sábado, abril 23, 2005

Actualizando o blog...

Pois é ... depois de tanto tempo sem dizer nada decidi que hoje vou tirar o dia para escrever. Hoje estou com a neura, não me apetece trabalhar... está outra vez bruma seca (pó di terra) no ar, e a luminisidade estranha queima os meus olhos... para além disso estou com uma dorzinha de cabeça bem chatinha e deu-me a perguiça total e completa.... Por isso hoje, meus amigos, faço greve.
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Hoje, dia de greve pessoal e individual no trabalho , decidi que vos vos contar mais umas coisitas no blog. Não acabei de vos contar os dias em que tive visitas da minha mãe e da minha tia, e já passa um mês desde essa altua... já começa a ser demais.
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Por isso mais uma vez, vou-vos contar um pouco do que me lembro e do que ficou registado nas minhas máquinas fotográficas, durante o último mês... ou seja, hoje têm direito a um resumo... mas se tudo correr bem, apartir do fim deste mês já começam a ter novamente o diári completo das aventuras.

sexta-feira, abril 22, 2005

Um cheirinho da cultura no Mindelo

Este é um dos piores meses para a cultura do Mindelo, entre o Carnaval e o fim de Março (mês do teatro) todos os eventos culturais procuraram mostrar-se e ter lugar, agora as companhias de teatro e os grupos de música estão quase em retiro para prepararem novos espectáculos. O próximo mês de actividade cultural intensa irá ser Setembro, mas até lá temos que inventar coisas para fazer todos os dias.
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Felizmente a última peça que vi vai ser reposta hoje para preparar a sua apresentação em Coimbra. O “Alto Mar” repetiu-se e claro que nós fomos ver. Tal como da primeira, adorei a peça, e a minhas convidadas também. Foi este um dos melhores dias para elas também conhecerem as pessoas com quem costumo sair e combinar coisas, porque para não variar, estamos sempre os mesmos em tudo o que são eventos culturais. Esta cidade é pequena e portanto são poucas as pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que eu.
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Depois da peça seguimos para o restaurante Nella’s, onde praticamente todas as noites há o espectáculo do velho Malaquias. Penso que já vos falei nele. Este é um senhor com mais de 80 anos que toca violino e é acompanhado por mais 3 músicos com cavaquinho e com guitarra. É quase obrigatório ver e ouvir o Malaquias, mas depois de ver a primeira vez, tentamos não repetir tão cedo. É que ele não toca, ele arranha o violino, desafina-o, quase me rebenta com os tímpanos… è espectáculo para turista ver, e num dos restaurantes mais caros da cidade do Mindelo.

Regresso ao trabalho árduo

Depois de 4 dias de férias, de descanso e de reunião com a família, tive que voltar ao trabalho árduo… Agora sim, posso dizer que o trabalho é árduo, mas é muito bom voltar a ter energia para trabalhar. Finalmente tenho trabalho para fazer, tenho as ferramentas e o apoio de todos para desenvolver um bom trabalho na minha área preferida… só não tinha tido forças para pegar no trabalho sozinha, mas felizmente agora tenho tudo o que preciso para trabalhar, incluindo força e motivação. Em parte esta motivação veio com o tempo e foi acelerada por todos os que me têm dado apoio aqui e também aí em Portugal. O facto de ter tido cá a minha família foi o impulso final para me arrancar desta quase inércia, este era o arranque que eu precisava.
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Estes dias da semana estão a ser óptimos… tenho companhia boa para almoçar e jantar e a comida é sempre muito boa… peixinho fresquinho… hum que bom… Ao fim da tarde temos sempre ou quase sempre programas e coisas para fazer. Há sempre o encontro habitual na Casa Café Mindelo e tem havido convites de várias pessoas para nos encontrarmos e conversarmos um pouco ao fim da tarde.
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Todos os dias a minha mãe e a minha tia têm saído e conhecido pessoas fantásticas… pessoas que eu jamais irei conhecer como elas conhecem agora… pessoas que só se encontram durante a semana e a horas em que estou a trabalhar e em locais que não costumo frequentar a estas horas… São as pessoas que habitam e circulam na cidade do Mindelo durante o dia… E eu só circulo no Mindelo durante o fim de tarde e noite e aos fins-de-semana. Elas conhecem pessoas normais, vendedeiras do mercado municipal, emigrantes de outros países de África, estrangeiros que estão de férias ou a trabalhar aqui, artistas e até a primeira stripper de Cabo Verde…
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Mas estas aventuras são as aventuras delas, eu apenas partilho um pouco do que vivem aqui… eu tenho a sensação que as férias que elas estão a ter são totalmente diferentes das férias que se poderiam ter em qualquer outra parte do mundo… são estrangeiras mas estão a viver este país… olham e vivem com a curiosidade de um viajante mas aproveitam muito mais do que todos aqueles que desembarcam aqui de máquina a tiracolo e que caminham pelo centro da cidade e pensam conhecê-la em apenas 2 dias.

terça-feira, abril 19, 2005

último dia no Sal

Este dia foi passado com alguma agitação... arrumar a casa e as malas outra vez, tudo à pressa... sem esquecer os presentes que chegaram pelas mãos da minha mãe e que vieram directamente de Portugal...
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Prendinhas fresquinhas acabadinhas de chegar.... que bom... adorei os vossos presentes, bem sei que já o tinha dito, mas não posso deixar de reforçar a ideia... é tão bom ouvir boa música e acordar ao som do girassol... para quem não está dentro do assunto as prendas recebidas foram 2 cd's com música que eu adoro e uma foto das minhas amigas lindas na capa, 1 caneca que tanto jeito me dá, também com a foto de nós todas impressa para até ao pequeno-almoço não me esquecer de vocês, e uma flor cantante e dançante... um girassol que grita a "plenos pulmões":
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I'm walking on sunshine , wooah
I'm walking on sunshine, woooah
I'm walking on sunshine, woooah
and don't it feel good!!
Hey , alright now
and dont it feel good!!
hey
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Depois de ter a trouxa toda composta outra vez pegámos no carro e fomos dar a volta à ilha para a tia São a conhecer, e como tem muito para ver... (ironia), fomos novamente às salinas e à praia de Santa Maria. Na praia lá dei um mergulhinho de despedida na água azul turquesa ... que lindo... e depois de ver o produto da faina dos pescadores locais fomos comer uma sandwich e beber o meu sumo preferido, sumo de goiaba.
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A Rita e o Rui foram finalmente ter connosco e levaram-nos para o aeroporto... a aventura conjunta estava prestes a acabar... Eu, a minha mãe e a minha tia iríamos viajar para S. Vicente, e a Rita e o Rui ficariam até ao fim da semana no Sal para depois regressarem a Lisboa, porque o trabalho e a faculdade assim o exigem... que pena... Gostava tanto que tivessem vindo connosco...
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Depois das despedidas e de comer uma doçura de coco lá embarcámos no usual teco-teco a hélice que faz a ligação entre as ilhas. Depois do voo de vinda ter sido péssimo, estava cheia de medo de entrar outra vez neste avião, mas tinha que ser... e para pedir desculpas pelo mau tempo desta semana S. Pedro redimiu-se e deu-nos um tempo óptimo para fazermos uma boa viagem.
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A viagem dura apenas 45 min e neste período dá para se ver bastante bem a ilha de S. Nicolau, que me parece lindíssima, e também sobrevoamos os ilhéus Raso e Branco, logo depois iniciamos a descida para ir aterrar no aeroporto de S. Pedro, mesmo perto da praia, na ilha onde moro.
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A Carmita estava à nossa espera para nos levar a casa na sua carrinha de caixa aberta todo o terreno, e apesar de trazermos imensa bagagem a caixa aberta ainda deu para dar boleia 3 estrangeiros e um miúdo que vinham para cá à aventura e com pouco dinheiro. No fim da viagem a sua retribuição pela boleia foi um cd... afinal eles eram músicos...
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Chegadas a casa foi altura de apresentar o novo membro da minha família cabo-verdiana, a DUNA, a gata mais bonita do mundo... Foi surpresa total... acho que elas gostaram da minha gatita...
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Com a Duna completamente alucinada às voltas com as malas lá fomos desfazendo as trouxas de onde saltaram mais presentes... e desta vez o que é que me traziam para além da batedeira, da varinha mágica e da torradeira que tinha pedido? traziam-me massa, bacalhau, queijo, café, chouriço.... comidinha boa e que cá não há.... ou quando há é muito cara e não é de boa qualidade...
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Traziam também uma tábua de cortar queijos com os utensílios (lindíssima, adorei), e um gato almofada lindo amarelo e cor-de-rosa, para me fazer companhia... Na altura mal elas sabiam que já cá tinha um exemplar vivo e que já vão ser dois gatos cá em casa. O gato almofada foi chamado de gato desbocado, porque não tem boca, mas apesar disso tem muito para dizer.
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Obrigada lindas pelas vossas prendas e por terem vindo cá, foi óptimo ter-vos aqui comigo na minha primeira casa, na minha primeira aventura sozinha fora de Portugal... Obrigado por conhecerem os meus novos amigos e o meu novo meio... foi muito importante para mim...
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Depois de comermos rapidamente no Casa Café Mindelo (quase a minha segunda casa aqui) fomos ao Centro Cultural do Mindelo para assistir a um espectáculo de dança vindo directamente de Lisboa... apesar de eu não gostar de ballett moderno até gostei do espectáculo, mas vencer o cansaço foi difícil, e depois de longos minutos a aguentar a cabeça em pé e os olhos abertos, lá aplaudimos e fomos a arrastar-nos para casa...

segunda-feira, abril 18, 2005

Banho de sal

Depois do dia agitadíssimo de ontem quase não me conseguia mexer e por isso eu e a minha mãe decidimos ficar a descansar na parte da manhã na Murdeira, e só à tarde retomar a jornada no corta-relvas. Enquanto isso a Rita e o Rui decidiram começar o dia a fazer Kite e por isso encheram o sidekick vermelho com o equipamento todo e seguiram para sharks beach.
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Na Murdeira andámos a tentar apanhar um bocadinho de sol sem que o vento nos fizesse levantar voo, mas o dia estava impossível... quando surgiu uma aberta nas nuvens pegámos na mochila, nos óculos e nas barbatanas e seguimos para a praia do empreendimento. A praia foi construída em forma de concha para dentro de terra numa zona com rochas, ou seja, em princípio seria um bom sítio para ver alguns peixitos. Mas durante todo o curto caminho a pé fomos fustigadas por rajadas de vento carregado de areia, e chegadas à dita praia que ali estava plantada só para nós, tivemos que nos abrigar junto ao muro para não estarmos o tempo todo a comer areia.
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Ir à água era impossível, o tempo estava mesmo muito desagradável... como é possível? em Cabo Verde é sempre verão... mas de vez em quando o tempo prega umas partidas, e parece que S. Pedro escolheu a semana de férias da minha família para mostrar que quem manda ainda é a natureza...
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Depois de resistirmos alguns momentos decidimos ir pesquisar a piscina do empreendimento e o restaurante. Para usar a piscina precisávamos de pagar ou então de mostrar um cartão de posse de casa na zona, mas como não me apetecia pagar e como não tínhamos o cartão connosco... não fomos a banhos. Seguimos então para o restaurante, mas ainda estava fechado, então ficámos sentadinhas na esplanada a olhar para o mar, com uma vista óptima e aproveitei para tirar algumas fotografias com a minha super-máquina, vamos lá ver se fica alguma coisa de jeito.
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Voltámos para o apartamento, e no caminho andei a observar atentamente as vivendas que estavam construídas à beira de água... acho que já escolhi qual vai ser a minha casinha de férias quando "for grande" e puder viver dos rendimentos acumulados ao longo de anos intensos de trabalho... ou então viver dos ganhos de um possível totoloto, que apesar de não jogar sei que um dia vou ganhar.
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Como já eram horas de almoçar, fizemos umas sandocas e ficámos no apartamento a descansar um pouco até que chegasse a comitiva Kite. Passado algum tempo já eu estava quase a dormir até que ouvi ao longe o que me parecia ser o som de um tractor ou mesmo de um corta-relvas. Saí da casa e espreitei... o barulho não engana, ainda vinha longe mas já se ouvia claramente o jipe vermelho com os dois ocupantes "todos partidos" lá dentro.
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A expressão "todos partidos" aplicava-se totalmente à Rita e ao Rui, não só por andarem de jipe a cair aos bocados e com a suspensão inexistente, mas também porque andaram a manhã toda de kite e como o vento não estava para brincadeiras vinham com umas marcas a mais. Nódoas negras, arranhões, golpes e imensas dores musculares. Escusado será dizer que nesse dia não voltaram a fazer mais desportos radicais.
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Depois de comermos e descansarmos, e como o vento já tinha amainado, fomos novamente para a praia, mas desta vez para a parte de rocha e em mar aberto. Deste lado da ilha o mar está normalmente muito mais calmo, com menos ondas e com menos corrente.
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A Rita e o Rui lá foram ver uns peixinhos e uns corais enquanto eu me entretinha a apanhar conchas á beira de água. Que Paz... que descanso... Nada podia interromper estes momentos.... a não ser.... o toque de um telemóvel. Bolas... até aqui não me deixam em paz.
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Era a Carmita (a minha senhoria) a avisar que a Lígia (a tal portuguesa que está em Cabo Verde para adoptar uma criança) ir passar pelo Sal a caminho de Portugal, mais ou menos pela hora de jantar. Hoje teríamos então pelo menos duas idas ao aeroporto: para ir ter com a Lígia e para recolher o último elemento desta comitiva, a minha tia São.
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Como ontem tínhamos combinado com o Jô que íamos outra vez às Salinas, lá saímos da praia e metemo-nos do corta-relvas a caminho de Pedra de Lume. Lá estava já o nosso amigo Jô à nossa espera, mas hoje não estava acompanhado pelo Fredão (cadela com nome de cão). Fomos para a maior piscina de sal e com cuidado entrámos e ficámos a flutuar. Aqui não é preciso ter medo de aparecerem bichos ou coisas estranhas dentro de água, porque aqui nada sobrevive, só é preciso ter atenção para não mergulhar e não deixar entrar água para os olhos... se não temos problemas a sério...
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Começou a escurece e nós dentro de água a flutuar... parecia que estávamos no mar morto... Estávamos já a sair de dentro de água quando a minha mãe se começa a sentir mal... o jantar de ontem com o peixe frito não lhe fez nada bem ao fígado... que chatice...
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Voltámos rapidamente para casa para ela descansar e como não estava a ficar melhor fomos chamar a Drª Mónica, amiga da Srª que nos emprestou a casa e que mora num apartamento aqui mesmo ao lado. Não sabíamos bem o nº da casa, mas sabíamos que estava num bloco de doze casas, por sorte a primeira porta em que batemos era mesmo a dela, e em menos de 5 minutos já estávamos no nosso apartamento para ela consultar a minha mãe. Depois de uma brutal injecção e de uns valentes comprimidos as coisas começaram a melhorar e a minha mãe ficou a descansar.
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Entretanto fui ao aeroporto para ir buscar a Lígia que ia jantar connosco. Ela vinha toda contente porque a Vivian, a sua futura filhota já fez o teste do HIV e deu negativo, que alívio... Para além disso o processo já começou a andar e o juiz vai formalizar as coisas para a adopção até ao fim do mês, e por isso a Lígia volta a Portugal para tratar de tudo em casa e na Segurança Social para receber a sua menina em condições e com tudo em ordem.
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Fomos para a Murdeira jantar ao restaurante à beira da piscina... comer um peixinho grelhado... mesmo bom. Para a mãe pedimos um peixe cozido que eles prepararam com imenso cuidado para levarmos para casa (onde a minha mãe tinha ficado a descansar).
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Voltei a ir para o aeroporto mas desta vez para ir por a Lígia, e depois das despedidas voltei para a Murdeira até à hora de chegada do voo de Lisboa onde vinha a minha tia São.
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Estivemos a estupidificar em frente à televisão durante uma hora a ver a SIC, à espera que chegasse a hora do voo. Depois... quase a dormir... lá nos arrastámos para o jipe e com muito esforço seguimos para Espargos. O Rui ficou a dormir no carro e eu e a Rita ficámos a desesperar de frio e sono nos bancos desconfortáveis do aeroporto. Depois de mais de meia hora de atraso lá chegou o avião e lá veio a titia.
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Nova viagem no corta-relvas até Santa Maria para ir por a Rita e o Rui ao hotel, e depois nova viagem para a Murdeira para o merecido descanso dos guerreiros...
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A aventura deste dia acabou por volta das 2:30 da manhã... ufff que canseira.

domingo, abril 17, 2005

Parabéns a você...

Dia de anos da minha irmã mais linda e mais querida...
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Acordámos bem cedo como é costume em Cabo Verde e ainda antes de tomarmos o pequeno almoço já a Rita tinha recebido a sua 3ª prenda (chávenas de café em barro, algo toscas por serem de produção manual). Seguimos para a sala/varanda do pequeno-almoço e aí, mais uma vez eu não resisti aos magníficos ovos estrelados... aqui os ovos têm mesmo sabor a ovos... em Portugal isto já não acontece... é óptimo.
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Depois do "repasto" e de fazer umas sandocas para o caminho decidimos ir alugar um carro... a foi assim que conhecemos o "corta-relvas"... Corta-relvas é nome carinhoso que nós demos ao nosso "super-jipe" vermelho... E porquê este nome? Ora bem... por onde hei-de começar?... O Jipe era vermelho, era um modelo SideKick, tinha os estofos em muito mau estado, não tinha ar condicionado, tinha 5 portas sendo que as duas portas do lado direito só abriam por fora, um vidro abria totalmente, outro abria pela metade, outro precisava de ajuda com a mão para o subir e descer direito e o outro não mexia porque lhe faltava o manípulo, os pneus estavam quase carecas e o pneu de trás do lado esquerdo já estava furado, o que era menos uma preocupação... o furo era lento por isso 1 vez por dia convinha ir encher outra vez, para além disto nunca sabíamos muito bem quanto íamos gastar de gasolina porque o ponteiro da gasolina estava partido e não mexia... Mas isto tudo não é nada... comparado com o barulho ensurdecedor que o motor fazia na maior parte das rotações, sendo necessário treinar o pé para evitar aquela chinfrineira que nos fez baptizar o jipe vermelho de Corta-Relvas...
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Agora com um carro todo o terreno que podíamos partir á vontade, decidimos ir explorar a ilha... Começamos por Shark's Bay, que é relativamente perto de Santa Maria, mas a única forma de lá chegar com o equipamento todo de kite é de jipe pelo meio da areia. Para além de quase termos ficado atolados no meio do nada, a viagem até que foi interessante... tentar escolher o melhor caminho porque o 4x4 não funcionava... era obra difícil mas não impossível.
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Quando começamos a tirar a tralha toda da pequeníssima bagageira do jipe percebi que o vento a sério tinha vindo para ficar, e logo na semana de férias da minha irmã... bolas é preciso ter azar...
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Não consegui sequer tirar a prancha de bodyboard de dentro do saco, apenas consegui tirar algumas fotos do Rui a "Kitar" (fazer Kite surf) mas com imenso cuidado para não avariar a super-máquina com os biliões de grãos de areia que me atacavam sem dó nem piedade...
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Depois de um rápido mergulho e de uma corridinha para secar ao longo da praia saímos a correr para ir buscar mais uma visita que aterrava às 12:30h. A minha Mãe.
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Todos salgados e despenteados lá corremos para o aeroporto dos Espargos com o corta-relvas a bombar e chupar gasolina... se tivéssemos ponteiro da gasolina quase que jurava que o teria visto a descer com a velocidade alucinante a que andávamos na única estrada a sério do Sal (íamos a 60 Km/h).
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Como o aeroporto é enorme....(ironia...) a minha mãe conseguiu sair por uma porta enquanto nós esperávamos na outra... mas nada que uns 30 passos não resolvessem rapidamente. Aiiii que saudades.... foi tão bom ter-te cá mamã...
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E com a excursão quase toda reunida, pegámos nas malas pesadíssimas carregadas com os bens de primeira necessidade que tanta falta me faziam aqui (batedeira, varinha mágica, recargas de sabonetes e gel de duche, e até massa...), e fomos conhecer a Murdeira. Murdeira é um condomínio fechado com vivendas e apartamentos, com praia privativa e com segurança 24h. Era aqui que iríamos ficar instaladas (eu e a minha mãe) até ao dia da partida para o Mindelo.
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Saímos rapidamente de casa, sem sequer abrir as malas e lá seguimos para Palmeira, uma terriola perto de Espargos, onde existem casinhas coloniais giríssimas e casas de cimento novas ainda por acabar e muito feias naquela que é a zona nova do lugar. Foi no meio desta zona mais periférica que encontrámos o restaurante "Nôs Pimba", eheheh delirante... Aqui comemos um bom marisco... finalmente... Cracas, camarão e perceves.... hummmm, que bom... tirámos a barriga de misérias.
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Depois do almoço seguimos outra vez no corta-relvas para novas paragens, Pedra de Lume. É nesta localidade que se encontram as salinas que "no tempo dos portugueses" produziam grande parte da riqueza desta ilha, e tinham os equipamentos mais sofisticados para a extracção e exploração deste "ouro branco". O Jô, guarda e guia das salinas explicou-nos que as salinas estão no meio de uma cratera de vulcão que abateu, e que a água que abastece estas "piscinas" não é do mar, é do vulcão (diz ele)... O Jô segue a tradição do seu pai e do seu avô a cuidar destas salinas agora geridas por italianos... e nas suas lides diárias é acompanhado por um fiel companheiro o fredão, um cão rafeiro giríssimo, e que afinal não é cão mas sim cadela... O Jô é que ainda não sabe...
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Fomos ver as salinas bem de perto e depois de termos ficado com uns pequenos “recuerdos” combinámos com o nosso anfitrião que no dia seguinte voltávamos para tomar um banho dentro da salina principal... Uauuuu... o mar morto em ponto pequeno.
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Voltámos ao quarto de hotel para tomar banho e trazer as minhas coisas e para depois seguirmos para o jantar de anos da Rita no famoso Funáná. Funáná é o nome de um estilo de música típica de Cabo Verde, mas no restaurante não era esta a música que se dançava e ouvia. O restaurante é engraçado, mas o "cenário" é mesmo para turista ver... queríamos finalmente comer um peixinho grelhado (supostamente uma das especialidades do restaurante) mas o carvão tinha acabado, e por isso tivemos de comer peixe frito... podia ter sido pior.
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Ao jantar a Rita recebeu a minha última prenda, um espanta-espíritos feito por mim com contas de vidro de murano (Itália), quem quiser um parecido faça as suas encomendas, mas aviso já que sai caro... mais pelo material do que pela mão de obra, é que as coisas em CV são caras para burro...

sábado, abril 16, 2005

Santa Maria

Não, não estou ainda a rezar por causa do voo.
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Santa Maria é a praia mais conhecida da ilha do Sal, e consequentemente é a praia mais conhecida de Cabo Verde porque, (in)felizmente, quem vem aqui passar férias normalmente não vai ver as outras ilhas..
Ora o que fizemos nós neste dia? (perguntam vocês), fomos ver a praia ao pé do pontão e andámos a pesquisar o território à volta do hotel. Vimos uns Kites e apanhámos vento, muito vento...
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Voltámos para o hotel onde estava à nossa espera o "guia" para nos tentar "vender" umas excursões... o costume... já se sabe que é sempre assim... Mas conseguimos que ele nos desse informações preciosas... Como por exemplo sítios para comer fora dos locais mais turísticos... ou seja, tascas onde se come bem a comida local e barata...
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Depois de conseguirmos um mapa com as pouquíssimas ruas e estradas de terra batida do Sal, fomos descobrir a vila de Santa Maria. Esta vilazita tem 2 ruas principais ao longo das quais acontece tudo: a R. da Igreja e a R. do Relax. Durante o nosso percurso fomos frequentemente "assediados" por vendedores ambulantes que diziam vender artesanato "bom, mais barato" e que supostamente era de Cabo Verde, mas na maior parte das vezes é mesmo de "África". Para os cabo-verdianos África é o continente, Cabo Verde é uma coisa completamente diferente de África... e realmente quem conhece este continente percebe que é bem verdade...
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Ao longo da dura jornada debaixo de um sol forte e de uma ventania descomunal decidimos ir às compras para nos abastecermos para os futuros almoços na ilha. Comprámos pão acabadinho de fazer, bolachas, sumo e água, e como não encontrámos o típico queijo "di terra", que eu adoro, tivemos mesmo que comprar um queijo europeu qualquer.
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Continuámos então a nossa descoberta... seguimos até quase ao fim da vila e descobrimos uma praia muito fixe... com água quentinha (os normais 21ºC), com umas palhotinhas a fazer sombra e com montes de Kites e de velas de windsurf a acelerar por cima das ondas. Claro que perante este cenário o Rui não resistiu e lá foi alugar uma vela de windsurf para "apalpar terreno" e conhecer o mar e o vento.
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Depois do Rui acabar a volta de 1 hora decidiu ir ao hotel buscar o equipamento a sério: o equipamento de Kite surf. E aí sim... aí é que foi bombar... o vento é que estava um bocadinho forte e a empurrar para fora (alto mar), e por causa disso a Rita não pode "kitar".... foi pena queria mesmo ver-te a andar...
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Acho que neste dia tirei algumas das minhas melhores fotografias... não conseguia parar...
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Ao fim do dia... já um bocado cansados... estas actividades de praia cansam bué... fomos jantar ao Mateus, que é um dos restaurantes mais conhecidos de Sta Maria e onde se pode comer um bom peixe grelhado e ouvir boa música cabo-verdiana. Mas parece que hoje estávamos com azar... o peixe não estava nada de especial, o jantar foi caro (aliás como tudo aqui no Sal), a música não era só cabo-verdiana e eu fiquei com uma brutal dor de cabeça... Acho que estava a sentir os primeiros sinais de insolação... toca de tomar um "shot" de água com sal e açúcar para repor os níveis de água e sais no organismo, e depois é descansar até ao dia seguinte.
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Voltámos para o hotel por entre ruelas de terra batida e sem grande iluminação... E chegados ao "aconchego do lar" eram já 22:30h, ou seja eram 00:30h em Portugal... Aproveitei a deixa e dei a primeira prenda à aniversariante... a Ritinha uma boneca de pano típica de Sto Antão (a ilha mais bonita de Cabo Verde). Como as 23h chegaram depressa decidi dar-lhe também a 2ª prenda do dia de anos, uns copinhos para licor típicos de S. Vicente (a ilha onde vivo)... e como o cansaço já era muito adormecemos antes da meia-noite e portanto o resto das prendas teve que ficar para a manhã seguinte.

Um saltinho até ao Sal

Pois é... depois de terem passado 77 dias desde que pisei pela primeira vez o Sal e iniciei esta viagem-aventura deveras atribulada, com duas passagens rápidas pela pista do aeroporto dos Espargos à 70 e à 49 dias atrás (altura do meu regresso), voltei novamente a esta ilha mas desta vez por razões bastante diferentes...
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Desta vez regressei não para passar rapidamente para Lisboa, mas sim para ficar 4 dias com as minhas primeiras visitas e para passar os anos da minha irmã.
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Parti de S. Vicente perto das 23h, foi o pior voo da minha vida, logo que levantámos voo pensei que ia morrer... não estou a gozar... houve pessoas que até entraram em pânico quando a levantar da pista o avião inclina e quase que tocava com a asa direita no chão, acho que o comandante conseguir evitar o desastre por milímetros... para além disto estivemos o tempo todo com os cintos apertados porque os poços de ar eram mais que muitos e eu voava mesmo dentro do avião e com o cinto bem apertado... vínhamos todos agarrados às cadeiras... Foi horrível... mas já passou.
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Mal aterrei percebi que o avião em que a Rita e o Rui tinham vindo tinha acabado de aterrar também. Ainda do autocarro do aeroporto vi a minha irmã na fila dos passaportes... finalmente... que saudades. Depois de abraços enormes e de sorrisos largos, lá falei com o tipo do transfer para me dar uma boleia para o Hotel.
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Mesmo cheias de sono não conseguíamos parar de falar... as saudades eram muitas... mas depois de nos instalarmos e de trocar os habituais "estás tão gira!", "cortaste o cabelo!", "estás bronzeada... que inveja!" e "que saudades maninha...", lá conseguimos dormir num quarto mini onde cabiam bem apertadinhas camas para 3 pessoas, um armário com a porta a atirar-se para o chão, o saco enorme das velas e pranchas de Kite, as 3 malas, e pouco mais...
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Para além disto a casa de banho tinha uma porta que teimava em ficar aberta porque não tinha fechadura, as 2 únicas toalhas eram do chinês, e não tínhamos sabonetes...
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Bem, o hotel não era assim tão mau... prefiro pensar que este tipo de hotéis são concebidos propositadamente para sítios com praia e bom tempo, e por isso nos obrigam a ficar fora do quarto o máximo de tempo possível...
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Apenas para que fique registado... o nome do Hotel é Sobrado.

quinta-feira, abril 14, 2005


DUNA... a gatinha mais linda do mundo... é tão micro-mini que a primeira caminha dela era uma caixa de chocapic... simmmm aqui também há chocapic... Posted by Hello

quarta-feira, abril 13, 2005

Cinema

Pois... hoje foi o dia de finalmente entrar na única sala de cinema que existe no Mindelo.
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O esquema do cinema aqui é bem diferente do de Portugal. Primeiro só existe uma sala de cinema, Eden Park, que está localizada no centro da cidade, mesmo em frente à Praça Nova e ao lado do hotel onde fiquei hospedade durante a primeira semana. Depois os filmes estreiam ao sábado, sendo que nesse dia há apenas uma sessão. No domingo normalmente também há uma sessão mas eu matiné, e caso o filme seja muito bom ou se preveja que tenha muita audiência passam também o filme à noite. Durante a semana o mesmo filme mantém-se em apenas uma sessão diária às 19:15. E todas as semanas o filme muda.
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Mas o curioso não é só isto... Ora vejamos:
- às 19:10 vamos comprar os bilhetes à bilheteira que existe fora do edifício, estilo bilheteira dos estádios de futebol,
- o bilhete custa 100$00 (escudos cabo-verdianos, o que dá cerca de 200$00 portugueses),
- à frente da bilheteira há sempre 3 ou 4 bancas senhoras com umas cestas cheias de amendoin, rebuçados, sucrinha, e outras coisas afins, às vezes até há uma espécie de pipocas. Claro que não resisti e decidi comprar 1 saco de amendoins por 50$00 e lá fui eu para dentro da sala de cinema,
- à entrada da sala existem imensas plantas naturais,
- os bancos na sala são vermelhos e um tanto ou quanto desconfortáveis, até porque se colam ao corpo,
- a tela até que é grande, só não é grande coisa
- o projector está mesmo perto do público, tanto que durante todo o filme se ouve a fita a passar pela máquina,
- durante o filme as pessoas não desligam os telemóveis, e até os atendem em pleno filme
- ouve-se imenso barulho das pessoas a partirem as cascas de amendoim, muito mais interessante do que o barulho das pipocas
- durante a projecção ninguém na sala está calado, ora são bocas, comentários, piropos, assobios, gargalhadas, palmas,.... sei lá.... de tudo um pouco e alto e bom som... até já me disseram que em filmes mais agitados há mesmo que se ponha em pé em cima das cadeiras a torcer por um protagonista e a dar indicações sobre por onde deve ir o personagem... Básicamente os filmes aqui não passam necessáriamente na tela, muitas vezes passam mesmo é na sala
- no fim do filme a sala fica cheia de cascas de amendoim, e toda a gente sai para ir fazer grogue para a Praça Nova
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Foi uma verdadeira aventura... Fiquei fã...

Aula de teatro

Depois de horas a trabalhar no duro... a vencer o calor que insiste em entrar pela janela do meu gabinete a dentro... Saí do trabalho a correr para ainda apanhar uma das imensas lojas chinesas abertas para com a Lígia comprar umas roupinhas para a Vivian.
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Mas como todo o comércio aqui fecha às 19h e depois não tínhamos nada para fazer, decidimos ir assistir às aulas de teatro que estão a decorrer no Centro Cultural do Mindelo.
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Só vos digo... foi muito fixe... mas agora estou já cansada e nem vos consigo descrever o quanto eu ri... quando saí de lá já me doía a barriga e a garganta de tanto rir...
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Foi divertido e volto lá, pode ser que da próxima vez vos consiga escrever um pouco mais do que hoje.
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(Bolas... não estou mesmo nada inspirada.... O meu último neurónio deve estar a entrar em colapso por excesso de raios solares que batem na minha janela todos os dias...)

terça-feira, abril 12, 2005

Mais um jantar lá em casa...

Isto está a tornar-se um hábito, e por sinal um hábito que eu adoro... Receber pessoas em casa...
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Não me apetecia jantar sozinha e como a Lígia estava cá convidei-a para jantar, depois lembrei-me que o Jota já tinha vindo da Praia (capital de Cabo Verde) e que ele ainda não tinha visto a minha casa nem a minha gata, então liguei-lhe convidei-o para jantar, quando estava a chegar a casa lembrei-me que o que tinha para cozinhar era frango, montes de peitos de frango, e que por muito que tentássemos jamais três pessoas davam conta do recado, então liguei ao João e convidei-o para jantar, como ele já tinha combinado com a Arlete, eu também a convidei para jantar...
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E assim foi... 5 pessoas lá em casa e mais uma gata....
Todos à vontade e todos a cozinhar... depois de uma garrafa de vinho já todos cantavam e dançavam....
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Tentámos sair para ir ouvir música ou passear, mas depois de uma barrigada de strogonoff de frango rebolámos todos rua abaixo até ao Casa Café Mindelo e por aí parámos todos deitados num sofá até nos mandarem embora já passavam 15 min da meia noite.
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E assim começa mais uma duríssima semana de trabalho....

segunda-feira, abril 11, 2005

Visita fotográfica

Desde que aqui cheguei que queria sair com as máquinas fotográficas às costas pelas ruas desta cidade e explorar aquilo que não se vê com olhos de turista nem com olhos de residente... Os pequenos pormenores que me fascinam e que tornam o meu dia-a-dia confortável, mas diferente do dia-a-dia da minha vida em Portugal.
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Então hoje foi o dia... eu e a Catarina saímos para ir à praia, mas como estava muito vento outra vez, passámos rapidamente para o plano B - fotografar o Mindelo.
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Com as máquinas em punho e um bloco de notas no bolso, abri os meus olhos para as pequenas coisas que tornam esta cidade única, bonita e diferente...
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Apesar de o tempo estar estranho, bastante carregado com muitas nuvens no céu, eu acho que os slides vão sair bem... espero bem que sim...
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Estas fotos ficam para vermos num dos muitos reencontros no fim do ano... e para estes levarei o projector e a tela para projectar...
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No fim do dia, e como já tinha descansado muito no fim-de-semana, decidi fazer mais um jantar. Desta vez os convidados foram a Catarina e o João, e as estrelas da companhia foram duas belíssimas garoupas no forno.... hummmmm. DIVINAIS....
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Eu nunca tinha feito o peixe assim, aliás... raras são as vezes em que eu faço peixe... e este ficou óptimo... delicioso... acabou num instante e se houvesse mais também não tinha sobrado...
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Estão a perceber agora qual é o meu problema em emagrecer?!! eu só faço coisas saudáveis, e tenho comido comidinha caseira, tanto em casa como nos restaurantes aqui da zona, mas infelizmente a comida é demasiado boa. Até a minha comida me sabe tão bem... e olhem que não tenho comido porcarias... mas a verdade é que não me parece que vá emagrecer durante este ano.... Paciência fica para a próxima...

sábado, abril 09, 2005

Deitar tarde e cedo erguer...

Pois... esta manhã depois de me ter deitado às 3h da manhã, a única coisa que me apetecia era dormir tranquilamente até às 14h pelo menos... Mas não foi isso que aconteceu.
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Eu agora tenho um bébé em casa... a Duna... é uma gata, mas é uma gata bébé. Então eram 5h da manhã estava ela a acordar e a pedir para ir à casa de banho... já sabe que tem de ir à casa de banho. Então lá me levantei eu cheia de sono a tropeçar naquela bola de pêlo com quatro patas e que mia... e com grande esforço lá me arrastei de olhos quase fechados (o chinês que existe dentro de mim revela-se por volta desta hora...) até ao caixote da menina Duna Carmita para ela e eu depois podermos dormir descansadas.
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Quando me voltei a entrar no meu vale dos lençóis pensei ingenuamente que ia conseguir agora sim dormir até depois do meio dia... Mas estava enganada...
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Eram 7:30h da manhã quando a Duna decidiu que já eram horas de comer... Então lá me levantou eu novamente e com bastante esforço meto-me debaixo do belo do chuveiro eléctrico (algo que não existe em Portugal... depois mando-vos fotos desta maravilha da técnica), para tomar um banho morno a tender para o quente. Saio do banho e está a Duna a olhar com um ar maravilhado para aquela coisa estranha que manda as pessoas cá para fora cobertas com uma camada de um líquido transparente (a água ainda não lhe tinha sido apresentada...), e com um cheiro completamente diferente do que tinham antes (pois... usei gel de duche...). Escusado será dizer que esta gatinha achou que tinha perdido pela segunda vez a sua mamã (ela já me adoptou), e que eu com o banho tomado era um terceiro ser com características completamente diferentes. Logo que me cheirou as pernas, ainda molhadas, fugiu a sete pés para debaixo do meu novo sofá.
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Só quando me meti na cozinha a aquecer um bocadinho de leite é que ela voltou a aparecer e aí é que me reconheceu. Afinal... quem lhe dá comida é sempre bem-vindo...
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Depois de muito brincar com ela, tocaram-me à campainha, era a Lígia, e finalmente com novidades... Finalmente o processo de adopção da Vivian está a andar, se tudo correr bem dentro de duas semanas era terá oficialmente uma linda menina de 2 anos e 3 meses... E eu serei uma "tia" babada...
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Enquanto eu comia lá íamos fazendo uma lista mental das coisas que seria necessário comprar para dar as boas vindas à bébé Vivian. E a Lígia deliciada fazia um monte de festinhas ao membro mais recente da minha família, a minha "filhota" Duna. Quando vim para cá meti mesmo na cabeça que não ia adoptar nenhum animalzinho, mas ainda bem que a Duna apareceu no meio do meu caminho...
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Logo que me despachei saímos de casa e fomos às compras... as primeiras compras para a Vivian, e as minhas primeiras compras de coisas para decorar a casa. Depois fui ao mercado por as almofadas para me fazerem umas fronhas, e finalmente comprei o tecido para cobrir o sofá.
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De regresso a casa almocei e depois encontrei a Catarina, então para aproveitar ainda mais um bocadinho do dia fomos até à Laginha, com o biquini vestido para podermos dar um mergulho. Mas... azar dos azares... tem estado uma ventania tal que já não ponho os pés na praia à 2 semanas... O vento estava tão forte que andar de bicicleta era impossível porque ficava parada, e andar a pé também era difícil... requeria uma boa preparação física e algumas camadas de roupa para travar o bombardeamento com grão de areia que quase perfuravam a pele.
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Em vez de um banho de mar que tanto me apetecia, ficámos à conversa com a Marta e a Bélem, numa esplanada que existe mesmo em frente à praia. E depois de várias tentativas de banho desistimos e voltámos para o centro da cidade.
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Estava tão cansada que quando vi a R. de Lisboa só me apetecia ter logo ali a minha rica caminha, mas depois lembrei-me que não tinha nada para comer nem para beber em casa... estava na hora de ir às compras... Lá fui ao Seri Lopes para me abastecer de tudo e mais alguma coisa, até de latas de comida para gato (que no próximo fim-de-semana não vou estar cá e alguém tem de vir a minha casa por comida à Duna).
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Cheguei a casa carregadíssima, aqueles 200 mts desde o supermercado até à minha porta custaram-me horrores e cravaram-me calos nas mãos para os próximos dias... Depois de arrumar tudo... fiz uma bela tosta mista e um leite com chocolate bem quente, sentei-me no sofá com a televisão ligada no TVP e adormeci que nem um anjo... ainda antes das 19:30h...

Tolerância de Ponto

Hoje houve tolerância de ponto, não porque é feriado nacional, mas porque hoje é o funeral do Santo Padre... Foi algo inesperado, mas eu não me importo nada de ter mais um dia de descanso.
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Hoje a cidade estava vazia, não se via vivalma, é impressionante... Todas as lojas e todos os serviços estavam fechados, até as 64 lojas de chineses que existem no Mindelo, estiveram fechadas o dia todo (os chineses aqui são muito diferentes...)
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Aproveitei então este dia de folga para conhecer melhor a minha gatinha e para a dar a conhecer a alguns dos meus amigos do Mindelo. Assim fui almoçar com a Catarina a casa da Maria Adelina, que é uma portuguesa, de Leiria, é fotógrafa e vem passar aqui cerca de 3 meses todos os anos.
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Ao jantar como já tinha combinado foi a vez de eu fazer um jantar e foram elas as duas lá ter a minha casa. Bem... eram 20h quando começámos a fazer o jantar, lá experimentámos o meu forno a gás com um belo franguinho, que ficou delicioso... E depois do jantar ficámos à conversa, e quando demos por ela eram 2:30h da manhã... a gatinha já dormia profundamente atrás de uma das almofadas do meu novo sofá... e então decidimos acabar a noite por aqui. Não sem antes dar uma voltinha na marginal para desmoer um bocadinho...

sexta-feira, abril 08, 2005

uma DUNA dentro de casa

Pois é.... tenho mesmo uma duna dentro de casa....
e como é isso possível perguntam vocês?
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Ora bem... tudo começou assim:
quinta feira às 18h estava eu a sair do emprego a dirigia-me para o supermercado, precisava de comprar algumas coisas para o jantar e já tinha acabado os garrafões de água que tinha em casa. Passava tranquilamente na Travessa da Praia quando quase tropeço na nova inquilina que tenho em casa. A Duna, uma gatinha linda com cerca de 2 meses, com dentes de leite, olhos azuis, malhada, tão pequenina que cabe na minha mão e é mais pequena que o meu pé (nº 36).
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Esta bébé, estava a miar e a andar meia atarantada de um lado para o outro. Depois de meia hora a tentar perceber o que é que ela andava a fazer, e a ver se encontrava a mãe ou os irmão dela, percebi que ela estava perdida. Ela ainda não via muito bem, e com o andar meio desengonçado nem conseguia evitar tropeçar nas pedras do chão.
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Peguei nela ao colo e logo apareceram umas 5 pessoas que me diziam que a levasse para casa e que a tratasse bem. Veio ter comigo um mendigo, uma senhora bem vestida, um senhor surdo-mudo e mais duas pessoas normais.
O mendigo dizia que ela tinha que ir para minha casa porque ela tinha fome e frio à noite, a senhora bem vestida dizia-me que se eu quisesse um gatinho que devia deixar este na rua que ela dava-me um siamês puro de uma ninhada que estava para nascer em casa dela, e o surdo-mudo não disse nada, apenas pegou nela com imenso carinho e tentou perceber se era gatinha ou gatinho.
Quando eu lhe disse que era gatinha, apontando para mim ele confirmou com a cabeça e um enorme sorriso. Colocou-a nas minhas mão e fez-me um sinal de me ir embora com ela e para a tratar bem.
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Coração mole como sou lá a trouxe para casa.
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Mal cheguei a casa telefonei à Catarina que tem em casa o Fanfrélio (um gato completamente alucinado... e muito giro), e pedi-lhe que me fosse ajudar.
A gatinha esteve uma meia hora assustada, eu até fiquei com medo que ela não estivesse bem... pensei que tivesse fome, e frio e então tratei de fazer uma cama e de preparar a comidinha.
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A caminha é uma caixa de chocapic com o pano do pó que trouxe de Portugal para a aquecer. E a sua primeira refeição era um bocadinho de leite que ainda tinha em casa, diluído com água (como não tinha chegado a ir às compras, não tinha mais nada em casa).
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Depois de comer a gatinha começou logo a arrebitar e agora já é dona e senhora daquela casa.
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Nem vos consigo dizer como ela é linda... enche-me a casa e o coração... é tão bom ter companhia... ter alguém que nos espera quando chegamos tarde a casa... alguém que nos dá mimos e nos faz rir com as suas brincadeiras e que nos ama do fundo do coração, sem pedir mais do que uns minutos de atenção...
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Duna da Praia de Cabo Verde, és a menina dos meus olhos... o meu bébé... com os teus passinhos de gata encontraste o caminho para o meu coração...

quinta-feira, abril 07, 2005

TVP

TVP esta é a sigla do mais conhecido canal de televisão do Mindelo, e significa TV Pulú.
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Pulú??? perguntam vocês. Sim, Pulú. Pulú é um senhor que tem uma antena potentíssima e que apanha uma série de canais incluindo os canais portugueses, os canais brasileiros, a Sport Tv e até os canais Lusomundo, e depois para se entreter decidiu comprar um retransmissor e mostrar ao mundo o que ele vê em casa. Assim nasceu a TVP, agora ele até já faz reportagens sobre os golfinhos que apareceram na Laginha e sobre o carnaval... Qualquer dia até já passa anúncios...
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Este canal é tão rico que até já tem mais audiência do que a TCV (Televisão de Cabo Verde). E este canal é o máximo... estou eu muito tranquila a ver as notícias da SIC notícias e ele decide mudar de canal para a Sport TV... é lindo... dá-me uns nervos....
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O programa diário normalmente é assim (daquilo que eu já vi): às 8h da manhã dá desenhos animados de um canal qualquer que ainda não percebi qual; à hora de almoço dá as notícias da SIC notícias; depois dá um programa da Barbara Guimarães; depois dá o TV Show da Globo TV; à noite normalmente dá futebol da Sport TV; e depois dá um ou dois filmes da Lusomundo.
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Este canal é de tal maneira conhecido que o Pulú chega a receber telefonemas das pessoas que assistem ao canal a dizer "não mudes agora Pulú, deixa acabar de ver este programa." É lindo... este país, tem coisas incríveis...
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De vez em quando também vejo os outros canais de televisão, mas só tenho mais dois à escolha. A TCV que só abre a emissão ao fim da tarde (já parece como em Moçambique...), e neste canal costumo ver as notícias durante a semana, costumo ver o programa "Semana ao Domingo" que é um resumo das notícias da semana que passa ao Domingo ao fim da tarde, e vejo ainda o fecho da emissão com a bandeira nacional e esvoaçar ao vento.
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No outro canal a que tenho acesso, o canal RECORD, nem sei muito bem o que se passa... Acho que é o canal da Igreja Universal do Reino de Deus... os tipos passam imensos programas de venda ao longo do dia, passam receitas, passam a telenovela "Escrava Isaura", e à noite têm uma programa que acho que se chama "A Chama da Verdade", onde eles literalmente queimam os problemas das pessoas, escritos em papel, usando a tal chama, que não passa de uma lamparina acesa. Mas há imensa gente a telefonar para lá a chorar e a queixar-se dos seus males. Os tipos dos programas são brasileiros, mas dirigem-se para a comunidade mundial que partilha a língua portuguesa, e as pessoas que para lá telefonam são portugueses, cabo-verdianos, brasileiros e acho que também já ouvi lá angolanos.
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Qualquer dia falo-vos também da rádio que se ouve por aqui... não tem nada a haver com a nossa rádio...
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Viva Cabo Verde... estou a adorar estar diferenças...

quarta-feira, abril 06, 2005

Que vida dura !!!

Ai....
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Esta vida é mesmo dura...
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Vejam lá que ando tão cansada, mas tão cansada que nem consegui acordar hoje... Isto de ter sempre programas para todos os fins de tarde é muito difícil...
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O pior é que preocupei meio mundo... Estava eu a dormir profundamente quando o telemóvel tocou com sinal de chamada. Eu pensei "quem é que me está a ligar antes das 7 da manhã?" (o meu despertador começa a tocar à 7 da manhã e não pára durante 2 horas). Vi que era um Engº da Câmara Municipal de S. Vicente, a ligar-me provavelmente para marcar uma reunião. Mas antes de atender decidi ver que horas eram... Pois... foi o choque... um verdadeiro balde de água fria atirado à minha cara... eram 9:30 da manhã.... Eu começo a trabalhar às 8:00.
Bolas... já não atendi o telefone porque ia falar com voz ensonada, mas dei um salto da cama e corri para o duche para acordar. Vesti-me e enquanto tomava o pequeno-almoço liguei a televesão para ver as notícias (simmmm..... eu já tenho televisão....). Entretanto tocam-me à porta, e eu pensei que era a Paula que tinha chegado atrasada para fazer as limpezas.
Quando abri a porta vejo a Carmita (a minha senhoria), a Lígia (a que vai adoptar uma criança) e a Paula (que vinha fazer as limpezas)... todas elas com um ar de quem tinha visto um fantasma...
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Então o que se passou foi que para além do despertador/rádio ter estado a tocar das 07:00 às 09:00, e para além do despertador do telemóvel que toca durante 1 hora de 10 em 10 minutos, a Paula esteve a tocar à minha campaínha e a bater à porta quase meia hora e eu não ouvi.
Ela pensou que eu já tinha ido para o trabalho e então lá veio ela à empresa à minha procura. Claro que eu não estava. Então lá voltou a Paula a minha casa e foi procurar a minha senhoria. A Carmita foi perguntar à Ligia se sabia alguma coisa de mim, e ela só sabia que eu tinha ido dormir às 22:00 e que estava bastante cansada.
Ficou tudo num alvoroço, pegaram na chave suplente que eu deixo em casa da Carmita e subiram as três para minha casa, ficaram junto à porta sem saber se a abriam ou se batiam à porta primeiro.
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Eu abri a porta e expliquei o que se tinha passado, mas o susto que lhes preguei foi valente. Estava eu a falar com elas quando o João (meu colega que agora mora no apartamento em frente ao meu), aparece acabado de sair do banho, ainda com a toalha... Também tinha adormecido... Foi a risota total...
Qualquer dia ainda somos despedidos...

segunda-feira, abril 04, 2005

Bolo de Natas

Susy a tua receita é óptima.
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Problema - têm de se bater as claras em castelo... ai o meu braço...
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Para não comer tudo dei praticamente metade aos filhos da Paula (Srª que faz as limpezas lá em casa)

domingo, abril 03, 2005

A Insustentável Leveza do Ser

das 15h às 02:30h li tudo de seguida, sem conseguir parar.
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Adorei.

sábado, abril 02, 2005

Coisas soltas - again

- Sofá e almofadas - finalmente fui comprar as componentes que faltavam para ter algum conforto na minha sala, um colchão de espuma e 5 almofadas feitas à medida, agora já só falta o tecido para forrar, mas o cor-de-laranja está esgotado na ilha de S. Vicente...´
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- Almoço com Ana Cordeiro (Directora do Centro Cultural Português) - cachupa mais uma vez e muitíssimo boa. A cadela dalmata adorou-me e não me largava e o gato igual ao dingo só queria mimos...
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- Jantar em casa da Joana - Bióloga Marinha demasiado tímida para eu perceber o que está a fazer aqui e se precisa de algum apoio
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- O Papa morre - Paz à sua alma...

sexta-feira, abril 01, 2005

O dias das mentiras

Pode ter parecido mentira este dia, mas não foi...
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Quanto à adopção... as coisas já se começam a encaminhar... o processo vai avançar para adoptar uma menina de dois anos que foi abandonada à um ano pela mãe... e pelo pai foi abandonada desde a nascença como é hábito por aqui...
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- golfinhos na Lajinha - pensei que era a mentira do dia 1 de Abril, mas afinal era verdade, eram cerca de 20 e a população entrou dentro de água para evitar que eles encalhassem, no fim regressaram ao mar.
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Um dia com dois finais felizes...

Tertúlia

Labirintos da Arte, foi o tema da Tertúlia que teve lugar no Casa Café Mindelo que é de uma portuguesa que decidiu vir viver para cá.
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O convidado era João Branco e falou-nos do seu percurso... e depois... tudo sobre o teatro foi discutido e aplaudido...
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Foi bastante interessante....

quinta-feira, março 31, 2005

A queda

Espalhei-me ao comprido, não sei como nem porquê, agora ando atrofiada. Um joelho e um cotovelo arranhados. Que dor.... nem a dormir consigo dobrar a perna porque a ferida volta a abrir...
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Mas quando caí fui super corajosa, levantei-me e olhei em volta, pouco gente ... ok, levantei-me e nem sequer olhei para as feridas e como se nada fosse peguei nas coisas que tinham ficado um pouco espalhadas por toda a parte e segui para casa. Chegada a casa vi o belo espectáculo... sangue pela perna abaixo e as feridas cheias de areia...
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Lá limpei e desinfectei... agora está tudo bem, é só sarar... mas há feridas que custam mais a curar do que outras...
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Só há uma coisa que ainda não percebi... como foi que eu fui cair? o passeio era liso, havia luz porque era 1h da tarde, e faço sempre o mesmo caminho para casa... ora... eu não escorreguei, não tropecei, não torci o pé, não fiquei com o pé preso e nem sequer tive uma tontura...???!???!!!
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A sensação que dava era que alguém me tinha empurrado mas ao pé de mim não estava ninguém....
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Pura e simplesmente caí... devia ir distraída e devo-me ter esquecido de como era andar... e caí.

quarta-feira, março 30, 2005

Mais coisas soltas

- Lançamento do livro do Tchalé Figueira - já li o livro e não gostei, ele (Tchalé) em vez de contar uma história e inventar ou descrever coisas, não... decidiu puxar dos galões e mostrar como é culto e então passa o tempo todo a introduzir no texto expressões e textos de outros, passa o tempo todo a fazer referência ao que deve ter aprendido na escola. Quer mostrar que sabe, e da história do livro... pouco diz e não traz nada de novo.
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- Bolonhesa vegetariana - de Portugal trouxe comigo a soja e aqui convidei a Lígia para jantar comigo. A Lígia é portuguesa e está cá a tentar adoptar uma criança, se tudo correr bem penso que irá mesmo adoptar duas. :)

terça-feira, março 29, 2005

Coisas soltas

- Paula - primeiro dia de ajuda em casa... esta senhora tem cerca de 40 anos e tem dois filhos e é a minha ajuda preciosa lá em casa. Pago-lhe bem para o valor médio mas o ordenado é chocante... 4 contos caboverdianos por mês, isto dá cerca de 40 euros, cerca de 8.000$00 / mês. É tão pouco... antes de me ir embora tenho que lhe deixar mais qualquer coisa e agora sempre que puder quero ver se lhe dou coisas para os miúdos...
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- Bolo de Banana - o primeiro da minha vida... estava muito bom, mas pequeno... afinal tive que o bater à mão... ainda não tenho a batedeira, vai ter de vir de Portugal juntamente com a varinha mágica e a torradeira. É que cá as coisas são muitíssimo caras, bem mais do dobro do que em PT
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- Documentário "Outros Bairros" - terrível o que voltei a sentir... grande parte do doc é sobre o bairro dos húngaros, que estava mesmo ao lado da minha casa em Miraflores.

segunda-feira, março 28, 2005

Resumo

Desta vez tenho que resumir os meus últimos dias... de momento não tenho força para mais... pode ser que mais tarde consiga voltar atrás e contar ao pormenor o que fiz e o que senti:
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27 - Março
- Concerto particular da Celina Pereira na Kasa d'Ajinha, com o Zé Afonso, com o Kiki Lima (primo da Celina), com Germano Almeida (também primo da Celina e autor do último livro que o meu pai me deu) e com muita muita emoção... eu chorei... neste dia chorei por todos os que já perdi e principalmente por ti PAI. Mesmo não percebendo o que a música dizia (o "Choro" - música de funeral), sentia no meu coração a dor de perder alguém a dor de te perder a ti... e enquanto o meu coração apertava o meu peito, os meus olhos deixavam escapar lágrimas de dor.
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- Documentário "White Diamond" - espectacular

sábado, março 26, 2005

um mau dia

Hoje nada correu bem... também é impossível que depois de uma má notícia o dia ainda voltasse a endireitar...
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O Dingo morreu... o meu gatinho mais lindo...
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Que abalo grande no meu coração...

uma fogueira depois do Mar Alto

Para encerrar Março - mês do teatro, foi apresentada a melhor peça de todas as que vi cá - "Mar Alto". Para além de ser um boa peça, adorei os textos, adorei o tema, a encenação estava óptima, cuidada e cheia de significado, e os actores eram fantásticos. Para além disto tudo gostei da peça porque conheço a pessoa que a idealizou e um dos actores que lhe deram vida.
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João Branco é um português que se fartou de esperar que Portugal melhorasse e à 13 anos atrás (sim treze), decidiu que devia sair de vez e emigrar. João Branco é filho de José Mário Branco, e um dia disse ao pai que não ia acabar o curso e queria definitivamente ir para fora, e o pai como tinha um amigo em Cabo Verde sugeriu este país. Uma semana depois de ter tomado esta decisão já estava a pisar o solo deste pequeno arquipélago e desde essa altura tem lutado aqui para construir algo... Construiu o que é hoje o teatro no Mindelo. É ele que dá aulas de teatro e é ele que monta todos os anos pelo menos dois espectáculos. Foi graças a ele que foram nascendo dos seus cursos os melhores grupos de teatro agora a representar em Cabo Verde.
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O actor que conheço é o Paulo, curiosamente esta peça era a sua estreia... e foi óptimo... à saída todos diziam que tinha sido o melhor e nem sequer sabiam que ele ainda é aluno do curso de teatro, era o único em palco que ainda não tinha acabado a sua formação. E foi sem dúvida nenhuma o melhor em palco. Vocês nem imaginam como ficou com os olhos a brilhar quando no fim da peça fomos todos ter com ele e lhe dissemos isto... Estamos a assistir ao nascimento de uma nova estrela no firmamento de Cabo Verde...
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A peça em si fala de um barco com 3 náufragos bem vestido e que enfrentam um grave problema... a comida acabou.... No meio de politiquices, de discursos e manipulações a peça termina com um belo banquete de dois dos náufragos que se servem do outro que se "ofereceu" como refeição. A encenação foi óptima... não só dava para ouvir as palavras usadas para manipular o elemento psicologicamente mais fraco, como dava para sentir a perda rápida de forças até à aceitação da sua morte "voluntária".
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Depois da peça o grupo de teatro foi todo festejar para a Lajinha... e acabei esta noite fantástica sob as estrelas, a ouvir o bater das ondas na areia branca, a aquecer os pés na fogueira que se acendeu e a comer um belo e quentinho arroz à valenciana...
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Imaginam melhor vida do que esta?!...

quinta-feira, março 24, 2005

Mais um fim de tarde cultural

A avalanche de eventos deste último mês culminou neste fim de tarde... havia tanta coisa para fazer e tão pouco tempo que não tive que falhar dois dos quatro "compromissos".
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Hoje havia o lançamento da revista Mindelact, havia uma mostra de produtos tradicionais de Sto Antão, havia um concerto privado do Vasco Martins e havia ainda o ensaio/ante-estreia de uma nova peça de teatro.
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Mas só consegui ir a dois deles.
Fui à mostra de produtos tradicionais de Sto Antão, na galeria Alternativa que é do Leão Lopes e da Mamy Estrela, e fui ao concerto do Vasco Martins.
Adorei estar na Alternativa, comi e bebi lindamente, só vos digo que vim de lá carregadíssima. Comprei umas bonecas de pano, uns individuais feitos com folha de bananeira, malagueta em azeite e alho (fortíssimo... é uma autêntica bomba... mas é óptimo), doce de papaia que fica divinal com o queijo da terra, e finalmente trouxe um licor de goiaba que é muito muito bom. Este licor está á espera da primeira visita para ter a sua estreia...
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Depois de ter enchido a barriguinha pequenina (cada vez mais redondinha ihihihi) (aqui é impossível fazer dieta...), fui para casa o Vasco Martins. É possível que alguns de vocês já tenham ouvido música dele, eu ainda não tinha ouvido e aquilo que esperava não teve nada a haver com o que ouvi. Eu pensava que ia ouvir música tipicamente cabo-verdiana, ai como me enganei... Ele compõe música tipo erudita a puxar para a meditação budista... não sei se me fiz entender... pelo menos o ritual dele antes de tocar é de preparação para a meditação e a música dele transporta-nos no ar e leva-nos para o desconhecido. Eu entrei quase em completo transe... foi fantástico... e mais palavras para quê? se nem as consigo pronunciar? ouçam a música e depois digam qualquer coisa...

quarta-feira, março 23, 2005

Aii....Blimundo...

Blimundo é um touro que salta directamente do imaginário das crianças e dos adultos de Cabo Verde... é uma lenda... e esta lenda fala um pouco da história da independência de Cabo Verde...
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Mas sobre esta estória não vos conto mais. Terão de ler o livro que comprei.
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Este livro tem estórias e música para miúdos e graúdos, foi escrito e cantado por Celina Pereira, cantora Cabo Verdiana. Aquela que estava no almoço da Zau.
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No lançamento do livro e perante uma sala cheia de crianças, estavam também todas as altas personalidades ligadas à cultura, tanto de Cabo Verde como de Portugal. Muitos foram os que falaram, e falaram bastante bem, mas o melhor momento foi quando Celina acompanhada do Zé Afonso nos encantou com a música do Blimundo...
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Esta é uma música que me ficou no ouvido, já lhe conheço um pouco da estória e a melodia ficou gravada no meu ouvido.
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Não vos consigo descrever mais nada... só tenho a música na ponta dos dedos e não a consigo transmitir...
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Aiiii.... Blimundo....

terça-feira, março 22, 2005

Plenário sobre a Problemática da Água em Cabo Verde

Bem sei que isto é falar de trabalho, mas é só para vos dizer que aqui finalmente se assiste a uma mudança de mentalidades e as pessoas estão mesmo de olhos postos no ambiente.
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É muito bom chegar aqui nesta altura, em que se começa a falar de ambiente, em que se iniciam as discussões que daqui a algum tempo terão frutos. É muito interessante ver o empenho de todo o tipo de técnicos e até mesmo políticos sentados a dar as suas opiniões e verdadeiramente interessados em ouvir o que todos têm para dizer.
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Até eu já sou ouvida... algumas pessoas vêem-me perguntar o que é que eu acho ou deixo de achar... é mesmo muito interessante, eu própria estou a contribuir um bocadinho para este processo de mudança...
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No fundo no fundo quando pensava em ir trabalhar para África era exactamente para isto, para poder participar em algo, poder contribuir para a melhoria do ambiente num país que realmente precisasse.
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Esse objectivo estou agora a alcançá-lo... Que bom.

segunda-feira, março 21, 2005

Exposição de Tapeçaria

Como já me inscrevi no Consulado Português e como me fui apresentar tanto à Cônsul como à Directora do Centro Cultural Português, recebo na ELECTRA todos os convites para eventos patrocinados ou organizados pelos representantes do estado Português no Mindelo.
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Assim fui convidada, entre outros eventos, para assistir à inauguração de uma Exposição de Tapeçaria de Portalegre. Lá fui eu toda contente a seguir a um duro dia de trabalho, até fui quase a correr, porque ingenuamente pensava que ia comer uns salgaditos e ia ter direito pelo menos a um sumo de papaia. Pois... Esqueci-me de um pequeno pormenor... o estado Português é sempre pobre para muitos assuntos e principalmente para a cultura e para o apoio a países que dizemos irmãos...
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Para além deste pequeno pormenor que não correspondeu às minhas expectativas, a exposição era boa. Tão boa que quando entrei pensei que me tinha enganado na exposição e em vez de tapeçarias estava a ver quadros. É que estas tapeçarias são reproduções de quadros de vários pintores e o pormenor é tanto que em muitos deles temos a sensação clara de estar a ver pinceladas...
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Aconselho vivamente a todos os que gostem ou não de tapeçaria para irem a Portalegre ver o museu e ver também o processo de fabrico.

domingo, março 20, 2005

Novamente Calhau e Praia Grande

Como mais um fim-de-semana chega ao fim, é preciso recarregar baterias para a semana que se avizinha. Novamente com o carro emprestado do Luis Leão lá vamos nós à Praia Grande e ao Calhau.
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Desta vez levamos connosco a Catarina, arquitecta que está a fazer um estágio sobre a construção tradicional em Sto Antão, e o Álvaro que está de férias em S. Vicente à já quase 2 meses. Depois de almoçarmos no Katedral/Furnalha (não sei qual dos nomes é o verdadeiro), uma bela cachupa guisada (quase ao estilo roupa velha da cahcupa do dia anterior), e uma coca-cola fresquinha com gelo e limão, lá nos pusemos a caminho.
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Fomo à Praia Grande e que grande praia é esta... o areal vai desde o Calhau até à Praia do Norte da Baía (mesmo junto à Baía das Gatas), eu logo que cheguei pensei ir dar uma voltinha a pé, mas a areia era demasiado mole para eu poder afastar-me muito... Então fiquei à conversa com o resto do pessoal que aqui estava.
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No outro carro tinham ido a Marta que é uma jornalista portuguesa que está a lançar a revista "Dá Fala" aqui em Cabo Verde, e também tinham ido a Bélem e o Santiago. Este casal tem um percurso bastante interessante: a Belem é argentina (acho que é assim, eu confundo todos os países da américa latina) e o Santiago é Colombiano (acho eu...), ele é pintor e ela é actriz, ele estava a trabalhar em Espanha e a Belem tinha ido ter com ele, mas não estavam satisfeitos e decidiram mudar. Produraram no mapa que sítio poderia ficar mais ou menos a meio do caminho entre Espanha e as suas terras natal, e descobriram Cabo Verde. Depois verificaram de havia coisas de interesse para fazerem aqui e descobriram que o Mindelo era uma terra de artistas, e com imensa actividade cultural e com ensino de teatro. A Belem então decidiu que ia continuar a estudar teatro mas aqui com caboverdianos e com um português como professor (João Branco), e o Santiago vai alternando entre o Mindelo e Madrid, estando dois meses aqui e um mês lá.
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Depois de dar um curtíssimo mergulho na Praia Grande onde o mar está cheio de correntes que nos puxam para o oceano, voltámos para o carro e seguimos para o Calhau, não sem antes comer uma friskinha (gelado que se vende nas carrinhas que circulam pela cidade e pelas praias).
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Já no Calhau e como hoje já vinha prevenida, peguei nos meus óculos de mergulho e nas minhas barbatanas e lá me atirei para dentro de água. Bem... não é a grande barreira de corais da Austrália, mas também não é um mar Português. Aqui há algumas rochas, alumas plantas, alguns (muito poucos corais) e vários tipos de peixes, não muito coloridos mas bastante variados. E depois tem uma coisa fantástica é que se saio um bocadinho de perto da rocha já estou em oceano aberto... Eu estava entretida a perseguir um peixito que depois decidiu fugir para alto mar. Aí eu parei e olhei em frente... um universo desconhecido.... um imenso azul... Não fui mais longe pois estava consciente do tipo de seres que podia encontrar pela frente não muito longe de mim. Mas talvez numa próxima oportunidade possa explorar um bocadinho mais deste mundo imenso pintado de azul.

Holanda

Holanda é o nome de uma tasca rasca mas com boa comida que está plantada mesmo em frente à Lajinha. Este tasco para além de ser por vezes o meu poiso depois de um mergulho rápido à hora de almoço, muitas vezes ao fim-de-semana também me sento aqui para petiscar enquanto leio um livro.
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Este Holanda tem coisas curiosas:
- servem toda a comida com ketchup e maionese
- é mais fácil servirem bifes do que peixe grelhado apesar de estar mesmo em frente à praia
- tem sempre à frente uns lavadores de bicicletas e de carros
- tem uma empregada que deve ter entrado no guiness à conta do bigode enorme que lhe salta da cara, mas atenção a senhora é uma simpatia...
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Este Holanda herdou o nome dos imensos emigrantes que vivem e viveram nesse país.
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Este Holanda tem às sextas e sábados à noite música caboverdiana, música verdadeira, que vem dos bairros que circundam a cidade, música que não se vende em cd's, mas uma música que entra e não mais sai do ouvido.
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Foi aqui que acabámos a noite de um dos dias mais agitados desde que cheguei. Aqui fomos com a Belem, com a Marta (já vos falo delas mais à frente), com o Fausto que está no Mindelo com uma equipa de filmagem para rodar um filme do artista plástico Leão Lopes. A este bar foi também a São que é uma assistente social que vivia tranquilamente em Lisboa, lá apaixonou-se por uma Caboverdiano com quem casou e com quem decidiu vir morar para o Mindelo. Entretanto separaram-se mas ela cá ficou com os dois filhos e agora está a conseguir por de pé um projecto que tanto ambicionava, "A Quintinha". "A Quintinha" é uma casa que irá recolher miúdos que necessitem de apoio e é aqui que se pretende que eles se integrem novamente na sociedade, é um projecto muito giro que ao fim de dois anos de luta está agora a dar os seus frutos.
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Mas voltando ao Holanda, aqui estivemos tranquilamente a ouvir músicas tocadas e cantadas por gente normal e local, com uns personagens algo diferentes pelo meio. No tambor a marcar o ritmo estava uma mulher, toda aperaltada como se fosse a um casamento, na guitarra estava um tipo que se achava o máximo e que não parou de piscar o olho a todas as meninas que ali estavam e ao cavaquinho estava um Sr. muito fininho, magrinho, enfezadinho, mas com um ar muito divertido e simpático, eu só nunca sabia para onde é que o Sr. estava a olhar... é que ele era muito estrábico.

"O Anel Dourado"

Depois de um almoço e uma tarde agitada, lá fui novamente para o teatro.
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Desta vez a peça era "O Anel Dourado". A estória passa-se no mercado de peixe, entre discussões com facas bem afiadas e peixes enormes com anéis dourados lá dentro. Até que desta vez a peça tinha quase tudo para ser boa. Era falada em Crioulo, o que é bom para eu aprender, tinha sempre momento verdadeiramente hilariantes, tinha um bom actor (curiosamente o mais novo actor em palco era o melhor), e a sala estava cheia. Mas faltavam algumas coisas, que impediram que esta fosse uma noite bem passada. Faltavam ensaios... pois... sem ensaios é difícil a coisa sair bem à primeira. Então havia de tudo, desde actores que esqueciam as falas e os outros é que lhas diziam baixinho, a cenas repetidas mais de 5 vezes porque nenhum dos actores intervenientes se lembrava do que vinha a seguir, e até havia um erro do próprio encenador que decidiu repetir a mesma piada cerca de 10 vezes (10 foram as vezes que eu contei) ao longo da peça e portanto já estava mais do que gasta e já ninguém se ria.
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Mas atenção, a estória era bem engraçada e sempre que falava o "Didi tira-escamas" era um fartote de rir, o miúdo tinha mesmo piada...
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Só é pena aqui o teatro ter geralmente só a estreia, não sendo possível os actores ficarem mais à vontade com o público, e isto nota-se mais quando não houve muito tempo para os ensaios.
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Mas à parte de tudo isto, ri-me bastante e fiquei a saber que cá no Mindelo a palavra peixe tem dois significados, de acordo com as pessoas que estavam ao meu lado: "peixe pode ser peixe do mar, e também pode ser o peixe dos homens", LOL, quando me disseram isto percebi que durante a peça a palavra era usada muitas vezes nos dois sentidos, e houve momentos em que foi difícil parar de rir.

sábado, março 19, 2005

Casa da famosa Zau !!!

Zau - diminutivo de Isaura
Isaura - nome próprio da Exma Srª Presidente da Câmara Municipal de S. Vicente
Estava eu tranquilamente a voltar para casa para tomar um banho, depois do calor tórrido do sol do meio-dia, que apanhei enquanto assistia a mais um "Pega Saias" na Rua de Lisboa, quando a minha senhoria (Carmita) me perguntou se eu já tinha almoçado. Ao que eu respondi que não, mas que ia a casa do João comer uma Cachupa que ele tinha encomendado para inaugurar a casa nova. Mas nem tive tempo de dizer mais nada, ela sai a correr para dentro de casa e quando volta diz "prepara-te que vais comigo". Eu vou? vou onde? fazer o quê? a que propósito?. Pois sem eu dar por ela, meia hora depois estava já dentro do jipe a caminho do Madeiralzinho (bairro onde estive quase para morar quando cheguei cá).
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Cheguei então à casa da Zau, amiga íntima da Carmita, e também da cantora Celina Pereira. Eu ainda não tinha sido apresentada à Srª Presidente, mas ela já sabia quem eu era e o que estava a fazer, estava verdadeiramente bem informada. E então sem que eu esperasse ela abriu os braços enquanto se aproximava e deu-me um abraço de boas vindas. Ela é castiça, é super descontraída e boa anfitriã, estava bem vestida para a ocasião, e ao mesmo tampo andava com um penteado radical (cabelo espetado tipo Bart Simpson), e andava descalça.
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Rapidamente me apresentou a toda a gente e pôs-me uma coxa de galinha e uma cerveja nas mãos. Perante uma chegada destas não podia mostrar-me tímida e fui logo meter conversa com os restantes convidados.
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Primeiro fui falar com a Celina Pereira, cantora e contadora de histórias, que veio cá para lançar o seu novo livro.
Depois fui falar com Zé Afonso que é o seu director artístico (acho que é este o nome que se dá), que é um porreiro, e um pouco gago.
Mais tarde falei com um tipo que já foi campeão mundial de windsurf, que se apaixonou por Cabo Verde e que decidiu montar agora a sua escola de vela, onde os miúdos de rua podem ter uma nova oportunidade na vida.
Depois ainda apareceu o famoso jogador de futebol Carlos Alhinho, que já jogou no Benfica e agora é o seleccionador nacional de Cabo Verde. Mas este eu já conhecia porque estive quase para alugar a casa da irmã dele.
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Falei com muito mais pessoas, mas pessoas normais com histórias mais ou menos normais, tal como a minha.
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A Zau tinha convidado para a festa um grupo de músicos de bairro, que estiveram o almoço todo a tocar e cantar.
Quando acabámos de comer a cachupa o verdadeiro espectáculo começou. A filha da Zau e a Celina cantaram mornas e coladeras, das mais conhecidas e das mais bonitas de Cabo Verde. Sentia-me em ambiente familiar e feliz por me terem deixado participar um pouco nesta reunião de amigos. Sentia-me tão bem e fui acolhida tão bem que me ofereceram grogue velho (um horror... para mim é péssimo, mas é bom para quem gosta de wisky) e eu tive que beber, e no meio de todas estas pessoas que tocavam e cantavam dei por mim a assobiar algumas das melodias que já tinha ouvido.
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O ponto alto da festa foi numa altura em que uma das pessoas presentes, a Manuela, me disse alto e bom som, como que a mostrar que tinha a aprovação de todos, que eu estava no bom caminho para ser aceite na comunidade Mindelense, que era sincera e que nenhum outro estrangeiro tem esta postura quando está cá, e que por isso eu só tinha de continuar a ser eu para poder ser aceite.
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Bem... nem imaginam... devo ter passado por todos as cores do arco-íris... foi inesperado e muito bom ter ouvido isto.

sábado, março 12, 2005

Os bichos invadem a Praça

Como alguns de vocês já viram pelas fotografias, hoje houve uma invasão da Praça Nova por um monte de bichos estranhos que andavam pelo meio das pessoas com os seus guarda chuvas.
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Todos os anos no Mindelo o João Branco, actor e encenador e também professor de teatro, inicia um novo curso de teatro com duração de 9 meses. Durante este tempo os alunos de todas as idades e nacionalidades, para além de terem aulas têm também que participar numa espécie de ensaios teatrais. Durante o mês de março houve aos sábados o "Pega Saias", em que estes alunos saiam à rua vestidos todos de igual e iam para a R. de Lisboa perseguir e imitar os movimentos de todos os que passavam. Era o máximo... Algumas pessoas até se assustavam e desatavam a correr para fugir dos malucos vestidos de branco.
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Hoje, em vez de "Pega Saias" houve uma actividade que envolveu directamente o público. Na Praça Nova, ponto central da vida Mindelense, onde as pessoas se reúnem e andam às voltas para se verem e serem vistos, distribuíram-se papéis com os nomes de alguns animais. Sem que me apercebesse de repente a praça encheu-se de pessoas vestidas de forma estranha, que andavam de forma estranha, que não comunicavam connosco e que pareciam autênticos maluquinhos com os chapéus de chuva abertos. Cada um deles imitava o comportamento de um animal que tinha escolhido, e a tarefa do público neste dia era tentar descobrir quem era quem.
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Eu tive imensa dificuldade mas no fim só ficaram por identificar muito poucos. Mas olhem que andar na praça a ouvir os comentários de quem foi apanhado de surpresa era o máximo... houve comentários de chorar a rir... LOL
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Foi um espectáculo que só visto...

sexta-feira, março 11, 2005

As Julietas

Depois de vários dias super-hiper-atarefada a arrumar a minha primeira casa... e como eu estou sempre a procurar o conforto máximo... não me canso de andar a arrastar móveis e a inventar mil e uma disposições novas para as mobílias e afins. Acho que ao fim desta semana já posso dizer que tenho a casa pronta, ou pelo menos já me começo a sentir verdadeiramente em casa.
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Hoje para descansar um pouco a minha cabeça decidi ir novamente ao teatro. Desta vez a peça chamava-se "As Julietas" e era uma adaptação de "Romeu e Julieta", pela companhia de teatro Solaris, uma das mais conceituadas de Cabo Verde. Esta era uma peça aguardada com algum entusiasmo pela comunidade uma vez que de acordo com a imprensa teria algumas cenas mais eróticas que poderiam provocar surpresa no público. Assim sendo a pequena sala de espectáculos do Centro Cultural do Mindelo estava nesta noite completamente cheia.
Bem... devo dizer que até me considero uma pessoa bastante aberta e que acolhe com algum optimismo as coisas diferentes da vida... mas esta peça... não gostei nada, e até fiz um esforço para tentar gostar.
Foi a desilusão total para mais de 2/3 do público ali presente. A peça era uma tentativa de entrar no campo intelectual, apresentando um espectáculo simbólico e erótico, no entanto para mim não passou de uma tentativa frustrada e pseudo-intelectual. Queriam a toda a força chocar o público mas nem isso conseguiram. Só para vos dar uns exemplos: a peça desenrolava-se à volta de duas mulheres, uma fazendo de Romeu e a outra de Julieta, que supostamente antes de se conhecerem tentavam descobrir a sua sexualidade (momentos sem grande realismo e nem mesmo as gargalhadas habituais do público se fizeram ouvir). Quando se conheceram apaixonaram-se perdidamente e a sua relação era suposto ficar exposta perante a audiência, no entanto todo o contacto físico que supostamente deveria chocar o público não acontecia na verdade e sempre que se aproximavam tinham uma espécie de filme plástico a separar as duas bocas. Ora como o plástico não tinha simbolismo nenhum, nem como barreira entre elas , nem como protecção, ele estava ali tão somente para que as actrizes não se beijassem mesmo. Eles queriam chocar mas sentiram-se algo envergonhados em levar a representação até ao fim.
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Foi pena... porque assim a peça ficou como que interrompida pela vergonha e inexperiência dos actores. Assim a peça nem chocava, nem era uma boa peça, nem tinha simbolismo nem erotismo como tentaram propagandear.
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A desilusão foi geral, mas melhores dias virão.

quinta-feira, março 10, 2005

Teatro de miúdos para miúdos

Lembram-se do meu mail "Eu e o teatro"? Pois bem aqui vai o que vivi e senti neste dia:
"Quem me conhece bem, sabe que gosto muito de ir ao teatro… ao cinema também, mas o teatro é diferente… permite que estejamos mais presentes…

Em Portugal tinha sempre muita coisa para fazer e pouco tempo para aproveitar as imensas peças que estreiam durante quase todo o ano. Em Cabo Verde, estando eu a morar na cidade onde se concentra a elite cultural, não podia perder as peças que por aqui passam.
O mês de Março é o mês do teatro no Mindelo e por isso sempre que há uma peça a sociedade que gosta de teatro reúne-se 5 minutos antes da hora marcada no Centro Cultural do Mindelo para assistir, participar e aplaudir. Aqui toda a gente se atrasa para todos os compromissos, à excepção do teatro, dada a importância e o respeito que se tem por esta nobre arte.
Aqui no fim da peça as pessoas levantam-se para aplaudir, porque geralmente as peças são boas e bem representadas, e à saída da sala conhecem-se pessoas porque é impossível não fazer comentários… é impossível não vibrar com formas puras de representar…
No outro dia, na peça "O Princípe Perfeito", foi impossível não deixar cair uma lágrima de emoção porque quem estava em palco eram meninos de rua que todos tinham considerado perdidos, e que decidiram voltar à escola e dedicar-se ao teatro e conseguiram, arrancaram-nos da cadeira para dar o mais forte aplauso que já ouvi e para partilhar com eles o momento de emoção que viviam ao acordar para uma nova vida…
Foi um dos melhores momentos que assisti e vivi no teatro ou em qualquer outro evento cultural…"

quarta-feira, março 09, 2005

Pôr-do-Sol

Todos os dias da semana, durante os três habituais minutos, fico em plena contemplação do belíssimo Pôr-de-Sol que tenho o previlégio de assistir da janela do meu escritório...
Todos os dias é fantástico, todos os dias é mágico...
E todos os dias penso "por muitas voltas que o mundo dê, o sol continuará a acender-se e a apagar-se na linha do horizonte, todos os dias da minha vida"

terça-feira, março 08, 2005

Clube Náutico vs Le Café Musique

Clube Náutico
dia 2 de Fevereiro
Como em qualquer cidade à beira mar que se preze, aqui apesar de não haver marina, existe um Clube Náutico, que é por excelência o local onde os estrangeiros com gosto por alguma aventura vão à noite comer qualquer coisa e beber um gin tónico (aiiii.... o Peter's). Pois bem... e eu como boa ex-marinheira que sou decidi ir dar-me a conhecer ao mundo dos pseudo-marinheiros locais e estrangeiros aventureiros.
Como em quaquel clube náutico do mundo lá passei por baixo de uma fileira de bandeiras usadas para comunicar entre embarcações, até aqui nada de estranho. Olhei para as paredes e reparei que o arquipélago de Cabo Verde fazia parte da decoração de uma das paredes e em alto relevo, é interessante.
Sentei-me e preparei-me para pedir os petiscos... Ora pois... não queria mais nada???? não?! Petiscos nem vê-los, então pedi o menu. A escolha estava difícil entre o "amburga" e a pizza ou mesmo a bela da "sande c'atum". Optei pela pizza, pois é algo que normalmente dá para ver de que é feito e o que tem lá dentro. Big mistake, huge mistake.... A pizza mais parecia uma folha de papel vegetal redonda com umas coisas desenhadas a cor por cima... pois... realmente dava para ver o que tinha dentro, dava até para ver à transparência... eu gosto de pizzas de massa fina, todos sabem disso, mas também não é preciso exagerar... Mas pronto, "não há-de ser nada", pensei eu. Olhei melhor para aquela folha de papel e percebi que era amarelada por isso devia ter queijo, vi que as coisas com cores eram rodelas de chouriço e azeitonas cortadas, e pensei novamente para com os meus botões "afinal não me parece assim tão mau". Cortei a primeira fatia e enrolei-a com a maior das facilidades até fazer uma espécie de cigarro de enrolar bem fininho. Trinquei e qual não é o meu espanto quando reparo que ou eu não tinha paladar ou efectivamente a pizza não sabia a nada... Pois... trinquei outra vez mas desta vez um chouriço, e também não me soube a nada. "Bolas... só me faltava agora ficar sem sabor, que atrofio!..". Então decidi tirar a prova dos noves, e bebi um golo da minha coca-cola... A bebida não sabia só a coca-cola, sabia a coca-cola com gelo de água da torneira "que porcaria...", nem a bebida se safava. Jurei para nunca mais comer neste sítio com comida com sabores estranhos.
dia 8 de Março
Pouco mais de um mês depois eu regressava ao Clube Náutico, mas desta vez com conhecimento de causa. Já tinha provado a comida e a bebida, e já tinha investigado o local de forma a perceber que provavelmente, nos tempos aureos dos portugueses e dos ingleses, este local devia ter um importante escola de vela.
Neste momento estão cerca de 20 optimist a apodrecer nos seus berços ao lado do edíficio, expostos ao sol intenso e às chuvas torrenciais irregulares. Destes barquinhos da antiga escola de vela resta pouco mais que o bordo do casco, mete dó ver um investimento daqueles com uma baía destas aqui a dois passos, a ir "por água abaixo".
Esquecendo o cemitério de barcos aqui ao lado, e para que o Pedro (amigo do João) ouvisse um pouco de música ao vivo (que passa quase diariamente neste local "para turista ver"), lá entrámos novamente no Clube. Desta vez pedi apenas uma coca-cola e sem gelo, e estive a curtir a música de um grupo de cerca de 10 pessoas que nem sequer dava para perceber quem tocava o quê nem quem é que cantava, porque estavam sempre a entrar e sair de cena pessoas que circulavam na sala.
Le Café Musique
Já fartos dos enormes intervalos entre as músicas, decidimos ir até ao "Le Café Musique". Aqui sim é que se está bem. Aqui eu sento-me peço o monte de coca-colas que quiser, com ou sem gelos, com ou sem limão e a coca-cola sabe sempre a coca-cola.
Aqui venho muitas vezes, sempre que há algum concerto, e até já sou cliente habitual da casa. Já conheço alguns dos empregados e até já conheço alguns músicos, (nha Kapa, Bau, Vlú e Dubsquad), o único senão deste sítio é que marcam os espectáculos para as 10:30 da noite mas se eu só aparecer às 00:00 ainda tenho que esperar que os artistas apareçam. Mas como já conheço o esquema vou passear para outras bandas antes, e se calha a encontrar o músico fico de olho nele até que este se decida a ir ganhar uns trocos e nessa altura eu saio de onde estou e dirijo-me para mais uma noite de convívio com as pessoas do costume no Café Musique.
Este sítio é muito acolhedor, eu gosto imenso, tem boa música, bom ambiente... nem sei explicar, mas sinto-me lá bem. Acho que a minha descrição terá de ficar por aqui porque este é um daqueles sítios que por muito que escreva nunca vos conseguirei transmitir o que ele é. Têm de vir cá ver com os vossos próprios olhos...

domingo, março 06, 2005

Reconhecimento da Ilha

Depois de um dia inteiro a arrumar coisas, arrastar móveis e fazer algumas compras necessárias, decidi que domingo era dia do descanso do guerreiro. E que melhor forma de descansar existe senão a mudança de rotina?!!
Esta semana esteve cá o Pedro, amigo do João, e como ele estava com bicho cartpinteiro para conhecer a ilha e o tempo era pouco, precisámos de pedir um carro emprestado para dar umas voltas. A preparação do dia começou em arranjar carro, passou pelas compras no supermercado e pela preparação das sandes em minha casa. Já com tudo na mochila, incluindo 1,5lt de água por pessoa, lá nos metemos na viatura em direcção ao ponto mais alto da viagem.

Monte Verde
Como alguns de vocês sabem estas ilhas e particularmente S. Vicente, têm tido problemas graves com a seca, mas há sempre um local ou outro que escapam e mantém as cores, que deram nome ao arquipélago, só para nos surpreenderem... O Monte Verde é o ponto mais alto da ilha de S. Vicente, e é também o único local que está durante todo o ano com bastante humidade e com líndissimos tons de verde. Para se chegar lá é preciso que o carro aguente andar em terra batida e ao lado de precipícios, é também preciso que as vertigens não se lembrem de aparecer. Chegados quase ao topo deste mundo é preciso sair do carro e ir até ao marco que indica o ponto mais alto. A viagem é um pouco assustadora, mas a vista compensa o esforço. É LINDO!!!! Olhamos à nossa volta e vemos todos os pontos onde as ondas tocam a ilha... vemos as praias, a cidade, sentimos o vento na cara... não se houve nenhum som... só o assobiar do vento nas folhas dos aloés... sente-se um cheirinho a mar e as gotículas de humidade a tocar a pele... de vez em quando o sol surge por entre a bruma e aquece o corpo que entretanto arrefeceu. Olhamos à volta a pesquisar todo o horizonte, vemos claramente as ilhas mais próximas, Sto Antão enorme e imponente, ilhéu de Sta Luzia onde gostava de ir acampar um dia, ilhéu Raso e ilhéu Branco que vi pela primeira vez na viagem de avião de S. Nicolau para S. Vivente, e vê-se também a ilha de S. Nicolau, hoje um pouco esbatida por causa da bruma, mas bem visível em dias de céu limpo.

Calhau
Isto não é bem uma praia... é mais uma entrada directa para o mar... saltamos da rocha vulcânica quente do sol para a água refrescante do oceano (22ºC). Quando aqui cheguei pensei "esta gente é louca de vir aqui tomar banho... nem pensem que vou aqui entrar... isto não tem piadinha nenhuma.", mas depois de ver alguns dos nativos perfeitamente à vontade dentro de água, decidi também eu mergulhar. A água estava óptima, límpida e a uma temperatura excelente, as correntes oceânicas que arrastam todas as pessoas desta costa até ao Brasil, curiosamente aqui não se faz sentir, nem mesmo a grandes ondas do atlântico aqui incomadam quem está dentro de água. E por curioso que vos pareça, dá-me a sensação que a água aqui deve ser mais salgada do que em Portugal, pois fico a boiar com toda a facilidade do mundo e só não adormeço dentro de água porque não calha... Quase como um bacalhau, estive de molho cerca de 1 hora, que é do melhor para descontrair... e enquanto em boiava, mergulhava e nadava, ao pé de mim um rapaz pôs o isco no anzol e começou a pescar. Sempre que eu olhava para ele tinha tirado mais um peixe, todos de espécies diferentes, pelos exemplares pensei logo que aqui seria um bom sítio para mergulhar com os meus óculos e as minhas barbatanas e pesquisar um bocadinho este fundo do mar.

Restaurante e Pensão Chave d'Ouro
Ainda não vos tinha falado desta pérola da época colonial... a construção é fantástica, mesmo da época, o empregado do restaurante anda sempre bem vestido, tem um olho de vidro e só fala crioulo, come-se aqui um bom peixinho grelhado e tem uma pensão ao lado com umas luzes vermelhas a indicar a entrada para o local da tentação... é de chorar a rir. Estávamos nós a meio do nosso jantar de cachupa rica (não tão rica como devia ser, mas não estava nada má), quando uns tipos no outro canto da sala, pegam nas guitarras e cavaquinho e começam a cantar. Foi um espetáculo, um verdadeiro espectáculo, e ainda por cima foi de graça. Os tipos eram cubanos e estavam cá de passagem, claro que eu como boa anfitriã que sou fui logo cuscar... Comprei logo o cd deles que é espectacular e perguntei se iam tocar em algum sítio aqui no Mindelo, ao que me responderam que estavam a pensar nisso mas depois diriam alguma coisa. E efectivamente foram tocar, no Café Musique, mas porque eu e o João falámos com o dono e ele deu-lhe não uma mas duas oportunidades (2ª e 3ª feira) e deram um verdadeiro show. O público estava louco, batia palmas a marcar o ritmo e cantavam alto e bom som.

Depois deste dia tão cheio e atribulado só me faltava ter uma surpresa... a cachupa tinha carne de porco e em nem sequer reparei, só quando estava a ver um filme é que comecei a sentir a barriga a crescer e depois comecei a ficar mal disposta e depois foi só ter tempo de ir a correr para a casa de banho deitar fora os 700$00 cv que me tinha custado o jantar...

sábado, março 05, 2005

A primeira semana no sítio a que chamo casa

Durante a primeira semana após o meu regresso, tinha que encontrar uma casa. Estava farta de hóteis, as coisas que tinha enviado por barco já tinham chegado e já precisava do meu canto. Como a casa que eu tinha visto antes de voltar a portugal ainda não estava pronta, tinha duas hipóteses, ou andava mais uma semana a procurar casas caríssimas ou então ir falar com a Carmita e perguntava-lhe se não me queria alugar por estes meses o apartamento que me tinha emprestado para os primeiros dias. Optei pela 2ª alternativa. Então agora já tenho a minha casinha, muito pequenina, mas para mim chega.
A casa tem uma sala, um quarto, uma casa de banho, uma cozinha e uma marquise onde tenho o tanque e onde estendo a roupa. A casa é mesmo pequenina, mas está mobilada e minimamente equipada, e só pago 25 contos por mês (excluindo água e luz), que é um preço bem mais razoavel do que os 45 contos que me pediam nas outras casas.
Como a casa tinha tido umas obras de recuperação à pouco tempo, tive que calçar as luvas de borracha e vestir a vestimenta das limpezas, peguei na pá, na vasoura, na esfregona, no balde, e em milhentos produtos de limpeza que tinha trazido de portugal e outros que comprei aqui, e lá comecei eu as limpezas. Todos os dias a seguir ao trabalho começava a lida de casa, limpei e lavei a casa toda desde o tecto até ao chão, tinha mesmo que ser porque a casa ainda tinha o pó das obras.
Agora ao fim de uma semana de dores nas costas, a casa já parece outra... cheira a limpa e a nova... mudei a disposição de algums móveis e já começa a ficar como eu gosto. Também já comprei mais umas coisitas que me faziam falta, e já comecei a comprar artesanato de cá para decorar a casa.