de Hidraúlica e um de Gestão de Resíduos, as minhas bíblias, fazem companhia a um pacote de bolachas e à minha caneca de chá cor-de-rosa que tem gatos desenhados e que me acompanha sempre para todos os trabalhos (já tive várias versões, mas o chá fez sempre parte).

E depois no meio disto tudo vêm as coisas mais pessoais: Um copo para as canetas, em madeira que veio de Moçambique que traz imensas recordações e me leva um bocadinho às minhas origens; 3 gatos (2 em madeira e 1 em pêlo) que me acompanham desde o meu primeiro trabalho, um deles desde o meu primeiro dia; 1 burro para me relembrar que nunca somos donos e senhores do saber e que temos sempre muito ainda por aprender; 1 barco em madeira que veio de Cabo Verde para recordar o trabalho que fiz lá e para recordar que a vida é uma viagem; 1 coral que existe desde que me lembro de mim; 1 pá de colocar cimento que veio do meu 3º trabalho para me lembrar que tudo na vida se constrói; 2 cavalos porque os adoro e admiro; 1 gota de água anti-stress e para lembrar que este é um bem precioso; 1 bruxinha protectora dos animais que me trouxe um amigo do caminho de Santiago; 1 borboleta efémera e bela, livre como o vento.

Confuso? não.... no meio do que parece ser esta confusão está muita muita organização.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Se eu pudesse...

Se eu pudesse escolher o que fazer à hora de almoço do dia de hoje sem restrições nenhumas de espaço, tempo ou dinheiro, o que é que escolhia?
Tenho duas respostas, uma para se fosse um lugar/espaço/tempo já conhecido e já passado, outra para uma nova ideia, um novo lugar. Mas hoje escolho um sítio do passado.
Teletransportava-me para o Vietnam, mais precisamente para uma embarcação tradicional com a proa em forma de cabeça de dragão que navega deslizante pelas águas lisas do rio Perfume, partindo de Hue a cidade imperial, e almoçava aqueles deliciosos springrolls, aqueles noodles, aqueles indecifráveis acepipes de todas as cores e feitios, que foram confeccionados a bordo. Recostava-me depois tranquilamente a apreciar a paisagem que passa devagar, os templos que se sucedem, as embarcações de pesca tradicional à rede, os chapéus em bico, repouso a minha mão na água do rio, troco sorrisos com os meus companheiros de viagem e penso "Amigos, como é bom estar aqui".

terça-feira, novembro 11, 2008

1ª Árvore de Natal

Este ano vou comprar a minha primeira árvore de Natal, mas esta tarefa simples está a revelar-se bem mais complicada do que eu pensava. Primeiro vão dos 5€ aos 199€, ridículo... depois há-as de todas as cores: verdes, azuis, vermelhas, douradas, castanhas, pretas, prateadas, de arame, de luz, de ráfia, enfim... Algumas nem parecem árvores de natal... Com esta variedade toda tive que primeiro definir o que é que eu procurava: uma árvore tipo pinheiro, verde, até 1,50m de altura, farfalhudo, fácil de arrumar e que não se desfaça de cada vez que passe uma brisa.
Não, não opto por nenhuma árvore natural, e a explicação é simples, a maior parte das árvores naturais que se vendem nesta época não as cortadas por haver excedente, são mesmo as que se cortam para fazer dinheiro. Ainda se fosse para ajudar ao ordenamento da floresta portuguesa ou qualquer coisa do género, mas agora para encher os bolsos de alguns e contribuir para o abate descontrolado de pequenas árvores... isso não. Por outro lado podia ser uma planta natural envasada sem ser cortada, mas aí iria estar a condenar a pequena planta a uma morte lenta, visto ter as janelas fechadas ao longo de todo o dia e o sol só entrar lá em casa ao fim-de-semana quando eu tenho tempo para as lides da casa. Tenho ainda uma outra opção, armar-me em louca comprar dezenas de metros de luzes de exterior, trepar para a árvore do relvado que existe à entrada do prédio e decorar ao meu gosto. Mas aí o mais provável seria ser visitada por uns senhores simpáticos de bata branca que me levariam numa carrinha almofadada para um sítio calmo para descansar.
Optando então pela solução mais racional e razoável, ou seja "árvore tipo pinheiro, verde, até 1,50m de altura, farfalhudo, fácil de arrumar e que não se desfaça de cada vez que passe uma brisa" verifiquei que as lojas do Chinês ficam logo postas de parte, bem como todas as árvores baratinhas (até 29,90€). Agora, resta-me percorrer alguns hipermercados e centros comerciais (bolas...) em horas de jogos de futebol que é para ver se não sou atropelada pela enchente de gente em crise que compra quinhentas mil coisas desnecessárias com o parco ordenado que recebem todos os meses e com o crédito pessoal que foi aprovado à 15 dias num balcão de um qualquer banco.
Para não desanimar, e caso não tenha paciência para me aventurar nesta odisseia (que é o mais provável) comprei um mini-pai natal autocolante que já aderiu à janela da minha sala, e por este andar já não deve conseguir sair de lá nos próximos 10 anos... (é da loja do chinês do bairro).
Entretanto vou descobrindo os enfeites que tinha guardado para a dita árvore de natal e vou espalhando pelas estantes... fica original. Se calhar é mesmo melhor pensar em criar a minha tradição natalícia lá em casa e esquecer, pelo menos por este ano, as tradições que tenho desde pequena.
Se tiver coragem ainda pergunto ao meu colega João quando é que o Benfica joga que é para ir nessa hora ao AKI.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Chá no Bairro Alto

O que fazer ao fim-de-semana?
Por vezes a imaginação esgota-se com o stress e o cansaço da semana, e esta vez parecia não estar a ser excepção.
Sexta jantar com os amigos, finalmente conseguimos reunir o grupo todo, ou quase todo, e foi muito muito bom.
No sábado dormir, ler, passear e tratar daquelas coisas chatas da casa, mas que todos temos de fazer.
Domingo - tempo para descansar mais um bocadinho e depois um chá/lanche revigorante com as amigas. "Vamos onde?" "Aqui ao lado", "Um bocadinho mais lá à frente", "A esta casa de chá"... hum... a indecisão do costume... e fomos parar a um dos meus sítios preferidos - Bairro Alto.
Parámos o carro no Príncipe Real com o objectivo de ir dar a conhecer o Pavilhão Chinês, que eu adoro, a uma das amigas, mas estava fechado.
Enquanto caminhávamos pela R. D. Pedro V iam surgindo algumas surpresas, todas as lojas e galerias estavam abertas, ouvia-se música em toda a rua e passeava um casal trajado à século XIX.
Fomos descendo à procura de uma mesa numa das pastelarias ou casas de chá, mas tudo estava cheio, parámos no miradouro junto à Calçada da Glória para apreciar a vista e a luminosidade magnífica da nossa cidade de Lisboa.
Continuámos a descida e finalmente encontrámos um recanto no café Royale já perto do Largo do Carmo.
À falta de sconnes vieram as torradas esquisitas e largos minutos de conversa.
Já era noite quando decidimos retomar a subida e o regresso a casa, o friozinho do Outono já estava a apertar principalmente para quem tinha decidido andar com roupa de verão, como tinha sido o meu caso.
Ao chegar novamente à R. D. Pedro V a música chegou novamente aos nossos ouvidos, mas desta vez ouviam-se também cantores que às janelas de um dos edifícios cantavam para quem passava e quisesse ficar a ouvir.
Dezenas de pessoas ficaram paradas nos passeios, os carros abrandavam e ficámos ali até ao fim.
Aplausos e mais aplausos... a melhor para mim foi "Amsterdam" de Jacques Brel... ouvi-la assim, uma música que adoro, num lugar que me é muito querido.... ai Lisboa Lisboa, são estes os momentos que ficam em mim.


sexta-feira, novembro 07, 2008

Estes últimos dias têm sido de loucos... a ansiedade parece que decidiu voltar a entrar em mim... isto não pode ser. Preciso gastar energias, dançar, correr, dar murros, nadar, gritar,... o que seja... preciso disso tudo e de dormir profundamente também, e de preferência antes de começar a bater com a cabeça nas paredes.
Tenho acordado sempre antes do despertador... sei que muitos de vocês dizem que isso não é nada mais do que o normal... mas não me venham dizer que depois de me deitar à 1h da manhã, é normal acordar às 5h sabendo que o despertador só estava programado para tocar às 7h... E agora imaginem isto todos os dias... Bolas, já chega.

Se isto continua assim o mais provável é cumprir rapidamente com todos os pontos do post anterior... e nessa altura o melhor mesmo é preparar-me para meter baixa por insanidade, não tenho a menor dúvida que qualquer médico ma dará de bom grado sem ser sequer necessário ir lá pedir.

Mas antes que isso aconteça, amigos preparem-se, hoje quero borga, quero e, se não desmaiar de sono, vou sair para dançar.

Como mostrar e manter um certo nível de insanidade

1. Na sua hora de almoço, sente-se no seu carro estacionado, ponha os óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade.
2. Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer batatas fritas a acompanhar.
3. Encoraje os seus colegas de gabinete a fazerem uma dança de cadeiras sincronizada consigo.
4. Coloque o seu recipiente do lixo sobre a mesa de trabalho e escreva nele, 'Entrada de Documentos'.
5. Desenvolva um estranho medo aos agrafadores.
6. Ponha café descafeinado na máquina de café, durante três semanas. Quando todos tiverem perdido o vício da cafeína, mude para café expresso.
7. No verso de todos os seus cheques, escreva, 'referente a suborno'.
8. Sempre que alguém lhe disser alguma coisa, responda, ' isso é o que tu pensas '.
9. Termine todas as suas frases com, ' de acordo com a profecia'.
10. Ajuste o brilho do seu monitor para o ní­vel máximo, de forma a iluminar toda a área de trabalho. Insista com os outros de que gosta assim.
11. Não use pontuação nos seus textos.
12. Sempre que possível, salte em vez de andar.
13. Pergunte às pessoas de que sexos são. Ria, histericamente, depois delas responderem.
14. Quando for à Ópera, cante com os actores.
15. Vá a um recital de poesia e pergunte por que é que os poemas não rimam.
16. Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exactamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois do seu chefe as usar. Tem, ainda, mais impacto, se o seu chefe for do sexo oposto.
17. Mande E-mail's para o resto da empresa, dizendo o que está a fazer, em cada momento. Por exemplo: 'Se precisarem de mim, estou na casa de banho'.
18. Coloque um mosquiteiro à volta da sua secretária e ponha um CD com sons da floresta, durante o dia inteiro.
19. Quando sair dinheiro da caixa Multibanco, grite.
20. Ao sair do jardim zoológico, corra na direcção do parque de estacionamento, gritando, 'Salve-se quem puder! Eles estão soltos!'
21. À hora do jantar, anuncie aos seus filhos: 'devido à nossa situação económica, teremos de mandar embora um de vós’.
22. Todas as vezes que vir uma vassoura, grite, 'Amor, a tua mãe chegou!'

quinta-feira, novembro 06, 2008

Girl talk

Ontem a minha amiga Sónia, amiga de longa data, desde o colégio, foi passar uma parte do serão comigo... o tempo passou demasiado depressa, mas mesmo assim conseguimos por a conversa em dia. Entre um brinde e outro aos bons velhos tempos, ao presente e ao futuro, recordámos histórias e rimos um bom bocado, como é hábito sempre que nos encontramos.
Obrigada amiga.
À nossa.

Nothing sweet about me

Ooh, watching me
Hanging by
A string this time
Don't, easily
The climax
Of the perfect lie
Ooh, watching me
Hanging by
A string this time
Don't, easily
Smile worth
A hundred lies

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
Tell you something
That I've found
That the world's
A better place
When it's
Upside down, boy

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
When your playing
With desire
Don't come running
To my place
When it burns
Like fire, boy

Chorus (4x):
Sweet about me
Nothing sweet
About me, yeah

Blue, blue, blue
Waves, they crash
As time goes by
So hard to catch
Too, too smooth
Ain't all that
Why don't you ride
On my side
Of the tracks

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
Tell you something
That I've found
That the world's
A better place
When it's
Upside down, boy

If there's lessons
To be learned
I'd rather get
My jamming words
In first, so
When your playing
With desire
Don't come running
To my place
When it burns
Like fire, boy

Chorus (6x):
Sweet about me
Nothing sweet
About me, yeah

Gabriela Cilmi

quarta-feira, novembro 05, 2008

Desculpa... mas explodi


Os lugares da minha vida

Já vivi em muitos sítios e viajei por muitos lugares, todos deixaram marcas, de todos tenho lembranças e memórias que fazem de mim quem sou e que moldam o que penso do mundo.
Hoje listo os lugares onde morei, e chego à conclusão que a maior parte começa pela letra M, M de Maravilhoso:
- Carnaxide, Portugal: desde que nasci em 1978 até que fui para o interior do país
- Manteigas, Portugal: enfiada num vale da Serra da Estrela entre 1985 e 1989
- Maputo, Moçambique: durante a guerra civil entre 1989 e 1992
- Miraflores, Portugal: colégio, liceu, faculdade e primeiros anos de trabalho (4 trabalhos em 4 anos), entre 1992 e 2004
- Mindelo, Cabo Verde: ilha de festa onde não se pode ter sono, durante 2005
- Miraflores, Portugal: regresso a casa, novo trabalho, novos desafios, crescer, entre 2005 e 2008
- Carnaxide, Portugal: mais um regresso mas para uma nova casa e uma nova vida, a minha primeira casa, T2 à minha medida, 2008

Lugar seguinte? esperem para ver...

Yes we can

Sim podemos. Podemos sempre.
Não é só uma expressão dita e aplicável a Barack Obama, é também uma expressão aplicável a muitos dos que conheço. Amigos e amigas que abraçaram e abraçam ainda novos desafios, que se lançam em novos rumos e novos percursos de vida. Mudam de país, de emprego, têm filhos, partem para o desconhecido e fazem dele o seu dia-a-dia, conhecem novas realidades e fazem-nas suas.
Deixando Portugal para trás numa fase das suas vidas relembro a menina de caracóis vermelhos que se lançou na descoberta da arquitectura tradicional da ilha de Santo Antão; a sonhadora bióloga que mergulhou primeiro por mares de S. Vicente e depois por mares açorianos; a morena que se apaixonou por Moçambique quando foi numa missão de apoio ao desenvolvimento e desde então ficou amarrada a África, passando da baía de Maputo para a agitada Luanda e agora lançando-se na maravilhosa aventura da maternidade; o casal que queria ter filhos e não podia, viajou para o Mindelo onde encontrou a menina dos olhos doces a que hoje chamam sua filha; o menino das bermudas que sempre soube tudo, partiu para o frio de Bristol onde desenha as asas que me levam para o outro lado do mundo.
Deixando outras paragens ainda lembro a menina sorridente e agitada que hoje cumpre o seu sonho na grande barreira de coral da Austrália; os dois espanhóis que tinham um bar em Barcelona e que decidiram pura e simplesmente deixar tudo e viver aquele ano no Mindelo para depois seguirem rumos diferentes e seguirem as suas vidas...
Todas estas pessoas e muitas muitas mais, sem esquecer as que não partem mas que ficam e cumprem cá os seus sonhos e desejos, todas estas lutaram e lutam pelo que querem, pelo que acreditam, pela sua vida. E todas estas disseram e ainda dizem "Yes I Can"

terça-feira, novembro 04, 2008

ZEN

Hoje preciso mesmo de ter o meu momento Zen... tenho que fugir à hora de almoço e deixar que os meus pensamentos voem para longe daqui.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Aboborita escrevia assim...

Chegam de novo as aves e as flores
cobrindo a terra alumiada,
renasce uma natureza perdida
com a primavera abençoada.

Beija-me a pele,
abraça o meu corpo esfaimado,
sacia minha sede de paixão,
toca com os lábios a minha face,
afasta os cabelos doirados
enaltecendo meus ombros,
tocam-me os raios divinos
alimentando meus olhos,

Os dedos brincam nos seios
descobertos pela suave brisa,
cantam os anjos nas nuvens
que se apressam na despedida,

Grita o sol bem alto
com regozijo profundo,
soltam as flores o odor
que reconforta o meu mundo.

Liberta-se então a minha alma
ouvindo as aves cantar,
santa melodia do monte
que corre desesperadamente para o mar.

A brisa me eleva bem alto,
acima da terra e do mar,
bate o coração mais forte
ansioso por estar a sonhar,

A paixão sobe-me ao rosto
fazendo meus olhos brilhar,
brinca o vento em meu corpo
tornando-o livre como o mar,

Soltos meus cabelos voam
o mais alto que podem chegar,
tocam o azul do céu infinito,
fim deste mundo bendito,

que me dá conforto e paz.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Cavalia

Fui ver um dos mais bonitos espectáculos de sempre... para mim, claro...
CAVALIA
Harmonia entre o homem e o cavalo, respeito e amizade entre dois seres diferentes e ao mesmo tempo complementares.
Assisti a tudo com um sorriso nos lábios e com o coração a palpitar no peito ao som da música e ao ritmo dos cascos, aplaudia a cada momento e frequentemente uma lágrima feliz caia pelo rosto... sem encontrar palavras que descrevam mais o que senti, apenas posso dizer Adorei.

quarta-feira, outubro 29, 2008

"Sliding Doors"

Sinto-me quase num momento "Sliding Doors". Para quem já viu o filme sabe mais ou menos do que estou a falar... Mas eu explico.
Nas últimas semanas tenho estado numa fase em que sinto claramente que tenho 2 percursos de vida que posso escolher, e tento imaginar como seria cada um deles. Consigo mesmo visualizar os próximos meses em cada uma das decisões que tome. Sinto que, se pudesse, queria viver estas duas realidades paralelas, tal como no filme. Mas ambas auguram cenários positivos, diferentes e emocionantes. Tenho dado por mim a "sonhar" com os meus 2 percursos de vida que se abrem nesta bifurcação clara que se marcou no meu caminho. Ambos têm coisas boas, ambos devem ter com certeza coisas más... mas ainda não consigo ter a dimensão correcta do que se perspectiva em qualquer um deles, porque a vida é cheia de incertezas. Ambos os percursos apresentam-se como desafios, agora qual deles o maior, qual o mais aliciante, qual o que tem mais a haver comigo?
A decisão está tomada, e foi tomada quase sem hesitações... terá sido por ser uma decisão que estava já tomada muito antes de ter surgido a dúvida? Claramente. Já sabia o que queria, este era um dos meus objectivos de vida, e todos os que partilharam algumas conversas e desabafos sabem-no bem.
Apesar de já ter decidido, e de forma convicta (devo acrescentar), relembro que como boa nativa de Gémeos que sou, se pudesse, preferia mesmo seguir os 2 percursos, viver 2 vidas, seguir pelos 2 caminhos que a vida me apresenta. Mas por agora vou só por um, pelo da direita (porque assim o defini), e mais tarde, se assim o entender, retomarei o outro caminho onde e quando tiver que ser, quando e se este se cruzar com o que hoje escolho, porque julgo não me enganar quando digo que o caminho que agora escolho é o meu caminho. E continuo viver a vida percorrendo cada passo com vista ao objectivo maior "Felicidade" e com a expressão "Carpe diem" na ponta da língua.

"È bella la strada per chi cammina,
è bella la strada per chi va,
è bella la strada che porta a casa
e dove ti aspettano già."

Claudio Chieffo

Tradução
"É bonita a estrada para quem caminha,
é bonita a estrada para quem vai,
é bonita a estrada que leva para casa
e onde já te esperam."

terça-feira, outubro 28, 2008

Atonement

Vi este filme no sábado, em português "Expiação". Comecei, como é costume por o "gozar" um bocadinho com o filme, achando que era leve... mas em pouco tempo percebi que não conseguia despegar os olhos da televisão, cada pormenor era importante, cada vez mais importante. Comecei a sentir um aperto no peito, e todas as sensações de quem vibra com os filmes... algo que já não me acontecia à algum tempo...
no fim acabei quase a chorar...
o filme é bom, é mesmo muito bom.
Têm de o ver.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Diziam que...

Quando era pequena, lá para o final dos anos 80, época em que vivíamos em Manteigas, no coração da Serra da Estrela, lembro-me de se dizer que havia sempre um dia da semana em que cada um de nós não fazia anos. Ou seja, todos os anos o dia da semana a que calha o nosso aniversário muda, mas alguém dizia que havia sempre um desses dias da semana que nunca calhava, e eu lembro-me na altura de pensar que era a 5ª feira. Não sei bem porquê tive esta ideia... era ainda muito miúda e tinha poucos anos de lembranças para saber a que dias tinham calhado os meus aniversários.
Obviamente isto não passa de uma daquelas mentirinhas de criança... mas se fosse verdade e se eu pudesse escolher, escolhia a 2ª feira. É que se há dias difíceis geralmente são as 2ª feiras.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Blimundo

"Havia um boi chamado Blimundo. Era grande, forte e amante da vida e da liberdade. Além disso, era muito amado e respeitado por todos, pois sabia pensar por si próprio, além de ser muito gentil com todos.
Ao saber da existência de criatura tão autêntica, Senhor Rei perguntou-se que boi seria esse, que ousava ser tão livre em seus posicionamentos e fazendo com que os outros bois lhe seguissem o exemplo. Se ele continuasse assim, quem faria, depois, o trabalho pesado do reino.
Ordenou, então, que Blimundo fosse pego morto ou vivo, a trazido até a sua presença.
Os homens do Senhor Rei saíram em busca do boi, mas este os encontrou primeiro e deu um fim neles. Ao saber da notícia, Senhor Rei reuniu os homens mais valentes do reino e os mandou capturar Blimundo, e os homens partiram. O boi, novamente, deu cabo dos homens. Quando recebeu tão triste notícia, Senhor Rei desesperou-se, mas logo ouviu falar de um rapaz que fora criado no borralho da cinza e que se prontifica a ir buscar Blimundo.
O menino pediu um cavaquinho, um “bli” dágua e uma bolsa de “prentém”. Além disso, quando retornasse queria a metade da riqueza do reino e a mão da princesa. Senhor Rei concordou e o jovem partiu. Então o jovem sai em busca do boi cantando uma canção que deixa Bilmundo encantado, na qual o jovem diz que, se Blimundo for com ele, casará com a Vaquinha da Praia. O boi pergunta se é verdade, o rapaz responde que sim. O jovem pede a Blimundo que o deixe montar, pois o caminho é muito longo. Ele deixa com a condição de que o rapaz continue cantando.
Senhor Rei colocou a tropa em pontos estratégicos para receber Blimundo. Ao ver o boi chegar, carregando o rapaz no lombo, cansado e feliz, Senhor Rei não acreditou. À porta do palácio, o rapaz pediu para descer do lombo de Blimundo a fim de fazer a barba antes de ser apresentado à Vaquinha da Praia. O jovem conta o seu plano ao Senhor Rei e leva até o boi um barbeiro com seus instrumentos. Atrás deles, Senhor Rei.
O barbeiro, enquanto Blimundo sonha com o amor da Vaquinha da Praia, corta-lhe a garganta com a navalha. Antes de morrer, o boi atinge o rei com uma patada que o mata. O rapaz e o barbeiro fogem, mas jamais esquecem o último olhar de revolta de uma criatura cujo único erro foi acreditar na harmonia, na justiça e na liberdade."

Conto Popular de Cabo Verde

quinta-feira, outubro 23, 2008

Era um vez no Espaço

Lembram-se? Eu lembro-me bem :)

"Lá em cima, há planícies sem fim
Há estrelas que parecem correr
Há o sol e a vida a nascer
Nós aqui sem parar numa terra a girar

Lá em cima, há um céu de cetim
Há cometas, há planetas sem fim
Galileu teve um sonho assim
Há uma nave no espaco, a subir passo a passo

Lá em cima pode ser o futuro
A alegria, vamos saltar o muro
E a rir, unidos num abraço
Vamos contar uma historia
Era uma vez... o Espaço

Lá em cima, já não há sentinelas
Sinfonia toda feita de estrelas
Uma casa sem portas nem janelas
É estenderes o braços e tu estás no espaço!"

por Paulo Carvalho

quarta-feira, outubro 22, 2008

Doentinha


Hoje devia estar na cama... tenho a garganta a doer, um peso nos olhos, um arrepio a percorrer todo o corpo. Vagueio pelo edifício com a chávena "miau" cheia de chá quentinho, pondero a hipótese de meter drogas no sistema (leia-se "Ben-u-ron") e vou tentando trabalhar mais um bocado.

segunda-feira, outubro 20, 2008

E com um gancho direito derrubo o meu adversário.
"KO" anuncia o juiz, e eu saio de cena cheia de energia e pronta para outras lutas.

terça-feira, outubro 14, 2008

Teoria do Gato Flutuante

"Soma de 2 teorias que resulta em uma nova teoria que irá revolucionar o MUNDO!

TEORIA Nº1: Teoria do Gato
Já dizia Murphy que sempre que jogar um gato para cima, ele nunca cairá de costas, sempre em pé.

TEORIA Nº1: Teoria da Bolacha
Já dizia Murphy que toda a bolacha com manteiga jogada para cima, vai cair no chão com o lado da manteiga para baixo.

SOMA DAS 2 TEORIAS Nº1 + Nº2 = TEORIA Nº3:Teoria do Gato Flutuante
Essa teoria soma as duas teorias, resultando em uma nova.
Pegue no gato, passe manteiga nas costas e jogue para cima.
Pela 1ª Lei ele não cairá de costas e pela 2ª Lei ele tem de cair com o lado da manteiga para baixo.
As forças se anulam e ele FLUTUARÁ!!"

segunda-feira, outubro 13, 2008

E por hoje chega.

2ª feira, dia 13 - "ainda bem que não é 6ª feira dia 13, serão seria um dia de azar" (Pensei eu logo de manhã ao abrir o computador).
Mais valia ter ficado calada... não foi propriamente um dia de azar, mas sim um dia muito muito mau... cheio de merdas (desculpem a expressão), cheio de chatices, gente a buzinar os ouvidos e mesmo gente a gritar comigo por causa de coisas que nem sequer têm directamente a haver comigo... enfim...
Acho que alguém lá de cima (o todo poderoso) se enganou. Fica no entanto o aviso para quem manda: Atenção, Hoje não é 6ª feira! e mesmo sendo dia 13, não significa que o dia tenha que correr assim! Obrigada pela atenção. Ahhh e já agora gostava de pedir que o dia de amanhã fosse normal... ou pelo menos um bocadinho melhor. Pode ser?

True Love...

His wife is injured and the condition is very appalling

He brings her food and attends to her with love and compassion

He brings more food but is shocked with her death and tries to move her
Aware that his sweetheart is dead he cries with adoring love
Standing beside her screaming because of her death
Finally aware that she would not return to him he stands beside her body
Photos of two birds have been pictured in the Republic of Ukraine .
The photographer sold these pictures for a nominal price to the most famous newspaper in France . And all the copies of that newspaper were sold out on the day of publishing these pictures.

Fim-de-semana

Mais um fim-de-semana passado... e este bem bom :)
Amigas e mais amigas, conversas que estavam adiadas à tanto tempo, finalmente fluiram à volta da mesa na Fábrica de Braço de Prata. Antes de ir lá já sabia que aquele espaço me inspirava... hummmm que bom...
Primeiro largos minutos cá fora sob as estrelas, a embalar as palavras com a brisa amena, depois entrámos palmilhámos cada canto, observámos cada fotografia, absorvermos bem a energia deste espaço. Seguimos para a livraria e, sem esperar, por detrás de uma porta pequena começo a ouvir as notas de um dos concertos que julgávamos já ter perdido. Entrámos e uma mesa vagou mesmo à nossa frente, melhor convite para ficar era impossível. Música a embalar os sentidos... a pouco e pouco o corpo descontraída com a massagem de sons, por dentro o coração vibrava... nos curtos intervalos aplaudíamos e lá fazíamos mais um ou outro comentário sobre "como estamos bem aqui"... Mesmo depois do concerto quase familiar, não conseguíamos vir embora, conversa, risota e até um chocolatinho delicioso para acompanhar.
O programa cultural era outro - Fado - mas acabámos mesmo a ouvir Jazz ( "Assim falava Jazzatustra" de Júlio Resende e convidados) e a conversar...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Desabafos

Voltar de férias não é fácil. Isso já eu sabia, mas mesmo assim mentalizei-me para o regresso e depois das primeiras 24 horas dolorosas, tudo parecia estar a voltar ao normal. O ritmo acelerou brutalmente e na 4ª feira já estava com o mesmo nível de stress que tinha antes de ir de férias, a única diferença é que estou muito mais descansada e já consigo dormir (algo que me faltou nos últimos 3 meses). Para tentar manter o espírito ao melhor nível e olhar sempre para o lado positivo tentei, e consegui, sair sempre praticamente a horas e curtir as últimas horas de cada dia. Executei algumas das tarefas que tinha planeadas e abracei mais umas novas, e segui em frente. Tentei sempre manter um espírito positivo, a sério que tentei. Mas há dias, ou melhor, há momentos em que bastam duas ou três palavras para deitar por terra o nosso ânimo. Parece que gostam de ver a pessoa em baixo, a pôr em causa as suas opiniões, o seu trabalho, e as suas energias.... bolas... Têm algum prazer especial em fazer isso? Passei as últimas horas a dizer "acho incrível", "como é que é possível", "isto não é normal"... Acho que já todos passámos por isto, mas continuo a achar que "não havia necessidade"...
Bem... o que vale é que com os desabafos volto a ganhar um bocadinho de mim... a fúria começa a passar e penso "deixa estar". Volto a agarrar o meu objectivo de vida "felicidade" e um dos meus lemas preferidos "carpe diem" e sigo em frente. Logo à noite encontro com os amigos, daqueles que me fazem bem. Daqui a 5 minutos já saiu a nuvem negra do meu sistema, e a vida continua, o sol brilha ainda e eu canto "I'm walking on sunshine oohhh oohhh".

Hoje recebi um mail que dizia assim...

Aprendi....que ninguém é perfeito
enquanto não te apaixonas.

Aprendi....que a vida é dura
mas eu sou mais que ela!!

Aprendi que...as oportunidades nunca se perdem
aquelas que desperdiças... alguém as aproveita

Aprendi que...quando te importas com rancores e amarguras
a felicidade vai para outra parte.

Aprendi que... devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.

Aprendi que...um sorriso
é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.

Aprendi que... não posso escolher como me sinto...
mas posso sempre fazer alguma coisa.

Aprendi que...quando o teu filho recém-nascido segura o teu dedo na sua mão
têm-te preso para toda a vida

Aprendi que...todos querem viver no cimo da montanha...
mas toda a felicidade está durante a subida.

Aprendi que... temos que gozar da viagem
e não apenas pensar na chegada.

Aprendi que...o melhor é dar conselhos só em duas circunstancias...
quando são pedidos e quando deles depende a vida.

Aprendi que...quanto menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Che (1928 - 1967)

Hoje o sol cantava...

You're a falling star, You're the get away car.
You're the line in the sand when I go too far.
You're the swimming pool, on an August day.
And You're the perfect thing to see.

And you play your card, but it's kinda cute.
Ah, When you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend, that you don't know it's true.
Cause you can see it when I look at you.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.

You're a carousel, you're a wishing well,
And you light me up, when you ring my bell.
You're a mystery, you're from outer space,
You're every minute of my everyday.

And I can't believe, that I'm your man,
And I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way, ah we'll see it through,
And you know that's what our love can do.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing
You're every line, you're every word, you're everything.

So, La, La, La, La, La, La, La
So, La, La, La, La, La, La, La

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.
You're every song, and I sing along.
'Cause you're my everything.

yeah, yeah

So, La, La, La, La, La, La, La
So, La, La, La, La, La, La, La

Kamikase

Porque é que os kamikase usavam capacete?
Parece-me um desperdício de recursos...

Pergunta sem resposta do dia

"Porque é que temos os despertadores adiantados 10 minutos, se depois ficamos a dormir mais 11 minutos e acabamos sempre por chegar atrasados?"

quarta-feira, outubro 08, 2008

casa-trabalho

Saio de casa, apanho um bocadinho de pára-arranca, sigo pelas rotundas de Carnaxide e entro na A5, anda-se bem até à fila no alto de Monsanto, desço para a ponte 25 de Abril e aqui vou eu na A2, geralmente na via mais à esquerda porque todos os dias apanho molengões na autoestrada. São 38 km de relax a ouvir a rádio, antes ainda tinha stress, estava sempre com pressa e atrasada, mas agora já desisti... mais vale ir descansada e acabo por chegar à mesma hora.
No inverno temos gelo nos campos já a chegar a Coina, no verão o sol bate nos braços e na cara... humm... como sabe bem.
Chego ao trabalho e aquele friozinho instala-se quase nos ossos enquanto percorro a pé o troço mais bonito do percurso. Cruzo-me com caracóis, lagartixas, pássaros, borboletas e outros. Sabe-me bem chegar aqui. Árvores, relvado e a quinta do Sr aqui do lado... em algumas épocas ainda consigo colher uns frutos mesmo junto ao meu edifício, e como sorte à hora do almoço ainda consigo ir fazer uma pequena caminhada pelo perímetro... trabalhar em Lisboa? Não, agora não obrigada. Estou bem aqui.

terça-feira, outubro 07, 2008

Bunker

Este meu bunker é um desespero... trabalho, trabalho, pessoas batem à janela e fazem adeus, não temos rede de telemóvel, a luz é sempre artificial... Chove lá fora e nem damos conta, o mundo por detrás da janela para o corredor continua e nós nem damos conta... parecemos 2 peixinhos dourados no aquário às voltas com os números no computador e quase a bater com a cabeça na parede (ou no vidro do aquário).
Passa mais um colega no corredor a fazer adeus, e eu respondo à peixinho... sempre dá para largarmos uma gargalhada e animar um bocadinho estes momentos.
Daqui a pouco são 6 horas e o resto do dia lá fora ainda promete, só é pena não estar sol, mas mesmo a chuvinha na cara é bem vinda, faz-me sentir bem, faz-me sentir com vida.

segunda-feira, outubro 06, 2008

E para recordar...
Ilha de Sto Antão.
Para mim sinónimo de paz, tranquilidade, ar puro, serenidade, gente simples, cheiro a verde, mel de cana e grogue.

Tantas coisas novas

Passado um ano desde a última vez que escrevi no blog tenho muitas novidades para contar. :) Neste momento só posso falar sobre algumas porque as outras ainda são ideias que estão a maturar. Este ano:
- Comecei e acabei a tese de mestrado;
- Paguei o meu carro;
- Comprei uma casa e mudei-me para lá;
- No trabalho as coisas correm bem;
- Na APEA também tudo sobre rodas.
Como têm sido muitas as coisas tem sobrado pouco tempo para as outras que me dão muito prazer, mas a pouco e pouco retomo o ritmo dos encontros com os amigos, dos passeios por Portugal ao fim-de-semana e dos jantares com a família.
Este para mim está a ser um ano de regressos, depois de uns anos difíceis, a vida volta novamente a ganhar forma e o sol volta a brilhar.
Mais uma vez o meu girassol canta cheio de ritmo e eu com ele danço, danço, danço até não poder mais.

sexta-feira, setembro 26, 2008

segunda-feira, outubro 08, 2007

Feliz

Porque é bom ser feliz
porque é bom encontrar a felicidade nas pequenas coisas, em cada bocadinho da nossa vida...

Aqui vai uma música para todos, para que sejam felizes.
E em especial para vocês Bernardo e Patrícia, cujo casamento adorei e ficará sempre presente na minha memória.

Viva o Amor

"Você é assim
Um sonho prá mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim
Um sonho prá mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim

Um sonho prá mim
Você é assim...

Você é assim
Um sonho prá mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito

Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o teu amor"

quarta-feira, setembro 26, 2007

Manteigas


Talvez muitos de vocês não saibam, mas eu vivi num sítio lindo entalado no meio da Serra da Estrela, que se chama Manteigas.

E hoje recebi um comentário inesperado a um dos posts neste blog que me fez relembrar tudo o que vivi e todos os que conheci.


Fui para Manteigas em 1985 (se a memória não me falha), era ainda muito miúda, entrei para a primária e a minha irmã (mais nova 3 anos) entrou para o jardim infantil. A minha escola, de arquitectura típica da época salazarista, tinha um ar imponente e frio, mas com o passar do tempo, foi ganhando uma dimensão humana que nunca esqueci.

Lembro-me ainda hoje das brincadeiras que fazíamos de Verão e de Inverno, da pintura do mural da escola, dos passeios ao rio, das caminhadas para casa com todos os amigos, de jogar às escondidas, de saltar ao elástico, da marmita que levava com o lanche... e de milhares de outras pequenas e grandes coisas que me fizeram ser quem hoje sou.

Lembro-me de todas as caras e da maior parte dos nomes, lembro de momentos de pura felicidade que partilhei com este amigos de infância, amigos que se foram separando com o tempo, mas que continuam a habitar na minha memória.

Muitas vezes pergunto-me o que será feito de todos e de cada um deles.

Gostava de ter acompanhado um bocadinho do percurso de cada um, gostava de saber se ainda temos semelhanças, se nos complementamos ou se aqueles foram momentos singulares da nossa vida.

Gostava de saber que vida têm, se estão bem, em quem se tornaram... gostava que cruzassem novamente o meu caminho, nem que fosse por breves instantes, para recuperarmos histórias e gargalhadas desses tempos.


Hoje quando recebi aquela mensagem revivi 4 anos da minha vida.

Hoje, passados 18 anos desde que saí do meio da serra, relembro todos os que fizeram e ainda fazem parte da minha vida. Todos os que cresceram comigo, todos os que partilharam comigo momentos, todos os amigos que nessa altura foram tão importantes para mim.


Obrigada a todos por terem existido para mim.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Carta às minhas amigas

Estou tão irritada hoje...

acordei cheia de pica, com um sorriso enorme nos lábios e cheia de vontade de dizer bom dia a toda a gente. Mas ainda antes do almoço conseguiram pôr-me de rastos... Bolas.
Algumas pessoas estão sempre de mau humor, outras são todas sorrisos mas falam-nos com um ar tão cínico que até enjoa, outras nem bom dia dizem, e há ainda outras que são sempre iguais... cinzentas... em que nada muda.... acho que até a roupa é igual todos os dias...

Hoje está a custar-me muito mas mesmo muito estar aqui.... o Sol está a brilhar lá fora, e a brisa.... a brisa é bem mais pura que o ar condicionado que me mantém acordada.
Hoje era claramente um dia para estar na rua, a fazer qualquer coisa desde que fosse na rua.... em vez disso estou para aqui enfiada no meu "bunker" a levar com a luz artificial em cima e com o barulho irritante das máquinas que me rodeiam.

Assim, não tarda muito para me sentir doente.
O que vale é que sei que são muito raros os dias em que me sinto assim. Sei bem que amanhã a neura já terá passado e tudo vais voltando aos poucos à normalidade possível.
Por isto tudo, preciso mesmo de um jantar urgente, 6ª feira? sábado? quando quiserem desde que não passe muito tempo.
Acho que passamos demasiado tempo longe umas das outras e isso não é nada bom. Apesar de vos sentir aqui perto, preciso à mesma de vos ver e ouvir a vossa voz, preciso de desabafar e rir um bom bocado, apanhar uma piela caso seja preciso...
Hummmm, bora nessa?
Até já estou a ficar mais animada.
Já me apetece rir outra vez... só de me lembrar de algumas vezes que estamos juntas....
viva as GMB
Mil beijinhos para todas
Ana

sexta-feira, setembro 21, 2007

A história da Pantufa

À cerca de 1 mês e meio apareceu aqui uma cadelinha preta, de pêlo encaracolado, muito pequenina e cheia de medo. Andava sempre afastada das pessoas, mas a pouco e pouco, e porque a fome começava a apertar, a Pantufa (como foi entretanto baptizada) começou a chegar perto de nós. A princípio vinha a tremer, com o rabinho entre as pernas e punha-se logo de barriga para o ar, numa posição de submissão total. Percebemos então que deveria ter passado maus momentos antes de chegar aqui.
Com o passar dos dias a confiança foi aumentando, a tal ponto que, passadas 3 semanas, já vinha a correr atrás de nós a abanar o rabo e a pedir festinhas. A meiguice que tinha no olhar era óbvia, e o contentamento com os miminhos era retribuído com muitas festas.
Nesta altura percebemos que a barriga dela estava anormalmente grande, e começámos a suspeitar de uma gravidez, ou isso ou algo muito mau estaria a passar-se com ela. Num dia depois do trabalho, eu e mais duas amigas e colegas, demos um valente banho à Pantufa e, depois de muitas peripécias, metemo-la numa caixa transportadora e seguimos para o veterinário.
Já na clínica veterinária, fomos recebidas com muitas festinhas e carinhos, muitos sorrisos e atenção. Os cuidados que aqui prestam a todos os animais, pequenos ou grandes, sujos ou limpos, abandonados ou nascidos e criados em berço de ouro, são do melhor nível. As veterinárias e as assistentes são amorosas e têm-me sempre ajudado a resolver problemas. Por tudo o que têm feito e pelo apoio dado, aqui segue o meu sincero agradecimento.
A notícia foi recebida com entusiasmo: a Pantufa está grávida!!!
Fizemos Raio-X, e estimámos que seriam entre 3 a 5 cachorros. Demos as vacinas necessárias, desparasitámo-la, e pesámo-la - 6 kg de cão com presentes dentro da barriga...
Desde essa noite a Pantufa tem dormido em casa da Sandra que tem um óptimo quintal, e tem feito as nossas alegrias e a de toda a vizinhança.
Na sequência de um dos anúncios da Rusca (entretanto já com a nova família), apareceu a nova dona da Pantufa, que adorou as fotos e as descrições das andanças da nossa cachorra de adopção. Ficou combinado que a Pantufa irá para a nova casa logo que deixe de amamentar as crias e logo que estas sejam adoptadas também.
Nesta última semana, a cadelinha andava já com dificuldade, e só queria festinhas na barriga, sempre que podia encostava-se em qualquer lado e punha-se a dormir.
Na 4ª feira a Pantufa começou a fazer o ninho, a esgravatar por todo o lado e a recolher panos e folhas para um canto. Preparámos então uma espécie de casota, para onde ela entrou toda contente e fez de imediato dona e senhora do novo lugar. Percebemos à noite que ela não queria comer mais e fizemos as contas prevendo que a ninhada fosse nascer na noite de 5ª ou 6ª feira.
Logo bem cedo pela manhã (5ª feira), decidi, antes de ir trabalhar, passar pela casa da Sandra para por à disposição da Pantufa mais mantinhas e toalhas para o ninho. Quando cheguei deparei-me com a surpresa das surpresas: A Pantufa lavava cuidadosa e vigorosamente 2 cachorrinhos lindos.
O primeiro a nascer foi o branco com manchas pretas e já estava limpinho e sem cordão umbilical. O cachorrinho preto estava ainda coberto com parte da placenta, que a mãe se apressava a tirar.
Enquanto via estupefacta esta maravilha da natureza, reparo que a Pantufa faz alguma força com as patinhas de trás e de repente rebenta mais uma bolsa e sai o 3º filhote. Este era o branco com manchas castanhas, uma delas bem no meio da cabeça. Que lindo...
Quase não conseguia sair dali, mas tinha de a deixar em paz a tratar do assunto, e como o fazia tão bem, tinha a certeza que não havia motivos para preocupações.
Depois do trabalho fui a correr para ver a nova família canina, e quando chego, nova surpresa: afinal são 5 cachorrinhos todos lindos, limpinhos, a arrastarem-se à volta da mãe e a mamar desalmadamente.
A Pantufa logo que me viu veio pedir mais comida, e nunca pensei que uma cadela deste tamanho comesse tanto como o fez em 2 minutos. Muito despachada voltou rapidamente para junto das crias e não saiu mais. A postura dela é de mãe super protectora, e eu estou contente que ela esteja a agir assim.
Agora temos 5 bébés lindos a "miar" lá por casa a pedir mimo e atenção. Ainda não sabemos quantos são macho ou fêmea, mas isso com o tempo vamos descobrindo. Na ninhada temos estas combinações de cores:
- 1 preto
- 1 castanho-escuro com manchas brancas
- 1 branco com manchas pretas
- 2 brancos com manchas castanho-escuro
Estes malhados parecem vaquinhas bebés... e são todos tão lindos com o focinho rosadinho...
Boa sorte para a Pantufa e para os seus bebés.

segunda-feira, agosto 27, 2007

A flor que dança só para mim

Quando estava em Cabo Verde adaptei-me a novas formas de comunicar com os amigos que tinha deixado em Portugal, mas sem dúvida a mais original de todas era a que me fazia acordar a dançar e a cantar logo de manhã. A minhas amigas GMB mandaram-me "a prenda"... uma flor que canta e dança e que enchia a minha casa de alegria logo de manhã. A Duna (a minha gatinha mais linda) saltava da cama e ia para a frente da flor, em posição de ataque, e logo que eu carregava no botão para iniciar a cantoria, ela atacava as folhas que balançavam... estão agora a imaginar a cena?
e a música era?????

"I used to think maybe you loved me now baby I'm sure
And I just cant wait till the day when you knock on my door
Now everytime I go for the mailbox, gotta hold myself down
Cos I just wait till you write me your coming around

I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooa
hand don't it feel good!!
Hey, alright now
and dont it feel good!!
hey yeh

I used to think maybe you loved me, now I know that its true
and I don't want to spend all my life, just in waiting for you
now I don't want u back for the weekend not back for a day,
no no no
I said baby I just want you back and I want you to stay
woah yeh!

I'm walking on sunshine, wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooah
and don't it feel good!!
Hey, alright now and don't it feel good!!
hey yeh, oh yeh
and don't it feel good!!

walking on sunshine
walking on sunshine

I feel the love,I feel the love,
I feel the love that's really real
I feel the love, I feel the love,
I feel the love that's really real

I'm on sunshine baby oh
I'm on sunshine baby oh
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
I'm walking on sunshine wooah
and don't it feel good!!
I'll say it again now
and don't it feel good!!
cont till the end"

quinta-feira, agosto 23, 2007

As rosas têm espinhos...

Era uma vez um dia chuvoso e frio de primavera, corria o ano 2007 e era hora de almoço. O grupinho do trabalho, aqueles 4 do costume, decidiram arriscar o restaurante dos grelhados, para ver se animávamos um bocadinho da parte da tarde. Nesta semana o trabalho estava difícil, para além de ser muito, era sempre para ontem, e as pessoas começavam a ficar irritadas. Todos nos damos bem, mas em alguns momentos vêm ao de cima tensões que não ajudam a passar os dias.
Ao chegar ao restaurante a chuva abrandou mesmo de propósito para não termos de correr até à porta do restaurante, mesmo de propósito para passarmos devagar no pequeno jardim, mesmo de propósito para termos tempo de olhar para o lado e ver a única rosa que nos saudava. Esta rosa vermelha, enorme perfeita estava com pequenas gotas de água da chuva que intensificavam a cor e o brilho.
Enquanto a observávamos, já com um sorriso nos lábios, lembrei-me que todas as rosas têm espinhos... e nem por isso deixam de ser bonitas e de nos trazer felicidade... tal como tudo o resto na vida.

Desabafos dos últimos dias

Tenho andado, estes últimos dias, cheia de vontade de escrever, não sei muito bem sobre o quê em particular, mas tem-me apetecido escrever. Só que a vidinha do dia-a-dia em Portugal não deixa muito espaço/tempo para fazermos o que mais nos apetece...
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Tive férias durante duas semanas e em vez de ir viajar decidi ficar por Lisboa para tratar de papeladas, para descansar e para decidir se sempre vou em frente com o mestrado. Na primeira semana até que tratei de muitas coisas e ainda deu para dar uns saltinhos à praia na Costa da Caparica. O vento não ajudou muito aos banhos e o sol estava quente demais para ficar estendida na toalha, mas andar na areia fez-me bem. Na segunda semana, quando me preparava para ir com força e assiduidade à biblioteca da faculdade para fazer pesquisa para o mestrado, um vírus trocou-me as voltas... eu que não ficava doente a sério à alguns anos, fui atacada pela virose da época e fiquei mesmo de cama sem conseguir ser muito produtiva... o sol lá fora não só chamava para a praia, como o mestrado chamava por mim, mas a cama era o lugar de eleição... infelizmente.
Depois das férias e já com mais energia, o trabalho veio em força... e com tanta força que rapidamente me tirou horas de sono e me relegou para o nível mínimo de energia... que seca!!!
Agora no meio de um pequeno intervalo, decidi finalmente escrever....
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Estes últimos dias estive a pensar como gostaria de ter tempo e de ter ideias para escrever todos os dias... e mesmo que não escrevesse no blog, ao menos que conseguisse escrever uns mails, mas cartas e umas mensagens aos vários amigos e conhecidos com quem tenho partilhado a minha vida... Às vezes a vida torna-se tão "vidinha" que é difícil fazermos tudo o que nos dá prazer e acabamos por deixar ficar para trás pessoas e momentos que nos marcaram muito... tenho pena, mesmo pena que isso esteja a acontecer comigo tal como acontece com os outros.
Tenho vontade de telefonar a todas as pessoas, de ir tomar café, de contar histórias, mas não sou só eu que tenho pouca disponibilidade e tempo para estar e partilhar a vida com o mundo que nos rodeia.
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Tenho também vontade de viajar... acho que devia fazer outra viagem este ano, preciso mesmo das duas viagens anuais para poder manter o meu espírito ligado ao mundo, para me manter com os olhos abertos e a mente activa.
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Percebi com o pouco que tenho feito e o muito que quero fazer, que tenho saudades de muitas coisas, mas principalmente tenho saudades de dizer quase gritando com os olhos a brilhar a voz cheia de força "Carpe diem"

quinta-feira, julho 12, 2007

Já somos 3 a trabalhar

No meu gabinete trabalho eu e a Célia, as duas calminhas e isoladas do resto do mundo, a trabalhar no GPCG.
A nossa janela dá para o corredor e todos os que aqui passam ora batem no vidro ora nos lançam um sorriso de bom dia e nos fazem adeus... de vez em quando temos visitas que nos perguntam como estamos ou nos tiram dúvidas ou nos pedem coisas...
Mas ultimamente temos sido visitadas com mais frequência e as conversas que daí advêm têm sido bem mais leves do que o habitual, e a razão é ainda pequena mas já se faz notar. É que agora já somos 3 a trabalhar aqui. A Célia está grávida, ainda de pouco tempo, mas já passeia uma barriguinha redonda por todo o edifício.
Ainda nem sequer está de 3 meses e já a semente está a mostrar que existe obrigando a mamã a comprar muito cedo roupas que lhe sirvam e que a deixem trabalhar confortavelmente. E ainda com tão pouco tempo, já é notícia aqui, ora pelos enjoos que provoca à mãe, ora pelas noites que já começa a fazê-la levantar-se, ora pelas ecografias e exames que se vão sucedendo.
Devo admitir que é engraçado assistir a esta roda-viva que se tem vindo a instalar por estes lados.
Um destes dias vou colocar aqui uma fotografia da barriga mais famosa da AMARSUL.

segunda-feira, julho 02, 2007

O meu novo vícío

Tenho um novo vício... pois é, tenho mesmo de o admitir...
Andar a cavalo... aiiii que maravilha. Todos os dias tento descobrir uma maneira de andar a cavalo o mais rápido possível: "já amanhã... hoje era melhor... e que tal já agora???"
Falo com os meus três companheiros de maluqueira, a Joana, a Ana e o Filipe, e lá vamos nós que nem loucos a correr para mais uma quinta, para mais uma escola.
Começámos todos no início do ano a ter aulas na GNR, todos um bocado a medo, por ser a primeira vez, por já não montar à muito tempo ou apenas pela excitação de estar ao lado de uma animal tão magnífico como este.
Os nossos treinadores, sempre pacientes, foram-nos pondo à vontade e ajudaram-nos a criar coragem e a estreitar os laços que agora temos com estas criaturas. Ali monta-se com gosto, com muito gosto, sempre com um sorriso nos lábios, mesmo quando quase se cai, mesmo quando se escorrega, nós voltamos sempre a levantar-nos e a montar novamente ainda com mais determinação.
Quando acaba a aula podemos sempre levar umas cenouras ou uns torrões de açúcar para presentear os nossos cavalinhos.
Agora que a escola fecha para férias o pânico abateu-se sobre nós... "3 meses sem aulas??? isso é muito tempo. É demais...", decidimos pôr mãos à obra, "vamos procurar uma escola onde continuar a treinar durante as férias" e assim foi.
Começámos as aulas de sela na Escola de Equitação do Casal do Penedo, perto de Lisboa, mas no meio do campo, longe da confusão. Foi a loucura colectiva... ficámos doidos... adorámos e não queríamos, nem por nada, ir embora. A aula era às 4h da tarde e só pelas 8h é que nos conseguimos separar. A conversa estava demasiado animada, o tema esse foi sempre o mesmo, mas nenhum de nós queria parar.
Procurámos mais quintas para tentar colmatar os "tempos mortos" entre aulas e para não perder o ritmo. Parámos em Belas para recuperar forças e refrescar, com uma coca-cola e uns deliciosos "fofos de Belas", "temos de repetir" comentávamos todos sem cessar.
Que dia em cheio, que fim-de-semana espectacular... culminou com um domingo de sol, que já ninguém esperava, mais uma aula de equitação para acordar, um passeio na outra margem do Tejo (o deserto como alguns gostam de lhe chamar), uma torta de Azeitão e muita paz para respirar.

quarta-feira, junho 27, 2007

Campanha da União Zoófila

Ainda sobre os animais...

eis algumas das esfarrapadas desculpas que as pessoas costumam dar quando decidem abandonar um fiel amigo.
O vídeo é da União Zoófila e pretende combater o abandono dos animais de estimação. Gostava que estas campanhas tivessem um impacto muito maior sobre os estúpidos que fazem isto...

http://uz.edupt.com/uzfiles/contra_abandono_funeral.mpg

terça-feira, junho 26, 2007

A Rusca

Recolhi a Rusca à uma semana (18/06/2007) numa bomba de gasolina perto de Palmela, estava desorientada, cheia de pulgas e carraças, com fome e muito aflita a tentar identificar o dono, correndo atrás de pessoas e carros na esperança de o encontrar.
Trouxe-a comigo e levei-a de imediato ao veterinário que me confirmou que está tudo bem. Depois de desparasitada e de retiradas todas as pulgas e carraças, já tomou banho e já arranjou o pêlo que estava em muito mau estado.

A Rusca deve ter entre 1,5 a 2 anos, é arraçada de Podengo Português, é de porte pequeno-médio e tem a pelagem de cor castanha.

Ela come bem, é muito bem educada, anda sempre atrás de mim, mesmo na rua, não tendo sido ainda necessário utilizar trela. Julgo que ela foi treinada em pequena pois obedece a todas as ordens que lhe dou. É uma cadela muito meiga e amorosa, como sabem tenho e tive alguns cães, e conheço outros tantos, mas nunca tinha encontrado um tão especial assim.

Infelizmente não posso ficar com ela, pois não só não tenho espaço (vivo num apartamento e já tenho a Pituca), como também não tenho muito tempo para a poder mimar como merece.
Por isso pedia-vos a vossa ajuda para encontrar um novo dono que a receba de braços abertos e que a queira como companhia fiel e dedicada.

Bem sei que a maior parte de vocês não quer nem pode ficar com ela, mas peço-vos que reencaminhem esta mensagem para amigos vossos que a possam acolher.

O regresso do verão

Nem parece que já chegou o verão, o sol brilha com medo, as nuvens estão sempre presentes e de vez em quando lá decidem deixar cair mais uma chuvinha... o vento continua frio e a água do mar.... essa nem se fala. Se no calendário não dissesse que o verão tinha chegado, quase que não acreditava...
Mas não escrevo hoje este blog por causa do que o verão este ano ainda não trouxe, mas sim por causa das coisas que o verão já trouxe. Animais abandonados... às dezenas aqui perto... porquê?

Todos os dias a caminho do trabalho olho para as bermas à procura de algum gato ou cão que precisem da minha ajuda, mas invariavelmente o que encontro são corpos estendidos pelos quais já nada posso fazer. Todos os anos este cenário repete-se, mas nunca tinha chegado a ter um impacto assim tão grande em mim... é que agora ao trabalhar numa zona rural e longe das cidades, a história parece que se repete com maior intensidade, são muito mais do que eu estava à espera.

E pergunto mais uma vez, porquê?
Porque é que as pessoas decidem a certa altura da sua vida ter um animal de estimação, e depois, como se fosse muito normal, fartem-se deles no verão, só porque "dá muito trabalho", "não tenho onde os deixar"... e outras desculpas igualmente estúpidas...
Pois bem... será que estas pessoas ainda não perceberam que existem canis? e hotéis? e famílias de acolhimento? e até mesmo locais onde passam as férias que já aceitam animais nas suas instalações?

Será que estas pessoas não percebem que ao abandonar um fiel amigo não lhe estão a conceder liberdade, mas pelo contrário a levá-lo ao sofrimento e até mesmo à morte?

Imaginem, tentem só imaginar, o que seria de vocês se os vossos familiares vos levassem para longe de casa, para um sítio onde não sabiam onde encontrar comida nem abrigo, e como se a solidão e o desespero não bastassem ainda tinham que atravessar estradas cheias de carros a alta velocidade que não se desviam.... Conseguem imaginar?
Quando se abandona o nosso melhor amigo (sim, porque eles continuam a ser os nossos melhores amigos, pois nunca nos deixariam nem trairiam), é isto que acontece...

Algumas pessoas agora dizem, "mas depois há pessoas que os recolhem", pois há, mas não são assim tantas e por vezes não chegam a tempo de os ajudar.

De entre todos os animais (muitos) que tenho visto estendidos na berma, só consegui salvar 1. A Rusca, a cadela mais meiga que já conheci...

sexta-feira, abril 20, 2007

E o filho pródigo regressa a casa...

Depois de 17 meses... sim... quase 1 ano e meio... vou voltar a Cabo Verde... Ai que saudades...
Já tenho a mochila feita, os chinelos, o protector solar e a prancha de bodyboard já saíram do armário de inverno e preparam-se para mais uma jornada fantástica a caminho das praias que me acolheram em 2005 com tanto calor.
Desta vez a perspectiva é outra... vou só de férias, vou por pouco tempo, vou visitar os sítios e as pessoas que fizeram parte do meu quotidiano durante 10 meses da minha vida.
Serão apenas 11 dias, mas serão também 11 noites, não procuro descansar o corpo, mas sim a alma, apenas isso. Tirar o peso dos últimos dias de cima de mim, encher os olhos, os ouvidos, o nariz, a boca e as mãos de coisas que me fizeram bem e das quais sinto falta. A cachupa guisada com ovo estrelado logo pela manhã, a água quente e limpa do oceano que rodeia as ilhas, o sol a acariciar a pele, os pastéis de milho, as ondas do mar, a música que incessantemente enche o ar, o peixe fresco que se vende no mercado, o cinema no Éden (que espero que ainda funcione), o andar de chinelos no dedo para apanhar boleia para a praia, o vento que bate na cara, o riso dos amigos, as festas à noite, as longas conversas sempre acompanhadas de bom espírito... tudo... enfim... sinto a falta de tudo.
E por isto tudo, hoje vou regressar.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sentiste?

"Sentiste?" hoje esta pergunta andou de boca em boca...
poderia ter sido por causa de algum sentimento em especial, mas foi mesmo por um sentir diferente do normal.
"Senti" foi a minha resposta "Senti, pela primeira vez e nem queria acreditar". Enquanto falava ao telefone assuntos banais de trabalho, comecei a sentir o corpo todo a tremer, um tremor que vinha de dentro, de fora, de todos os lados. A mesa tremia porque o chão a fazia tremer,a água dentro da garrafa fazia ondinhas e as paredes vibravam muito mais que o normal (normal quando aqui ao lado passam pesados caminhões de recolha do lixo). Olhei pela janela e nada, olhei para o meu colega da frente e lá estava ele, como é habitual, impávido e sereno, perguntei ao telefone "Sandra, sentiste?" e ela pergunta de volta "O quê?". Depois da breve explicação comecei a pensar que era já o cansaço a apoderar-se de mim... pensei "ninguém mais sentiu, eu nunca sinto os tremores de terra... devo estar mesmo muito cansada... mas ainda hoje são 10:30 de 2ª feira!!!". Passado uns minutos os telefonemas começam a chover, todos começam a acordar para o abalo que fez tremer o nosso país. Nas primeiras notícias "6,1 na escalada de Richter... epicentro a 200km do cabo de S. Vicente". Ai se todos os abalos fossem assim... Se ao menos a terra fosse libertando aos poucos a energia acumulada, evitando assim tremores maiores...
O de hoje fez muita gente falar e pensar sobre a proteção das nossas casas, sobre a proteção das suas vidas, e fez lembrar sustos anteriores, alguns bem mais velhos do que eu.
Hoje nada de grave aconteceu, hoje continuámos todos sentados na mesma secretária a trabalhar como se nada fosse, mas hoje também lembrámo-nos, por breves instantes, que não mandamos nada e que somos tão vulneráveis como qualquer outro ser vivo... hoje alguns pensaram assim, mas outros continuaram indiferentes e imutáveis, cinzentos e quadrados. Para esses, os avisos nunca são demais e, por vezes, nem em situações extremas "acordam para a vida", mas esses outros, não interessam a ninguém...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

O Blog da Joana

Hoje, enquanto vageava por entre os blogs da minha eleição, decidi parar e ler com mais cuidado as histórias que uma grande amiga minha conta.
Li tanto tanto, até não poder aguentar mais... o que escreves toca-me, toca-me mesmo a sério, consigo ver nas tuas palavras, o que sentes dentro de ti, consigo quase tocar cada um dos objectos, cada uma das pessoas que descreves nos teus relatos... consigo ver-te muito mais além do que via quando te conheci.
Hoje com o que li no teu blog, não só tive vontade de escrever... escrever muito, como também senti que me "roubaste" as palavras...o que escreveste nos últimos dias tirou-me o fôlego... senti cada palavra com o peso do mundo e da sua beleza...
http://coisasdejoana.blogspot.com/
A Joana cruzou-se no meu caminho no Mindelo, em Cabo Verde... e para quem a conhece deve concordar comigo, é uma pessoa que se conhece e nunca mais se esquece... és especial. Tens o dom de estar sempre presente para dar apoio e de me rodear com a tua alegria. Obrigada Joana por todos os momentos que partilhaste e ainda partilhas comigo.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Memórias

Há dias em que as memórias se apoderam de nós... e hoje é um desses dias...

A notícia de que ganhei o prémio de melhor estágio da Ordem dos Engenheiros foi publicada hoje na página do programa de estágios do ICEP que me levou a Cabo Verde, e quase de imediato começaram a aparecer mails de parabéns e de apoio de várias pessoas. Há momentos na vida de uma pessoa que nos apercebemos que somos capazes de fazer coisas difíceis, ou quase impossíveis, coisas que nos exigiram muito esforço e dedicação, e é muito bom quando vemos que esse esforço valeu a pena.

O ano do meu estágio em Cabo Verde (2005) começou com uma grande euforia e felicidade que foram rapidamente substituídas por desespero e tristeza profunda... Alguns de vocês não sabem, mas exactamente uma semana depois de ter chegado àquela terra maravilhosa, recebi a notícia que fez abalar o meu mundo e que me roubou definitivamente a inocência da juventude. Perdi-me e fui obrigada a achar-me... coisa que só tenho agora posso afirmar estar a conseguir fazer... No dia 5 de Fevereiro de 2005, à chegada ao aeroporto de Lisboa fui recebida com abraços e beijos de consolo, porque este foi o dia em que o meu pai morreu.
Não consigo explicar por palavras o que senti e o que ainda sinto, mas aqueles que já passaram pelo mesmo sabem bem do que falo, sentiram-no e sentem-no na pele tal como eu. Só consigo descrever como uma dor profunda de uma ferida que fica no peito e que com o passar do tempo nos habituamos a ela... nunca desaparece, apenas nos habituamos a sentir esta dor, e a cada segundo que passa sentimos a saudade cada vez a apertar mais e mais. Quem diz que o tempo tudo cura não sabe o que é perder alguém...

Depois da morte do meu pai fiquei por Lisboa durante 3 semanas, pensei várias vezes em não voltar a Cabo Verde, afinal não tinha nada que me obrigasse a voltar lá. Mas depois percebi que ficar cá não me ia ajudar nada, ao passo que voltando para Cabo Verde poderia continuar a ter uma vida minimamente normal. O programa de estágio estava definido, já tinha casa onde ficar e as minhas coisas tinham já desembarcado no porto do Mindelo. Pensei muito sobre o que fazer, e entre ficar quietinha no meu lugar (em Lisboa) sem trabalho, sem objectivos, sem nada para fazer além de me lamentar e chorar, decidi voltar. Em Cabo Verde tinha trabalho para pelo menos 9 meses, tinha um plano de estágio perfeitamente definido para mim, só tinha que trabalhar ao meu ritmo e no fim apresentar o relatório. Por outro lado as pessoas não me conheciam e como tal não sabiam nada de mim, nem tinham expectativas sobre o que podiam esperar de mim. O que era bom, tinha apenas de viver a minha vida sem ter que fazer e ser a pessoa que os outros esperavam ver em mim.

Então voltei. Nos primeiros tempos fiquei no meu canto, mas a pouco e pouco fui passeando nas ruas, fui conhecendo pessoas, fui passeando e mais tarde fazendo amigos. E os amigos que fiz foram daqueles que ficam, daqueles que estavam lá sempre prontos a dar-me apoio sem saberem o quanto me ajudaram a sobreviver. Alguns deles nunca chegaram a saber a importância que tiverem e têm para mim, alguns nunca souberam o que se tinha passado em Portugal, alguns só sabiam a minha história de Cabo Verde, e mesmo assim, estavam sempre lá para mim... A todos eles, aos que sabiam e aos que não sabiam da minha história, a todos os que me ajudaram a reencontrar-me e a construir uma nova história, a todos os que me ajudaram a viver em vez de sobreviver, a todos vocês Muito Obrigado.

O prémio que agora recebo vejo-o como um prémio por ter conseguido sobreviver e depois viver. Vejo-o como um prémio ao Amor e à Amizade, à conquista de independência e à celebração da união entre as pessoas. É um prémio que partilho com todos, principalmente com o meu Pai, a minha Mãe, a minha Irmã, os meus Avós, e toda a família, é um prémio que partilho também com todos vocês, os que chamo e considero meus Amigos.
Este prémio é tanto meu como vosso, foi a força e a amizade que recebi de todos, que me permitiu ir em frente e ultrapassar aquela que até agora foi a barreira mais dura e difícil de passar na minha vida.
Este prémio vem fechar um ciclo, um grande ciclo. Vem celebrar o pior e o melhor ano da minha ainda curta vida.
São momentos como estes que nos fazem crescer e nos fazem olhar para o mundo e para a vida como coisas extraordinárias que devemos cuidar e preservar. São momentos como estes que me fazem dizer
"Carpe diem"